Palavra Livre — Davis Sena Filho

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O PT não sabe o porquê do ódio... É a Síndrome de Estocolmo

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


Estou a ler notícias na internet e me deparo, para a minha surpresa, com uma notícia no Brasil 247 na qual anuncia que o Partido dos Trabalhadores, “assustado” e também “surpreso” com a rejeição por parte de milhões de brasileiros, principalmente os de São Paulo, resolveu fazer um levantamento sobre tal questão, que tanta incomoda sua direção, e, consequentemente, seus líderes.

A verdade o que me incomoda não é a rejeição por parte de cidadãos à agremiação política e partidária trabalhista. O que me deixa aborrecido e insatisfeito são as lideranças do PT, que ainda insistem em compor e tentar dialogar com setores conservadores e reacionários, que, apesar de serem beneficiados, estão sempre dispostos a apunhalar pelas costas o governo popular de Dilma Roussef, fato este que aconteceu, reiteradamente, quando Lula assumiu a Presidência por oito anos.

A pergunta que se recusa a calar é esta: “Qual é o problema do PT?” Eu mesmo respondo: “O Partido dos Trabalhadores sofre da Síndrome de Estocolmo”. É isto mesmo. A sigla trabalhista perdeu o punch e o élan, para não mais se recuperar. O PT, simplesmente, desaprendeu a se defender quanto mais atacar. Por isso, tornou-se um paciente da Síndrome de Estocolmo, que significa a vítima se envolver com seu algoz, de tal modo que passa a sentir “amizade”, “piedade” e até mesmo ser cúmplice daquele que o humilha e lhe causa dor e desatino.

Custo a acreditar que o PT precise da ajuda de uma empresa para saber o que está a acontecer no Brasil, sem, no entanto, de acordo com a matéria do “Brasil 247”, citar a imprensa de negócios privados, que faz uma das campanhas mais longas e sórdidas que se tem notícia no mundo ocidental quando se trata de atacar violentamente um governo autêntico, popular, legalista e democrático, que se recusa a excluir os milhões de brasileiros pobres dos mercados de trabalho e consumo, bem como permitiu o acesso dos mais humildes à educação, por intermédio das cotas, do Enem, do ProUni, do Pronatec, do Fies e do Sisu.

É impressionante a desfaçatez petista, com a exceção de Lula e mais timidamente a presidenta Dilma, quando se trata de afirmar que o sistema midiático privado, desregulado e de DNA golpista está há 12 anos a atacar os governos trabalhistas, a não lhes dar trégua e água, de forma consistente e diuturna, sem falhar um único dia, por meio de mídias cruzadas, no que diz respeito a desqualificar, desconstruir, judicializar e criminalizar a Presidência da República, os ministérios, os órgãos e autarquias governamentais, que ora são administrados pelo PT e seu governo de coalizão.

Não. De forma alguma é necessário o PT contratar uma empresa para saber, por exemplo, por que São Paulo rejeita ou sente ódio pelo Partido dos Trabalhadores. Será que o PT não compreende que São Paulo e sua ideologia e propósitos são similares a estados como o Texas, ou seja, território da União ocupado por moradores politicamente conservadores e voltados para os valores apregoados pelo liberalismo econômico, radicalismo religioso e a crença de que o mercado regula tudo e transforma os homens em seres “livres”.

São Paulo, antes de tudo e, historicamente, considera-se autossuficiente, como sempre demonstrou no decorrer de sua história. Edificado com trabalho escravo, com a imigração de europeus pobres e esfaimados e com a migração de sulistas, mineiros e nordestinos, o Estado mais poderoso e conservador do Brasil possui uma das “elites” econômicas mais perversas do planeta, além de se verificar que a classe média paulista e paulistana, em grande parte, coaduna com as ideias, os valores e os princípios daqueles que têm o domínio sobre os meios de produção.

A tradição conservadora da burguesia e da pequena burguesia de São Paulo e do restante do Brasil, somada ao sentimento a meu ver equivocado de se considerar “especial” e, por sua vez, com o direito de viver em um mundo restrito e dedicado a uma pequena parcela da população, faz com que esses setores da sociedade se tornem arrogantes, prepotentes e até mesmo violentos quando se julgam parte de uma “elite” que não deve conviver com os reles mortais, ou seja, o povo brasileiro, responsável maior pelo desenvolvimento do Brasil e pela riqueza da Casa Grande, que sempre se beneficiou de sua força de trabalho.

Portanto, é incompreensível ao tempo que ridículo observar que o PT e seus líderes ainda não perceberam que as manifestações de junho de 2013 não representam apenas momentos de revoltas da classe média, que foi às ruas, não porque o Brasil está envolto com “as maiores corrupções de todos os tempos ou da história”, como quer fazer crer a mídia corrupta e meramente de mercado, golpista histórica e entreguista por natureza.

De forma alguma. Nota-se, sobretudo, que a classe média, principalmente a que ideologicamente se identifica com o espectro à direita, sentiu-se preterida quanto à atenção do Governo Federal no que é relativo a receber também benefícios, além de se considerar “traída”, no que concerne a se certificar de que as camadas sociais mais pobres ascenderam socialmente, o que se torna um assunto de ordem psicológica, pois se trata de um perverso tabu, que se baseia em preconceitos e intolerâncias históricas enraizadas em sua essência escravocrata alimentada por gerações.

Apesar de a classe média ser tradicionalmente universitária e instruída por causa de sua escolaridade, ela tem enorme dificuldade para enxergar o mundo de forma universal ou completa, porque só consegue visualizá-lo até os limites de seu bairro ou dos lugares que frequenta. Ela não consegue se ver no outro, porque o trata como uma sombra que nunca aparece por causa da ausência do sol. Só que as sombras desenham suas silhuetas e este desenho não define cor, raça, credo, classe e origem social e econômica.

A falta dessa compreensão que a leva a ser intelectualmente obtusa e, por seu turno, incapaz de compreender os fatos e as realidades que lhes rodeiam, de forma precisa e pontual. Eis a classe média, que age como o avestruz da anedota, que enfia a cabeça no buraco para deformar e desvirtuar a verdade, pois se recusa a reconhecer, por exemplo, os avanços sociais e econômicos conquistados pelo povo brasileiro nos últimos 12 anos.
   
A partir dessas considerações e realidades, a Casa Grande, assim como seu principal braço de combate aos governos trabalhistas, a imprensa familiar e corporativa, trataram logo de empurrar o PT contra a parede e sufocá-lo. Começaram a atuar em quatro frentes, que agem de forma sincronizada: o PSDB e seus aliados, a imprensa empresarial, certos juízes do STF (já aposentados e na ativa) e inúmeros promotores, que, além de desejarem aparecer, resolveram fazer política, sem, no entanto, serem titulares de mandatos eletivos, mas, tais quais os coxinhas de classe média, resolveram tomar a frente de questões políticas e de ações administrativas e estruturais a cargo de políticos eleitos legitimamente pelo povo.

Os escândalos do mensalão, o do PT, evidentemente, porque o dos tucanos já está a prescrever, além dos malfeitos na Petrobras são exemplos emblemáticos de combate ao PT e da intenção de criminalizar o Partido e judicializar a política. Quem perde a eleição pelo voto, que é o caso do PSDB, recorre a assuntos de perfis escandalosos com o propósito de desqualificar e desconstruir o adversário, bem como conquistar o apoio de setores da população insatisfeitos com ascensão das camadas mais desprotegidas da sociedade, além de ideologicamente serem contrários a partidos e políticos que elaboram e efetivam programas e projetos de inclusão social.   

Para esses segmentos conservadores, o PT é tudo aquilo que eles detestam e rejeitam, porque se trata de um partido que nasceu do ventre das fábricas, além de dialogar com os movimentos sociais e de trabalhadores desde sua fundação, em 1980. Além disso, a Casa Grande é sabedora que o PT é um partido orgânico, ou seja, está inserido na sociedade, em incontáveis segmentos da vida brasileira, de maneira tal que se tornou imperativo para o establishment que a agremiação popular fosse duramente e sistematicamente desconstruída pelos canais de comunicação desregulados e controlados pela grande burguesia.

E aí, cara pálida, o Partido dos Trabalhadores, equivocado novamente, anuncia que vai contratar uma empresa para saber o porquê de o partido ser odiado. A resumir: algumas pessoas do PT (sempre é sábio não generalizar) gostam de adular certos setores do status quo. Como esses setores se mostraram resolutamente indispostos a dialogar, o PT, depois de muitos anos no poder, resolveu governar e moderadamente enfrentar aqueles que os atacam, o sangram, os caluniam, os injuriam e os difamam.

Essas realidades ficaram claras nas eleições de 2014, e na tentativa de golpe “branco” contra o Lula, em 2005. O PT tem de entender que a comunicação do governo é péssima, bem como quem a chefia não pode ser umbilicalmente ligada ao complexo de comunicação privado, já cansado de demonstrar que não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo. Ponto.

Os petistas, autoridades ou não, precisam urgentemente compreender que a Casa Grande, além de dar nó em pingo d’água e não dar ponto sem nó, não tergiversa quando se trata de seus interesses políticos, comerciais e econômicos. A imprensa, diversificada em inúmeras mídias cruzadas, transformou-se no maior partido de oposição de direita da história do Brasil. O sistema midiático familiar tomou a frente do processo político e pauta, sem titubear, a vida brasileira e suas instituições republicanas.

O PT também tem culpa de permitir que esse processo draconiano ou dantesco acontecesse. O principal partido do Governo foi pusilânime, covarde e se dobrou aos ditames de uma oposição enfraquecida, incompetente e entreguista, praticamente derrotada e desmotivada para enfrentar o pleito eleitoral.

Aprendi há muito tempo que se tal pessoa é leniente ou permissiva com acusações infundadas, denúncias vazias e calúnias, injúrias e difamações, que não retratam a realidade é porque não se importa com seu presente e futuro, mesmo se o passado foi glorioso, pois repleto de conquistas e trabalhos realizados. É o que está a acontecer com o PT que se dobrou, e, de joelhos, aceita o jogo da direita após ter vencido uma eleição muito difícil, com o apoio irrestrito e voluntário de sua militância, bem como dos blogs progressistas, também chamados de “sujos”.

Eis da onde veio a vitória do PT, pois a militância e a blogosfera de esquerda travam uma luta sem trégua e incansável contra a imprensa “oficial” e familiar, pois sustentada há mais de século pelo dinheiro público, do contribuinte. O PT sofre da Síndrome de Estocolmo, porque não reage a seu algoz: a Casa Grande, os tucanos, a mídia alienígena e certos setores do MP, da PF e do Judiciário deveriam ser enquadrados, por intermédio de meios legais.


Não cabe ao Governo Trabalhista, ao PT, nesta altura do campeonato, não saber e compreender o porquê de tanto ódio. O ódio, a cólera vem desde os tempos de Getúlio Vargas. Basta ler a história para depois marcar limites e territórios no que tange aos adversários. Quem cala, consente. O PT que trate de melhorar sua comunicação com o povo, efetivar o marco regulatório para as mídias e responder, de pronto, todas as acusações que forem injustas, manipuladas e infundadas. Sempre, sem vacilar. Não sei o que é pior: se a Síndrome de Estocolmo do PT ou o complexo de vira-lata e a veia golpista da Casa Grande. É isso aí.          

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Preconceito pornográfico dos coxinhas, golpe nas ruas e marco para a imprensa

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


“As virtudes que apreciamos já estão enraizadas em nós”. (Goethe)

Existem quatro principais setores que navegam pelo espectro político conservador e que ainda, percebemos, inconformados com a derrota eleitoral do candidato de direita e do PSDB, o senador Aécio Neves. Os recalcitrantes são os seguintes: 1- a imprensa de negócios privados; 2- os coxinhas de classe média lacerdistas; 3- o PSDB; e 4- os setores atucanados da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal, com canais abertos com o STF, a exemplo do juiz político e de direita, Gilmar Mendes.

A revolta e a frustração pela derrota do candidato desses grupos sociais e institucionalizados é tão grande que, após 22 dias das eleições presidenciais, a insanidade tomou conta dessas pessoas, principalmente em São Paulo — o mega bolsão do reacionarismo brasileiro desde os tempos dos bandeirantes. Considero incrível e quase inacreditável que o histerismo político-partidário faz com que indivíduos saiam da realidade e protestem contra a “cubanização”, a “venezuelização” do País, bem como a marcarem territórios como se fossem cães hidrofóbicos e, consequentemente, sem condições psíquicas para avaliar de forma ponderada, pontual e lúcida a conjuntura brasileira e suas realidades.

Chegam a ser ridículos e muitas vezes “cômicos” tais protestos de características conservadoras e golpistas, mas a verdade é que não o são. Esses movimentos têm objetivos nada ingênuos, e um deles é abrir um processo de impeachment contra uma presidenta constitucional, recém-eleita, legalmente, pelos votos de mais da metade do povo brasileiro, e que está a lutar pela reforma política, além de exigir, no momento, o afastamento e a punição dos envolvidos em corrupção, no caso Lava Jato.

Além disso, Dilma Rousseff tem afirmado à sociedade brasileira que vai realizar o marco regulatório para as mídias, a fim de efetivar regras para tão importante setor da economia, sem, no entanto, o Estado interferir no que diz respeito ao conteúdo que essas empresas, no caso as privadas, repercutem à vontade, porque, sem sombra de dúvida, os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e seus empregados publicam, mostram e falam o que querem, até mesmo, como ocorreu nas eleições, tentar influenciar os eleitores, como o fez a revista Veja — a Última Flor do Fáscio.

Contudo, o visível histerismo e a total rejeição dos fundamentalistas, dos desinformados, dos histéricos de direita, que cooperam para que os interesses do sistema de capitais sejam concretizados se tornaram uma questão preocupante para o Governo Trabalhista, bem como para parte importante e populosa da sociedade brasileira, que acredita no jogo democrático, nos ditames da Constituição e no estado de direito.

A questão primordial é o Governo Trabalhista se fazer ouvir e ser entendido pelo povo brasileiro. Existem meios para se preencher essa lacuna aberta desde os tempos do Governo Lula. E, como assim? Respondo: fortalecer o sistema de comunicação estatal, de forma que ele abranja todo o Brasil, por intermédio de novas sedes regionais e cobrar que a Secretaria de Comunicação (Secom) repercuta sistematicamente suas obras de infraestrutura, além de mostrar os avanços sociais conseguidos com os programas de inclusão do Governo Federal.

Todavia, somente essa estratégia não adianta. Não dá resultado. A Secom tem de rebater, diuturnamente, a imprensa comercial e privada de essência privatista e elitista. Quando há acusações e denúncias, todas elas têm de ser investigadas ou apuradas pelo Palácio do Planalto, por meio do Ministério da Justiça, com o apoio da base do Governo no Congresso, principalmente de suas lideranças, sempre prontas para informar e explicar os acontecimentos, mas nunca deixar de rebater, sistematicamente, as acusações infundadas e as denúncias vazias. Ponto!

Por sua vez, as ilações artificiais e os ataques nada republicanos, criados pela imprensa empresarial e familiar, pinçadas de um contexto mais amplo e complexo, têm de ser rebatidos duramente pelas Secom, Casa Civil e por autoridades de órgãos e instituições que respondem pela segurança do Estado e pela estabilidade da democracia brasileira.

É dessa forma que tem de agir as autoridades e os profissionais de comunicação, a evitar ruídos no que tange à compreensão dos fatos e dos acontecimentos por parte do povo brasileiro, merecedor de respeito, consideração, bem como de receber satisfações de quem é pago e sustentado pelo contribuinte. Agora, vamos à pergunta que não quer calar: “Quando os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas vão ser também investigados, julgados e punidos pelos seus crimes?”

A imprensa alienígena tem de ser colocada em seu devido lugar, pois, talvez assim, tal sistema midiático corporativo resolva fazer jornalismo, desça do palanque político-eleitoral e pare de proceder como uma agremiação política de direita, desregulada, para seu deleite, e que inúmeras vezes agiu fora da lei, como nos casos do bicheiro Carlinhos Cachoeira e da edição criminosa do debate entre Lula e Collor, em 1989, dentre muitos outros maus exemplos.

Sou sabedor que no Brasil existem muitos grupos de direita e de extrema direita na sociedade civil — no mundo empresarial, político, acadêmico e estatal. Compreendo o porquê de os coxinhas, falo daqueles que são educados, gentis e instruídos quando se trata das relações pessoais e profissionais, mas que, de repente, surpreendem pela intolerância expressada em uma variedade de preconceitos e cóleras que deixariam um fascista estudioso e ideológico com o queixo caído.

Trato da classe média que vai às ruas e brada, em catarse mesclada com ódio, por um impeachment, sendo que grupos ainda mais radicais reivindicam, “simplesmente”, um golpe militar. Surreal. Um histerismo coletivo de tal monta que deveria ser estudado por psiquiatras experientes, porque, sem exagero, considero que se trata de um surto pós-eleitoral, que atingiu muitas pessoas, que até agora não conseguiram sair desse círculo viciado, bem como não compreenderam os fatos e por causa disso não conseguem digerir as realidades apresentadas a elas, pois que lhes causam frustrações e, consequentemente, dores.

Há poucos dias conversava em um bar e restaurante, no bairro do Flamengo, com pessoas da minha geração, entre 50 e 60 anos. A conversa fluía e os temas eram sobre política, eleições, países, futebol etc. Lá pelas tantas, um dos caras, com 58 anos (ele disse a idade dele), estourou e começou a xingar seu interlocutor, porque ele discordou de suas considerações relativas aos EUA.

O homem ofendido apenas disse que os “Esteites” também tinham problemas sociais graves, como pobreza, falta de um sistema de saúde público de boa qualidade, racismo histórico, maior população carcerária do mundo, desemprego, crise financeira internacional, além de ser alvo de inimigos em quase todo o planeta. Pra quê? O cidadão de 58 anos, que até então se mostrava um coxinha gentil e educado, transformou-se no Mr. Hyde, de o Médico e o Monstro.

Testemunhei uma saraivada de insultos e impropérios que deixariam um biltre espantado ou a infâmia com vontade de pedir socorro. Impressionante a boca suja do sujeito. O coxinha bramia; e sua língua parecia um chicote para açoitar escravos. Incrível. O cidadão atacado pela verve absurda e injuriosa do indivíduo que, em um passe de mágica, tornou-se seu inimigo, primeiro ficou com os olhos arregalados, seus lábios ficaram brancos-acinzentados, depois suas faces ficaram vermelhas, para logo esboçar alguma reação...

A discussão ficou feia, mas o sujeito classe média arrogante e desaforado gritava mais alto e conhecia um conjunto de palavrões e insultos mil, que deixou todo mundo atônito e com vontade de ir embora. O homem rugia: “Não fale mal da América”! “Eu morei lá, porra”! “Eu amo a América”! “Eles são os xerifes do mundo”! “O Brasil é uma merda; uma verdadeira bosta”! “Odeio este País”! “Eu quero mais é que o Brasil e esse povinho mulambo, de merda, se foda”! “Não fale mal da América, seu merda”! “Bata na boca pra falar dos americanos”! E por aí vai, porque os palavrões e demais ultrajes não valem à pena relatar.

O mister Hyde brasileiro e carioca revelou seu lado demoníaco e... coxinha. Com ele, o doutor Jekyll não tem a mínima chance de recuperar seu corpo, pois sua alma já pertence ao monstro. Quero dizer que o Brasil vive tempos difíceis, no que concerne à convivência entre os diferentes e à tolerância quando os antagonismos são expressados e considerados como se as pessoas estivessem em uma guerra, quando, na verdade, são apenas posições quanto ao que certo cidadão acredita, pelo menos naquele momento, porque os seres viventes mudam de opinião quando, não, passam para o outro lado da cerca.

Foi o que aconteceu com o dono do bar onde ocorreu a contenda. O comerciante falava mal à beça do PT, e, por fim, votou em Dilma Rousseff, porque a filha dele foi beneficiada pelo programa Ciência sem Fronteiras. C’est la vie, como dizem os franceses. Depois desse bate boca passei a compreender melhor os meus detratores, que enviam desaforos e esculhambações por intermédio de mensagens ao meu blog, o “Palavra Livre”, bem como aos sites “Blog da Dilma” e “Brasil 247”, dentre muitos outros veículos da internet onde meus artigos são publicados e repercutidos.

O Brasil vive um momento psicológico, cívico e político singular. Porém, o Governo Trabalhista de Dilma de Rousseff, as instituições republicanas, a grande parte do povo brasileiro que preza as liberdades civis têm de ficar atenta às tentativas de golpes, ainda mais quando tais crimes se voltam contra a democracia, conquistada com muita luta, suor e sangue, no decorrer de 21 anos. Os grupos radicais de direita estão a brincar com fogo, porque as condições políticas de hoje não são as mesmas que se apresentavam em 1964. Vivemos em outro Brasil, e este fato é inquestionável.

Inúmeras pessoas, a exemplo do cidadão de classe média e com 58 anos, que ofendeu seu semelhante, porque ele apenas teceu comentários sobre os Estados Unidos estão “possuídas” por um despertar de emoções incontidas e omitidas durante muito tempo de suas vidas. De repente, elas explodiram, porque esses indivíduos não aceitam a ascensão social de brasileiros pobres, somadas às crenças ideológicas e opções partidárias, que se transformaram em amarras de suas existências, ao tempo que pontas de lanças de suas verborragias agressivas, esnobes e preconceituosas.  

São valores e princípios enraizados em gerações, e que, em certo momento, vieram à tona de forma incontrolável, ao ponto de a intolerância e o preconceito se tornarem os combustíveis dos que não se conformam com a democracia e o estado de direito, que estão a viabilizar a igualdade de oportunidades para que todos os brasileiros possam ter uma vida de melhor qualidade.


No fundo das almas dos senhores classes médias tão gentis e por isso bons anfitriões moram os monstros Hydes, pois, do contrário, não diriam tantas barbaridades e não mostrariam seus preconceitos e intolerâncias de conotações dantescas, quase pornográficas, nas televisões e redes sociais, nas ruas e praças públicas. O Governo Trabalhista tem de ficar atento para enfrentar golpes, fazer o plebiscito da reforma política, além de efetivar o marco regulatório para as mídias. O tempo urge. É isso aí.      

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Lava Jato: conspiração e política rasteira

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

CARDOZO DEVERIA QUESTIONAR DURAMENTE OS DELEGADOS E AFASTÁ-LOS DA LAVA JATO

Então é assim que a banda toca entre policiais, juiz e políticos no Paraná, quando se trata da Operação Lava Jato: o juiz federal, Sérgio Moro, vaza os depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a duas semanas das eleições presidenciais e se torna o eleitor tucano mais influente do Brasil naquele momento, pois não é compreensível e muito menos prudente e aceitável que um funcionário público, com responsabilidades republicanas tente influenciar em uma eleição, de forma que o peso da balança penda para o lado do PSDB. E foi o que aconteceu, sem sombra de dúvida.

Além disso, juntamente com o juiz, servidores públicos da Polícia Federal do Paraná, que ocupam cargos-chave na instituição se deram ao direito de fazer campanha política em prol do candidato derrotado do PSDB, Aécio Neves, da forma mais desrespeitosa possível, sem discernimento das realidades do País e de seu povo, a surpreender a alienação política desses policiais, bem como a virulência e o deboche de suas publicações, que não condizem com tais empregados do público, que deveriam, no mínimo, resguardar suas posições e cargos, além de guardar suas opiniões, que não interessam à sociedade brasileira, para a hora das urnas ou em momentos privados de suas vidas.

O delegado Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado; a delegada Erika Malik, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos; o delegado Márcio Anselmo, que coordenou a operação que prendeu o doleiro Youssef, além de mais três, que “trabalham” no mesmo “ramo”, bem como o delegado Maurício Grillo, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Organizados. Todos são subordinados ao superintende da PF do Paraná, delegado Rosalvo Franco.

Como todo mundo sabe, até os recém-nascidos, o Estado do Paraná é uma unidade da Federação politicamente conservadora, onde há muitos anos o senador Álvaro Dias e o governador Beto Richa tem vencido eleições. Os dois políticos são partes importantes do PSDB e fazem uma oposição cerrada e sistemática aos governos trabalhistas, que em outubro derrotaram pela quarta vez os tucanos em eleições presidenciais.

Álvaro Dias, o senador, transformou-se em porta-voz e replicador da imprensa de mercado, sendo que após as reportagens de fim de semana veiculadas pela Veja, Época, IstoÉ, Jornal Nacional e Fantástico, da Rede Globo, tal político de direita passa, no decorrer da semana, a repercutir as matérias dos jornalões, a exemplo de O Globo, Estadão, Folha, Correio Braziliense e Zero Hora, dentre outros menos abrangentes em termos nacionais.

A Superintendência da PF do Paraná e o juiz federal, Sérgio Moro, dão a impressão que estão ligados, umbilicalmente, ao PSDB paranaense e resolveram dar uma “mãozinha” à candidatura de Aécio Neves. E por que a crítica a essa ação? Porque não é plausível e sensato “virilizar” na internet e nas mídias comerciais e privadas depoimentos em segredo de justiça conseguidos por intermédio da delação premiada, que, evidentemente, trata-se de acordos entre criminosos e a Justiça, de forma que a pessoa que delatou vai receber do Judiciário benefícios para serem diminuídas suas penas.

A ruptura do segredo de justiça e da delação premiada são fatos ilegais e se tornam ainda mais visíveis quando esse processo daninho aos interesses do Brasil é efetivado em plena campanha eleitoral, a mais acirrada da história republicana deste País, em tempos de democracia, pois prejudicou a candidatura da petista Dilma Rousseff, que, além de ter de enfrentar o PSDB e a imprensa de negócios privados, ainda se tornou alvo de servidores públicos pagos pelo contribuinte. Policiais e juiz que usaram seus cargos influentes para atacar o líder petista, Luiz Inácio Lula da Silva, bem como tentaram desmoralizar e desqualificar a presidenta do Brasil.

E como esse processo draconiano foi realizado? Respondo: Por intermédio de facebook “privado” chamado de “grupo fechado”, como tantos outros que existem nessa rede social, cujos integrantes são delegados e agentes da PF do Paraná e também de outros estados, além de, evidentemente, como já foi dito, por meio do vazamento dos depoimentos de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa concedidos ao juiz Sérgio Moro, autoridade responsável pela Operação Lava Jato.

Sempre afirmei que o Ministério da Justiça deveria ser a instituição republicana mais importante da Nação — do País. Mais importante do que o Ministério da Fazenda, e abaixo da Presidência da República. O ministro da Justiça, juntamente com o da Casa Civil, deveria ser o responsável por fazer a interface política e pragmática do Governo Federal com o Congresso, com a sociedade e com todos os poderes constituídos, governamentais ou não, sejam quais forem os governantes, seus partidos e ideologias.      

Acontece que a democracia brasileira está a confundir liberdade com libertinagem, e foi o que aconteceu nos episódios relativos ao juiz Sérgio Moro e os delegados da Polícia Federal do Paraná, que se partidarizam e passaram a fazer política em favor do candidato Aécio Neves, como bem retrata o facebook “fechado” desses policiais, que se aventuraram além de suas influências e poderes, bem como trataram com escárnio o processo político e democrático brasileiro, porque, nas condições de servidores públicos, atacaram a presidenta da República, Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e desqualificaram o ex-presidente Lula através da desconstrução de sua imagem.

Logo os dois presidentes que mais realizaram operações da Polícia Federal, os que mais combateram a corrupção, os que mais afastaram e demitiram servidores corruptos, os que mais prenderam malfeitores nos setores públicos e privados, os que mais realizaram concursos públicos para a PF, os que mais instrumentalizaram e deram estrutura para que os policiais pudessem agir para realizar seus trabalhos e os que aumentaram o efetivo e melhoraram os salários desses servidores tão importantes para a segurança do Brasil, conforme os índices, os números e os dados do Ministério da Justiça e da própria PF. Quem duvida, que vá pesquisar nos sites dessas instituições.

As críticas deste articulista aos policiais e ao juiz federal não são referentes ao trabalho deles no que diz respeito à investigação, repressão e prisão de criminosos. Critico, sobretudo, a utilização das ações dos policiais e do juiz no que tange a politizar e partidarizar o combate ao crime para favorecer, sim, a candidatura tucana de Aécio Neves, com o conhecimento de políticos influentes do Paraná, que, por coincidência, são do PSDB.

Os ataques de policias com postos de mando, em facebook “fechado”, cujos participantes são homens e mulheres que têm acesso a documentos, provas materiais e depoimentos do caso Lava Jato é um acinte, um deboche à sociedade brasileira, bem como se trata de uma ilegalidade que remonta aos tempos da ditadura, quando agentes do Estado faziam o que bem entendiam, pois agiam fora da lei, como tivessem o direito de delinquir porque passou em um concurso público ou porque conseguiu ascender a cargo de poder dentro de suas instituições.


O que aconteceu é o fim da picada. O ministro da Justiça, José Cardozo Alves, tem de tomar uma atitude republicana, afastar esses policiais federais da Lava Jato e nomear outros para seus lugares, bem como o juiz Sérgio Moro deveria, no mínimo, ser questionado e investigado pela Corregedoria da Justiça Federal. Servidor público, ainda mais quando se trata de graduado, não pode fazer proselitismo político enquanto trata de questões sérias, a exemplo da Lava Jato, em plena campanha eleitoral. Realmente, tais servidores deveriam passar por um processo de ajuizamento e, quiçá, de discernimento, além de responderem, obviamente, pelos seus (maus) atos. A Lava Jato não pode se transformar em conspiração e política rasteira. É isso aí.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Se vier o golpe, Lula e Dilma tem de ir às ruas e submeter a oposição aos ditames da Lei

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre


“Eles {demotucanos e imprensa} não sabiam da força que eu tinha na rua. Eu reuni o governo aqui e eu disse: "Olhe, vocês fiquem aqui porque essa gente vai me enfrentar é na rua". (Presidente Lula aos ministros, em 2005, antes de ir às ruas para evitar um golpe contra seu governo)

Alguns blogueiros, colunistas e articulistas considerados progressistas tem demonstrado muita preocupação com a direita partidária encabeçada pelo PSDB e com o sistema privado midiático controlado por meia dúzia de famílias, que não aceitaram até agora os resultados legítimos das eleições de 2014, que reconduziram, por intermédio do voto popular, a presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, à cadeira da Presidência da República.

A preocupação faz sentido e não é à toa. Os jornalistas da blogosfera de esquerda conhecem a história do Brasil, seus antagonismos políticos, bem como seus contrastes regionais. Sobretudo tais profissionais reconhecem a força da direita e sua capacidade de mobilização de caráter golpista, a exemplo das tentativas e consolidações de golpes de estado nos anos de 1932, 1938, 1945, 1954, 1964 e, evidentemente, 2005, que a imprensa burguesa e de histórico golpista tratou logo de abafar o caso e deixá-lo para o esquecimento do tempo.

Contudo, há uma solução para estancar e combater tais crimes de ordens constitucionais e institucionais, geralmente protagonizados por setores das elites brasileiras de passados escravocratas e inconformados por não mais controlar os cofres do Governo Federal, cujas chaves das portas do Banco do Brasil, do BNDES, da Caixa, do Banco Central e do Ministério da Fazenda estão a ser controladas por políticos trabalhistas há 12 anos, sendo que o PT e seus aliados vão ficar mais quatro anos, a perfazer 16 anos no poder.

O antídoto contra golpes criminosos de estado se chama povo. Dilma e Lula se, porventura, considerarem que o mandato legal da presidenta está a correr perigo, a solução é ir às ruas, mobilizar o povo brasileiro, além da sociedade organizada em sindicatos de trabalhadores, entidades estudantis, associações de classes, como a OAB, a Fenaj e a ABI, bem como conquistar o apoio dos partidos de esquerda, de centro-esquerda e até mesmo os de centro, que se submetem aos ditames da democracia e da Constituição de 1988.

Quando magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e seus empregados de confiança, transformados em pitbulls desses oligopólios, teimam em não aceitar os resultados das eleições livres e legais ocorridas há menos de 15 dias, o melhor que o Governo Trabalhista tem de fazer é colocar as barbas de molho e ficar com um olho no gato e o outro no peixe do aquário.

A palavra impeachment está a ser propositalmente vulgarizada pelos áulicos da mídia de negócios privados. De tal forma que sistematizar tal palavra cantada na imprensa de mercado vai fazer com que parte da população brasileira tradicionalmente influenciada por segmento de alma golpista passe a considerar “normal” derrubar um governo constitucionalmente legal e depositário de 54,5 milhões de votos, conforme decisão independente das urnas.

Todavia, nunca se deve remediar ou tergiversar com a poderosa direita brasileira hoje capitaneada pelo sistema midiático privado, cujos donos são, sem dúvida alguma, os empresários de pensamento político, social e econômico mais atrasado do empresariado brasileiro, a superar, inclusive, setores conservadores que realizam suas atividades no mundo rural, exemplificadas no agronegócio.

Trata-se de um processo perigoso, porque o Brasil e a América Latina foram alvos de golpes belicamente violentos e sangrentos, no decorrer de 130 anos, geralmente perpetrados pela direita, apoiados e financiados pelos Estados Unidos, a terem suas embaixadas transformadas em bases da CIA.

Lamentável, pois, que mal terminaram as eleições presidenciais e a imprensa corporativa continua à espreita, como se fosse um felino à espera de dar um bote na presa. Não cabe mais no Brasil, um País que está a consolidar a democracia e o estado de direito, a efetivação de um processo draconiano, vampiresco, que são as tentativas de conspirações contra o Estado e o Governo.

A verdade é que existe uma fábrica de ilações constantes que visam a criminalização do Partido dos Trabalhadores e do Governo Trabalhista, além de se criar, diuturnamente, escândalos, denúncias e fofocas maledicentes que tem por finalidade demonizar a Presidência da República, porque o que está em jogo para a direita é a instabilidade institucional, e, consequentemente, a desmoralização do Governo.

E como conseguir esses intentos? Por intermédio da demonização de figuras importantes do Governo e de outros setores e poderes do Estado nacional. O alvo agora é a operação Lava-jato, que poderá implicar no envolvimento de figuras de proa, tanto do Governo quanto da oposição, que já sentiu calafrios na campanha de Aécio Neves à Presidência quando disseminaram a notícia de que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, consta na lista da Lava-jato, como um dos beneficiados pela Petrobras.

Por causa de fatos como esses que a direita ainda não se lançou totalmente aos ataques, como o fizera a partir de 2005, por meio do “mensalão” do PT, cujo objetivo era sangrar o presidente Lula até ele ficar inelegível ou ser derrubado por um golpe ao estilo do Paraguai ou de Honduras, quando presidentes de esquerda foram derrubados por intermédio de chicanas judiciais ilegais de fundo golpistas, com o apoio dos Estados Unidos. Nada que surpreenda a humanidade, afinal se trata de uma potência belicamente invasora e financiadora de golpes e guerras.

A verdade é que até hoje o “mensalão” do PT não foi comprovado, bem como não foi ainda julgado o mensalão do PSDB, que neste ano completou dez anos de impunidade, com a cumplicidade de setores politizados à direita do MP e do Judiciário. Um absurdo.

Observemos também que a constante veiculação nas mídias da palavra impeachment é uma forma de preparar os setores mais reacionários da sociedade brasileira para ir às ruas, como já o fizeram agora há pouco quando pediram o impeachment de uma presidenta recém-eleita, que respeitou o jogo democrático e eleitoral.
Não só pediram o impedimento da mandatária trabalhista, bem como histericamente reivindicaram uma intervenção militar, que, segundo os radicais direitistas, não é um pedido de golpe de estado, mas, sim, um “direito” que consta na Constituição. Chamar essa conduta de cínica e infame é pouco para tanta iniquidade e falta de discernimento e compromisso com o País.

Por isso, afirmo: não se brinca com a direita, ainda mais a brasileira, proprietária de escravos por quase 400 anos, e que, em pleno ano de 2014 do século XXI, ainda é flagrada a cometer crimes de trabalho escravo, como confirmam as fiscalizações e os índices do Ministério do Trabalho, bem como algumas notícias nos próprios jornais defensores das “elites”. Covardia maior não há. Pode ter igual, mas não maior.

Lula estava completamente com razão quando deixou o Palácio do Planalto e foi às praças e às ruas falar ao povo e, com efeito, demarcar terreno e limites para a direita golpista, que tem a imprensa burguesa como sua ponta de lança, como ocorreu nos idos de 1964. Dilma e Lula não tem mais o direito de vacilar ou tergiversar quanto à efetivação do marco regulatório para os meios de comunicação — a Lei dos Meios.

O líder de massas e a mandatária brasileira sabem com quem estão a tratar. Não se brinca com escorpiões e tigres selvagens. A história comprova o que eu estou a falar e a lembrar. O marco regulatório, a Lei dos Meios protegerão a sociedade brasileira, as instituições republicanas e até mesmo os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, que deixarão um pouco de conspirar e tratar de ganhar mais dinheiro. Por seu turno, se houver tentativa de golpe, Lula e Dilma tem de ir às ruas e submeter a oposição aos ditames da Lei. Igual a 2005. É isso aí.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Democratização das mídias, plebiscito da reforma política e comunicação do Estado

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre



Vamos direto ao ponto: se a presidenta Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores e o Governo Trabalhista não efetivarem o marco regulatório para os meios de comunicação — um dos poucos setores importantes da economia não regulado —, vai continuar a comer um dobrado, porque as tentativas sistemáticas de golpes institucionais e políticos vão ser a tônica, como tem acontecido no Brasil, principalmente a partir do segundo ano de Governo Dilma.

O PT e o Governo Popular que acabam de vencer uma das eleições mais difíceis da história da República tem a obrigação de compreender que a direita partidária, a burguesia brasileira em geral, por intermédio de seu braço midiático ideologicamente conservador e golpista jamais vão amenizar seus discursos agressivos e rancorosos, de conteúdos preconceituosos, vingativos e fascistóides, a exemplo das palavras do candidato derrotado, Aécio Neves, no plenário do Senado. Apesar de o tucano tergiversar, ficou claro que se tem alguma coisa que a oposição de direita não quer e nunca vai querer é ter qualquer diálogo com o Palácio do Planalto.

Não deve o Governo esquecer também dos senhores tucanos, o senador Aloysio Nunes Ferreira e o deputado federal, José Aníbal, que se mostraram contrários ao diálogo com o Governo, bem como apoiaram os movimentos de conotações golpistas de sábado passado, que contestaram os resultados das eleições presidenciais, além de considerarem pertinente a decisão de o PSDB pedir a recontagem dos votos junto ao TSE. A intenção foi prontamente rechaçada pelo tribunal, que se mostrou indignado com a paranoia conspiratória dos tucanos, sendo que alguns desses políticos emplumados falaram até sobre um possível impeachment de Dilma. Absurdo, pois total desfaçatez.

O pedido insensato de recontagem de votos de uma eleição limpa e livre de ocorrências graves, como a de 2014, foi feito por meio de ação do deputado Carlos Sampaio, tucano de Campinas conhecidíssimo por suas diatribes políticas e ações e atos ridículos, como, por exemplo, ter questionado, em 2013, na Procuradoria Geral da República (PGR), as roupas vermelhas usadas pela presidenta Dilma Rousseff. Surreal. Porém, acredite: o episódio mequetrefe e digno de uma comédia pastelão aconteceu.

O PSDB ataca, bate, acusa, denuncia e realiza ações antidemocráticas, porque judicializa a política e criminaliza seus adversários — o PT e seus aliados, além de apoiar e ser apoiado por setores reacionários, que odeiam a democracia e, com efeito, detestam a ascensão social dos pobres e de tudo aquilo que pode libertar o Brasil das amarras do subdesenvolvimento, da dependência e do jugo dos países considerados desenvolvidos e com históricos colonialistas.

Dissimulados e matreiros, os tucanos preferiram chamar a recontagem, que foi negada pelo TSE, de “auditoria especial”, o que é a mesma coisa, pois se trata apenas de uma ilação metafórica e que tem, na verdade, o propósito de colocar o Governo Trabalhista contra a parede, sem dar trégua, mesmo após a decisão do povo brasileiro de reconduzir a candidata Dilma Rousseff ao cargo de presidenta da República.

O resto é história de assombro publicada e veiculada pelos oligopólios e monopólios do setor midiático, que lutam principalmente para manter seus privilégios e seus poderes e influências intactos, mesmo a fazer, de forma sistemática e perene, uma oposição política que ultrapassa os limites do bom senso, da legalidade e da razoabilidade, pois que rasga muitos preceitos do estado de direito, pois é evidente que esses oligopólios familiares interferem, inegavelmente, no processo político brasileiro, às vezes até de forma criminosa.

Crimes investigados como os ocorridos nos casos de Época e Veja, em parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador cassado, Demóstenes Torres, somente para citar apenas um caso, porque existem muitos outros, que nunca foram investigados para valer e seus autores punidos. O bicheiro e o ex-senador estão soltos, enquanto José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, por exemplo, foram para a prisão em que juízes se basearam no “domínio do fato”, sendo que suas respectivas culpas não foram até hoje comprovadas. Uma lástima a Justiça deste País, que necessita urgentemente ser reformada por intermédio de um plebiscito.

A Justiça, o sistema político e os meios de comunicação precisam de uma mini constituinte, cujo oxigênio é o plebiscito, com seus coordenadores legais a falar e explicar, por intermédio de inserções na televisão, sobre o que se trata, bem como o que vai melhorar para a sociedade, no que diz respeito ao País ter uma legislação partidária, política e eleitoral mais moderna e fiscalizadora, livre de interferências e financiamentos da iniciativa privada, onde atua e age a grande maioria dos corruptores.

No Brasil, fala-se muito dos corruptos e pouco dos corruptores. Por motivos óbvios, é claro. É como se fosse assim: aos empresários tudo! Até o direito de corromper livremente. E, de fato, é o que acontece, mas com o plebiscito da reforma política as coisas nesse setor vão melhorar para o povo brasileiro. Só que tem uma coisa: por causa desses motivos elencados é que a reação, por meio dos canais privados e concessionários de televisão, realiza uma propaganda caluniosa, injuriosa e mentirosa contra o marco regulatório para os meios de comunicação.

Esse processo insidioso e difamatório propagado pelas mídias privadas controladas por meia dúzia de famílias bilionárias tem de ser plenamente combatido pelo Governo Trabalhista e Popular de Dilma Rousseff. Os meios para isso são exatamente as mídias conservadoras de históricos golpistas. O Governo tem dar publicidade, realizar inserções sobre o plebiscito da reforma política e também explicar à população brasileira que o marco regulatório é tão importante quanto às reformas política e judiciária. Do contrário, fica tudo com dantes no quartel de Abrantes.

Além disso, o Brasil precisa de mais do fortalecimento, da modernização e da ampliação do sistema midiático do Estado. Os meios de comunicação estatais, através de  televisões, rádios, internet e publicações, tem de chegar aos lares do povo brasileiro, como acontece na Inglaterra, na França, na Espanha, na Suécia e em Portugal, somente para dar cinco exemplos, porque existem muito mais.

Os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, seus empregados, a burguesia em geral e os coxinhas de classe média consumidores de seus produtos mequetrefes e rastaqueras adoram esses países, os consideram exemplos de administração e referências de sociedades civilizadas. Inclusive “aceitam” que tais países possuem meios de comunicações estatais fortes e abrangentes.

Por que, então, essa gente repetidora das papagaiadas da imprensa de negócios privados fica a falar bobagens maledicentes e matreiras quando se trata do Brasil? Disseminadores de um papo que não cola mais e que teima em evidenciar termos ridículos e propositalmente sórdidos e levianos como “bolivariano”, “venezuelização”, “cubanização” e outras idiotices sem fundamento, porque não retratam a realidade dos fatos e dos acontecimentos de um Brasil independente e que luta para emancipar seu povo, bem como protegido pelo estado democrático de direito.

Contudo, respondo por que tais grupos reagem à democratização total da sociedade brasileira. Primeiro, porque detestam a democracia, pois uma sociedade democrática abre as portas da educação, da saúde, da mobilidade social (ir e vir), do emprego, do consumo e do acesso a bens duráveis, como carros, eletroeletrônicos, casa própria, além de prazeres até então destinados àqueles que pensam até hoje que Deus os abençoou com um mundo VIP, cheios de privilégios e prazeres, como irem ao cinema, teatro, restaurantes, shoppings, aeroportos, dentre muitas outras coisas.

Ressalto ainda que uma das características dos abastados (burgueses e pequenos burgueses) é a territorialidade. Fator de imensa importância para as classes dominantes, que detestam verificar e perceber que os pobres se deslocam para seus bairros não apenas na condição de empregados de certa “elite”. Nos últimos tempos, a burguesia está a dividir suas praias ou lugares de lazeres, entretenimentos, e, evidentemente, também os educacionais, a exemplo das universidades públicas, que hoje tem suas cadeiras ocupadas por negros e pobres, independente de suas naturalidades e origens sociais e regionais.

É muito duro para essa gente egoísta, preconceituosa e muitas vezes violenta dividir o mundo, o planeta, apesar de que depois de morta nem o buraco para ser enterrada escolhe. O Governo Dilma Rousseff não tem mais o direito de empurrar com a barriga, protelar ou fazer ouvidos moucos sobre a efetivação da Ley dos Médios ou do marco regulatório para os meios de comunicação, tão necessários ao povo brasileiro e à segurança institucional do Brasil.


Não dá mais para se fingir de cego, mudo e surdo. Não tem mais cabimento para o Brasil, a sétima maior economia do mundo e onde viceja uma democracia consolidada ser ainda vítima de golpes e trapaças praticados por uma “elite” carcomida pelo tempo, saudosa de ditaduras, nostálgica dos tempos coloniais e corrompida por sua própria iniquidade. A democratização dos meios de comunicação, juntamente com o plebiscito da reforma política, são as ordens do dia. O resto é perfumaria. É isso aí.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Coxinhas pedem golpe — Gilmar e imprensa querem dar bengaladas na democracia

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


VOCÊ PENSA QUE ESSA MANIFESTAÇÃO NÃO É SÉRIA? É SÉRIA. ASSIM COMEÇAM OS GOLPES.

A baixaria foi completa neste sábado, dia 1 de novembro. É este o termo mesmo: baixaria! Trata-se de pessoas politicamente sem escrúpulos, desinformadas e plenas de autoritarismo e intolerância, em todos os sentidos, por observarem a vida por uma ótica torta, ao ponto de pedirem intervenção militar e, consequentemente, o impeachment de Dilma Rousseff, política reeleita, democraticamente, presidenta do Brasil, após enfrentar uma das eleições mais duras e longas da história deste País.

Um pleito eleitoral que, diga-se de passagem, começou em seu segundo ano de mandato, sendo que, a partir do início de 2012, a mandatária trabalhista teve de enfrentar o golpismo da imprensa burguesa, a intempestividade e o rancor dos coxinhas de classe média, a intolerância e as mentiras da direita partidária, capitaneada pelo PSDB, a traição de segmentos importantes da economia, a exemplo do sistema bancário e do agronegócios, além de ser alvo constante de setores do próprio Estado nacional, como o STF, a PGR e a Polícia Federal.

Grupos pagos regiamente pelos contribuintes, que se aliaram aos interesses da burguesia, a prejudicar o andamento da administração petista, que, além de enfrentar os partidos de oposição e a imprensa de mercado, teve também de se virar para se contrapor a agentes públicos de alto escalão que, em vez de zelarem pela estabilidade das instituições e da democracia brasileira, apostaram no quanto pior, melhor, pois preferiram trilhar por veredas tortuosas, a fim de cooperarem com os magnatas bilionários de imprensa e com a oposição conservadora tucana.

Agora essa gente antidemocrática e mal perdedora dá início a um chororô sem precedentes e volta a apostar em golpes contra a democracia, sem se importar com os direitos adquiridos constitucionalmente por uma presidenta eleita com o voto do povo brasileiro. É inacreditável ou surreal, mas o juiz do Supremo, Gilmar Mendes, mais uma vez acrescenta uma mácula ao STF e à sua biografia, pois se dispõe, além de conspirar com a oposição demotucana, no que concerne à aposentadoria dos juízes do STF, ainda considera que a recontagem de votos não é uma reivindicação absurda por parte de políticos do PSDB e dos coxinhas politicamente inescrupulosos, que saíram às ruas, no sábado, para pedirem um golpe militar em plena democracia.

Esse juiz ligado umbilicalmente ao PSDB e ideologicamente de direita, inclusive, considerou muito normal a revista Veja — a última flor do fáscio — ter publicado uma matéria mentirosa e vergonhosa para o jornalismo às vésperas das eleições presidenciais do dia 26 de outubro, que acusa os presidentes Lula e Dilma Rousseff de saberem de tudo no que diz respeito aos malfeitos na Petrobras, sem, no entanto, mostrar quaisquer provas, bem como se basear em supostas declarações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor, Paulo Roberto da Costa, no âmbito da delação premiada.

Prontamente as supostas palavras de Youssef à Veja — a revista porcaria, porque ninguém com um pouco de discernimento e juízo pode levá-la a sério — foram contestadas, pois, de acordo com Antonio Figueiredo Basto, advogado do doleiro, seu cliente não deu declaração alguma, a não ser (palavras minhas) as que foram vazadas seletivamente por setores da Polícia Federal engajados com a candidatura de Aécio Neves, bem como pelo juiz federal no Paraná, Sérgio Moro, que divulgou áudios de depoimentos de Paulo Roberto e Youssef em plena campanha eleitoral, sendo que seu cargo não tem tamanha abrangência, porque quem autorizou a delação premiada foi o STF e não a Justiça Federal do Paraná.

Qual foi a intenção desse juiz? Como ele vaza depoimentos e fica tudo por isso mesmo? Tal juiz é Deus? Pode tudo? Não. Certamente que não. Sua atuação é similar ao do procurador da República, Rodrigo de Grandis, que, conforme o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), existem indícios de que ele descumpriu com seu dever legal ao deixar engavetado durante três anos pedido de investigação proveniente da Suíça no que tange ao caso Alstom, escândalo de corrupção de altíssima soma financeira e que está atrelado aos tucanos de São Paulo. Ainda há o caso Siemens, que também está a ser investigado.

Como se observa, acontece, sim, uma indevida politização de servidores públicos concursados e com cargos de influência e mando que, evidentemente, estão a serviço de interesses políticos, ideológicos e partidários. Esses juízes e promotores, ao invés de trabalharem em prol da sociedade brasileira, optaram por fazer política, e, com efeito, prejudicam o andamento de processos e investigações que interessam ser esclarecidos para todo o povo brasileiro, que, efetivamente, paga os salários, bem como as boas condições de trabalho dessas castas de servidores públicos, que pensam que não devem satisfação a ninguém, quando a verdade é que gente que trabalha para defender os interesses da sociedade e do Estado é a que mais deve satisfações ao público — à Nação.

Servidor público que pensa diferente é porque, realmente, tornou-se um ser equivocado, porque, de uma forma ou de outra, foi cooptado para defender os interesses de outrem, de grupos políticos e econômicos, de classes sociais, geralmente as dominantes, bem como serve aos seus interesses, mesmo se eles são apenas de fórum íntimo. É o fim da picada a politização dos tribunais superiores e de servidores do MP. Se desejam fazer política e consideram seus ofícios nada mais do que um retumbante tédio, que ingressem em algum partido e concorram às eleições. Ponto!

Os coxinhas de classe média que foram às ruas inconformados com a derrota do tucano Aécio Neves também são parte desse processo golpista e draconiano. Muitos deles já tem cabelos brancos e, portanto, sabem o que é uma ditadura. Contudo, há também pessoas mais novas que saíram a pedir um golpe militar, o qual eles, descaradamente, chamam de “intervenção”. A verdade é que ao pedirem golpe ou impeachment, esses cidadãos desmiolados e radicais brincam com fogo, porque não vai ser tolerado um golpe de estado em pleno ano de 2014 do século XXI. A democracia brasileira é nova, mas está, irremediavelmente, consolidada, como demonstram, de forma irrefutável, as crises pelas quais ela passou, bem como as superou, com galhardia e determinação.

A vitória da mandatária trabalhista Dilma Rousseff é legítima, honesta e vencida nas urnas. Não se vê petistas, trabalhistas, comunistas, socialistas e democratas pedirem golpe de Estado, mesmo quando estiveram na oposição. Isto é fato real e histórico... Ponto! Gostaria muito de ver essa gente lutar por democracia em uma ditadura civil-militar, exatamente igual à que o Brasil sofreu no decorrer de 21 anos.

Reivindicar uma “intervenção” (golpe) militar em uma democracia é muito fácil, ainda mais quando no Brasil há total liberdade de expressão, ao ponto de golpistas apostarem em quartelada e impeachment. Golpe de estado, para quem não sabe, é crime definido pela Constituição. Nos Estados Unidos, país admirado pelos coxinhas e ricos brasileiros, insuflar crimes como golpes pode dar cadeia aos usurpadores da lei, que não respeitam a democracia e a escolha da maioria.

A PEC da Bengala é golpe. Os tucanos e a imprensa de mercado de histórico golpista, juntamente com o juiz Gilmar Mendes, lembraram somente agora da emenda. Incrível, não? Ao perceberem que a presidenta trabalhista Dilma Rousseff vai nomear cinco juízes para o Supremo até 2018, os conservadores, ou seja, a direita quer elevar o limite de aposentadoria para os juízes do STF de 70 para 75 anos. Seria cômico se tal intenção não fosse um golpe baixo. Então, enquanto o STF era composto por uma maioria conservadora estava tudo bem, não é cara pálida? Agora que Dilma, constitucionalmente, pode nomear juízes mais progressistas, a direita abre seu bico tucano e esperneia, bem como conspira nos bastidores. Só o que faltava no quartel de Abrantes...

A verdade é que os juízes, os policiais e os promotores/procuradores são funcionários públicos e como tais tem de se comportar. Por seu turno, como os juízes do STF são nomeados, vale um recado: o Governo Trabalhista deveria parar de escolher juízes e procurador-geral da República em lista tríplice. O cargo é político. Ponto! Quem escolhe é o presidente da República. Chega de dar linha para a direita depois cortá-la e, por conseguinte, atrasar o desenvolvimento do Brasil e a emancipação definitiva do povo brasileiro.

Não se brinca e tergiversa com a direita deste País, de passado escravocrata e que possui uma parcela influente e poderosa da sociedade sempre disposta a dar golpes e a rasgar a Constituição. Nos Estados Unidos, depois da vitória de Dilma Rousseff, milhares de brasileiros fizeram um abaixo assinado, a pedir ao presidente, Barack Obama, a intervenção militar yankee em nossas terras.

Essa gente é de uma irresponsabilidade, bem como de uma sordidez e pequenez que é, sim, capaz de apoiar forças estrangeiras contra o Governo e o povo brasileiros. Muito pior do que um hipotético invasor, que seria o caso dos EUA, são esses "cidadãos" tupiniquins, sem eira nem beira, que se acumpliciam ao estrangeiro, mas, hipocritamente, vivem em terras daquele país, contumaz invasor e agressor de nações em todo o planeta há mais de um século.

O Governo trabalhista e popular tem de governar, fazer a reforma política e também efetivar, urgentemente, o marco regulatório para os meios de comunicação. Dilma foi eleita também para isso. Não há mais como protelar. A mídia corporativa e alienígena tem caráter golpista e nunca vai deixar de ser um escorpião. É sua essência. O Governo petista tem de entender isso e levar a sério a poderosa direita brasileira. Coxinhas de classe média pedem por um golpe de estado e invasão do Brasil pelos EUA. Enquanto isso, Gilmar Mendes e outros juízes, além da imprensa de negócios privados, querem dar bengaladas na democracia. É isso aí.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Vitória do PT, derrota da imprensa, marco regulatório e povo no poder

Por Davis Sena Filho  Blog Palavra Livre


MULTIDÃO COMEMORA A VITÓRIA DO PT E DE DILMA ROUSSEFF.

O Partido dos Trabalhadores ressuscitou. No decorrer dos quatro anos de Governo Dilma Rousseff, o PT foi transformado em carne moída, a alimentar o moedor da imprensa de negócios privados e a ser alvo constante de acusações provenientes do Congresso Nacional, por intermédio das lideranças do PSDB, do DEM, do PPS e até de alguns partidos de esquerda, que fizeram o jogo da direita, a exemplo do PSOL e, posteriormente, o próprio PSB, que abandonou a coligação de 25 anos para concorrer ao cargo de presidente da República com a candidatura de Eduardo Campos, morto em acidente de avião em Santos (SP) e substituído por sua vice, a ex-ministra do Meio Ambiente do Governo Lula, Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, partido que ainda não conseguiu se regularizar no TSE.

O partido mais importante do Brasil virou um saco de pancadas, inclusive de setores do Ministério Público, do Judiciário, bem como da Polícia Federal, especificamente ao que tange às alas tucanas e conservadoras dessas instituições, que, nos governos de Lula e Dilma, nunca sofreram interferências indevidas por parte do Executivo, além de receberem todo o apoio material, estrutural e de pessoal dos governantes trabalhistas, que no poder sempre demonstraram perfis de republicanos, e, com efeito, abriram as portas dos palácios para os movimentos sociais e populares.

Contudo, o PT, que incorreu em muitos erros e equívocos, afinal um partido é composto por homens e mulheres, passou a sofrer uma campanha negativa, sem trégua e água, por parte dos magnatas bilionários de imprensa e seus empregados como nunca se viu antes neste País. Nem mesmo os históricos presidentes trabalhistas Getúlio Vargas e João Goulart, a respeito do “mar de lama” do direitista Carlos Lacerda, conhecido também como o “Corvo”, enfrentaram uma mídia tão poderosa e diversificada, como ocorreu com os petistas Lula e Dilma Rousseff.

Milhares de manchetes escandalosas, notícias depreciativas e repercussões de acusações e denúncias de corrupção, muitas delas vazias, pois sem provas e contraprovas, desaguaram nas portas do Palácio do Planalto como se fossem uma sequência de tsunamis, porque o propósito da máquina midiática comercial e privada e de seus cúmplices — as lideranças de direita na Câmara e no Senado —, bem como procuradores-gerais e juízes, a exemplo de Roberto Gurgel, Marco Aurélio de Mello, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, dentre muitos outros, era, e ainda continua a sê-lo, a busca sistemática pela criminalização do PT, do Governo Trabalhista, de suas lideranças históricas e, evidentemente, efetivar o desgaste político de Lula e Dilma, dois presidentes populares de grande força ideológica e eleitoral.

O PT, acossado pelo bombardeio midiático e de setores poderosos do próprio Estado nacional, enfim, passou a reagir, até porque antes tarde do que nunca. Sua campanha e propaganda eleitorais deste ano significaram a ressurreição da agremiação de esquerda, que, porém, demorou de mais para se soerguer e se contrapor, com força, às acusações infundadas, porque as que foram comprovadas a Polícia Federal, nos governos trabalhistas, encarregou-se de investigar e prender, quando necessário, os corruptos e os corruptores do dinheiro público.

O sucesso das ações da PF foi confirmado, indubitavelmente, por intermédio dos altos índices e números de investigações, operações, repressões e prisões, no que concerne ao combate à corrupção e outros crimes combatidos pelas administrações petistas, que, apesar das falhas humanas, não varreram a sujeira para debaixo do tapete, como ocorreu nos governos tucanos de FHC, cujo procurador-geral da República foi apelidado de engavetador-geral. Sem comentários...

Contudo, a derrota do PSDB e de partidos traidores das causas populares, como o PSB, e de políticos cooptados pelo sistema de capitais, a exemplo de Marina Silva, não pertence somente aos tucanos. Destaco que a Sonhática escancarou, definitivamente, as portas da direita partidária, do empresariado mais reacionário, do porte dos banqueiros, e do conservadorismo político e ideológico para ela entrar ao apoiar o candidato de direita, o tucano Aécio Neves. Marina está agora em seu devido lugar, e sua opção não tem volta. Marina é o Roberto Freire de saia. Sua escolha no segundo turno foi soberana, direito de cidadã livre, mas escolha grave, porque ela enterrou, sem qualquer apelação, seu passado de lutas populares. Ponto!

Os magnatas bilionários de imprensa e de todas as mídias cruzadas e seus capatazes perderam. São os principais derrotados dessas eleições. Uma derrota acachapante e retumbante, porque eles agem como se fossem sombras, como seres das penumbras ou dos lodos. Todavia, tais barões são covardes, porque brigam e lutam contra um partido político que não tem acesso aos meios de comunicação privados, que se transformaram em um partido político de direita e de extrema direita, sem, no entanto, serem legalizados para agirem dessa forma, em uma parcialidade que remonta a imprensa dos regimes ditatoriais em qualquer era ou época da história da humanidade.

Mais do que o PSDB e seus coligados, mais do que certos setores do MP, da PGR, do STF e de outros tribunais superiores, a imprensa corporativa e historicamente golpista é a maior derrotada. A imprensa das mentiras e das meias verdades, a imprensa da manipulação e dos escândalos de caracteres marqueteiros, das denúncias e das acusações não comprovadas — vazias. A imprensa de direita e ponta de lança dos interesses dos grandes trustes internacionais e aliada dos governos estrangeiros de países de DNA colonialista e imperialista. A imprensa hedonista e arrivista: a protagonista da derrota. Alvo de um nocaute emblemático, cujo ringue é a eleição presidencial de 2014.

Por isso se torna urgente a efetivação do marco regulatório para os meios de comunicação, que é constitucional. Além da reforma política, que vai proibir o financiamento privado de campanhas e, consequentemente, diminuir a corrupção, o marco regulatório não deixa também de ser uma reforma, apesar de sê-lo uma ferramenta de regulação e regulamentação de um setor econômico, que se considera acima da lei e dos interesses legítimos do povo brasileiro. Todo mundo sabe que os magnatas bilionários das mídias cruzadas vão berrar, chorar, mentir, dissimular e manipular essa questão tão cara ao Brasil e seu povo.

Entretanto, não há mais como o governo empurrar com a barriga a construção de um País mais justo, igualitário e democrático no que é relativo a esse setor econômico, que luta para não ser inserido no contexto social, a se submeter às leis e a responder por seus erros e acertos, e, quando cometer crimes, ser punido, como ocorre com outros segmentos da sociedade tementes à Lei.

O PT e o Governo Trabalhista devem a regulação das mídias — a Lei dos Meios ao Brasil. Ponto! Salutar também, pois, com efeito, é a presidenta Dilma Rousseff não se “esquecer” do marco, porque não seria justo, à sociedade brasileira como um todo e aos militantes da democracia e das causas populares, que deram seus tempos e suas coragens para enfrentar o poderoso sistema midiático empresarial, além dos seus áulicos da perversidade e da iniquidade esparramados em todos segmentos da vida brasileira.

A vitória pertence ao PT, ao PCdoB, aos seus aliados políticos e eleitores do Brasil de almas democráticas e humanistas.  A vitória também pertence aos combatentes e generosos blogueiros progressistas, que, aos milhares, realizaram contrapontos às versões de notícias e manchetes inúmeras vezes manipuladas pela imprensa empresarial e familiar, que foi desmentida prontamente quando necessário. Se não fosse a internet e o protagonismo dos blogs e sites “sujos”, acredito que o candidato da direita, o tucano Aécio Neves, sairia das eleições como vencedor. A imprensa burguesa não fala mais sozinha. A vitória do PT e de Dilma retrata, sobretudo, a grandeza e o humanismo do povo brasileiro. O povo no poder! É isso aí.