Palavra Livre — Davis Sena Filho

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Ditadura torturou até o Raul Seixas



Blog Palavra Livre 


E AINDA TEM GENTE QUE DEFENDE A DITADURA. GENTE?

Edgard Matsuki, do Portal EBC - Raul Seixas morreu no dia 21 de agosto de 1989, vítima de complicações de uma pancreatite aguda. Exatamente 25 anos após a morte do pai do rock brasileiro, um áudio do ano de 1988 mostra uma entrevista em que Raul Seixas conta detalhes das torturas que sofreu durante três dias, no ano de 1974.

A entrevista foi concedida ao jornalista André Barbosa, na extinta rádio FM Record de São Paulo. De acordo com Barbosa (que cedeu o áudio de seu arquivo pessoal), essa foi a primeira e, provavelmente, a última vez que ele falou sobre a prisão pelos militares em uma gravação. “Ele nunca tinha comentado sobre o assunto” — diz. 
O áudio mostra o momento da entrevista em que ele foi indagado em relação aos planos que tinha de construir uma sociedade alternativa e sobre a prisão dele. Raul suspirou e começou a contar a história.
Raul relatou, entre outras coisas, que ficou em um local subterrâneo, com limo, que apanhou e levou choques "em lugares particulares". Do local da prisão, ele também conta que foi levado a um aeroporto e mandado para os Estados Unidos.
Só voltou ao Brasil porque o LP Gita se tornou um sucesso: "Veio o Consulado Brasileiro no meu apartamento. Era quase em dezembro de 1974. Bateu na porta do meu apartamento dizendo que eu já podia voltar. Que o Brasil já me chamava, que eu era patrimônio nacional e que tava vendendo disco". Raul disse que voltou só porque "estava com muita saudade".
Ouça o áudio (histórico) de Raul Seixas:
Veja o que disse Raul Seixas sobre a prisão, tortura e exílio, em 1974:

"Em 1974, eu estava com a Sociedade Alternativa, essa ideia estrutural, com os parâmetros todos desenvolvidos. Estava em uma época esotérica, frequentando tudo, participando de tudo, escrevendo para John Lennon. Não sabia que iria me encontrar com ele. Também não sabia que eu ia ser expulso do Brasil. Ordem de prisão do 1º Exército!
Ia ser doado para mim, por uma sociedade esotérica egípcia de Aleister Crowley, um terreno em Minas Gerais. E esse eu acho que foi o cume, culminou aí. Eu ia construir uma cidade, uma anticidade, o antitudo, o antiguarda. Ia fazer uma cidade modelo. Estávamos tão loucos pela ideia. Eu, Paulo Coelho, tinha um advogado, tinha um juiz. Tinha pessoas importantes de cada área na sociedade alternativa.
Então foi tudo desativado porque eu fui expulso para Nova York. Fiquei um ano exilado do Brasil, sem poder voltar. Eu fui pego na pista do Aterro [do Flamengo, no Rio] quando eu voltava de um show. Um carro do Dops barrou o meu táxi e eu fiquei nu com uma carapuça preta na cabeça. Fui para um lugar, se não me engano, Realengo. Eu sinto que foi por ali, Realengo. Um lugar subterrâneo, que tinha limo. Eu tateava as paredes e tinha limo.
E vinham cinco caras me interrogar. Tinha um bonzinho, um outro bruto que me dava murro, um que dava choque elétrico em lugares particulares e tudo. Eu fiquei três dias lá. Sabe, cada um tinha uma personalidade. Era uma tortura de personalidade. Eu não sabia quem vinha. Só sentia pelos passos. Eu pensava, era o cara que batia. Era o cara que tem o...
Após três dias, eu estava no aeroporto. Já tinha deixado o LP Gita gravado e não sabia que ia fazer sucesso sozinho. Não sabia que ia estourar. E ele estourou. Acho que tocou umas seis faixas. Uma por uma. Gita, Sociedade Alternativa, Medo da Chuva... foi um disco que foi muito explorado. Então, eu estava lá nos Estados Unidos. Já tinha encontrado com John Lennon, já tinha corrido o país, era casado com uma americana na época. E tinha cantado com Jerry Lee Lewis em Memphis, Tenesee. Ele me acompanhou de piano.
Tinha transado [feito muitas coisas] um bocado nos EUA quando veio o Consulado Brasileiro no meu apartamento. Era quase em dezembro de 1974. Bateu na porta do meu apartamento dizendo que eu já podia voltar. Que o Brasil já me chamava, que eu era patrimônio nacional e que tava vendendo disco. Cinicamente, o cara falou assim.
É, eu voltei. Tava com muita saudade. Voltei para o Brasil e vi o disco Gita estourado aqui. E foi mais ou menos assim aquele ano de 1974. Mas tudo bem. Eu me refiz, graças a Deus, não fiquei com trauma psicológico nenhum e acho que as coisas se processam dessa maneira”.

*Raul Seixas está com Deus. (DSF)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Fúria do Mauricinho Bonner, arrogância da Patricinha Poeta — Vamos falar de corrupção

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre


Bonner e Poeta: arrogância e prepotência e o desespero dos irmãos Marinho com um futuro Governo Dilma, que poderá endurecer ainda mais contra a sonegação e democratizar o setor midiático com a efetivação do marco regulatório.

A fúria do Bonner e a arrogância da Poeta serviu para uma coisa: mostrar o quão eles são empregados paus-mandados de seus patrões, bem como o quão eles são irrelevantes quanto à importância que eles pretendem ter no que é relativo a influenciar nas eleições em prol do candidato dos conservadores, o tucano playboy do PSDB, Aécio Neves, e a candidata cooptada pela direita, a quase barroca em seu linguajar desconcatenado, Marina Silva.

Contudo, a presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, apesar da virulência do William Bonner e da grosseria da Patrícia Poeta, saiu-se bem, porque apesar de ser interrompida pela dupla empregada dos Marinho e subordinada aos ditames políticos do diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel, manteve a calma e respondeu às perguntas com precisão e objetividade, mesmo sendo interrompida 21 vezes, o que é um absurdo, pois Bonner, propositalmente, cortava sua fala para que ela não respondesse às interrogações.

William Bonner sempre foi um indivíduo arrogante, além de se considerar mais importante do que propriamente ele o é. Não é a primeira vez que tal jornalista dos interesses dos Marinho se conduz dessa forma. Já bancou o político sem mandato outras vezes, e o fez com o Lula e a Dilma, em 2010, quando, na bancada do JN, atuou mais uma vez como um inquisidor e não como um profissional de jornalismo que quer tirar as dúvidas e repassar os fatos e as realidades como eles o são para os telespectadores.

Todavia, o editor-chefe e âncora do Jornal Nacional, que há muito tempo transformou sua bancada em um partido político de oposição e de direita, recusa-se a entrevistar, porque optou por não ouvir o entrevistado a cargo político que sua empresa midiática considera adversário, o que se traduz em um fato surreal, porque se o jornalista não ouve as propostas de uma candidata, no caso a atual presidenta, o público eleitor também não vai saber o que ela pensa, bem como o que propõe para governar o Brasil.

Por seu turno, a candidata trabalhista, Dilma Rousseff, percebeu a armadilha de entrevistadores que deveriam se comportar apenas como jornalistas, que esperam respostas para suas perguntas, inclusive as mais delicadas ou que possam deixar a candidata na defensiva. Entretanto, quando dois jornalistas, chefes do jornal mais visto e ouvido do País, resolvem ser extremamente grosseiros, sem educação e despidos de qualquer civilidade e respeito à principal autoridade democraticamente eleita do País pelo povo brasileiro é sinal que empresários magnatas bilionários de imprensa mandaram os escrúpulos às favas e resolveram baixar o nível, para que seus candidatos a Presidência da República sejam beneficiados.

Para isso, a família Marinho conta com gente da estirpe de William Bonner e Patrícia Poeta, dois porta-vozes ferozes e furiosos que não entendem nada de economia e muito menos de setores importantes, a exemplo da saúde e educação, como ficou óbvio a quem assistiu o confronto. A "entrevista" de Bonner e Poeta foi uma lástima, de uma ignorância atroz, bem como de uma total falta de sensibilidade, no que diz respeito à cidadania, porque interromperam uma cidadã brasileira no decorrer de toda entrevista, além de se reportarem a ela com voz altissonante e dedo em riste.

É uma maluquice. E ainda tem patrões de jornalistas e colunistas desprovidos de civilidade, que afirmam que o Governo Trabalhista do PT quer censurar a imprensa ou efetivar no Brasil uma ditadura de esquerda. Usam e abusam e ainda chamam o governo mais democrático que eu tive a oportunidade de observar de autoritário e leniente, com todo tipo de mazela e malfeitos, quando a verdade os mandatários eleitos pelo PT foram os que implementaram o Portal da Transparência, fortaleceram e deram independência à Controladoria-Geral da União (CGU), esvaziada no Governo FHC, aumentaram, e muito, o efetivo da Policia Federal, realizaram concursos públicos e deram liberdade ao Ministério Público e ao STF para apresentarem listas tríplices para escolha de procurador-geral da República e ministro do Supremo.

Por sua vez, a corrupção tão decantada e repercutida pela imprensa de negócios privados também atinge essa mesma imprensa empresarial e de todas as mídias, que sonega impostos, não paga dívidas firmadas com os bancos governamentais e preconiza, se tiver oportunidade, golpes de estado, nunca foi tão combatida. Até porque os governantes petistas nunca se intrometeram ou jamais intervieram para que autores de malfeitos não fossem investigados, presos, acusados e por fim julgados.

Lula e Dilma são republicanos, como o foram os trabalhistas Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Sempre respeitaram o estado democrático de direito e a Constituição de 1988. Esta realidade é visível e só não enxerga quem não quer, por conveniência partidária e ideológica, luta política ou simplesmente alienação, quiçá, burrice.

Pelo contrário, quem nomeou o procurador Geraldo Brindeiro, chamado de engavetador geral da República, foi o ex-presidente neoliberal do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, que, inclusive, quando sentou na cadeira da Presidência, a primeira ação que fez foi extinguir a comissão de combate à corrupção criada pelo presidente Itamar Franco, verdadeiro pai do Plano Real. Afinal, o sociólogo ídolo da burguesia e da imprensa-empresa era apenas seu subordinado e quem autoriza planos econômicos e programas sociais para serem realizados são os presidentes da República. Ponto!

FHC — o Neoliberal I —, com o intuito de efetivar a alienação ou a venda do patrimônio público brasileiro, tratou de eliminar instrumentos de combate á corrupção por intermédio do Decreto 1376/95, que tinha por finalidade criar a comissão para investigar denúncias de corrupção no governo. O PT fez melhor: fortaleceu e deu liberdade à CGU e é por isto e por causa disto que nunca se prendeu, afastou e investigou tantos funcionários públicos que incorreram em malfeitos, bem como também inúmeros empresários ou corruptores em geral foram afastados de processos de licitação ou simplesmente processados pelo estado para responder à Justiça.

Esta é a realidade dos fatos. Notícias que não cabem dentro dos noticiários de televisões, rádios, internet e outros veículos de comunicação social, como jornais impressos e revistas. Mas, como sempre fazem, todos esses avanços são jogados na lixeira pelos homens e mulheres da imprensa de mercado, que, a soldo de seus patrões, tornam-se piores do que seus pagadores de salários e torcem o rabo da verdade, pois o propósito é fazer com que os interesses políticos e empresariais dos magnatas bilionários de imprensa e a quem eles representam sejam, de fato, concretizados.

William Bonner e Patrícia Poeta, do alto de suas ignorâncias e da ausência de cortesia e respeito devido à entrevistada e candidata, Dilma Rousseff, dedicaram-se a perguntas longas, sendo que a primeira durou um minuto e meio. A verdade é que não foi uma pergunta. Bonner já veio com essa estratégia da redação da Globo e apenas a aplicou para que a presidenta da República não tivesse a oportunidade de responder, pontualmente, às questões formuladas por tal brucutu das palavras, que demonstrou não ter responsabilidade alguma com os telespectadores, porque não permitiu que eles ouvissem, de forma linear, as respostas de Dilma Rousseff.

Propositalmente e claramente atuou como opositor político, à procura do embate, a fim de confundir o público e não ouvir a candidata, como o faria qualquer jornalista que leva o jornalismo a sério. As perguntas podem ser duras e até mesmo inconvenientes, sem, contudo, perder-se o respeito. Isto é jornalismo, pois quem tem o poder de avaliar e ponderar sobre o que vê e ouve é o eleitor — o cidadão brasileiro, o maior interessado em saber sobre o destino do Brasil.

Todavia, não foi o que aconteceu, indubitavelmente. Ocorreu uma saraivada de interrupções, gestos corporais abruptos, mãos frenéticas e nervosas, além de expressões ríspidas, como se fosse algo pessoal contra a presidenta. Deu a impressão de que os dois mal educados estivessem a se vingar de Dilma Rousseff, por ela estar no poder e pertencer a uma vertente política brasileira combativa e histórica denominada trabalhista. E se tem uma coisa que a direita deste País herdeira da escravidão odeia é um político trabalhista a ocupar a cadeira da Presidência da República.

Está aí a história que comprova e que não me deixa mentir ou enganar ninguém. Afinal, basta o leitor pensar em Getúlio, Jango, Brizola e Lula, dentre outros, que foram vítimas de golpes de estado e que pagaram com a morte, o exílio, a perseguição, a infâmia e o maldizer pela ousadia de vencerem eleições, todas democráticas. Políticos reconhecidos e amados pelo povo brasileiro como presidentes ou governador de dois estados, a exemplo de Leonel Brizola, político gaúcho trabalhista, corajoso, que sofreu o exílio mais longo infligido a um brasileiro, pois que durou a eternidade de 15 anos.

Bonner e Poeta, com pontos nos ouvidos, deviam estar muito preocupados sobre o que seu chefe Ali Kamel e a famiglia Marinho pensam sobre suas atuações, afinal eles não poderiam falhar como algozes de uma presidenta que os recebeu, com gentileza e educação, no Palácio do Planalto. Dos 15 e alguns segundos de entrevista, falaram por mais de cinco minutos, a interromperam 21 vezes e no final a mandatária não pôde se dirigir ao público telespectador.

Contudo, Dilma Rousseff poderia ser mais assertiva ao falar de casos de corrupção exemplificados nos escândalos recentes da Alston e da Siemens (trensalão e metrosão), bem como explanar sobre números relativos ao combate à corrupção nos governos Lula e Dilma e fazer comparações com os governos tucanos. Além disso, ela poderia citar o mensalão do PSDB, que Bonner e Poeta, por conveniência política e jornalística, não se lembram, porque sofrem de falta de memória, uma amnésia tão forte e predadora quanto a um bando de leoas quando saem à caça.

O PT, a candidata Dilma e o seu mais poderoso cabo eleitoral, o ex-presidente Lula, têm de fazer essas comparações, porque não é possível que os governos que mais combateram a corrupção no Brasil nos últimos anos fiquem com a pecha de corruptos sem sê-los. É simplesmente inadmissível essa situação mequetrefe imposta pela imprensa burguesa e artificialmente propalada pelas diferentes mídias pertencentes às oligarquias midiáticas. Esse monopólio tem de ser combatido e as comunicações no Brasil têm de ser democratizadas.

Já que é para falar de corrupção, vamos tentar atenuar a fúria e a arrogância do Mauricinho Bonner e da Patricinha Poeta, além de cooperar para que os dois tenham mais subsídios quando entrevistarem o(s) candidato(s) do PSDB ou veicularem notícias sobre corrupção no "Jornal Transnacional", com rebarbas para o "Jornal Terror da Noite" e o "Mau Dia Brasil".

Veja alguns escândalos dos Governos do PSDB:

Caso Sivam: Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC "punir" o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, "um exílio dourado". A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

Pasta Rosa: Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de "engavetador geral da República".

Compra de votos: A reeleição de FHC custou caro ao País. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.

Vale do Rio Doce: Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.

Privatização da Telebrás: O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários "grampos" comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações privilegiadas foram repassadas aos "queridinhos" de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à "venda", o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.

Ex-caixa de FHC: A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do Banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além de "vender" o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

Juiz Lalau: A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: "Assinei sem ver".

Farra do Proer: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.

Desvalorização do real: De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam: "Graciosamente" socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.

Sudam e Sudene: De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.

PS: A lista não acaba por aí. Tem outros casos de escândalos que aconteceram no decorrer dos governos do neoliberal FHC. Isto é apenas um aperitivo de casos públicos e notórios, veiculados e abafados pela própria imprensa alienígena que os repercutiu.

É isso aí, Dilma.


Fonte: JB

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Marina traiu o PT, o Lula, a sua história e trairá o PSB

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


De repente, Eduardo Campos, um político promissor, mas pouco conhecido do povo brasileiro, é transformado pela imprensa de direita em um novo Getúlio Vargas. Todavia, Eduardo Campos nunca governou o Brasil, mas apenas o tradicional e histórico Estado de Pernambuco, com a cooperação sistemática e até mesmo generosa do Governo Lula, que investiu pesadamente no importante Estado nordestino e, evidentemente, ajudou, e muito, para que Eduardo Campos se reelegesse governador e se tornasse a força política pernambucana dominante. Tão ganancioso que chegou ao ponto de se considerar politicamente forte para romper com o PT e se lançar candidato a presidente da República.

O PSB, partido de Campos, juntamente com o PCdoB, tem uma longa história de alianças com o PT. Desde 1989, quando aconteceu a primeira eleição presidencial após a redemocratização do Brasil, os “socialistas” acompanham o PT e governam o País em âmbito federal, porque sempre tiveram ministros, diretores de estatais importantes e seus governadores sempre receberam a atenção devida dos presidentes trabalhistas, Lula e Dilma Rousseff.

De repente, não mais do que de repente, o candidato do PSB, Eduardo Campos, morre em um trágico acidente de avião, em Santos. A campanha experimenta uma reviravolta e a direita partidária e seus cúmplices e aliados, os magnatas bilionários de imprensa, esquecem o tucano Aécio Neves e voltam suas baterias para a vice de Campos, Marina Silva, que por não conseguir as assinaturas necessárias para criar a Rede Sustentabilidade e, consequentemente, ficar de fora do processo eleitoral, ingressa no PSB, sendo que em 2010 ela foi candidata a presidente pelo PV, partido que ela deveria permanecer, afinal ela é “verde”, ex-ministra do Meio Ambiente do Governo Lula por seis anos e por isso deveria, no mínimo, demonstrar apreço à sua consciência política e a seus valores forjados por ela em seu passado.

Acontece que todo mundo sabe, até os mortos e os recém-nascidos, que Eduardo Campos não era o “menino dos olhos” da direita, que, com a derrota de Geraldo Alckmin e duas de José Serra, sonhava com a candidatura Marina Silva, política cooptada e que mandou às favas seu passado histórico no Acre, e, como dissidente do PT, aliou-se à direita, porém, desprovida de coerência política, programa de governo e projeto de País. Aliás, bem ao estilo conservador, porque a direita brasileira nunca criou nada ou efetivou desenvolvimento social e econômico. Todos os principais avanços, os mais importantes verificados neste País aconteceram quando os trabalhistas estiveram no poder, por intermédio de Getúlio Vargas, João Goulart, Luiz Inácio Lula da Silva e agora Dilma Rousseff.

A direita, capitaneada pelo PSDB, DEM e PPS, bem como pelos grandes latifundiários e capitães da indústria, além dos banqueiros e dos magnatas bilionários de imprensa, ainda tem o apoio de uma classe média tão ou mais reacionária que esses segmentos poderosos da sociedade. A verdade é que esses setores não querem uma coisa: a vitória do PT nas eleições de 2014. Seria para eles a pior coisa de todos os mundos, porque, após Getúlio Vargas, os inquilinos da Casa Grande nunca ficaram tanto tempo fora do poder, como ocorre, agora, neste 12º ano de administrações petistas.

Chega a ser hilário ao tempo que preocupante quando me deparo com o noticiário cínico e manipulado da imprensa de negócios privados, no que concerne às pesquisas eleitorais. São pesquisas realizadas por institutos pertencentes aos barões de todas as mídias, que fazem oposição ferrenha a Lula e à Dilma, realidade esta que me leva a ponderar sobre o porquê de os governantes trabalhistas não terem ainda efetivado, no decorrer de 12 anos, o marco regulatório que regule setor econômico tão importante, como o é o da comunicação social, conforme o estabelecido pela Constituição de 1988.

Sabedores que o candidato tucano, Aécio Neves, não empolga, apesar da máquina eleitoral poderosa do PSDB e de seus aliados, os colunistas, comentaristas, blogueiros e especialistas de prateleiras da imprensa de mercado compreendem que Marina Silva foi cooptada pelos conservadores. Por causa disso, a ex-petista deixou de ter compromisso e responsabilidade com o povo brasileiro, com as esquerdas e também com o PSB. Marina pode até não ser a favorita da imprensa de caráter imperialista e de alma colonizada.

Mas, sobretudo, a política que não teve competência para regularizar a Rede Sustentabilidade, além de ter sido uma ministra fraquíssima, que se dedicou apenas à sua retórica desconcatenada das realidades, bem como às suas ações governamentais anódinas, cai como uma luva para as necessidades da direita brasileira, que, a todo custo, luta para que Dilma Rousseff não vença as eleições no primeiro turno. Segundo o individualista e nada solidário adágio que os direitistas tanto gostam, Marina logo vai saber que “não existe almoço grátis”, a não ser para a burguesia quando toma conta do poder federal e o usa em benefício próprio, pois essencialmente patrimonialista.

A verdade é que ninguém sabe (talvez até ela) o que a Marina pensa. Aliás, não se consegue compreender o que a candidata do Itaú, da Natura e de setores da imprensa alienígena pensa e fala, porque possui um linguajar próprio, sem ordenação de ideias e completamente desprovido de coerência. Marina quando fala lembra o ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I, aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

Sua verve é escorregadia, propositalmente confusa para que as pessoas não saibam o que realmente a candidata do PSB pensa politicamente, ideologicamente e como ela governaria o Brasil, no que tange à economia, aos programas e projetos sociais, às centenas e centenas de obras de infraestrutura, muitas delas gigantescas, além das relações internacionais, exemplificadas na consolidação dos Brics, do Mercosul, da Unasul e das parcerias Sul-Sul, no que é relativo ao Brasil efetivar novas parcerias tecnológicas e comerciais com os países do hemisfério sul do planeta, afastando-se da condição de um País vagão que tinha o desditoso papel de seguir a “locomotiva” chamada de Estados Unidos.

Como confiar em uma Marina que traiu o PT, o Lula, a esquerda, a sua história e vai trair, certamente, o PSB, partido que abandonou sua coligação histórica para se aventurar em uma candidatura “verde”, incipiente, que não venceria as eleições, mas apenas traria problemas à candidatura Dilma Rousseff, bem como poderia prejudicar um programa de governo e projeto de País que incluiu 21 milhões de pessoas no mercado de trabalho, com carteira assinada, tirou 32 milhões de cidadãos da pobreza e fez com que outros 40 milhões de brasileiros ascendessem à classe média (C).

O PT, o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma têm de mostrar, de forma sistemática, o que os governos trabalhistas fizeram nesses últimos anos para desenvolver o Brasil e melhorar as condições de vida do povo brasileiro. A imprensa alienígena e de caráter golpista não pode ter as rédeas das eleições e muito menos pautar o processo político e eleitoral.

A imprensa corporativa não produz nada, até porque não é sua função. Entretanto, ela não pode e não deve participar das eleições como se fosse um partido político oculto e que manipula, desvirtua e, se precisar, mente, para que seus desejos econômicos, políticos e ideológicos sejam concretizados. O PT tem de comparar, sobretudo, seus governos com os do PSDB, além de jamais esquecer de comparar os seis anos de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente com os quase dois anos de seu sucessor, Carlos Minc, à frente do Ministério.

Essas comparações são essenciais. O que Marina não fez em seis anos, por causa de sua retórica, que a leva a ser uma administradora inócua, Carlos Minc concretizou inúmeras realizações em menos de dois anos. Realizações como, por exemplo, chegar a um acordo com os grandes fazendeiros sobre preservação de matas ciliares, bosques, rios e nascentes. Coisa que Marina nunca conseguiu, porque tem uma personalidade centralizadora, rancorosa e messiânica — quase histriônica, pois impressionista, caricata e exageradamente teatral. As realizações de ambos têm de ser mostradas para o público, sem pisar em ovos, sem quaisquer sentimentos de culpas, porque o povo brasileiro sabe que o PT fez muito mais que o PSDB e  que os governos anteriores aos dos tucanos. Porém, tem de mostrar, sistematicamente, no horário político e eleitoral. 

Marina sorriu no funeral. Qual é o problema? Nenhum. As pessoas riem até mesmo em momentos trágicos, ainda mais quando tal indivíduo não é parte da tragédia. Só que tem um adendo: ela sorriu bem próxima do caixão. Tirou fotos, por intermédio de selfs e ditou a seguinte pérola: “Essas coisas acontecem em nome de algo maior”. O que a candidata do PSB, que não é PSB, quer dizer com isso? Messianismo na veia. Ela já tinha dito que foi a mão de Deus que evitou que estivesse no mesmo avião de Eduardo Campos.

Além disso, quando se percebe que a direita está toda mobilizada em seu nome é porque, sem sombra de dúvida, Marina é candidata da direita, dos conservadores e que enterrou seu passado sem deixar os ossos. Quando Luiz Carlos Mendonça de Barros, um dos principais formuladores econômicos do PSDB — leia-se medidas sociais amargas, arrocho financeiro e econômico e privatizações do patrimônio público brasileiro para privilegiar os mercados de capitais e a Casa Grande, em geral — afirmou que Marina é o plano B do PSDB, não resta dúvida: Marina traiu, mais do que qualquer coisa, a sua consciência política e a sua trajetória histórica.

Não é à toa que em 2010, candidata a presidente da República, Marina Silva perdeu no Acre, sua terra e colégio eleitoral. Os acreanos conhecem a Marina Silva. Quem não sabe quem ela é são os coxinhas de classe média, principalmente os que moram e vivem no sudeste e no sul deste País. Marina trai e vai trair o PSB, no decorrer da campanha ou no poder, se, porventura, ela vencer as eleições. Afinal, Marina é o plano B do PSDB e o plano A de setores da imprensa comercial e privada, ou seja, da direita brasileira. É isso aí.


PS: A pesquisa da Folha, após a trágica morte de Eduardo Campos, que aponta Marina em primeiro lugar em um virtual segundo turno é realmente um caso muito sério. O MP tinha de investigar seriamente esses institutos de pesquisas e o Governo deveria há muito tempo ter aprovado, com o apoio do Congresso, o marco regulatório para as mídias. Esses grupos privados são autoritários, detestam a democracia, pois secularmente acostumados a benefícios e privilégios, em detrimento da população brasileira. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Marcelo Rubens Paiva: Roger é um ultraje! A rigor



Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

O Roger é o típico idiota com arroubos de coxinha.
Eu não sei por que a maioria dos veículos de comunicação de negócios privados dá tanta ênfase e atenção a pessoas que não têm influência política e social quase que nenhuma junto ao povo brasileiro. Cidadãos que, certamente, não acompanham as sandices e insanidades, as peripécias e gaiatices de gente deslumbrada, egocêntrica e mequetrefe, a exemplo de Roger Moreira, Lobão e outros, que, recorrentemente, usam diferentes mídias como forma de aparecer para evitar sumir, definitivamente, do mapa da fama conquistado por eles na década de 1980.

Com o passar do tempo, e agora na casa dos 50 anos, vocalistas, artistas, músicos ou roqueiros, seja o que for, resolveram abraçar causas conservadoras, muito à direita do espectro ideológico e além da imaginação deles próprios quando alcançaram grande prestígio na época de seus vinte e poucos anos e que praticamente se esvaiu com o decorrer do tempo.  É de se entranhar, por exemplo, e por mais que o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger Moreira, tenha se sentido ofendido, não é racional e muito menos educado responder com tanta virulência e até mesmo perversidade às palavras que o escritor Marcelo Rubens Paiva disse sobre o roqueiro em recente evento da Flip, na cidade de Paraty (RJ).

O escritor disse que lamentava saber que muitas pessoas não tinham conhecimento sobre o que aconteceu nos tempos da ditadura. O assunto da mesa de debates da qual participava Marcelo Rubens Paiva era sobre os 50 anos da ditadura militar. Paiva apenas citou Roger, porque tal artista tem, por livre e espontânea vontade, participado, reiteradamente, de polêmicas e de discussões duras contra seus opositores de pensamento político nas redes sociais e até em eventos em que ele participou de corpo presente. Só isso e nada mais. Até creio que o escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva não tem tempo para ter ódios, mágoas e rancores contra pessoas como o roqueiro que, a meu ver, conseguiu chegar às raias da ignorância e da pura e genuína cretinice e falta de respeito com o semelhante.

Não conheço pessoalmente o Marcelo Rubens Paiva, mas me coloco no lugar dele e de sua família, no que diz respeito à morte e ao desaparecimento de seu pai, o engenheiro e político trabalhista, Rubens Paiva, que, desde cedo, optou por ficar ao lado do povo brasileiro, dos trabalhadores e dos interesses do Brasil. Rubens Paiva, ainda aluno, foi vice-presidente da UNE, em São Paulo. Político do combativo PTB de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, Paiva participou, como deputado federal, da CPI do Ipes-Ibad, antros ou covis de golpistas da época financiados pela direita estadunidense e brasileira para escreverem, darem palestras e opiniões nos meios de comunicação privados sobre o perigo de o Brasil se tornar comunista ou socialista. Seria cômico se não fosse trágico. E ainda tem gente, em pleno ano de 2014 do século XXI, que enxerga o PT como “perigo vermelho”. Haja paciência...

Paiva era atuante e corajoso. Em discurso na Rádio Nacional, enquanto Jango era deposto, criticou duramente as ações do governador paulista, Adhemar de Barros, por ele ter apoiado e participado efetivamente do golpe militar de 1964. A verdade é que as atividades de seu mandato popular fizeram com que o deputado Rubens Paiva se tornasse um cidadão brasileiro espionado, investigado e monitorado pelos agentes de uma ditadura sanguinária e de extrema direita. Tanto é verdade que o político trabalhista teve de ir para o exílio, pois cassado pelo AI-1 editado pela junta militar, em abril de 1964. Rubens Paiva estava entre os primeiros políticos que foram cassados e logo foi para a Iugoslávia e depois para a França.

Retornou ao Brasil. Evidentemente, o parlamentar cassado retomou seus contatos políticos, sendo que em janeiro de 1971 sua casa foi invadida. Rubens Paiva foi levado para um quartel, no Rio de Janeiro, onde foi barbaramente torturado e, posteriormente, assassinado pelo estado ditatorial. Após 40 anos, ou seja, quatro longas décadas, sua família pôde, enfim, saber de seu paradeiro, mas sem poder recuperar seus restos mortais para lhe dar um funeral e sepultamento dignos de homem que sempre pensou no Brasil e no seu povo.

De acordo com os depoimentos de agentes da repressão à Comissão da Verdade, Rubens Paiva foi enterrado durante dois anos em vários lugares, para, finalmente, seus restos mortais serem jogados nos mares do Rio de Janeiro, em 1973. Até, então, sua família não sabia o que realmente teria acontecido com seu corpo. Contudo, o político trabalhista tem um lugar de destaque na história recente deste País. Rubens Paiva, das pessoas mortas e desaparecidas vítimas da ditadura, talvez seja uma das que mais foram investigadas, porque seu “sumiço” chamou a atenção da sociedade civil organizada, tanto do Brasil quanto do exterior. Afinal, ele era um deputado muito combativo, determinado e conhecido, que nunca tergiversou quanto aos seus propósitos políticos e ao desejo de ver o Brasil se tornar desenvolvido e solidário. Um País que ele e tantos outros brasileiros perseguidos pela ditadura sempre sonharam em edificar. Isto é fato.

Todavia, de repente, o roqueiro neocon, Roger Moreira, no alto de sua arrogância e ignorância política e histórica, vai às redes sociais e faz assertivas grosseiras e sem pé nem cabeça. Elabora frases e pensamentos desconcatenados da realidade em que vivemos e parte simplesmente para a agressão verbal, o que reflete todo seu ódio, porque não aceita o contraditório e tem dificuldade para compreender que existem pensamentos e valores antagônicos aos seus, se algum dia Roger Moreira elaborou algum pensamento que, de fato, seja considerado e levado a sério como tal.

O roqueiro disse ao Marcelo Rubens Paiva verdadeiras “pérolas” de insensatez e ofensas gratuitas, que realmente o transformam em um pensador ou observador simplório, o que é muito diferente de ser uma pessoa simples, mas sábia. Aliás, os sábios são simples. Porém, o simplório, ainda mais quando da condição social e econômica do Roger, não passa de um ser de inteligência diminuta e de percepção quase nula sobre as realidades que lhes rodeiam. E repercutiu tal roqueiro, suas aleivosias e traquinagens: “É compreensível que você considere o comunismo legal. Mas daí a me usar de exemplo na Flip foi canalha de sua parte. E errado”, afirmou Roger, em seu twitter. E completou suas palavras coléricas, a demonstrar nenhum respeito pelo escritor e conhecimento de história: “E tem mais, seu bosta: minha família não foi perseguida pela ditadura. Porque não estava fazendo merda”.

Como pode um coxinha, um burguesinho da estirpe do Roger não ter quaisquer noções sobre o Brasil da época da ditadura, principalmente a partir da edição do AI-5. Qual é o problema dele? Nasceu ontem? O que tem de mais um jornalista e escritor, a exemplo de Marcelo Rubens Paiva, afirmar, em uma mesa de debates durante a Flip, que não espera que as pessoas, principalmente as mais jovens, saibam sobre a ditadura militar, até porque gente como o roqueiro Roger Moreira, que escrevia letras de músicas que questionavam a ditadura militar, bem como apoiava o movimento das Diretas Já, em 1984, e atualmente faz parte das hostes conservadoras, bem como faz questão de se mostrar há anos  uma pessoa de direita, o que é um direito seu, inalienável, porém, objeto de críticas.

Afinal, Roger tem passado e muita gente de sua geração deve estar a estranhar suas opiniões agressivas, intolerantes e desrespeitosas. Ponto! Roger tem o direito de falar o que quiser. Entretanto, o líder do Ultraje a Rigor sabe que quem fala o quer ouve também o que não quer — conforme reza o ditado popular. É assim que funciona a sociedade. Nada justifica as palavras ensandecidas de Roger publicadas no seu twitter quanto à família de Rubens Paiva ao fazer uma comparação com a dele repleta de infelicidade e perversidade. É muita insensatez e burrice em uma pessoa só. Roger não perdeu o bonde da história, porque não a conhece. Marcelo Rubens Paiva: Roger, na verdade, é um ultraje! A rigor. É isso aí.

Veja o Detrito de Maré Baixa

a hora da chargeBlog Palavra Livre



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Governos FHC: desemprego e desesperança

Blog Palavra Livre

Para você jamais esquecer dos terríveis e sombrios anos dos governos do PSDB do FHC — o Neoliberal I.


Não é só a Petrobras, coxinha. É o pré-sal da Petrobras

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


A Petrobras desde sua fundação pelas mãos do presidente trabalhista Getúlio Vargas, em 1953, é alvo da direita brasileira encastelada na Casa Grande. A partir de seus primórdios a estatal símbolo do Brasil foi combatida pelas “elites” colonizadas e entreguistas deste País, com o apoio de governos estrangeiros, notadamente os Estados Unidos e a Inglaterra, bem como a França. Países imperialistas de passados colonialistas, que se posicionam, estrategicamente, no mundo por saberem que suas hegemonias dependem do controle das diferentes energias, e o petróleo, sem sombra dúvida, é ainda a principal demanda energética do mundo.

A resumir: quem controla a energia domina a economia em escala planetária. Do contrário, se houver resistência apelam para a guerra, como ocorreu com a Líbia, o Iraque e o Afeganistão, entre outros países, que foram completamente destruídos e seus presidentes ilegalmente e criminosamente assassinados. Acontecimentos que contaram com a vergonhosa aquiescência da ONU, que se comportou nesses episódios como um órgão pária, porque complacente com a pirataria e a espoliação perpetradas contra três países árabes, não alinhados aos interesses do Ocidente e que, sistematicamente, reafirmavam, no caso da Líbia e do Iraque, suas políticas sociais e econômicas de centro-esquerda. Ponto!

Por seu turno, a ONU se tornou há algum tempo em uma entidade superada, como se existisse e atuasse em um mundo paralelo ou irreal, pois não coaduna com as necessidades e as demandas de um mundo globalizado, além de não cumprir, recorrentemente, com suas responsabilidades, porque “oficializou” e “legalizou” a invasão de países por interesses comerciais e ideológicos, bem como se comporta como se o mundo estivesse ainda nos tempos da Guerra Fria. Por causa disso, a ONU se tornou uma organização não confiável para a comunidade internacional, que luta para mudar suas estruturas, estatutos e regulamentos, a começar pelo Conselho de Segurança do órgão multilateral.

Contudo, o maior problema de quaisquer países ou de nações que lutam para serem autônomos e independentes, além de desejarem a emancipação de seus povos, são os grupos sociais abastados, os ricos e os multimilionários, pois possuidores dos meios de produção e controladores do estado burguês há séculos. Esses segmentos poderosos e influentes têm como peça fundamental de suas estruturas de poderes os meios de comunicação privados, a influência sobre as polícias e o apoio quase irrestrito de setores conservadores e que se recusam a aceitar mudanças sociais progressistas, a exemplo do Poder Judiciário e de segmentos reacionários encastelados no Ministério Público.

Esses grupos conservadores se mobilizam fortemente para manter o status quo, que lhes garante benefícios e privilégios. Os inquilinos da Casa Grande e seus principais aliados, as classes médias, sentem-se profundamente incomodados com a ascensão social das classes populares. Confundem uma simples distribuição de renda e de riqueza, por intermédio de programas sociais (cinturão de proteção social), com socialismo e comunismo, enquanto a verdade é que o poder estabelecido por meio de eleições, no caso o PT de Lula e Dilma, quer aumentar o número de consumidores, por intermédio de inserção social, ou seja, incluir milhões de brasileiros nos mercados de consumo e de trabalho. Nada mais capitalista.

A imprensa familiar e de direita, o setor socioeconômico mais atrasado e reacionário da sociedade brasileira, mesmo sabendo desse processo, insiste em manipular os fatos, suprimir as realidades ou simplesmente mentir. Trata-se de uma salada ideológica que chega às raias da ignorância, do ridículo e da má-fé. Afinal, todos os países ditos desenvolvidos e capitalistas distribuíram renda, realizaram a reforma agrária e efetivaram programas sociais e os praticam até hoje. O Bolsa Família, por exemplo, é imitado em países desenvolvidos, inclusive com a cooperação de técnicos brasileiros.

Globalizado, para o desgosto da burguesia de caráter escravocrata deste País, o principal programa social do governo petista completa este ano 11 anos e está a ser efetivado em Estados Unidos, França, Inglaterra, Alemanha, Suíça e avaliado pelos japoneses, que pensam em colocá-lo em prática para combater a pobreza, pois até mesmo em países muito ricos, como o Japão, existem pessoas pobres e que necessitam da ajuda do estado.

A verdade é que sem a atuação dos estados nacionais, os países não existiriam como nações e certamente a iniciativa privada não mexeria uma palha se não tivesse a garantia do estado, que sempre, como ocorreu recentemente na Europa e nos Estados Unidos, socorreu grandes empresas e bancos para que suas economias não afundassem completamente na lama da iniqüidade, das fraudes, da corrupção e da irresponsabilidade de empresários e agentes públicos cúmplices de suas sandices e insanidades, a terem como combustível a ganância humana e o capitalismo predatório tão aplaudido pelos economistas da direita e pelos corvos da imprensa alienígena e de negócios privados.

Contudo, temos aqui uma classe média aliada de um grupo social riquíssimo, herdeiro da escravidão e promotor de uma mais-valia que explora crianças e comete assassinatos contra trabalhadores rurais e índios. Uma classe média que, incompreensivelmente, vocifera contra o Bolsa Família e outros programas sociais, bem como repete como papagaio de pirata as asneiras e as perversidades que ouve por intermédio de “especialistas” de prateleiras e “comentaristas” de iniqüidades, que tomaram conta dos canais da imprensa comercial e privada, que jamais, em hipótese alguma, vai defender, sequer um dia, os interesses mais caros ao povo e aos trabalhadores brasileiros.    

Através das mídias porta-vozes dos mercados de capitais, a direita partidária — PSDB, DEM e PPS — derrotada em três eleições presidenciais, em um tempo de 12 anos, consegue empreender uma campanha sistemática de natureza negativa contra o atual Governo Trabalhista, que leva a classe média, conservadora por natureza a se preocupar somente em não integrar o todo da população ou da sociedade, pois se considera “Very Important Person” (VIP), quando na verdade nunca o foi e nunca o será.

Mesmo assim esse segmento vai estar sempre ao lado do establishment, porque a questão é ideológica e de preconceito de classe, de raça e de origem. E quanto a isso não há como se negociar ou amenizar, porque certas camadas da sociedade brasileira trazem consigo o sentimento arraigado de escravidão em suas almas e nos seus desejos e segredos mais nefastos e infames, aqueles que não são expressados nem na solidão de seus travesseiros.

Para fazer contraponto a essa realidade perversa existem os governantes e partidos que, eleitos, tem a obrigação e o direito de criar e elaborar programas e projetos que permitam diminuir as diferenças sociais e regionais, conforme estabelece a Constituição de 1988. Ponto! Entretanto, a luta pelo poder e a ferocidade da direita empresarial e partidária não é fácil de combater ou de enfrentar, porque ainda vige um sistema de poder edificado em séculos passados e que resiste para não ser rompido, apesar de os avanços verificados nos governos trabalhistas de Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e agora Dilma Rousseff.

Por sua vez, é visível — e só não enxerga quem não quer — que a crise da Petrobras é um embuste, uma trapaça e farsa ou novela mal editada pela “Veja” e pelo “Jornal Nacional” da “Globo”, a fim de criar situação artificial, com propósito eleitoral, que coloque o Governo do PT contra a parede, ainda mais quando são notórios os casos Alstom, Siemens, Aeroporto do Aécio Neves e o Mensalão do PSDB, bem como a administração muito questionável do senador em Minas Gerais, além de muitos outras denúncias de malfeitos, que sujam as penas dos tucanos paulistas, mineiros e paranaenses e que nunca foram, de fato, investigados com determinação pelo Ministério Público e julgados com imparcialidade pelo Judiciário. São escândalos bilionários, que fervilham ao ponto de a imprensa burguesa ter de rapidamente “esquecer” tais assuntos para tirá-los de pauta.

A verdade é que o foco é a desqualificação dos governos Dilma e Lula como gestores da Petrobras, porque a reportagem da revista “Veja” como sempre é apenas declaratória, com opiniões de pessoas ocultas e que fazem assertivas, no mínimo, questionáveis, porque a verdade, nua e crua, é que a matéria é mais uma denúncia vazia, em off, o que denota que a “Veja”, pasquim mequetrefe e rastaquera, também conhecido como a “Última Flor do Fáscio”, e que pela milionésima vez publica mais uma reportagem que retrata, ipsis litteris, sua vocação partidária à direita e o seu dom para a mentira, base, inquestionável, do seu jornalismo de esgoto.

A acompanhar tão desprezível revista, a Rede Globo por intermédio de seus jornais, inclusive os da Globo News, que não passam de partidos direitistas não assumidos e que fazem a principal campanha de desconstrução dos governos trabalhistas do PT, bem como assumiram de vez a frente da batalha eleitoral, que tem seu fim programado para o dia 5 de outubro, o dia das eleições presidenciais quando o povo brasileiro, de forma autônoma e independente, vai mais uma vez escolher o mandatário que vai governar o Brasil em um tempo de quatro anos.

Como se observa, a questão não é somente a Petrobras, coxinha — o rico e o de classe média. É o pré-sal da Petrobras. Vai ser essa riqueza, a médios e longos prazos, que vai determinar e definir os projetos de País e de Estado, além dos programas de governo. Com os recursos do pré-sal garantidos para a Educação e a Saúde, o povo brasileiro, principalmente as gerações vindouras, vai ter a oportunidade de se desenvolver e fazer com que o Brasil, além de ser uma das principais economias do mundo, no que é relativo ao PIB, consiga também atingir um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que faça com que o poderoso País da América do Sul e Latina seja também um lugar onde todos tenham acesso ao bem-estar social de forma definitiva.


São esses fatores e pontos que a direita luta para que não aconteçam no Brasil e no mundo. É o seu propósito e de sua natureza — de escorpião. A verdade é que manter os privilégios, os benefícios e as primazias (patrimônios, bens, dinheiro e status) são as causas que movem sua existência como força social retrógrada e reacionária. Privatizar a Petrobras ou simplesmente deixar de investir em seus parques industriais é fazer com que o Brasil volte à condição de colônia alinhada aos Estados Unidos e à União Europeia. A direita não tem pátria, pois alienígena. Sua pátria é o dinheiro e sua luta é por privilégios. É o pré-sal, coxinha! É isso aí.