Palavra Livre — Davis Sena Filho

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Empresariado de Ponta Grossa propõe cassar voto de cidadãos e eliminar leis trabalhistas


Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

 

FIOR TEM NOSTALGIA DO BRASIL COLÔNIA E QUER O FIM DE DIREITOS DE CIDADANIA.

Ao contrário do filme “De volta para o futuro”, sucesso do cinema na década de 1980, os empresários ou os endinheirados da cidade de Ponta Grossa, no Paraná, resolveram “viajar” pela máquina do tempo, e, diferentemente da maioria das pessoas normais que tem curiosidade de saber sobre o futuro de suas vidas, o que é uma evidência de ordem racional, a classe dominante de Ponta Grossa resolveu voltar ao passado, especificamente ao Brasil Colônia do século XVIII, quando apenas as pessoas do sexo masculino, de peles brancas e proprietárias de terras e de escravos tinham o direito de votar em seus candidatos e representantes.

 

Contudo, inacreditavelmente e de forma surreal, a diretoria da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), com a aquiescência de seus associados diversificados em 21 setores, apresentou documento aos candidatos a prefeito convidados para debater na entidade empresarial, com propostas e reivindicações da importante categoria empresarial, que ora se encontra muito preocupada com os programas de transferência de renda do Governo Federal, em parceria com os estaduais, e, obviamente, com a participação também das prefeituras municipais, como é o caso de Ponta Grossa.

 

Dentre as inúmeras reivindicações de homens e mulheres que atuam no segmento empresarial pontagrossense, duas chamaram a atenção pelos seus conteúdos perversos: 1) a redução de direitos trabalhistas; e 2) o impedimento de cidadãos cadastrados em programas sociais, a exemplo do Bolsa Família, de votar em eleições. Inacreditável! Além de ser inconstitucional, apenas pessoas consideradas criminosas e condenadas em terceira instância perdem o direito ao voto. Muita gente pensa assim. Basta qualquer pessoa acessar a internet, ver televisão, ler jornais e revistas e ouvir debates políticos e empresariais.

 

Entretanto, não me lembro de uma entidade oficial de uma categoria, mesmo sendo empresarial e privada, colocar essas barbaridades no papel, como o fez a Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa. Tal atitude de essência elitista e ordinariamente de interesse mercantil deixou as pessoas sensatas e que tem consciência do passado de escravidões deste País indignadas.

 

As propostas da Acipg são tão descaradas e infundadas que faz muita gente pensar como uma categoria empresarial de uma cidade paranaense importante elege e segue uma diretoria sem qualquer consciência social, sensibilidade política e conhecimento de história, ao ponto de apresentar documentalmente e, portanto, oficialmente, reivindicações e propostas que retiram direitos trabalhistas conquistados nos tempos do estadista Getúlio Vargas, bem como, inacreditavelmente, propõe que cidadãos brasileiros, trabalhadores e honrados, percam o direito de votar porque estão cadastrados em um dos programas sociais do Governo Federal, atualmente administrado por políticos trabalhistas do PT.

 

O “documento” dos empresários de Ponta Grossa é tão horroroso, draconiano e fora da realidade que atingiu em cheio o candidato a prefeito do PT, Péricles Holleben de Mello, que sofreu uma arritmia cardíaca por ter ficado irritado e deveras surpreso com tanta ignomínia e sordidez por parte de indivíduos ricos, mas completamente insensatos e egoístas. O político teve de ser hospitalizado, pois se alterou com tais pleitos formulados por empresários. Não é para menos.

 

E como não se sentir mal ao lidar com tamanha falta de sensibilidade, senso moral e crítico, além da total ausência de solidariedade por parte de empresários ricos? Cidadãos donos dos meios de produção e que deveriam, no mínimo, ter noção do que é correto e incorreto, bem como do que é justo e injusto — questões inalienáveis no que tange à condição humana, pois inerentes à sua existência e sobrevivência.

  

Fatores importantes de vida que, definitivamente, os inquilinos da Casa Grande de Ponta Grossa e também de todo o Brasil jamais levam em conta, porque o que lhes interessa é que o mundo seja para poucos, para que uma minoria possa se locupletar, a viver como os “nobres” escravocratas do Brasil Colônia, a ter acesso a tudo o que é de bom e melhor, em todos os setores e segmentos da vida, pois talvez acreditam, por intermédio de suas consciências vazias e corações de pedra, ser muito natural que milhões de pessoas vivam mal e a burguesia opulenta, de caráter patrimonialista e nepotista, viva como uma verdadeira diva sectária, a ter mucamas a abaná-la enquanto ela se refestela em sua própria iniqüidade.

 

Haja paciência para tanta infâmia e falta de discernimento. Afinal, estamos no terceiro milênio, em pleno século XXI e não mais nos tempos do Brasil Colônia, apesar de saber que a nossa burguesia é colonizada e subserviente ao estrangeiro, pois portadora de um gigantesco e indescritível, porque inenarrável complexo de vira-lata. A Casa Grande perversa, covarde e feroz como um leão quando se trata de oprimir e prejudicar os mais pobres. Por seu turno, subalterna, pusilânime e entreguista quando se depara com os mais fortes, a exemplo dos governos e das classes ricas dos países desenvolvidos. Êita burguesia chinfrim!

 

A verdade é que a cartilha da Acipg apresentada aos candidatos criminaliza a pobreza, pois, irremediavelmente, preconceituosa. Por sua vez, o direito ao voto é universal, conforme reza a Constituição de 1988. O presidente da associação de empresários, Nilton Fior, deveria ter mais consciência, e, se não a tem, poderia consultar pessoas que pudessem lhe aconselhar a não apresentar uma cartilha tão sectária e elitista para os candidatos, mesmo os de direita. Fior deveria respeitar os direitos civis da sociedade, que, em maioria, não deve concordar em perder direitos que levaram séculos para se transformarem em conquistas sociais e cívicas.

 

Cassar votos de cidadãos com plenos direitos civis é repetir o passado ditatorial do Brasil, País que foi vítima de um golpe civil-militar em 1964. Entidades empresariais maiores e mais poderosas que a Acipg conspiraram e financiaram os militares e os órgãos de repressão da ditadura. Passados 30 anos da redemocratização do Brasil, a cúpula empresarial de Ponta Grossa apresenta oficialmente uma cartilha (documento) que cassa o direito ao voto de cidadãos brasileiros, além de reivindicar a retirada de direitos trabalhistas. É o fim da picada. Realmente, tem setores da sociedade brasileira que são assustadores, pois ainda vivem em mundo paralelo, sem o brilho da luz. Ponta Grossa e seu povo não merecem essa gente. É isso aí.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Marco Antonio Villa é historiador sectário a serviço da Casa Grande

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

VILLA É UM HISTORIADOR QUE ESCREVE E REESCREVE A HISTÓRIA CONFORME OS INTERESSES DA CASA GRANDE.

Todo mundo sabe, até os desajuizados e os alienados, que o historiador Marco Antonio Villa tem uma visão da história bastante peculiar para não dizer excêntrica. Digamos que o moço tem propensão a observar a história pela ótica dos grupos sociais e acadêmicos aos quais ele pertence, que se resume no mundo das classes sociais e econômicas bem nutridas e ricas.

Por isto, tal historiador age como um dos historialistas (misto de historiador com editorialista) oficiais da direita brasileira. Realidade esta que lhe retira credibilidade junto à maioria dos acadêmicos das universidades brasileiras, porque, como todo mundo já percebeu, Villa tem lado, partido, cor ideológica e preconceitos de classe, que inviabilizam o trabalho de qualquer historiador, pois sua atividade requer equilíbrio, sensatez, pesquisa, estudos e, mais do que tudo, imparcialidade. Todos esses fatores são o que, definitivamente, Marco Antonio Villa não preza e nunca prezará.

Por seu turno, a história observada e escrita, tal qual Marco Antonio Villa faz, transforma-se em uma colcha de retalhos, pois história fragmentada e, consequentemente, desacreditada. Villa aparenta ter o dom da mágica, porque a história filmada pelo seu olhar sofre uma inacreditável metamorfose e se transforma em fofoca, a historia da carochinha, a verdadeira conversa para boi dormir, mas que atende plenamente aos interesses da Casa Grande, que Villa tão bem representa nos fóruns apropriados à burguesia.

E por quê? Porque as realidades e as verdades históricas são vilipendiadas por Villa, o mágico historialista da falácia, da fraude ou simplesmente da mentira. Inverdades em âmbitos históricos, que fique clara tal assertiva, pois o propósito de Villa é fazer política contra os governantes trabalhistas do PT, a fim de favorecer os setores acadêmicos, midiáticos e partidários conservadores — de direita, que lutam pela hegemonia, pois, para mantê-la, é necessário excluir, o que, seguramente, é o que não tem feito os governos do PT.

A oposição de uma “elite” desesperada, sumariamente feroz, porque não aceita a inclusão social de milhões de brasileiros. O sistema a utilizar gente igual a Marco Antonio Villa, o historialista que confunde propositadamente os fatos e os acontecimentos, com sua conversa dúbia sobre as realidades e, por conseguinte, atrair principalmente a classe média por meio de um verniz de intelectualidade, que tem a finalidade de dar uma conotação histórica aos “graves” erros do Lula, do PT, da Dilma e dos governos trabalhistas, que realizaram uma revolução social silenciosa neste País.

A direita colonizada e entreguista que se encontra histérica por estar somente há 12 anos sem controlar o Governo Federal, quando, no decorrer de séculos, esse segmento se locupletou nababescamente com as riquezas do País, explorou a mão de obra barata e aumentou suas fortunas mediante o poder do Estado, transformado pelas “elites” em patrimonialista e nepotista. E é exatamente essa nostalgia que mexe profundamente com o caráter hegemônico e de perfil excludente dos burgueses e dos pequenos burgueses.

Marco Antonio Villa está careca de saber disso. Porém, historialista vinculado ao golpista e direitista Instituto Millenium, torna-se necessário a ele distorcer os fatos ou os acontecimentos para dar veracidade às suas crenças ideológicas, e, por sua vez, agradar às classes dominantes que Villa representa, porque delas recebe benefícios, como, por exemplo, ter acesso à Globo News, no papel de “especialista” de prateleira, ou participar do “Programa do Jô” e aproveitar para fazer publicidade de seu livro, além de contar a história recente do Brasil através de sua ótica essencialmente conservadora.

Aliás, um aviso aos coxinhas desavisados ou ingênuos de plantão: as “entrevistas” do Jô não são consideradas entrevistas pela Globo, mas, sim, merchandising. Explico melhor: propaganda dentro do programa e não nos intervalos. Essas propagandas podem ter um formato jornalístico, de programa de auditório ou serem veiculadas em novelas. Ou seja, quem vai ao Jô Soares e a outros programas “globais” está a vender algum produto, mesmo se a pessoa não tiver conhecimento dessa engrenagem, o que muitas vezes acontece, porque já ouvi declarações de autores, atores e cantores reclamando desse processo mercantil das Organizações(?) Globo. Ponto!

Recorrentemente, o negócio de venda de produtos, uma peça de teatro, por exemplo, ou um livro, poderá ser realizado entre empresas pertencentes às Organizações(?) Globo. De qualquer forma, o monopólio global não dá abertura ou qualquer opção para que os profissionais de diferentes segmentos ganhem dinheiro sem deixar a parte do leão para o oligopólio de todas as mídias cruzadas, que se chama Globo.

Os Marinho monopolizaram o setor midiático, e estão em todos os negócios, inclusive naqueles em que não gastaram um tostão, a ter como exemplo chamar um diretor de teatro para falar de seu trabalho, sendo que a “entrevista” é considerada merchandising, independente ou não da vontade do “entrevistado”. Todavia, alguém poderia exclamar: “A pessoa vai se quiser!” Eu retruco com uma indagação: “E tem jeito?” Como sobreviver e deixar de ser refém dos tentáculos de tal polvo midiático, que pauta até a agenda política brasileira?

Então, até aqui está tudo bem, mas voltemos ao Marco Antonio Villa. Não é que o historialista dos ricos não cansa de deitar falação sobre o ex-presidente trabalhista Lula, pois, acredito, que se ele falasse de FHC — o Neoliberal I — não conseguiria ser ouvido e muito menos vender seus livros comprados por uma classe média reacionária, cujo maior sonho é ir para a Disneylândia abraçar o Mickey para dar uma de Pateta.

A classe média intolerante, aquela que não agüenta mais “tudo o que está aí”, ou seja, o Governo do PT e sua mania de distribuir renda e riqueza, bem como empregar os trabalhadores brasileiros, que passaram a freqüentar aeroportos, universidades, restaurantes, shoppings e a comprar carros, eletroeletrônicos e passagens aéreas, o que acarretou aos coxinhas um enorme desprazer de viver no Brasil.

Realidades que geraram um inconformismo e rancores de conotações preconceituosas incontroláveis, que levaram a classe média, de forma ridícula, a participar das primeiras manifestações, até porque, quando o caldo engrossou, os coxinhas se recolheram à segurança e ao conforto de suas casas e voltaram a criticar com cólera e xingar, geralmente de forma anônima, por intermédio das redes sociais.

A resumir: Voltaram a fazer o que sempre fizeram, pois ficou comprovado que os protestos nas ruas foram levados a cabo por grupos sociais organizados (sindicatos, partidos político e entidades variadas) e não por uma classe média devoradora de novelas, de programas de auditório, de revistas conservadoras, como a Época e a Veja e de jornais televisivos, que fazem a cabeça dessa gente de origem universitária, mas politicamente alienada e que se sente prejudicada e traída pelo Governo Trabalhista.

Traída, sobretudo, por ela ter que conviver ou simplesmente esbarrar com os pobres, em lugares que tal classe reacionária sempre considerou, equivocadamente, como seus, o que lhe causou revolta e ódio ao PT, aos seus eleitores, à esquerda e ao Lula e à Dilma.

A classe média quer ser VIP, mas não controla os meios de produção. A verdade é que nem classe organizada ela o é. Coitada, sonha em ser um dia convidada para os regabofes, as comezainas dos ricos e depois se refestelar. Todavia, a realidade é dura, e a classe média apenas serve à burguesia, que nunca abre as portas da Casa Grande para aqueles que ela trata apenas como consumidora de seus produtos e empregada de suas empresas. Ponto!

A “elite” sabedora desse complexo processo, serve-se de seus meios de comunicação, inclusive os de concessão pública, a fim de trazer para seu lado a pequena burguesia desejosa de ascender socialmente. É a partir desse ponto que gente, a exemplo do historialista Marco Antonio Villa, deita e rola, sem, contudo, ter alguém para fazer contraponto às suas opiniões, geralmente contrárias à esquerda, aos trabalhistas e, sobretudo, favorável ao establishment controlado por aqueles que eternizam o status quo, ou seja, a plutocracia nacional e internacional.

Afinal, a moderada ascensão social dos pobres no Brasil resultou em um indomável sentimento de ódio e desprezo saído do coração da classe média, que se sentiu preterida e por isso abomina o PT e todas suas políticas públicas, que visam dar um equilíbrio econômico e social à Nação brasileira. O PT não é um partido revolucionário, mas, sim, reformista e legalista, condição que faz a imprensa de mercado apelar para a fofoca, a maledicência e a manipulação — a arquitetura do jornalismo de esgoto.

Os petistas no poder da República são sociais democratas, realidade esta que os tucanos nunca abraçaram. Afinal, convenhamos, o nome do PSDB significa Partido da Social Democracia Brasileira, mas seu espaço foi ocupado pelo PT, que se dedicou às questões sociais e investiu pesadamente em programas de combate à pobreza, bem como em infraestrutura, o que permitiu, sem sombra de dúvida, que o Brasil crescesse tanto ao ponto de ser a sétima maior economia do mundo.

Como o PSDB se tornou um partido conservador e que, indubitavelmente, representa os interesses do empresariado, dos banqueiros e dos governos de países considerados desenvolvidos, mas de passado colonialista, evidentemente que o espaço popular já ocupado há décadas pelo PT permaneceu com o partido estrelado e de cor vermelha.

O PT e o Governo Trabalhista efetivam políticas públicas de caráter social, reconhecidas no exterior e pelo povo brasileiro. Não resta dúvida. Por isso venceu três eleições seguidas, além de não ter vendido as estatais. Ao contrário, criaram outras e fortaleceram as já existentes. Villa, o historialista da high society sabe disso ou finge não saber. Porque não é possível que um cara que se diz historiador não enxergue a história a um palmo de seu nariz. Inacreditável sua desfaçatez e cegueira ideológica.

Villa chama Lula de ditador, quando a verdade é que o político trabalhista ampliou as ferramentas e os instrumentos democráticos ao abrir as portas do Palácio do Planalto a segmentos sociais fragilizados e sem visibilidade social, organizou centenas de conferências e chamou a sociedade para participar, nunca reprimiu movimentos sociais e reivindicatórios, implementou o Portal da Transparência, aceitou as listas tríplices para escolhas de ministros do STF e procurador-geral da PGR, além de governar de forma republicana, porque até os governadores adversários receberam recursos para exercerem seus mandatos com dignidade.

Além disso, o PT tem tradição de organizar reuniões políticas, partidárias, laborais e é uma agremiação política democrática, porque talvez o PT seja o único partido brasileiro que seus militantes têm direito a voto. Lula é um político paciente, pois foi forjado pelas negociações sindicais com o patronato, além de estar aberto a discussões partidárias. Sempre ouviu mais do que falou, para ter ciência do que seu interlocutor quer e deseja.

Todo mundo sabe disso, menos o Marco Antonio Villa, que, como historiador, é o fim da picada. A verdade é que sua intenção é desconstruir o PT e seus líderes simbolizados em Lula e Dilma. Villa apenas repete o mantra antigo e cheio de poeira que historialistas e jornalistas antigos repercutiam no passado, a ter como alvo o PTB do estadista Getúlio. Villa é desprovido de criatividade e por causa disso tenta repetir a história. Só que a história retrata a vida humana e não se repete, pois, quando há esta intenção forjada pelo homem, a história se torna uma fraude, a farsa em toda sua essência e plenitude. Ponto!

Os propósitos dessa gente são tão inacreditáveis que chego a pensar que esse pessoal passou por um processo de lobotomia. Acredito que não é necessário mentir para distorcer a história, como o historialista da Casa Grande faz e está cansado de fazê-lo. Marco Antonio Villa aparenta ser tão imprudente como historiador, que me leva a concluir que no futuro ele vai ser relegado ao plano de “especialista” de prateleira da Globo News. Só isso e nada mais. É isso aí.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Aécio se diz o “ético”, o “novo”, mas recorre ao discurso “mar de lama” do Corvo Carlos Lacerda

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


Estava a pensar no assunto corrupção, e, por sua vez, nas declarações do candidato neoliberal e do PSDB, Aécio Neves. O tucano mineiro está em terceiro lugar na corrida presidencial. Desprovido de programa de Governo e projeto de País, recorre, malandramente, a temas como corrupção, o mote preferido dos conservadores desde os tempos da UDN de Carlos Lacerda, político radical de direita e conhecido também pela alcunha de o Corvo.


Aécio Neves se considera uma pessoa muito preocupada com a corrupção, a começar pelo Mensalão do PSDB, cujo protagonista é seu aliado, o ex-governador de Minas Gerais, o tucano Eduardo Azeredo. Além disso, o candidato a presidente dos tucanos e dos coxinhas que defendem os interesses dos ricos, sem, contudo, serem ricos, esquece que o publicitário Marcos Valério, o operador de mensalões e que ora se encontra preso é oriundo das fileiras do PSDB — o mineiro.


Contudo, Aécio Neves, senador de medíocre atuação no Senado, continua a seu bel-prazer a falar sobre corrupção, de forma que se alguma pessoa estiver em uma condição de desavisada, ou o é meramente alienada, embarca em seu discurso vazio e pouco inteligente, mas cheio de malícia e veneno.


Um discurso recorrente e mais velho do que andar para frente, mas que se tornou a única forma de a direita combater os trabalhistas e republicanos que estão no poder, assim como o fizeram nos tempos de Getúlio, JK e Jango. O velho e mofado discurso golpista e, com a proximidade das eleições, revigorado. Portanto, criminoso, porque sem veracidade — mentiroso, aos moldes udenistas e com o apoio obscurantista dos magnatas bilionários de imprensa de negócios privados e seus empregados de confiança, que são piores do que os patrões.


E por que isto acontece ciclicamente? Porque a direita, no caso o PSDB (DEM/PPS), não tem propostas concretas, que objetivam melhorar ainda mais as condições de vida do povo brasileiro, bem como superar o que o PT já fez nos últimos 12 anos, em termos sociais e econômicos. Ponto! A Casa Grande nunca fez e não quer fazer nada para o povo.


Historicamente sempre se comportou dessa maneira, restando-lhe apenas apelar para a velha acusação cretina e golpista exemplificada na mais do que batida frase udenista “Mar de lama”. A “lama” que — em conformidade com revistas, jornais oposicionistas e editorialmente conservadores, como a “Veja”, a “Folha” e “O Globo” — afunda o Governo Trabalhista, além da Petrobras, maior empresa da América Latina, uma das maiores petroleiras do mundo e que causa verdadeiro ódio à direita escravocrata do Brasil.


A Petrobras foi recuperada e hoje, além de explorar a imensidão do Pré-Sal, tem o apoio insofismável da indústria naval brasileira, atualmente a quarta maior do mundo, que, nos tempos do governo tucano e neoliberal de FHC foi à falência, a fazer com que o Brasil comprasse navios em Cingapura, empregasse os trabalhadores daquele País, ao invés de empregar o trabalhador brasileiro em suas terras, a fim de melhorar as condições de vida do dia a dia.


Logo a Petrobras que enche de orgulho a Nação, mas que causa ódio e desprezo à classe média e à burguesia, classes de perfis entreguistas e portadoras de um inenarrável e indescritível complexo de vira-lata, porque possuidoras de uma nostalgia de conotação colonial, pois inexplicável a admiração e a subalternidade que sentem pelas cortes estrangeiras, que dominam, de forma imperialista e colonial, suas mentes, seus caráteres, a retirar-lhes quaisquer sentimentos de brasilidade e autodeterminação. Total falta de amor próprio. Uma vergonhosa subserviência! “Elite” provinciana e complexada, com vocação para capataz, e, por conseguinte, para trair, como ocorreu em 1964.


Ataques infundados, sem quaisquer provas contra a Petrobras e acontecidos antes das eleições, com o indiscutível propósito de desconstruir a candidatura petista de Dilma Rousseff e desqualificar o Governo Trabalhista como gestor. O mesmo que recuperou a Petrobras, investiu pesados recursos em todos seus setores e segmentos, contratou milhares de trabalhadores por meio de concursos, bem como recuperou e construiu estaleiros, além de plataformas, similares à P-36, na época a maior plataforma de prospecção de petróleo do mundo e que foi afundada no Governo de FHC, aquele tucano que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado e com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.


Agora a sociedade tem que suportar as gaiatices de Aécio Neves e seus títeres, a maldizer a Petrobras, a se aproveitar da cumplicidade da imprensa de mercado para repercutir mentiras e sandices do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sem quaisquer preocupações com a verdade e com a queda de ações de tão importante estatal.


Seu partido, o PSDB, agremiação que vendeu o Brasil, inclusive estatais estratégicas como a Telebras, a Embratel e a Vale do Rio Doce, quer a criação de uma CPI quando há poucos meses esvaziou a CPI da Petrobras, onde seus representantes faltaram a quase todas as sessões por saberem, no fundo, que as acusações não tinham quaisquer lastros de verdade. As acusações à Petrobras são eleitoreiras e visam atingir a candidata trabalhista Dilma Rousseff. É isso aí, e nada mais.


Seria cômico se não fosse trágica a petulância de um candidato que em Minas Gerais governou para os ricos em detrimento dos pobres e da classe média. Esta, coitada, ainda acredita que um dia vai ter as portas da burguesia franqueadas à sua presença. Ora bolas, tolo é aquele que acredita em ilusão. É o caso da pequena burguesia empregada dos ricos, com mania de grandeza, repleta de preconceitos e, sobretudo, sem o controle dos meios de produção. A classe metida que não tem aonde cair morta.


A Casa Grande sabe onde seu calo aperta. Sempre soube e por isto considera a Petrobras o símbolo da independência brasileira desde os tempos do estadista Getúlio Vargas e do movimento cívico e nacionalista “O Petróleo é Nosso!”, que derrotou os interesses da direita na época. A Veja — a Última Flor do Fáscio — é useira e vezeira em publicar matérias de conotação política e eleitoral. Seus associados de fakes jornalísticos, os jornais Folha de S. Paulo, Estadão, Correio Braziliense, Zero Hora e O Globo, repercutem a “reportagem” de sábado de Veja no domingo, a partir do programa global “Fantástico”.


Tal programa há muito tempo serve de plataforma política para que a imprensa-empresa na segunda-feira dê continuidade ao assunto, por intermédio do “Jornal Nacional” e seu congêneres indutores de um jornalismo roto, esfarrapado, manipulado e, se for o necessário, mentiroso. A verdade é que se colar, colou. É a estratégia já há muito tempo conhecida efetivada pelos áulicos do jornalismo de esgoto. Ou seja: repercutir ao máximo o desgaste político do governo ou de governantes ou autoridades.


Entretanto, se as acusações ou ilações não forem comprovadas, problema de quem foi citado ou atingido, porque o estrago, a desconstrução da imagem pessoal e institucional foi concretizada, como todos sabem e compreendem, explicar depois que “focinho de porco não é tomada” são outros quinhentos e problema de quem foi muitas vezes injustiçado.

 

Afinal quem manda os governos trabalhistas e democráticos de Dilma e de Lula não efetivarem o marco regulatório para os meios de comunicação. Quem manda não regulamentar a Constituição. Enquanto todos os setores da economia são regulados, o segmento midiático age e se conduz a seu bel-prazer, como quiser e bem entender, inclusive tentar dar golpes políticos diuturnamente, pois se tiver oportunidade de derrubar mais um presidente trabalhista, não se enganem, os magnatas bilionários de imprensa e seus feitores pagos regiamente o farão. Não se iludem. O passado dessa gente é a prova e a contraprova de suas “boas” intenções.


Aécio Neves incrivelmente acenou que vai se utilizar das declarações do preso pela Justiça, Paulo Roberto Costa, vazada pela revista “Veja”, cuja reportagem não prova e não comprova nada. Apenas ilações jogadas ao ar, como sempre as dissemina tal pasquim de péssima qualidade editorial, de extrema direita e que não tem o mínimo compromisso com a verdade, portanto, com os seus leitores, com o passar do tempo cada vez mais em números menores.


Como o programa da direita brasileira se resume a privatizar e a efetivar “medidas amargas” aos trabalhadores, estudantes e donas de casa e assim favorecer os jogadores do mercado financeiros e os rentistas, de acordo com anúncios dos privatistas neoliberais Eduardo Gianetti (Marina Silva) e Armínio Fraga (Aécio Neves), resta a Aécio Neves a opção de falar em corrupção, a ter como mote as matérias do sistema midiático privado contra o Governo Trabalhista.


Fazer o quê, né? Quem não trabalha a sério; quem não distribui renda e riqueza quando está no poder; quem não luta pela emancipação do povo e independência do Brasil tem mais que transformar em tábua de salvação a mentira, a falácia e a manipulação. Dessa forma que agem os partidos conservadores e a imprensa alienígena para angariar votos dos incautos, dos alienados, dos analfabetos políticos, ou simplesmente ter a confiança do eleitorado de direita.


A direita que aposta, por ideologia ou sentimento colonialista, em um País de joelhos, a reboque da União Europeia e dos Estados Unidos, como sempre aconteceu, antes de Lula e Dilma Rousseff conquistarem a Presidência da República. Somente nos governos de Getúlio Vargas e João Goulart houve também a efetivação de uma política externa independente e não alinhada aos países considerados desenvolvidos. A política externa implementada pelo Governo do PT, com certeza, é também um dos principais motivos do ódio e da intolerância da burguesia brasileira de alma colonizada.


Ao dar os trâmites por findos, pois sabedor que o tucano Aécio Neves não elaborou programas e projetos para apresentar ao povo brasileiro, por se tratar de um candidato programaticamente vazio, decidi por bem ajudá-lo em sua dura lida quixotesca contra a iniqüidade e os malfeitos humanos, ao tempo em que aproveito para apresentar mais alguns casos de “supostas” corrupções, porque espero que o candidato do PSDB exija com tenacidade e até mesmo ferocidade a resolução desses casos.


Então vamos lá: 1) Privataria Tucana; 2) Mensalão do PSDB; 3) Mensalão do DEM; 4) Lista de Furnas; 5) Trensalão de São Paulo; 6) Metrosalão de São Paulo; 7) Caso Banestado; 8) Vampiros da Saúde; 9) Banco Marka; 10) TRT de São Paulo; 11) Navalha na Carne; 12) Caso Sudan, 13) Anões do Orçamento, dentre muitos outros escândalos ocorridos em governos tucanos, que já foram citados, inclusive, pela imprensa da Casa Grande.


Como se observa, o tucano Aécio tem vários pratos cheios... E poderá, se assim lhe interessar ou prover, começar a encher a barriga e matar sua fome imensa de justiça. Só não pode bancar o paladino da Justiça, da moral, da ética e dos bons costumes somente contra seus adversários, porque os armários do PSDB estão repletos de esqueletos. Diga-se de passagem.


A verdade é que os governos que realmente combateram a corrupção foram os governos petistas de Lula e Dilma. E quem sabe disso? Respondo: a imprensa burguesa, que manipula a verdade; a Polícia Federal e o Ministério Público, além de alguns “agentes” que vazam processos e investigações, inclusive com sigilo de justiça, para a imprensa de mercado, como ocorre agora com as declarações do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, à “Veja” (sempre ela), mas que oficialmente e institucionalmente não foram reconhecidas pelos MP e Polícia Federal.


Agora, vamos às perguntas que não querem calar: Quem vazou o inquérito do preso? Qual é o papel do ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, cuja PF é subordinada a ele? Por que geralmente é a “Veja” — a Última Flor do Fáscio — que divulga tais reporcagens vazadas por servidores do Governo? Por que a direita tucana não apresenta propostas de governo e projeto de País para o povo brasileiro? Por que a direita se dedica a fofocas, trapaças, pilantragens, ao jornalismo bandido e à política de essência mequetrefe e rastaquera? Com a palavra, os interessados...


O tucano Aécio Neves se autodenonima o “ético”, o “novo”, mas recorre ao velho e ao superado discurso golpista “mar de lama” do corvo udenista Carlos Lacerda e de toda a direita brasileira através dos séculos. Apresenta seu programa ao povo, Aécio, e os compare com os do PT. É assim que se faz política. É isso aí.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Marina é a neoliberal de um mundo sepultado na década de 1990

Por Davis Sena Filho  Blog Palavra Livre

MARINA É ROBERTO CAMPOS. DILMA É CELSO FURTADO.
Equivoca-se aquele que pensa ou considera a candidata “sonhática”, Marina Silva, uma política que não sabe o que quer e passa uma impressão de ser uma pessoa confusa, ou seja, “pesadélica”. Não. Engana-se quem pensa assim. Marina tem passado político, vem da esquerda e foi durante muito tempo uma militante influente do Partido dos Trabalhadores.

Marina tem de ser levada a sério, principalmente pelo PT, por seus aliados e eleitores, porque a Sonhática abandonou seu passado, o partido pelo qual ela foi eleita a diversos cargos políticos, bem como assumiu posição importante no Executivo Federal quando foi ministra de Estado do Meio Ambiente do Governo Trabalhista do ex-presidente Lula.

A política do Acre, que ficou em terceiro lugar em seu próprio Estado nas eleições presidenciais de 2010, conviveu com o seringueiro e sindicalista de fama internacional, Chico Mendes, assassinado covardemente por fazendeiros. Todavia, a “socialista” mudou seu modo de pensar, de agir e de se conduzir politicamente e até mesmo socialmente, porque hoje integra as hostes da Casa Grande. Marina não é mais, definitivamente, a Marina do PT.

Ela é a Marina dos grandes grupos capitalistas voltados para o Meio Ambiente também conhecidos como ONGs, que desejam, sem sombra dúvida, pautar governantes eleitos, bem como determinar as diretrizes ambientais que, comumente, são efetivadas por mandatários que apresentaram seus programas de governos e projetos de País aos cidadãos que, em maioria, os elegeram.

Enganam-se as pessoas que pensam que Marina é apenas uma figura folclórica e emblemática por causa de seu palavreado confuso, contraditório, nebuloso — quase excêntrico. E por quê? Porque a excentricidade de Marina Sonhática termina no limite de suas verdadeiras intenções, calcadas, sem dúvida alguma, em seu programa de governo propositalmente pouco divulgado.

A candidata da Rede Sustentabiidade, hospedeira do PSB e que não teve competência para registrar sua agremiação política no TSE, transformou-se em uma titânide com pés de barro de grupos econômicos dos mais reacionários, a exemplo da família Setúbal, do Banco Itaú/Unibanco, e do economista Eduardo Gianetti, técnico ligado aos tucanos e, evidentemente, ao sistema financeiro privado.

Gianetti, tal qual ao financista Armínio Fraga, candidato a assumir o Ministério da Fazenda em um hipotético Governo Aécio Neves, parece ser o porta-voz, juntamente com a herdeira do Itaú, Neca Setúbal, para assuntos econômicos da candidata Marina Silva, que, certamente, abraçou os princípios monetaristas em detrimento da corrente estruturalista (desenvolvimentista), cujo representante mais importante é o professor Celso Furtado.

Marina não conversa e muito menos se aconselha com Paul Singer, Carlos Lessa, Maria da Conceição Tavares, Ricardo Bielschowsky e André Singer, dentre outros. Afinal, como já dito, Marina mudou e hoje a política que se diz “apolítica” pertence às fileiras dos que pensam o País apenas com números, gráficos e índices, a excluir o ser humano como prioridade acima de qualquer questão econômica.

Por isto e por causa disto, os porta-vozes dos mercados rentistas e especulativos, em âmbito internacional, como o Financial Times e a The Economist, enviam recados à ciranda financeira e fazem há anos críticas negativas ao Governo brasileiro.

Questionamentos matreiros, infundados e repercutidos por intermédio de reportagens pré-elaboradas e de conotações políticas, intencionalmente plantadas em suas páginas impressas e em online, a ter como um de seus “cooperantes” o ex-ministro da Fazenda do Governo FHC, Pedro Malan, alto executivo de bancos privados e um dos homens de confiança da ciranda financeira internacional.

Malan e André Lara Resende (este passou a integrar a equipe de Marina) têm feito, juntamente com outros economistas da Era FHC, um trabalho de contestação às políticas públicas e financeiras dos Governos trabalhistas de Lula e de Dilma, que optaram por nomear para ministro da Fazenda um técnico da corrente desenvolvimentista de Celso Furtado e não monetarista de Eugênio Gudin ou Roberto Campos.

Sempre foi assim. Governos de caráter nacionalista e em luta constante pela independência e autonomia do Brasil, a exemplo dos mandatários Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Lula e Dilma Rousseff, efetivaram políticas econômicas e fiscais que permitissem o desenvolvimento estrutural do País e, por seu turno, viabilizassem o desenvolvimento material do povo brasileiro, a ter o estado como o indutor do bem-estar social.

Além disso, em termos regionais, os governadores Miguel Arraes e Leonel Brizola sempre quando no poder implementaram políticas desenvolvimentistas em Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Estados da Federação de históricos e tradições oposicionistas, quando as oligarquias, a Casa Grande conquistam o poder, geralmente por intermédio de golpes brancos (jurídico e parlamentar) ou simplesmente por meio de uma quartelada, como a ocorrida em 1964.

Portanto, não é à toa que o ministro da Fazenda de Lula e de Dilma, Guido Mantega, e o servidor de carreira e presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foram e o são alvos de economistas e financistas vinculados ao capital especulativo, bem como pelos banqueiros nativos, sendo que a família Setúbal é o exemplo mais emblemático dos últimos tempos.

E por quê? Porque, apesar de ter lucrado como nunca antes nos governos trabalhistas, a questão ideológica impera, bem como é inaceitável aos banqueiros e rentistas bilionários que as instituições estatais Banco do Brasil, BNDES e CEF abram suas carteiras de empréstimos à população, baixem os juros e com isso praticamente obrigam os bancos privados a diminuí-los para poder competir no mercado, além de fazer com que grande parte das folhas de pagamento do setor público voltasse a ser administrada por bancos estatais, por exemplo.

E não é só isso. Torna-se salutar e necessário o leitor observar com acuidade. Os fundos de pensões de grandes empresas e órgãos do Estado, além das estatais que foram privatizadas no Governo tucano de FHC, seus recursos, em grande monta, foram usados para financiar as privatizações e os empréstimos a grandes empresários, via CEF e BNDES. Ponto!

Nos governos trabalhistas de Lula e Dilma, as diretrizes foram outras, porque os recursos desses fundos foram alocados para financiar obras, projetos e programas de interesse público. E é aí que se apresentam, indelevelmente, as diferenças entre as propostas de Aécio Neves, Marina Silva e Dilma Rousseff. E é exatamente isto que os programas eleitorais do PT têm deixar claro, e, para isso, é preciso esclarecer o povo, o eleitor.

Marina é neoliberal. Suas propostas programáticas são um verdadeiro retrocesso, um atraso retumbante, pois iguais às décadas liberalizantes das décadas de 1980 e 1990, quando o mundo era para poucos países se locupletarem e seus povos terem acesso a uma qualidade de vida altíssima por intermédio da exploração, da rapinagem e da pirataria que humilharam e empobreceram os povos periféricos do terceiro mundo.

Um mundo bipolar que se alicerçava no antagonismo entre a União Soviética e os EUA. E esse tempo neoliberal, que significa roubalheira, está sepultado no passado, porque o Brasil cresceu e se tornou um País poderoso e importante, ao ponto de refundar suas relações internacionais e inserir quase 80 milhões de brasileiros nos mercados de emprego e de consumo, além dos bilionários investimentos em infraestrutura, saúde e educação.


Marina Silva é uma farsa política e ideológica, mas tem de ser levada a sério para ser combatida e desconstruída. A mentira se combate com a verdade. Dilma Rousseff é a continuidade do desenvolvimento e da humanização da sociedade brasileira. A “Sonhática” é a neoliberal de um mundo sepultado na década de 1990. É isso aí.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Pau que bate em Chico bate também em Francisco, Marina e Aécio

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

Marina é messiânica, ideologicamente dúbia e propositalmente fala para não ser entendida. Contudo, seu programa de governo é neoliberal.

Quando o PT e suas lideranças resolveram lançar o mote “A verdade vai vencer a mentira” é devido às milhares de obras de infraestrutura, grandes, médias e pequenas, além de dezenas de programas sociais, que estão em pleno andamento e são escondidos, peremptoriamente, pela imprensa de mercado e por outros segmentos hegemônicos, que atuam e agem nas diferentes igrejas, no Judiciário, no Congresso e nas associações e sindicatos patronais.

Trata-se do poderoso sistema midiático privado, que se transformou em partido político de direita e que, sistematicamente, boicota os avanços sociais e econômicos conquistados pelo povo brasileiro, pois a intenção é fazer com que não haja reconhecimento das conquistas, bem como a finalidade é fazer com que elas fiquem no esquecimento, como se nunca tivessem existido.

Contudo, torna-se necessário e urgente ao PT e à sua coalizão partidária reaprenderem a rebater, com ênfase e determinação, as mentiras e as manipulações provenientes da imprensa de negócios privados e também dos que se aninham debaixo de suas asas, a exemplo dos tucanos do PSDB, principalmente os paulistas.

Asas conservadoras que ainda não se abriram totalmente à Marina Silva, política hospedeira do PSB, que não possui equipe e muito menos programa de governo confiável, no sentido de suas propostas resguardarem os interesses do Brasil e as conquistas sociais e financeiras dos trabalhadores deste País.

Por isto e por causa disto, o PT não pode vacilar, porque são 12 anos de luta incessante para que o Brasil se desenvolvesse, a partir de programas sociais e obras de infraestrutra, que garantiram a quase plena empregabilidade, bem como propiciou que mais de 30 milhões de pessoas superassem a linha de pobreza, bem como mais de 40 milhões chegassem à classe média.

Cidadãos brasileiros, trabalhadores, estudantes e donas de casa que se tornaram consumidores e, consequentemente, a cooperar para que o Brasil vivenciasse um ciclo formidável de crescimento, somente comparável aos anos dos governos trabalhistas do estadista Getúlio Vargas.

Nunca o Brasil distribuiu renda e riqueza de uma forma tão uniforme, o que propiciou que todas as classes sociais e segmentos de atividades econômicas pudessem crescer, ao ponto de o mercado interno brasileiro se tornar tão poderoso e, por seu turno, efetivar uma rede de proteção social e econômica que impediu que a crise internacional de 2008 afundasse a economia brasileira, como aconteceu nos países da União Europeia e nos Estados Unidos.

Todas as questões postas na mesa têm de ser explicadas com acuidade e desenvoltura pelo PT e suas lideranças, a começar pela presidenta Dilma Rousseff e pelo maior cabo eleitoral da América Latina, o ex-presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva. Do contrário, o PT vai continuar a ser um saco de pancadas, tal qual a um boxeador que levou um direto, não caiu, mas grogue com as pancadas, mal tem a capacidade de se defender quanto mais efetivar ataques incisivos aos seus oponentes.

Adversários e inimigos perniciosos e funestos. No caso, a imprensa corporativa, de caráter neoliberal, portanto, entreguista, e seus aliados que, fracassados e incompetentes, abrigam-se em seu guarda-chuva elitista, sectário e que dá guarida aos conservadores do PSDB, DEM e PPS.

O guarda-chuva que cobre também as cabeças dos candidatos nanicos, à direita e também à esquerda. “Candidatos” a presidente da República, porém, a ter como único propósito atacar a presidenta Dilma Rousseff, o Lula, o Governo Trabalhista e o PT, como deixou claro e livre de equívocos e enganos o horário eleitoral, as entrevistas e os debates transmitidos pelas televisões e rádios pertencentes aos magnatas bilionários de imprensa familiar, que ora estão em dúvida quanto às reais condições de Marina Silva, a “Sonhática”, assumir a Presidência de um País poderoso e complexo como o é o Brasil.

O Brasil é tão poderoso e rico que a direita partidária, a Casa Grande empresarial e os coxinhas de classe média se recusam a sair do País, porque sabem que viver em Pindorama tem futuro, bem como compreendem que se conquistarem o poder vão viver ainda melhor do que vivem, pois vão efetivar um programa de governo e um projeto de País draconiano, que os permitirão a voltar aos tempos da ditadura militar e dos governos Collor, Sarney e Fernando Henrique.

Governos e governantes conservadores que apostaram, no passado, em um País VIP, alinhado sumariamente aos interesses dos EUA e da UE, suas cortes, tratadas como patrões, pois a elas subordinados e subservientes. A direita que deseja e luta por um Estado que deixe de ser o indutor e o fiscalizador do desenvolvimento econômico e social e passe a ser apenas uma plataforma para esses grupos sociais e econômicos darem suas piruetas e se locupletarem a despeito das necessidades e dos interesses da grande maioria do povo brasileiro.

O PT e líderes como Lula e Dilma têm de abrir a boca, fazer comparações e serem duros com quem manipula e mente sobre os números, os índices e as conquistas acontecidos nos últimos 12 anos. Não é complexo responder à altura àqueles que tratam o Brasil como pária dos países ricos, pois, a ser assim, a Casa Grande só tem a ganhar, como ocorre desde os tempos do Brasil Colônia.

Marina Silva, a “Sonhática”, cujas palavras e pensamento ninguém compreende, tem de ser desmascarada, e, mais do que isto, desconstruída em suas peripécias e dubiedades. Marina tem de ser mostrada como ela o é: incoerente, inconstante, sem ideologia, vazia de propostas e cooptada pelo mercado de capitais.

A candidata hospedeira do PSB, que não é PSB, bem como não conseguiu regulamentar junto ao TSE a Rede Sustentabilidade, tem de explicar os seis anos em que ela foi ministra do Meio Ambiente e fracassou no que é relativo ao desmatamento, à proteção das matas ciliares, dos rios e riachos.

Explicar também o porquê de não ter conseguido diminuir os índices de poluição, além de jamais ter efetivado um diálogo sincero com os sindicatos dos trabalhadores rurais, com os empresários do agronegócio e com os médios e pequenos produtores, já que o Ministério do Meio Ambiente é intrinsecamente ligado às questões ecológicas, bem como discute assuntos concernentes à produtividade rural, além de tratar também de temas complexos referentes aos índios.

Pelo contrário, a única coisa que a candidata dos banqueiros fez foi paralisar obras realizadas por todo o Brasil, muitas delas de enorme importância para a economia e a população brasileira. Ligada a grandes ONGs nacionais e internacionais, Marina passou a ser uma adversária dentro do próprio Governo Trabalhista, e a única solução foi a sua saída do Ministério de Lula.

Após sua exoneração, assumiu o cargo de ministro no Ministério do Meio Ambiente o deputado carioca, Carlos Minc. O ministro, em menos de dois anos, resolveu problemas, atingiu metas e achou soluções para casos polêmicos e complexos muito mais do que Marina Silva, que tem enorme dificuldade para ouvir e dialogar.

A “Sonhática”, além de centralizar as decisões, demora para efetivá-las, bem como é portadora de uma personalidade com viés messiânico. Enfim, Marina coloca em risco todo um programa de Governo e projeto de País vitoriosos, independente do que considera ou deixa de considerar a imprensa burguesa e seus áulicos, que vicejam na sociedade, entretanto, teleguiados por ela.

A questão primordial é vencer a mentira e a desinformação. E o ringue para derrotar os mentirosos é o horário eleitoral veiculado nas tevês e rádios. Só que o PT tem de reaprender a bater, como o fazia no passado, para que o povo brasileiro veja, ouça e observe as realidades e as verdades.

Não é justo e nem justificável que os governantes trabalhistas, Lula e Dilma, sejam alvos de mentiras e as conquistas de seus governos, de suas equipes e dos trabalhadores brasileiros, que acreditaram no Brasil e empreenderam um desenvolvimento jamais visto antes neste País sejam desacreditados, sabotados, boicotados e, sobretudo, não mostrados pela imprensa alienígena e de passado golpista, que se transformou no principal partido oposicionista e de direita deste País.

Aécio Neves é retrocesso. Ele é o Fernando Henrique mais novo, mas com pensamentos e ideias velhos, superados e ultrapassados pelas realidades atuais e, principalmente, pelo fracasso que foi a política econômica neoliberal empreendida pelos tucanos, que o foram, irrefragavelmente, reprovados pelo povo brasileiro em três eleições.

Sobre Marina Silva, já disse o que tinha de dizer. Ela é messiânica e dúbia, características principais dos governantes que, no decorrer da história da humanidade, criaram e fomentaram crises políticas e econômicas que os levaram à guerra, à deposição e à renúncia. Marina compôs com o que tem mais de atrasado, no que tange ao fundamentalismo religioso e mercadológico.  Ah, isto Marina representa, sem dúvida. O perigo mora aí.

O Partido dos Trabalhadores tem de se defender e reaprender a atacar. Recado ao PT: pau que bate em Chico bate também em Francisco, Marina e Aécio. É isso aí.




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Marina é o Jânio de saia - A “Sonhática” do pesadelo

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre




Vamos aos fatos. Chega-se à conclusão que nada mais importa a certos grupos da sociedade brasileira. A questão primordial para os setores conservadores é derrotar, sobremaneira, os trabalhistas do PT, cujos líderes venceram três eleições e realizaram uma revolução social e econômica silenciosa.

Uma revolução pacífica, de caráter reformista e muito aquém do desejado para segmentos importantes da esquerda brasileira. A esquerda que não foi cooptada, pois não pulou a cerca, que está no poder, a partir de 2003. A esquerda que quer, desde sempre, que os presidentes Lula e Dilma Rousseff contrariem, com mais tenacidade e voluntariedade, os interesses de oligopólios controlados por apenas seis famílias midiáticas, bem como das famílias brasileiras donas de bancos, além de combater os latifúndios rurais e urbanos também pertencentes a ramos familiares, que apostam, principalmente, na especulação imobiliária.

Como se observa, o Brasil, País que é a sétima economia do mundo, com uma população de 210 milhões de habitantes, que tem um parque industrial gigantesco e cidades que atraem turistas de todo o planeta, ainda continua com uma característica abominável, proveniente do Brasil Colônia e do Brasil Império. Trata-se da subserviência e da subalternidade de importantes e influentes segmentos sociais, que se submetem a crenças, valores e princípios de uma classe dominante riquíssima, de caráter alienígena, aliada e cúmplice do establishment internacional e totalmente divorciada dos interesses do Brasil e do seu povo.

Sabedores dessas questões e realidades, a Casa Grande — morada política e ideológica da burguesia apoiada pelos pequenos burgueses (classe média) — aposta em qualquer candidato para derrotar os trabalhistas, consequentemente, tirá-los do poder. Como anteriormente afirmado, não importa à direita quem vai ser o candidato a ser apoiado por ela. O que vale para os conservadores é que o PT e seus aliados sejam derrotados e a direita brasileira possa, enfim, retomar os princípios neoliberais, que se baseiam no estado mínimo, ou seja, na ausência do estado, bem como na meritocracia, que significa “cada um por si e Deus contra todos”.

Meritocracia é igual individualidade, que é igual à lei da selva, que favorece a Casa Grande — o lar dos beneficiados e privilegiados da sociedade. É o fim da picada, porque a espécie humana desde seus primórdios até hoje sobreviveu e não sucumbiu como espécie por causa da solidariedade, da responsabilidade entre os entes humanos e dos cuidados para que todos os indivíduos não fossem derrotados pelas intempéries que se apresentam ao longo da vida.

É muito fácil para gente como o tucano Aécio Neves e sua trupe, bem como para os seus eleitores ricos e de classe média defenderem a meritocracia quando, na verdade, a maioria das pessoas que conheço, além das que não tenho contato, mas leio suas mensagens e ouço suas vozes nas mídias sociais, tiveram todas as oportunidades e condições sociais, econômicas e de logística em toda vida estudantil, com o apoio dos pais, parentes e do estado (universidades públicas), de forma que pudessem se formar, para logo após conquistar os melhores postos de trabalho, seja nos setores públicos ou privados. É de se lamentar, profundamente, que tenhamos no Brasil uma das piores e mais perversas classes ricas e médias do mundo. Ponto!

Marina Silva representa tudo isto que está posto. Ela optou, e, como evangélica com pinceladas messiânicas, não se furta a fazer assertivas completamente mirabolantes, porque, sem ideologia e despida de programa de governo e projeto de País, poderá se tornar, institucionalmente, um Jânio Quadros de saia, igualmente com linguajar empolado e retórico, hospedeira de um partido que não é seu — ela não conseguiu assinaturas para legalizar a Rede Sustentabilidade —, ideologicamente confusa e frágil, além de ser irresponsavelmente useira e vezeira em negar a política e os partidos políticos, base, insofismável, de qualquer democracia no mundo, seja ela representativa (democracia burguesa) ou direta (democracia popular).

Não sei qual é o problema de Marina Silva, mas sei que ela lembra e repete o fracasso político, administrativo e governamental do ex-presidente Jânio Quadros, raro político popular à direita, que foi em sua época, como Marina Silva o é nos dias de hoje, abraçado pela imprensa de mercado, bem como apoiado efetivamente pelo maior partido de direita daqueles tempos, a famigerada União Democrática Nacional, do (corvo) Carlos Lacerda. A golpista UDN, covil de empresários, militares e políticos reacionários e entreguistas, que, inclusive, traidores da Pátria que são, aliaram-se a forças estrangeiras (EUA) para derrubar João Goulart do poder, presidente trabalhista do antigo PTB, eleito legitimamente pelo povo brasileiro.

Jânio Quadros, além de todas essas questões, não contava com um ministério coeso e muito menos com uma base parlamentar que lhe desse tranquilidade para aprovar os projetos do Governo. Igual à Marina Silva, Jânio também pertencia a um partido pequeno, o PDC. Marina Silva vai pelo mesmo caminho. Pertence a um partido que se tornou aventureiro ao romper uma aliança com o PT que perdurava desde 1989. Seu presidente, o ex-governador Eduardo Campos, não governaria Pernambuco com tantos bons resultados se não fossem os investimentos pesados, em todas as áreas de atividade econômica e social, repassados pelos governos de Lula e Dilma. Depois do Rio de Janeiro, Pernambuco é o Estado que mais recebeu atenção e dinheiro do Governo Federal, nos últimos 12 anos.

Eduardo Campos não governou com grandes dificuldades, pois surfou nas ondas do Governo Federal para concretizar seus programas e projetos em Pernambuco. A ingratidão foi o seu norte; e o destino, infelizmente, e digo de forma sincera, encerrou sua carreira política. Enquanto isso, Marina, no que diz respeito à economia, alia-se ao que tem de pior em termos de macroeconomia, da qual depende o sucesso da microeconomia, ou seja, do povo. As pequenas e médias empresas são as que mais empregam, de acordo com os números do IBGE e do Ministério da Fazenda.

O Governo do PT financiou os pequenos empresários e abriu as portas da CEF e do BNDES a quem desejava ser empreendedor ou melhorar as condições de sua empresa. Essas instituições financeiras de fomento até então eram serviçais dos inquilinos da Casa Grande e o Governo Trabalhista acabou com essa vergonha recheada de privilégios e tida como primazia a bilionários e milionários que socorriam suas empresas e até mesmo suas incompetências com a garantia de empréstimos a juros bem mais baixos do que os praticados no mercado.

Esses são os lúgubres, macabros e pavorosos tempos dos governos entreguistas e vazios de empregos de FHC — o Neoliberal I —, aquele sociólogo que não entende nada de povo e que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado e com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes. Quando bancos estatais passam a servir ao povo, a burguesia e, pasmem(!), a classe média tradicional estrilam, ululam, em um bramido feroz e voraz, que deixam suas vozes roucas de tanto ódio e preconceitos.

Dessa forma passam para a incontinência verbal e resmungam através das mídias empresariais, pelos cantos das cidades e babam a cólera dos que se acham preteridos, porque para essa gente tacanha e sem discernimento compreender que melhorar as condições de vida dos brasileiros é bom para todos é um exercício terrível e doloroso de sensatez e sobriedade. E sabe por quê? Porque essa gente se considera “escolhida” por Deus ou pelo destino que lhe acalenta e apetece. Por isto e por causa disto, tais grupos entendem ser um direito “divino” se dar bem a vida toda e o restante da população que se dane e aguente o rojão, a vida dura, que as classes médias tradicionais e os ricos jamais vão experimentar para ver o que é bom para a tosse.

A realidade de o País vivenciar doze anos de governos populares e democráticos dói e revolta os rentistas, os que fazem dos juros e do câmbio as ferramentas primordiais de suas vidas inúteis, abundantes, faustosas e opulentas, como as dos nababos e paxás. É o mercado a vir com força para eleger seus prediletos, pois que conspiram e se comprometem com a volta do neoliberalismo, doutrina que não deu certo e que afundou os países da Europa Ocidental, além dos Estados Unidos, que há quase sete anos enfrentam uma crise interminável, que causou desemprego em massa, levou à falência estados nacionais e empresas, bem como muitas pessoas desesperadas optaram pelo suicídio.

É uma lástima, além de um processo draconiano e vampiresco o pensamento econômico, em que o mercado de capitais se transforma em Deus, efetivado por gente apenas acostumada a frequentar os salões da plutocracia brasileira e internacional. Eles querem e lutam por um governo para os ricos. Esse pessoal não entende nada de gente, de povo. Em seus vocabulários e dicionários a palavra “social” inexiste.

Afinal, “não há almoço grátis”. Frase preferida dos coxinhas da alta sociedade e que pensam que a vida é uma eterna diversão e passar bem. O almoço só pode ser grátis para a Casa Grande, quando há a necessidade de pedir empréstimos a juros baixos e a perder de vista, bem como fazer do estado nacional a extensão de suas casas, porque se tem uma coisa que a classe dominante é e nunca vai deixar de sê-lo é ser patrimonialista. Ponto!

O resto é balela e conversa para boi dormir. Os economistas, administradores e financistas do PSDB e do mercado defendido com dentes e unhas pelo oligopólio midiático de apenas seis famílias sabem o que querem. E eles querem um Brasil para poucos, VIP, com mão de obra barata, pouco emprego para demitir e contratar rápido, porque sendo assim os salários não aumentam e o trabalhador que vai ocupar o posto do demitido vai aceitar qualquer salário, inclusive ser humilhado, porque vai perder a força para reivindicar até mesmo melhores condições de trabalho.

Medidas amargas e duras já foram anunciadas por Armínio Fraga, do tucano neoliberal Aécio Neves, e por Eduardo Gianetti, da “sonhática” (ela não tem ideologia e nem programa de governo) Marina Silva. Fraga disse o que tinha de dizer. Neoliberalismo na veia. Estado mínimo e bancos e megaempresas máximos. Já Gianetti também está a dizer para o quê Marina Silva veio; e não há espaço para ser “sonhático”, porque suas propostas são verdadeiros pesadelos e similares às do PSDB, a observar: “A oposição vai corrigir os equívocos do atual governo, com a volta do tripé macroeconômico, com um movimento inevitável de correção e ajustes aos desequilíbrios” — disse o neoliberal. “A hipotética vitória da oposição será de ajustes duros que restabeleçam confiança” — concluiu o elitista.

A confiança de quem, cara pálida? Só se for a dos banqueiros nacionais e internacionais e dos governos dos países desenvolvidos, a exemplo da Inglaterra, que hoje só tem bancos, da França, da Alemanha, do Japão, da Espanha e dos Estados Unidos, além de outros países ricos, mas com menor visibilidade. Gianetti e Fraga são absurdamente ligados ao establishment e os considero, juntamente com Marina Silva e Aécio Neves, perigosos para o desenvolvimento do povo brasileiro, porque, indubitavelmente, são contrários aos interesses do Brasil. Esses caras, tal quarteto, são o fim da picada.

Só uma besta quadrada ou indivíduos que são ideologicamente conservadores e detestam a efetivação de simples programas de proteção social a pessoas que tem dificuldades até para conseguir se alimentar, no dia a dia, poderiam considerar “inteligentes, sensatas e humanas” as propostas econômicas fracassadas e derrotadas há sete anos pela crise internacional. Como apoiar e acreditar em economistas sem quaisquer compromissos com a sociedade, a população — o povo? Como?

Esses caras são os fundamentalistas do mercado. Eles são mais perniciosos e venenosos do que os fanáticos religiosos, porque podem administrar o dinheiro público, e, por sua vez, suprimir, tirar e confiscar o direito de o cidadão viver em paz, exemplificado no direito a estudar, a se empregar, a se qualificar e a ter melhores condições de vida. O Estado é, sim, o indutor da macroeconomia em qualquer País, inclusive nos Estados Unidos, cujos governantes socorrem e socorreram com trilhões de dólares a economia estadunidense quando os empresários irresponsáveis e corruptos, com a cumplicidade de agentes públicos de alto escalão se tornaram os principais autores da crise internacional de 2008.

Não se engane o brasileiro quanto às intenções de Marina Silva e Aécio Neves. Marina traiu o PT, o Lula, a sua história e vai trair a quem ela tiver de trair. Marina é o Jânio de saia. Quem sabe um pouco de história percebe a imensa coincidência entre os dois políticos, tanto no que concerne ao linguajar, aos partidos pequenos, ao “abraço” da burguesia e da mídia alienígena às suas candidaturas, à ausência de ideologia, à base política desajustada, à troca de partidos e, principalmente, à ausência de projeto de País e programa de Governo. Marina simplesmente não os tem. Se a “Sonhática” vencer as eleições, quem viver verá. A direita aposta hoje em qualquer um para derrotar o PT. Marina é o Jânio de saia. A "Sonhática" do pesadelo. Prepara-se! É isso aí.