Palavra Livre — Davis Sena Filho

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

É o Pré-Sal, a Dilma e o Lula, estúpido! O Instituto Millenium também...

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre




Todo mundo sabe, até mesmo os recém-nascidos, os mortos, os acordados de um coma profundo e os extraterrestres que o sistema de mídias privado e de direita, controlado por meia dúzia de famílias chefiadas por magnatas bilionários de imprensa se transformou em um partido político não oficial e de caráter conservador, entreguista e golpista.
Todo mundo sabe, menos os coxinhas de classe média de direita, além de certas celebridades, como o ex-roqueiro Lobão, e gente intelectualmente pouco honesta, a exemplo de Olavo de Carvalho, Demétrio Magnoli e Marco Antônio Villa, “ases” do reacionarismo tupiniquim aboletados no Instituto Millenium, parecem não saber que este movimento dos grandes trustes internacionais de petróleo contra a Petrobras, a ter como porta-vozes a imprensa de negócios privados, que atuam e agem no Brasil é na verdade uma estratégia organizada e engendrada para desmoralizar a histórica estatal brasileira e desconstruir a imagem do Governo Trabalhista, a ter como seus líderes a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, ambos petistas.
Se qualquer pessoa quiser saber onde começa o golpe de estado de caráter jurídico e midiático no Brasil, basta levantar seus olhos para o Instituto Millenium, além de clubes e associações empresariais urbanas e rurais, que, inconformados com a derrota eleitoral para o PT, ainda não desceram dos palanques e fazem uma oposição feroz, seletiva, histérica, manipulada e, evidentemente, de essência golpista, porque apostam em impeachment de uma presidente recentemente eleita, bem como em golpe militar, que, de forma cínica e hipócrita, chamam de “intervenção” militar.
Trata-se do Instituto Millenium, um misto de Escola Superior de Guerra (ESG) com o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), entidades que no passado conspiraram e fomentaram o golpe militar de 1964, com o apoio financeiro e ideológico da CIA norte-americana, a ter à frente golpistas poderosos e influentes como o presidente Castelo Branco, o general Golbery do Couto e Silva, o banqueiro Magalhães Pinto e os empresários Ivan Hasslocher, Glycon de Paiva, Gilbert Huber Júnior e Paulo Ayres Filho, dentre muitos outros, a exemplo das famílias midiáticas dos Marinho, dos Frias, dos Mesquita e dos Civita.
Neste momento, a política brasileira passa por um processo de achincalhe, linchamento moral e propaganda sistemática e perniciosa contra o Governo Trabalhista, que se repete, porque volta aos tempos do pré-golpe de 1964, com o envolvimento de certa banda da Polícia Federal, que se mostra insubordinada, porque à direita do espectro ideológico, bem como resolveu fazer política, ao ponto de delegados da PF do Paraná cometerem ações contra o Governo do PT nas eleições presidenciais, além de atacá-lo frontalmente, inclusive a ofender o ex-presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff.
Paralelamente às ações políticas de delegados partidários e pró-tucanos, o Governo petista se vê obrigado a lidar com outra frente oposicionista e que controla o Judiciário e o Ministério Público Federal. Juízes de altas cortes e promotores passaram a vazar investigações da PF para a imprensa de mercado, sendo que as informações geralmente tratavam quase sempre de pessoas ligadas ao Governo ou ao PT, de forma que se percebeu que tais vazamentos o são, sobretudo, seletivos, e, com efeito, tem a intenção de fazer com que o público pense que o PT é o inventor da corrupção no Brasil, e que o PSDB e seus áulicos são, na verdade, um monte de chapeuzinhos vermelhos ou rapunzeis, de olhares meigos e inocentes à espera de escaparem ilesas da bruxa e do lobo mau.
Porém, a Casa Grande governou o Brasil durante séculos, e, evidentemente, a corrupção nunca foi combatida, porque a direita é patrimonialista, elitista, violenta e, obviamente, sectária, pois partidária de um País que sirva a poucos e que os muitos somente tenham o papel de serem explorados por intermédio da força de trabalho, se possível, mal pagos e sem oportunidade de qualificação e ascensão social. Ponto.
Chega a ser surreal as realidades distorcidas pela imprensa alienígena e meramente comercial. Quanto mais o Governo investiga a corrupção perpetrada por quadrilhas de criminosos, por intermédio da Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, mais a imprensa corporativa dá conotações mequetrefes e malfazejas, de forma que os consumidores desse segmento da economia, incrivelmente desregulamentado neste País, acreditem em matérias porcamente apuradas e sabidamente manipuladas e distorcidas, a fim de propiciarem um efeito negativo às ações do Governo petista, mesmo quando se torna evidente que o combate à corrupção no Brasil nunca foi tão levado a sério, tal qual como apregoou a candidata Dilma Rousseff quando disse que não deixaria pedra sobre pedra, nos debates contra o tucano derrotado, Aécio Neves, bem como no discurso da vitória.
Contudo, percebe-se claramente que o golpismo tucano-midiático não se restringe ao inconformismo e ao ódio por causa das quatro vitórias eleitorais do PT, em campanhas presidenciais. Não. Enganam-se os inocentes úteis e os replicadores do golpe, que não aceitam a distribuição de renda e riqueza, a ascensão social dos pobres, além da diminuição das diferenças regionais. O que está em jogo, mesmo e para valer, não é mais o terceiro turno, como queria o PSDB na voz irada de Aécio Neves, a ser repercutida no Senado e na imprensa empresarial e familiar subordinada aos interesses dos capitalistas dos Estados Unidos, União Europeia e Japão.
Não mesmo. A aprovação das contas da campanha eleitoral de Dilma e do PT se tornou a pá de cal que cobriu os interesses golpistas da Casa Grande, herdeira legítima da escravidão. A resumir: é o Pré-Sal, a Dilma e o Lula, estúpido! O Instituto Millenium também. O Globo, o Millenium e as alcateias que os acompanham já disseminaram editoriais entreguistas que apregoam o fim do modelo de partilha para o Pré-Sal ao defenderem a implementação do modelo de concessão, tão prejudicial aos interesses do povo brasileiro, como ficou comprovado por meio da venda de ações da Petrobras, em Nova Iorque, pelo Governo de FHC — o Neoliberal I —, o grão-tucano, o maior lesa-pátria da história, que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.
É exatamente que a Casa Grande quer: entregar as nossas riquezas e continuar a reboque dos colonialistas e imperialistas como sempre fizeram, sem o mínimo de vergonha na cara, durante séculos. A burguesia e seu apêndice — a pequena burguesia (coxinhas de classe média) — querem determinar a agenda política e econômica do Governo Trabalhista, que foi eleito quatro vezes para dar continuidade aos seus programas de governo e projeto de País.
A Petrobras está a sangrar, mas não vai falir, até porque está a bater recordes de lucros em todas suas áreas, apesar da depredação dos ladrões, que estão a roubá-la desde o fim dos anos 1970, quando esses diretores ingressaram, por meio de concurso, na empresa brasileira mais emblemática, simbólica e que representa o orgulho brasileiro, bem como sua luta por sua independência e emancipação. A Petrobras foi recuperada pelo Governo do PT, e vai ficar muito mais forte com o combate à corrupção que ora está a acontecer, com determinação e coragem.
Além disso, sabemos também que a direita brasileira, uma das mais poderosas e cruéis do mundo, luta contra a política internacional dos governantes petistas, que abriram novas portas para efetivar relações comerciais, a realizar novas parcerias, assinar acordos e contratos e concretizar a criação de blocos poderosos, a exemplo do Brics, do Mercosul, da Unasul, bem como fortalecer as relações Sul-Sul, em termos hemisféricos. O Pré-Sal é nosso, estúpido!

Não adianta O Globo e seus congêneres tentar derrubar a mandatária reeleita pelo povo brasileiro. Seu editorial apenas serve para satisfazer os egos e desejos das aves de rapina, a exemplo de BP, Chevron, Shell e Exxon. As irmãs siamesas, que há mais de um século exploram as reservas dos países petrolíferos, a custo de miséria, violência, guerras, mortes e golpes de estado, com a aquiescência e a cumplicidade de elites escravocratas como as brasileiras. O Pré-Sal é que está em jogo, estúpido, e não a corrupção na Petrobras, que está a ser severamente combatida pelo Governo Dilma Rousseff, além da desconstrução da imagem de Lula, que pode concorrer às eleições presidenciais de 2018. É isso aí.  

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Feminicídio: morte da mulher por ser mulher

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

Foto: Departamento de Fotografia da Tribuna do Ceará
O empoderamento da mulher, no decorrer do tempo, é visível e retrata a mudança que as sociedades, principalmente as ocidentais, experimentam com a saída da mulher do lar, e, consequentemente, sua inclusão no mercado de trabalho, no empreendedorismo, e, evidentemente, na política.

Contudo, em minha opinião, não são as conquistas econômicas, financeiras e políticas efetivadas pelas mulheres que se tornaram as questões mais sérias de suas realidades, mas, sobretudo, a violência praticada pelos seus companheiros, maridos, namorados, amigos e até mesmo estranhos.

O problema mais grave a ser enfrentado para que a mulher se torne definitivamente autônoma, independente e dona de seu destino é a violência contra ela, uma indignidade perversa, que remonta aos tempos de barbáries das civilizações humanas. Não existem condições de uma sociedade se tornar evoluída se as mulheres, os idosos e as crianças não forem respeitados em seus direitos e dignidades.

E dou exemplo ao que eu falo, com números e realidades. Segundo estudos e pesquisas do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), apesar de a Lei Maria da Penha completar oito anos este ano, 15 mulheres são mortas por dia no Brasil, o que significa que apesar da existência da lei as taxas de mortalidade continuam altas.

O Ipea aponta ainda que em dez anos, entre 2001 e 2011, cerca de 50 mil mulheres foram assassinadas. Em nosso País, o feminicídio vitima, em média, 5.664 mulheres por ano, sendo que 472 são mortas a cada mês e 15,52 são assassinadas, dia após dia. São números de guerra civil, que envergonham a sociedade brasileira e depõem contra as autoridades, bem como contra todo o sistema educacional e familiar.

Afinal de contas, a educação começa em casa, para logo ser também efetivada em escolas, igrejas, associações e instituições públicas e privadas. Considero que as sociedades modernas estão falidas moralmente, educacionalmente, e, fundamentalmente, subjugadas por valores e princípios que, de forma alguma, retratam a existência da humanidade e sua luta para sobreviver neste planeta chamado de Terra.

E por quê? Porque “esquecemos” que as sociedades remotas diversificadas em um conjunto gigantesco de comunidades superaram seus obstáculos por intermédio da solidariedade, do respeito às diferenças de gêneros, quando o homem e a mulher se tratavam de forma igual até o momento em que o poder masculino se armou, pois se tornou belicista e territorialista, e, por sua vez, o dono do território, do terreno, da caça, da terra para o plantio e, principalmente, da casa ou lar, onde mora sua companheira eterna, a mulher, mãe de seus filhos, que também passa a ser tratada como posse de seu poder, como todo o resto.

Todas estas questões apresentadas o são, irremediavelmente, verdadeiras. O autoritarismo e a prepotência são os combustíveis dos valores culturais e civilizatórios que fundamentam o machismo, pois se traduz em preconceito e se transforma em violência física e ideológica, não somente contra a mulher, porque o machista e o sistema que lhe propicia poder se volta também contra os gays, os portadores de deficiências, os pobres, os idosos, as crianças e os grupos étnicos considerados minorias.

O machismo, antes de tudo, é preconceituoso. O preconceito é perigoso, porque ele mata. O preconceito é o rastilho de pólvora que alimenta há milênios o poder patriarcal, que quando se sente ameaçado ou simplesmente desafiado trata logo de queimar a pólvora e explodir em violência, que redunda em sofrimento e prejuízos morais, emocionais, afetivos, financeiros e físicos.

O Brasil se quiser ser desenvolvido e ter uma sociedade igualitária tem de compreender, primeiramente, as razões da violência contra a mulher e tudo o que advém dela, a exemplo da família, do trabalho, da sociedade em geral, pois quando uma mulher é agredida moralmente e fisicamente, ela é transformada em vítima de ameaças, espancamentos e assassinatos.

A verdade é que o homem que incorre nesses graves erros e pecados está a destruir tudo aquilo o que ele é: o fruto da carne da mulher. Não há condições de existir uma sociedade livre e justa se a mulher e as minorias não forem respeitadas em seus direitos de viver em paz, pois, sem paz, não há justiça; e, sem justiça, edifica-se a guerra com todas suas terríveis consequências.  

Os índices negativos sobre a violência contra a mulher denotam, de acordo com o Ipea e as Secretarias de Segurança, que a Lei Maria da Penha, apesar de ser útil e tipificar o crime contra as mulheres, muitos deles oriundos do machismo, ainda não conseguiu intimidar os homens violentos, porque a vida é dinâmica, instável e a violência de momento, a explosão de fúria, a bebedeira e a sede de sangue e vingança não temem a Lei.

A maioria das mulheres agredidas e mortas é vítima de seus parceiros ou conhecidos. Geralmente esses homens bebem ou se drogam, sentem-se fracassados ou inferiores e são portadores de sentimentos diabólicos, que se transformam em uma mistura que é nitroglicerina pura: autoritarismo e preconceito pelo simples fato de a mulher ser mulher, comportar-se como mulher, vestir-se como mulher, questionar como mulher, desejar como mulher, sonhar e lutar como mulher, brigar como mulher e ter o corpo de mulher, alvo da violência do homem de caráter dominador, pois ciumento, fato este que pode levá-lo a matar, porque considera propriedade aquela que se dispôs a ter uma relação afetiva com ele.

Portanto, o machismo é o senhor do preconceito e a razão da guerra, pois ele é a ideologia que sustenta e legitima o controle social e econômico pelo poder pátrio, que se estende ao Estado, às instituições religiosas e ao seio das famílias. O machismo falseia a realidade, porque desde os primórdios da humanidade, quando o homem deixou ser nômade e optou por ocupar territórios, e, consequentemente, dominar o outro homem, agora visto como adversário ou inimigo de seus interesses, valeu-se das leis de impedimento, da moral religiosa e da coerção e repressão do estado ou de milícias privadas para estruturar a ideologia machista, que propiciou a este homem o domínio e a exploração sobre os outros homens, bem como, evidentemente, sobre a mulher.

Machismo é ideologia. Ponto! Por isso que é tão difícil e complexo combatê-lo. Por seu turno, trata-se de uma ideologia falsa e infame, porque o propósito é legitimar um modelo de organização social superado, que causou conflitos, guerras, violência e a capitulação das famílias. O machismo aposta na individualidade, a ter a “meritocracia” como forma de impedir que todos os entes humanos cresçam e tenham acesso a uma vida de melhor qualidade.

O machista é antidemocrático, injusto, individualista, egoísta e violento. A violência antes de ser praticada é antes pensada. Então o machismo é ideológico, porque tem a finalidade de fazer com que certos grupos sociais exerçam a hegemonia sobre outros, a exemplo das mulheres, dos gays, dos negros, dos índios ou dos idosos. Para existir a ação violenta não é necessário colocá-la sempre em prática. Basta apenas ser omisso ou cúmplice de toda essa draconiana engrenagem.

Um homem pode passar toda sua vida sem bater ou agredir com palavras duras uma mulher, e mesmo assim ser machista, porque seus pensamentos, princípios e valores coadunam com os preceitos do sistema patriarcal. A Lei Maria da Penha, apesar de sua importância, é apenas uma onda dentre às milhares de ondas que se esvaem nas areias. Por isso, a luta contra o machismo tem de ser duramente e sistematicamente combatida, sem trégua e tempo para terminar.

O empoderamento da mulher é uma solução viável para que ela possa ter a liberdade de escolha e ser dona de seu destino. Em pleno século XXI do terceiro milênio as ações de violência contra a mulher têm de ser severamente efetivadas, bem como a conscientização de que a mulher tem de ser um ente independente e dona de sua vontade começa dentro de casa, porque o aprendizado da ideologia do machismo é ensinada primeiramente nos lares.

Necessário se torna também afirmar que existem homens machistas, aos montes. Entretanto, vale salientar que milhares ou milhões de mulheres se comportam em suas vidas como machistas, porque tal ideologia não tem sexo, idade e raça. O lar é o local onde os meninos e as meninas deveriam aprender que o machismo e certas ideologias e conceitos não são os melhores conselheiros para a sociedade ouvir e, por conseguinte, andar por veredas tortuosas, que levam à dor e à desesperança.

O feminicídio é uma das maiores mazelas da humanidade. No Brasil, tal processo draconiano causa profundas dores às famílias e indescritíveis prejuízos morais e financeiros à sociedade. A Lei Maria da Penha é um importante instrumento de proteção à mulher vítima de violência, mas não basta. Discernimento e conscientização sobre o papel da mulher são fatores que deveriam começar a serem discutidos nas famílias.

Afinal, a família é o Estado e o conjunto da sociedade em forma de célula. O machismo é uma doença social, que descambou para uma violência em forma de epidemia, cujo nome é feminicídio. É isso aí.

Taxas de feminicídios por 100 mil mulheres

Brasil e Unidades da Federação Brasileira — 2009-2011

Mortes por Estado

As regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte apresentaram as taxas de feminicídios mais elevadas, respectivamente, 6,90, 6,86 e 6,42 óbitos por 100 mil mulheres. Os Estados com as maiores taxas foram: Espírito Santo (11,24), Bahia (9,08), Alagoas (8,84), Roraima (8,51) e Pernambuco (7,81). Por sua vez, taxas mais baixas foram observadas nos Estados do Piauí (2,71), Santa Catarina (3,28) e São Paulo (3,74).

Idade e raça

Segundo o estudo, mulheres jovens foram as principais vítimas: 31% estavam na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos. Mais da metade dos óbitos (54%) foram de mulheres de 20 a 39 anos. No Brasil, 61% dos óbitos foram de mulheres negras (61%), que foram as principais vítimas em todas as regiões, exceto na região da Sul. Merece destaque a elevada proporção de óbitos de mulheres negras nas regiões Nordeste (87%), Norte (83%) e Centro-Oeste (68%).


Fontes: Ipea/Diset

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Aécio surtou, Gilmar, bandalheira e imprensa golpista

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

Foto: Rogério Correia
O senador Aécio Neves (PSDB), derrotado pela presidenta trabalhista Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais, ainda está em plena campanha, que terminou após os resultados do segundo turno. Contudo, o tucano surtou e lembra muito o político direitista venezuelano, Henrique Capriles, na maneira de falar, agir e apostar em golpe institucional, como o fez com o presidente Hugo Chávez, mesmo ao preço de sacrificar o estado de direito, a democracia e as instituições republicanas, pois não respeitou o resultado das urnas, a soberania da maioria do povo, que não o elegeu.

Aécio Neves transita pelas mesmas veredas tortuosas de Capriles, e dá uma guinada radical à direita. Por seu turno, trata-se de um senador de atuação política e parlamentar medíocre e, por sua vez, o eleitorado de Minas Gerais o reprovou, porque os mineiros elegeram para governador o petista Fernando Pimentel, além de Dilma ter vencido o candidato do PSDB em seu próprio Estado, fatos que se tornam muito emblemáticos, porque o povo mineiro ratificou o provérbio popular “Quem não te conhece que te compre”. Como os mineiros sabem de quem se trata, o tucano perdeu em sua terra e hoje tem a desfaçatez de se considerar vitorioso mesmo a ser derrotado pelo PT.

As reações do político mineiro após a derrota eleitoral são, no mínimo, estapafúrdias e de fundo psicótico. Seus pronunciamentos não são normais, porque não correspondem aos fatos, depõem contra as realidades apresentadas e distorcem a verdade. Aécio, juntamente com sua trupe aboletada no PSDB, no DEM e na imprensa de negócios privados cada vez mais golpista e descaradamente mentirosa, simplesmente se aliou a uma direita histérica e que até agora não se conformou com a derrota nas urnas para o PT e passou, colericamente, a discursar em favor da instabilidade democrática, do desequilíbrio entre os poderes e, consequentemente, passou a flertar, inquestionavelmente, com a possibilidade de um golpe de estado.

Uma oposição que edifica os tijolos de um processo golpista e irresponsável ao não reconhecer a vitória de sua adversária trabalhista, fato este que eleva os ânimos de segmentos conservadores e reacionários da sociedade, perigosos à normalidade democrática, que invadem as galerias do Congresso para ofender com palavras de baixo calão parlamentares da base do Governo, eleitos pelo povo, que estão a votar matérias importantes para o País, a exemplo do Projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014, que permite a revisão da meta de resultado fiscal.

A oposição tucana e seus aliados trataram, com a participação da imprensa de mercado e familiar, a questão como se fosse um golpe do Governo Trabalhista para não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que, indubitavelmente, não é verdade, mas, sim, uma deslavada mentira. A verdade é a seguinte: o Governo Trabalhista quer descontar da meta fiscal os investimentos no PAC, além de recuperar as perdas de receitas provenientes de incentivos fiscais concedidos a empresas privadas, pois o objetivo era fazer a roda da economia girar e, por conseguinte, combater a crise internacional por intermédio da manutenção dos programas sociais e da criação de empregos, o que foi feito, indelevelmente.

Contudo, muitas empresas, mesmo a receber incentivos fiscais e vender seus produtos como nunca aconteceu antes neste País,mantiveram seus preços altos, a despeito das desonerações, realidades estas que acenderam a luz vermelha do Governo petista, que deixou de arrecadar para favorecer empresas cujos empresários gananciosos e sem quaisquer compromissos com o País e seu povo se beneficiaram com imensas vendas, sem, contudo, dar a contrapartida. Um verdadeiro absurdo.

Na outra ponta de interesses políticos e inconfessáveis, porque de essências golpistas, o PSDB, à frente o candidato derrotado Aécio Neves, com o apoio de uma imprensa alienígena, que há muito tempo deixou de fazer jornalismo para se transformar em um partido oficioso, golpista e de direita, começou a distorcer todo esse processo ao dizer em plenário que o Governo Trabalhista não quer cumprir com o superávit primário para pagar a dívida pública e os juros embutidos, o que não é a verdade.

O Governo Dilma, como já disse anteriormente, quer melhorar a arrecadação e evitar, sobremaneira, os cortes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e nos programas sociais, responsáveis maiores pela manutenção dos empregos dos brasileiros e, sem sombra de dúvida, pelo aquecimento da economia. Esta é a verdade. Ponto. O que sobra é mentira, leviandade, engodo, trapaça, cinismo e hipocrisia de uma oposição midiática e partidária de direita, que deseja o poder a qualquer custo.

A oposição, inconformada e desesperada por estar há 12 anos sem controlar o Governo Federal, ainda vai ficar mais quatro anos a ver navios, pois instituições como o Banco do Brasil, a Petrobras, o BNDES, a Caixa e o Itamaraty vão continuar a trabalhar para efetivar os programas de inclusão social do povo brasileiro, bem como o Brasil vai permanecer no caminho do desenvolvimento, em busca de novas parcerias e a favor de aprimorar e fortalecer instituições como os Brics, a Unasul, o Mercosul e o G-20.

São essas questões, além de muitas outras, que deixam a Casa Grande, proprietária escravagista de seres humanos por quase quatro séculos, tão revoltada, que se dispõe a criminalizar o Governo Trabalhista e o PT, assim como judicializa a política sistematicamente, toda vez que recebe críticas ou perde votações em plenário, por não ter, evidentemente, maioria parlamentar.

O jogo político do PSDB, do DEM, da mídia empresarial e de setores importantes do Ministério Público, do STF e da Policia Federal é pesado e sujo. Este conjunto partidário não oficial e que age de forma visivelmente ordenada para atingir seus propósitos pretende desestabilizar o Governo com a finalidade de conquistar o poder por via judicial. Considero bastante questionável o político do Supremo, Gilmar Mendes, um juiz direitista e opositor manifesto e feroz dos governantes trabalhistas ser o responsável pela aprovação ou não das contas da campanha presidencial do PT.

Simplesmente, surreal! E a desfaçatez não para por aí. Tal magistrado é também o relator do processo de interpelação criminal contra o tucano Aécio Neves, que declarou, irresponsavelmente e sordidamente, que perdeu a eleição para uma organização criminosa. Acabou a pantomima política? Lógico que não. O juiz de direita, inimigo do PT e do Governo Trabalhista ainda vai decidir, a seu bel-prazer, quando vai devolver o projeto que proíbe o financiamento privado de campanhas políticas, que abastece o caixa dois dos partidos e causa transtornos políticos e institucionais ao País, além de ser usado criminosamente pelas mídias comerciais para desestabilizar a democracia.

O “mensalão”, o do PT, parou nas barras dos tribunais e algumas lideranças do partido foram presas. Entretanto, os responsáveis pelos mensalões do PSDB e do DEM estão soltos, lépidos e fagueiros, a rirem da cara do povo e talvez a chamar de “otários” os petistas presos. O mensalão tucano completou aniversário de dez anos de impunidade este ano, ou seja, caducou, e certamente nenhum criminoso emplumado vai ser preso ou ser alvo de notícias da imprensa corporativa, que sempre os blindou.

Os responsáveis pelas injustiças e impunidades ora praticadas são, inapelavelmente, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal, que jamais quiseram investigar, de verdade, esse grave processo, que atinge, em cheio, os tucanos. Mas, Gilmar Mendes, juiz que toma partido e se pronuncia sobre processos que estão em andamento e que ele vai julgar, considera-se inatingível e por isso toma atitudes nefastas ao País como, por exemplo, pedir vista para se “inteirar” melhor sobre o projeto que proíbe o financiamento privado de campanhas políticas.

Há oito meses o condestável juiz se recusa a devolver o projeto. Por seis votos a um, a Suprema Corte decidiu pela aprovação da matéria, sendo que vai ganhar um prêmio quem acertar de quem foi único voto favorável ao financiamento privado. Já adivinharam? É isto mesmo: o voto contra a principal bandeira da reforma política é de... Gilmar Mendes! Quer dizer que um juiz sabedor que as campanhas financiadas por empresas podem acabar em mensalões e prisões, continua a insistir no erro? E ele é juiz! Seria cômico e surreal se não fosse trágico.

Autoritário e desmedido quando se trata de seus interesses e dos grupos os quais defende ou se associa, o juiz Gilmar Mendes, a meu ver, deveria sofrer um processo de impeachment no Senado, porque se verificarem com seriedade e determinação o que este cidadão fez ou deixou de fazer, na posição de magistrado do STF, certamente os investigadores, corregedores e promotores ficariam de cabelo em pé ou completamente com o pensamento atrapalhado por não compreenderem o porquê de um juiz incorrer em tantos erros e nunca ser denunciado por crimes de responsabilidade

Todavia, Gilmar vai ter de devolver o que não lhe pertence: o País. Também vai ter de ser, pela primeira vez na vida, imparcial, pois está a verificar as contas de campanha de Dilma Rousseff, e o PSDB, agremiação que sempre recorre ou consulta o juiz nomeado por FHC — o Neoliberal I — pediu no sábado, dia 29 de outubro, a reprovação das contas do PT e da presidenta.

Aécio Neves e o PSDB atuam em todos os setores para inviabilizar o Governo Trabalhista e engessar, com a cooperação do Judiciário e do MP, as ações e os programas do Governo, até porque esses setores conservadores sabem que dar um golpe em Dilma Rousseff vai ter séria consequências, inclusive com a tomada das ruas pelas forças populares e de segmentos da sociedade organizada, a exemplo dos sem tetos, dos sem terras, dos sindicados, das federações e confederações de trabalhadores, da OAB, da ABI, da UNE e de setores legalistas das Forças Armadas, do Congresso, do Judiciário, além dos governadores que apoiam o Governo Trabalhista e controlam as polícias militares e civis de seus estados. Apostar em golpes é suicídio político e desrespeito à história, porque quando ela se repete acontece em forma de farsa.

Chega a ser uma leviandade o senhor Aécio Neves afirmar que o Governo Dilma é ilegítimo, porque venceu embates, por intermédio do voto, nos plenários do Congresso. O candidato mineiro foi derrotado e o senador está surtado, de forma similar aos radicais de direita da classe média, que foram às ruas pedir impeachment e golpe militar ou invadiram o Congresso para ilegalmente impedir votações e lançar ofensas àqueles que foram eleitos pelo povo para deliberar, legislar e governar. Autoridades da grandeza institucional de Aécio Neves e Gilmar Mendes deveriam parar de se comportar como anões políticos, apesar de cada ente humano ser medido historicamente pelos seus atos e ações. A bandalheira e o golpe tem um nome: direita. É isso aí. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Política Nacional de Participação Social resgata o PT, democratiza o Brasil e enquadra os golpistas

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


A alta burguesia brasileira e seu tentáculo mais feroz e reacionário, representado pela imprensa empresarial, mostraram-se, no dia 23 de maio, inconformadas, pois furiosas, deveras, com a assinatura do Decreto Presidencial nº 8.243, por parte da presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, política que recentemente derrotou o candidato conservador, o tucano Aécio Neves, e, com efeito, vai governar o Brasil até janeiro de 2019.

O histerismo em forma de “protesto” calculado e oportunista da direita midiática, logo repercutido no Congresso Nacional pelos seus cúmplices ideológicos manipuladores de suas notícias facciosas quando, não, mentirosas, é resultado do total desprezo que a burguesia sente pela opinião do povo brasileiro, porque historicamente sempre lutou contra o desenvolvimento do Brasil, porque compartilha, há séculos, dos interesses dos países que controlam o sistema de capitais em termos mundiais.

O documento assinado pela mandatária petista institui o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS) e a Política Nacional de Participação Social (PNPS). A efetivação do decreto vai permitir um grande avanço para a civilização brasileira, pois democratiza ainda mais a sociedade, além de resgatar a história do Partido dos Trabalhadores que, no primeiro Governo Dilma, afastou-se dos movimentos sociais, dos sindicatos e do próprio PT, realidade esta que não ocorreu no Governo popular e democrático de Lula.

Dilma se dedicou, com maior ênfase, em tocar as obras de infraestrutura, manter e expandir os programas de inclusão social e principalmente tratar de questões econômicas e fiscais, a exemplo de superávit primário, controle de inflação e câmbio flutuante, o famoso tripé tão a afeição dos interesses dos governantes, que pode também se tornar um tiro no pé, se tal trio for efetivado somente para atender às demandas do grande empresariado e dos banqueiros, que têm como porta-vozes os oligopólios privados de comunicação, absurdamente controlados no Brasil por meia dúzia de famílias bilionárias e integrantes da plutocracia.

A classe abastada que se incomoda com os impostos e cria o “impostômetro” em São Paulo (só poderia ser lá), mas não se importa em também criar o “sonegômetro”, a fim de mostrar e denunciar a sonegação — a sangria, e, posteriormente, repercuti-la para o povo desta Nação altaneira, conforme os nossos hinos, saber o quanto as “elites” brasileiras, tão cônscias das “boas intenções” e mascaradas em suas honras roubam do Brasil, por intermédio de remessas de lucros maquiadas, da sonegação de impostos e do confisco ilegal do patrimônio estatal, a começar pela utilização patrimonialista das instituições, órgãos e autarquias do Estado nacional e da grilagem de terras públicas.

Realidades essas inerentes ou peculiares às ações daqueles que controlam os inúmeros mercados e atividades financeiras e querem o Estado subjugado aos seus interesses. De acordo com a Receita Federal, os brasileiros ricos têm depositado em paraísos fiscais, além de patrimônios móveis e imóveis, a quantia estratosférica de R$ 1 trilhão. Ou seja, um terço do PIB brasileiro, e essa gente ainda têm a desfaçatez de reclamar da vida, além de sempre estar disposta a desestabilizar os governantes que não conjugam com suas ideias, pensamentos e propósitos. Os magnatas brasileiros são a quarta maior fortuna do planeta criminosamente escondida em paraísos fiscais.

Depois reclamam, por intermédio da imprensa familiar e sonegadora, do crescimento econômico do Brasil e caem de pau no Governo petista. Um berreiro calculado, hipócrita e de fundo arrivista, porque reage com cólera à redução dos gastos com os juros da dívida pública, fatos estes que deixam nus o mercado financeiro e os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, pois, irrefragavelmente, a decisão de Dilma Rousseff recalcula o superávit primário e revela, indelevelmente, que a imprensa alienígena e de negócios privados não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, mas, evidentemente, com os rentistas e o sistema financeiro.

Em contraponto aos desejos e interesses do País, a mídia radical e de direita se mostra endiabrada e barulhenta quando se trata de defender medidas que prejudicam a maioria da população, a exemplo de pregar, sistematicamente, preceitos econômicos impopulares e socialmente perversos, que, sem sombra de dúvida, levam à diminuição dos investimentos em infraestrutura e programas sociais, bem como chancelam o desemprego, o arrocho salarial e os cortes, no que concerne às aplicações orçamentárias em educação, segurança, saúde e moradia, pilares de qualquer sociedade que deseje ser humana, democrática e civilizada.    

Eis o retrato 3 x 4 da Casa Grande, cujos inquilinos são adeptos do patrimonialismo e fazem da corrupção seus autos de fé, a exemplo dos bilionários e de seus executivos, que ora se encontram presos na Polícia Federal por terem roubado a Petrobras, ou seja, o contribuinte brasileiro. Por causa disto, a burguesia e os controladores de suas mídias cruzadas e monopolizadas distorcem os fatos, as verdades, os acontecimentos e passam a denominar de corrupto um Governo que investiga e manda prender, porque, na verdade, as castas elitizadas querem a União em suas mãos e, por seu turno, dar sequência à sua história de espoliação e exploração sobre as camadas sociais mais simples e com menos poder de barganha para defender e negociar seus interesses.

São essas as causas do desespero e do ódio dos ricos e dos muito ricos, que têm o apoio de coxinhas de classe média, instruídos e formados em universidades, mas incrivelmente conservadores e rancorosos, porque muitos deles deixam evidentes seus inconformismos e revoltas com a ascensão social e econômica dos negros, dos índios, dos pobres, dos nordestinos e dos nortistas, conforme se verifica, inquestionavelmente, nas redes sociais.

Esse povo pequeno burguês, empregado dos donos dos meios de produção, transformou-se no lúmpen das camadas sociais mais altas, e, ignorante sobre seu próprio papel na sociedade, até porque a pequena burguesia não é considerada classe, alia-se ao que existe de pior em todas as sociedades e civilizações: a exploração simples e pura do homem sobre o homem, com a permissividade dos governos, que se tornam cúmplices da Casa Grande, bem como luta, diuturnamente, para eleger o mandatário que vai atender seus negócios e manter, a ferro e fogo, os muros visíveis e invisíveis do apartheid social e racial, que acontece em todos os países, sejam eles desenvolvidos ou não.

O coxinhas são cúmplices da miséria humana e da violência nas cidades, e a maioria tem consciência política e razão social sobre essas questões. Eles não são ingênuos e nem ignoram os fatos, mas abraçam, voluntariamente, os valores e os princípios da Casa Grande, a maior culpada pelos conflitos sociais e guerras entre os países.

Repercutem e defendem os interesses do establishment e, consequentemente, compram gato por lebre, porque a alta sociedade — o high society — nunca vai franquear seus salões, porque jamais vai abrir as portas a quem lhe serve como subalterno. No máximo a classe média tradicional vai ser sua empregada um pouco melhor remunerada e consumidora dos produtos e serviços vendidos pelo empresariado. Ponto.

Como fazer o povo brasileiro sair da condição de apenas eleitor de uma democracia representativa, burguesa e tão subalterna aos interesses de grupos econômicos que se aboletaram no Congresso Nacional? Porque se trata de representantes eleitos pelo capital, em suas diferentes faces, sendo que grande parte dos parlamentares atuam e agem para defender os interesses de seus trustes diversificados em categorias empresariais urbanas e rurais.

Como dar voz e poder de decisão ao povo? Respondo: por intermédio de plebiscitos e referendos, sendo que o plebiscito é mais abrangente, porque o povo vota diretamente sobre determinado assunto, a exemplo da reforma política, que a burguesia e a imprensa corporativa não querem que seja aprovada, pois são contrárias ao fim do financiamento privado aos partidos, que precisam de dinheiro para arcar com as despesas provenientes das eleições, o que os levam a criar os caixas dois e, por conseguinte, à corrupção. Sem dinheiro, não há eleição; e, sem eleição, não se elege candidato algum. É como a história do ovo e da galinha...

Pois é, meus camaradas, mas rapidamente repercuto esta pergunta: “O leitor compreendeu o porquê de o capital financeiro, os capitães da indústria, os empresários do agronegócio, os políticos conservadores do consórcio PSDB-DEM-PPS-PSB e, principalmente, os magnatas bilionários de imprensa se mostrarem, furiosamente, contra a instituição do Sistema Nacional de Participação Social (SNPS) e a Política Nacional de Participação Social (PNPS), bem como contrários aos referendos e plebiscitos?

É que essa gente preconceituosa, elitista, sectária e inquilina da Casa Grande, que trata o Brasil como um clube prive, não quer, nunca quis e, se puder, jamais ouvirá a opinião do povo. Por isso que os afortunados criam situações que propiciam a manipulação, a distorção das notícias e das informações, de maneira seletiva, e, geralmente, retiradas de um contexto mais amplo e, portanto, explicativo a quem não participa dos bastidores da luta política, como é o caso da maioria do povo brasileiro.

A imprensa de histórico politicamente golpista e aliada dos trustes internacionais desinforma propositalmente e, se possível, mente. Não interessa a ela elaborar o verdadeiro jornalismo, que tem regras, como, por exemplo, ouvir os dois lados para se chegar a alguma verdade sobre os fatos, que se baseiam em versões. Não; de forma alguma. Os magnatas bilionários de imprensa e seus coiotes de confiança aboletados nas redações se dedicam a fazer política, uma política rasteira, convenhamos, pois não oficial, mas oficiosa. Essa gente simplesmente não quer o desenvolvimento do Brasil e a emancipação do povo brasileiro.

A imprensa burguesa odeia a democracia e quando verifica a ascensão social das camadas populares, trata logo de combater aqueles que propiciaram tal processo, no caso, obviamente, os governos populares e trabalhistas de Lula e Dilma, alvos de suas cóleras e de seus preconceitos e intolerâncias raciais, de classe, de origem, de sexo e, até mesmo, religião. “A burguesia fede; a burguesia quer ficar rica; enquanto houver burguesia, não haverá alegria”, já dizia Cazuza, nascido em “berço esplêndido”, mas, com efeito e por isto mesmo, sabia o que estava a falar.

O PT tem a obrigação de resgatar suas lutas históricas e a presidenta Dilma Rousseff tem de voltar seus olhos para a militância, os movimentos sociais, os sindicatos e a todos aqueles que votaram em sua pessoa e a reconduziram à cadeira da Presidência da República. O PT tem de enfrentar a oposição de direita e contrária aos interesses do Brasil em todos os terrenos, seja aonde for, pois o povo brasileiro elegeu a mandatária para governar e, consequentemente, determinar e definir o que deve ser feito em benefício de todos os brasileiros, inclusive os que não votaram na candidatura petista.

Urge a aprovação de um plebiscito para a reforma política, bem como deve haver mais celeridade para se efetivar, com a aprovação do Congresso Nacional, o marco regulatório para as mídias — a Lei dos Meios. A presidenta trabalhista também deveria, sobretudo, exigir da Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, que dissemine nos veículos de comunicação, inclusive os privados, as obras do governo, as prontas e as que estão em andamento, bem como repercuta os avanços conquistados por meio de programas sociais e educacionais, além dos que propiciam as pessoas se transformarem em pequenas empreendedoras.

A Secom tem de entender que a imprensa familiar e politicamente golpista não pode jamais falar sozinha, porque ela sabota a realidade e boicota a verdade. Do contrário, os mandatários trabalhistas apenas terão a oportunidade de se reportar ao povo de quatro em quatro anos, quando tem acesso aos meios de comunicação por força da propaganda eleitoral.

Além disso, torna-se necessário ao Governo Federal fortalecer seu sistema midiático, e, para isso, tem de aumentar seu orçamento, realizar concurso e fazer com que a mídia governamental seja disseminada em todo o País, com a ampliação de canais em estados da Federação e regiões que não têm acesso às informações e notícias do que é realizado pelo Governo.


Cadê a Secom? Qual é seu papel? Pelo que vejo é o de apenas empregar pessoas e se ocupar com seu status. A Secom é inoperante. A Política Nacional de Participação Social resgata a história do PT, democratiza o Brasil e enquadra os golpistas, porque dá voz ao povo e o poder de determinar seu destino. É isso aí. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Geografia da Palavra

ESPAÇO BICO PENA Blog Palavra Livre



Não sei se tenho o dom da palavra
Mas, através da palavra dou o tom
Palavra simples morada – vida contada
Em instrumento sem músico não há som

Davis Sena Filho — 02/06/1995-BSB

Perdeu o bonde da história...

a hora da chargeBlog Palavra Livre



"Seu cérebro de volta"

a hora da charge Blog Palavra Livre





segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O PT não sabe o porquê do ódio... É a Síndrome de Estocolmo

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


Estou a ler notícias na internet e me deparo, para a minha surpresa, com uma notícia no Brasil 247 na qual anuncia que o Partido dos Trabalhadores, “assustado” e também “surpreso” com a rejeição por parte de milhões de brasileiros, principalmente os de São Paulo, resolveu fazer um levantamento sobre tal questão, que tanta incomoda sua direção, e, consequentemente, seus líderes.

A verdade o que me incomoda não é a rejeição por parte de cidadãos à agremiação política e partidária trabalhista. O que me deixa aborrecido e insatisfeito são as lideranças do PT, que ainda insistem em compor e tentar dialogar com setores conservadores e reacionários, que, apesar de serem beneficiados, estão sempre dispostos a apunhalar pelas costas o governo popular de Dilma Roussef, fato este que aconteceu, reiteradamente, quando Lula assumiu a Presidência por oito anos.

A pergunta que se recusa a calar é esta: “Qual é o problema do PT?” Eu mesmo respondo: “O Partido dos Trabalhadores sofre da Síndrome de Estocolmo”. É isto mesmo. A sigla trabalhista perdeu o punch e o élan, para não mais se recuperar. O PT, simplesmente, desaprendeu a se defender quanto mais atacar. Por isso, tornou-se um paciente da Síndrome de Estocolmo, que significa a vítima se envolver com seu algoz, de tal modo que passa a sentir “amizade”, “piedade” e até mesmo ser cúmplice daquele que o humilha e lhe causa dor e desatino.

Custo a acreditar que o PT precise da ajuda de uma empresa para saber o que está a acontecer no Brasil, sem, no entanto, de acordo com a matérbia do “Brasil 247”, citar a imprensa de negócios privados, que faz uma das campanhas mais longas e sórdidas que se tem notícia no mundo ocidental quando se trata de atacar violentamente um governo autêntico, popular, legalista e democrático, que se recusa a excluir os milhões de brasileiros pobres dos mercados de trabalho e consumo, bem como permitiu o acesso dos mais humildes à educação, por intermédio das cotas, do Enem, do ProUni, do Pronatec, do Fies e do Sisu.

É impressionante a desfaçatez petista, com a exceção de Lula e mais timidamente a presidenta Dilma, quando se trata de afirmar que o sistema midiático privado, desregulado e de DNA golpista está há 12 anos a atacar os governos trabalhistas, a não lhes dar trégua e água, de forma consistente e diuturna, sem falhar um único dia, por meio de mídias cruzadas, no que diz respeito a desqualificar, desconstruir, judicializar e criminalizar a Presidência da República, os ministérios, os órgãos e autarquias governamentais, que ora são administrados pelo PT e seu governo de coalizão.

Não. De forma alguma é necessário o PT contratar uma empresa para saber, por exemplo, por que São Paulo rejeita ou sente ódio pelo Partido dos Trabalhadores. Será que o PT não compreende que São Paulo e sua ideologia e propósitos são similares a estados como o Texas, ou seja, território da União ocupado por moradores politicamente conservadores e voltados para os valores apregoados pelo liberalismo econômico, radicalismo religioso e a crença de que o mercado regula tudo e transforma os homens em seres “livres”.

São Paulo, antes de tudo e, historicamente, considera-se autossuficiente, como sempre demonstrou no decorrer de sua história. Edificado com trabalho escravo, com a imigração de europeus pobres e esfaimados e com a migração de sulistas, mineiros e nordestinos, o Estado mais poderoso e conservador do Brasil possui uma das “elites” econômicas mais perversas do planeta, além de se verificar que a classe média paulista e paulistana, em grande parte, coaduna com as ideias, os valores e os princípios daqueles que têm o domínio sobre os meios de produção.

A tradição conservadora da burguesia e da pequena burguesia de São Paulo e do restante do Brasil, somada ao sentimento a meu ver equivocado de se considerar “especial” e, por sua vez, com o direito de viver em um mundo restrito e dedicado a uma pequena parcela da população, faz com que esses setores da sociedade se tornem arrogantes, prepotentes e até mesmo violentos quando se julgam parte de uma “elite” que não deve conviver com os reles mortais, ou seja, o povo brasileiro, responsável maior pelo desenvolvimento do Brasil e pela riqueza da Casa Grande, que sempre se beneficiou de sua força de trabalho.

Portanto, é incompreensível ao tempo que ridículo observar que o PT e seus líderes ainda não perceberam que as manifestações de junho de 2013 não representam apenas momentos de revoltas da classe média, que foi às ruas, não porque o Brasil está envolto com “as maiores corrupções de todos os tempos ou da história”, como quer fazer crer a mídia corrupta e meramente de mercado, golpista histórica e entreguista por natureza.

De forma alguma. Nota-se, sobretudo, que a classe média, principalmente a que ideologicamente se identifica com o espectro à direita, sentiu-se preterida quanto à atenção do Governo Federal no que é relativo a receber também benefícios, além de se considerar “traída”, no que concerne a se certificar de que as camadas sociais mais pobres ascenderam socialmente, o que se torna um assunto de ordem psicológica, pois se trata de um perverso tabu, que se baseia em preconceitos e intolerâncias históricas enraizadas em sua essência escravocrata alimentada por gerações.

Apesar de a classe média ser tradicionalmente universitária e instruída por causa de sua escolaridade, ela tem enorme dificuldade para enxergar o mundo de forma universal ou completa, porque só consegue visualizá-lo até os limites de seu bairro ou dos lugares que frequenta. Ela não consegue se ver no outro, porque o trata como uma sombra que nunca aparece por causa da ausência do sol. Só que as sombras desenham suas silhuetas e este desenho não define cor, raça, credo, classe e origem social e econômica.

A falta dessa compreensão que a leva a ser intelectualmente obtusa e, por seu turno, incapaz de compreender os fatos e as realidades que lhes rodeiam, de forma precisa e pontual. Eis a classe média, que age como o avestruz da anedota, que enfia a cabeça no buraco para deformar e desvirtuar a verdade, pois se recusa a reconhecer, por exemplo, os avanços sociais e econômicos conquistados pelo povo brasileiro nos últimos 12 anos.
   
A partir dessas considerações e realidades, a Casa Grande, assim como seu principal braço de combate aos governos trabalhistas, a imprensa familiar e corporativa, trataram logo de empurrar o PT contra a parede e sufocá-lo. Começaram a atuar em quatro frentes, que agem de forma sincronizada: o PSDB e seus aliados, a imprensa empresarial, certos juízes do STF (já aposentados e na ativa) e inúmeros promotores, que, além de desejarem aparecer, resolveram fazer política, sem, no entanto, serem titulares de mandatos eletivos, mas, tais quais os coxinhas de classe média, resolveram tomar a frente de questões políticas e de ações administrativas e estruturais a cargo de políticos eleitos legitimamente pelo povo.

Os escândalos do mensalão, o do PT, evidentemente, porque o dos tucanos já está a prescrever, além dos malfeitos na Petrobras são exemplos emblemáticos de combate ao PT e da intenção de criminalizar o Partido e judicializar a política. Quem perde a eleição pelo voto, que é o caso do PSDB, recorre a assuntos de perfis escandalosos com o propósito de desqualificar e desconstruir o adversário, bem como conquistar o apoio de setores da população insatisfeitos com ascensão das camadas mais desprotegidas da sociedade, além de ideologicamente serem contrários a partidos e políticos que elaboram e efetivam programas e projetos de inclusão social.   

Para esses segmentos conservadores, o PT é tudo aquilo que eles detestam e rejeitam, porque se trata de um partido que nasceu do ventre das fábricas, além de dialogar com os movimentos sociais e de trabalhadores desde sua fundação, em 1980. Além disso, a Casa Grande é sabedora que o PT é um partido orgânico, ou seja, está inserido na sociedade, em incontáveis segmentos da vida brasileira, de maneira tal que se tornou imperativo para o establishment que a agremiação popular fosse duramente e sistematicamente desconstruída pelos canais de comunicação desregulados e controlados pela grande burguesia.

E aí, cara pálida, o Partido dos Trabalhadores, equivocado novamente, anuncia que vai contratar uma empresa para saber o porquê de o partido ser odiado. A resumir: algumas pessoas do PT (sempre é sábio não generalizar) gostam de adular certos setores do status quo. Como esses setores se mostraram resolutamente indispostos a dialogar, o PT, depois de muitos anos no poder, resolveu governar e moderadamente enfrentar aqueles que os atacam, os sangram, os caluniam, os injuriam e os difamam.

Essas realidades ficaram claras nas eleições de 2014, e na tentativa de golpe “branco” contra o Lula, em 2005. O PT tem de entender que a comunicação do governo é péssima, bem como quem a chefia não pode ser umbilicalmente ligada ao complexo de comunicação privado, já cansado de demonstrar que não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo. Ponto.

Os petistas, autoridades ou não, precisam urgentemente compreender que a Casa Grande, além de dar nó em pingo d’água e não dar ponto sem nó, não tergiversa quando se trata de seus interesses políticos, comerciais e econômicos. A imprensa, diversificada em inúmeras mídias cruzadas, transformou-se no maior partido de oposição de direita da história do Brasil. O sistema midiático familiar tomou a frente do processo político e pauta, sem titubear, a vida brasileira e suas instituições republicanas.

O PT também tem culpa de permitir que esse processo draconiano ou dantesco acontecesse. O principal partido do Governo foi pusilânime, covarde e se dobrou aos ditames de uma oposição enfraquecida, incompetente e entreguista, praticamente derrotada e desmotivada para enfrentar o pleito eleitoral.

Aprendi há muito tempo que se tal pessoa é leniente ou permissiva com acusações infundadas, denúncias vazias e calúnias, injúrias e difamações, que não retratam a realidade é porque não se importa com seu presente e futuro, mesmo se o passado foi glorioso, pois repleto de conquistas e trabalhos realizados. É o que está a acontecer com o PT que se dobrou, e, de joelhos, aceita o jogo da direita após ter vencido uma eleição muito difícil, com o apoio irrestrito e voluntário de sua militância, bem como dos blogs progressistas, também chamados de “sujos”.

Eis da onde veio a vitória do PT, pois a militância e a blogosfera de esquerda travam uma luta sem trégua e incansável contra a imprensa “oficial” e familiar, pois sustentada há mais de século pelo dinheiro público, do contribuinte. O PT sofre da Síndrome de Estocolmo, porque não reage a seus algozes: a Casa Grande, os tucanos, a mídia alienígena e certos setores do MP, da PF e do Judiciário deveriam ser enquadrados, por intermédio de meios legais.


Não cabe ao Governo Trabalhista, ao PT, nesta altura do campeonato, não saber e compreender o porquê de tanto ódio. O ódio, a cólera vem desde os tempos de Getúlio Vargas. Basta ler a história para depois marcar limites e territórios no que tange aos adversários. Quem cala, consente. O PT que trate de melhorar sua comunicação com o povo, efetivar o marco regulatório para as mídias e responder, de pronto, todas as acusações que forem injustas, manipuladas e infundadas. Sempre, sem vacilar. Não sei o que é pior: se a Síndrome de Estocolmo do PT ou o complexo de vira-lata e a veia golpista da Casa Grande. É isso aí.          

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Preconceito pornográfico dos coxinhas, golpe nas ruas e marco para a imprensa

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


“As virtudes que apreciamos já estão enraizadas em nós”. (Goethe)

Existem quatro principais setores que navegam pelo espectro político conservador e que ainda, percebemos, inconformados com a derrota eleitoral do candidato de direita e do PSDB, o senador Aécio Neves. Os recalcitrantes são os seguintes: 1- a imprensa de negócios privados; 2- os coxinhas de classe média lacerdistas; 3- o PSDB; e 4- os setores atucanados da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal, com canais abertos com o STF, a exemplo do juiz político e de direita, Gilmar Mendes.

A revolta e a frustração pela derrota do candidato desses grupos sociais e institucionalizados é tão grande que, após 22 dias das eleições presidenciais, a insanidade tomou conta dessas pessoas, principalmente em São Paulo — o mega bolsão do reacionarismo brasileiro desde os tempos dos bandeirantes. Considero incrível e quase inacreditável que o histerismo político-partidário faz com que indivíduos saiam da realidade e protestem contra a “cubanização”, a “venezuelização” do País, bem como a marcarem territórios como se fossem cães hidrofóbicos e, consequentemente, sem condições psíquicas para avaliar de forma ponderada, pontual e lúcida a conjuntura brasileira e suas realidades.

Chegam a ser ridículos e muitas vezes “cômicos” tais protestos de características conservadoras e golpistas, mas a verdade é que não o são. Esses movimentos têm objetivos nada ingênuos, e um deles é abrir um processo de impeachment contra uma presidenta constitucional, recém-eleita, legalmente, pelos votos de mais da metade do povo brasileiro, e que está a lutar pela reforma política, além de exigir, no momento, o afastamento e a punição dos envolvidos em corrupção, no caso Lava Jato.

Além disso, Dilma Rousseff tem afirmado à sociedade brasileira que vai realizar o marco regulatório para as mídias, a fim de efetivar regras para tão importante setor da economia, sem, no entanto, o Estado interferir no que diz respeito ao conteúdo que essas empresas, no caso as privadas, repercutem à vontade, porque, sem sombra de dúvida, os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e seus empregados publicam, mostram e falam o que querem, até mesmo, como ocorreu nas eleições, tentar influenciar os eleitores, como o fez a revista Veja — a Última Flor do Fáscio.

Contudo, o visível histerismo e a total rejeição dos fundamentalistas, dos desinformados, dos histéricos de direita, que cooperam para que os interesses do sistema de capitais sejam concretizados se tornaram uma questão preocupante para o Governo Trabalhista, bem como para parte importante e populosa da sociedade brasileira, que acredita no jogo democrático, nos ditames da Constituição e no estado de direito.

A questão primordial é o Governo Trabalhista se fazer ouvir e ser entendido pelo povo brasileiro. Existem meios para se preencher essa lacuna aberta desde os tempos do Governo Lula. E, como assim? Respondo: fortalecer o sistema de comunicação estatal, de forma que ele abranja todo o Brasil, por intermédio de novas sedes regionais e cobrar que a Secretaria de Comunicação (Secom) repercuta sistematicamente suas obras de infraestrutura, além de mostrar os avanços sociais conseguidos com os programas de inclusão do Governo Federal.

Todavia, somente essa estratégia não adianta. Não dá resultado. A Secom tem de rebater, diuturnamente, a imprensa comercial e privada de essência privatista e elitista. Quando há acusações e denúncias, todas elas têm de ser investigadas ou apuradas pelo Palácio do Planalto, por meio do Ministério da Justiça, com o apoio da base do Governo no Congresso, principalmente de suas lideranças, sempre prontas para informar e explicar os acontecimentos, mas nunca deixar de rebater, sistematicamente, as acusações infundadas e as denúncias vazias. Ponto!

Por sua vez, as ilações artificiais e os ataques nada republicanos, criados pela imprensa empresarial e familiar, pinçadas de um contexto mais amplo e complexo, têm de ser rebatidos duramente pelas Secom, Casa Civil e por autoridades de órgãos e instituições que respondem pela segurança do Estado e pela estabilidade da democracia brasileira.

É dessa forma que tem de agir as autoridades e os profissionais de comunicação, a evitar ruídos no que tange à compreensão dos fatos e dos acontecimentos por parte do povo brasileiro, merecedor de respeito, consideração, bem como de receber satisfações de quem é pago e sustentado pelo contribuinte. Agora, vamos à pergunta que não quer calar: “Quando os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas vão ser também investigados, julgados e punidos pelos seus crimes?”

A imprensa alienígena tem de ser colocada em seu devido lugar, pois, talvez assim, tal sistema midiático corporativo resolva fazer jornalismo, desça do palanque político-eleitoral e pare de proceder como uma agremiação política de direita, desregulada, para seu deleite, e que inúmeras vezes agiu fora da lei, como nos casos do bicheiro Carlinhos Cachoeira e da edição criminosa do debate entre Lula e Collor, em 1989, dentre muitos outros maus exemplos.

Sou sabedor que no Brasil existem muitos grupos de direita e de extrema direita na sociedade civil — no mundo empresarial, político, acadêmico e estatal. Compreendo o porquê de os coxinhas, falo daqueles que são educados, gentis e instruídos quando se trata das relações pessoais e profissionais, mas que, de repente, surpreendem pela intolerância expressada em uma variedade de preconceitos e cóleras que deixariam um fascista estudioso e ideológico com o queixo caído.

Trato da classe média que vai às ruas e brada, em catarse mesclada com ódio, por um impeachment, sendo que grupos ainda mais radicais reivindicam, “simplesmente”, um golpe militar. Surreal. Um histerismo coletivo de tal monta que deveria ser estudado por psiquiatras experientes, porque, sem exagero, considero que se trata de um surto pós-eleitoral, que atingiu muitas pessoas, que até agora não conseguiram sair desse círculo viciado, bem como não compreenderam os fatos e por causa disso não conseguem digerir as realidades apresentadas a elas, pois que lhes causam frustrações e, consequentemente, dores.

Há poucos dias conversava em um bar e restaurante, no bairro do Flamengo, com pessoas da minha geração, entre 50 e 60 anos. A conversa fluía e os temas eram sobre política, eleições, países, futebol etc. Lá pelas tantas, um dos caras, com 58 anos (ele disse a idade dele), estourou e começou a xingar seu interlocutor, porque ele discordou de suas considerações relativas aos EUA.

O homem ofendido apenas disse que os “Esteites” também tinham problemas sociais graves, como pobreza, falta de um sistema de saúde público de boa qualidade, racismo histórico, maior população carcerária do mundo, desemprego, crise financeira internacional, além de ser alvo de inimigos em quase todo o planeta. Pra quê? O cidadão de 58 anos, que até então se mostrava um coxinha gentil e educado, transformou-se no Mr. Hyde, de o Médico e o Monstro.

Testemunhei uma saraivada de insultos e impropérios que deixariam um biltre espantado ou a infâmia com vontade de pedir socorro. Impressionante a boca suja do sujeito. O coxinha bramia; e sua língua parecia um chicote para açoitar escravos. Incrível. O cidadão atacado pela verve absurda e injuriosa do indivíduo que, em um passe de mágica, tornou-se seu inimigo, primeiro ficou com os olhos arregalados, seus lábios ficaram brancos-acinzentados, depois suas faces ficaram vermelhas, para logo esboçar alguma reação...

A discussão ficou feia, mas o sujeito classe média arrogante e desaforado gritava mais alto e conhecia um conjunto de palavrões e insultos mil, que deixou todo mundo atônito e com vontade de ir embora. O homem rugia: “Não fale mal da América”! “Eu morei lá, porra”! “Eu amo a América”! “Eles são os xerifes do mundo”! “O Brasil é uma merda; uma verdadeira bosta”! “Odeio este País”! “Eu quero mais é que o Brasil e esse povinho mulambo, de merda, se foda”! “Não fale mal da América, seu merda”! “Bata na boca pra falar dos americanos”! E por aí vai, porque os palavrões e demais ultrajes não valem à pena relatar.

O mister Hyde brasileiro e carioca revelou seu lado demoníaco e... coxinha. Com ele, o doutor Jekyll não tem a mínima chance de recuperar seu corpo, pois sua alma já pertence ao monstro. Quero dizer que o Brasil vive tempos difíceis, no que concerne à convivência entre os diferentes e à tolerância quando os antagonismos são expressados e considerados como se as pessoas estivessem em uma guerra, quando, na verdade, são apenas posições quanto ao que certo cidadão acredita, pelo menos naquele momento, porque os seres viventes mudam de opinião quando, não, passam para o outro lado da cerca.

Foi o que aconteceu com o dono do bar onde ocorreu a contenda. O comerciante falava mal à beça do PT, e, por fim, votou em Dilma Rousseff, porque a filha dele foi beneficiada pelo programa Ciência sem Fronteiras. C’est la vie, como dizem os franceses. Depois desse bate boca passei a compreender melhor os meus detratores, que enviam desaforos e esculhambações por intermédio de mensagens ao meu blog, o “Palavra Livre”, bem como aos sites “Blog da Dilma” e “Brasil 247”, dentre muitos outros veículos da internet onde meus artigos são publicados e repercutidos.

O Brasil vive um momento psicológico, cívico e político singular. Porém, o Governo Trabalhista de Dilma de Rousseff, as instituições republicanas, a grande parte do povo brasileiro que preza as liberdades civis têm de ficar atenta às tentativas de golpes, ainda mais quando tais crimes se voltam contra a democracia, conquistada com muita luta, suor e sangue, no decorrer de 21 anos. Os grupos radicais de direita estão a brincar com fogo, porque as condições políticas de hoje não são as mesmas que se apresentavam em 1964. Vivemos em outro Brasil, e este fato é inquestionável.

Inúmeras pessoas, a exemplo do cidadão de classe média e com 58 anos, que ofendeu seu semelhante, porque ele apenas teceu comentários sobre os Estados Unidos estão “possuídas” por um despertar de emoções incontidas e omitidas durante muito tempo de suas vidas. De repente, elas explodiram, porque esses indivíduos não aceitam a ascensão social de brasileiros pobres, somadas às crenças ideológicas e opções partidárias, que se transformaram em amarras de suas existências, ao tempo que pontas de lanças de suas verborragias agressivas, esnobes e preconceituosas.  

São valores e princípios enraizados em gerações, e que, em certo momento, vieram à tona de forma incontrolável, ao ponto de a intolerância e o preconceito se tornarem os combustíveis dos que não se conformam com a democracia e o estado de direito, que estão a viabilizar a igualdade de oportunidades para que todos os brasileiros possam ter uma vida de melhor qualidade.


No fundo das almas dos senhores classes médias tão gentis e por isso bons anfitriões moram os monstros Hydes, pois, do contrário, não diriam tantas barbaridades e não mostrariam seus preconceitos e intolerâncias de conotações dantescas, quase pornográficas, nas televisões e redes sociais, nas ruas e praças públicas. O Governo Trabalhista tem de ficar atento para enfrentar golpes, fazer o plebiscito da reforma política, além de efetivar o marco regulatório para as mídias. O tempo urge. É isso aí.