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sexta-feira, 30 de março de 2012

Demóstenes tem patrão: Carlinhos Cachoeira e não a República (E o Gurgel vai às falas?)


Por Davis Sena Filho — Blog da Dilma
        O que mais me chamou a atenção no escândalo do qual o senador do DEM/UDN, Demóstenes Torres, ser o pivô da gravação entre ele — o arauto da moralidade e dos bons costumes — e o maior bicheiro da região Centro-Oeste, o goiano Carlinhos Cachoeira, preso recentemente na Operação Monte Carlo da Policia Federal juntamente com outras 34 pessoas, foi a sua total falta de discernimento sobre seu mandato.
        Todo mundo sabe que por aquelas terras fantásticas que formam o Centro-Oeste do Brasil, o contraventor Cachoeira financia campanhas eleitorais há cerca de 20 anos. E todos sabem que políticos poderosos de Goiás e de outros estados recebem dinheiro de origem criminosa e por isso não contabilizado e registrado pelos órgãos de fiscalização do Estado para promover campanhas políticas.
        Evidentemente, tudo que é por debaixo dos panos não acaba bem, porque o que é “escondido”, o que é ilegal desemboca no crime, como as águas dos rios desaguam nos oceanos. Contudo, o que mesmo me chamou a atenção foi o senador Demóstenes Torres fazer comentários com Cachoeira sobre a legalização do jogo do bicho pelo telefone grampeado pela PF como se fosse empregado, um subalterno do poderoso bicheiro e não um senador da República.
Demóstenes prefere defender interesse de bicheiro do que ser republicano
        Carlinhos fala com autoridade de chefe, de superior na hierarquia e o senador que envergonhou seus eleitores acata ordens quando finaliza a conversa com um “Tá! Tá bom!”, quando antes o Demóstenes argumentou o seguinte: “Se você quer que eu veja isto, eu vejo”, apesar de o político concluir que não acredita que o projeto de legalização do jogo do bicho e do jogo em geral vai ser aprovado pelo Congresso.
        O senador do DEM/UDN (o pior partido do mundo) acata ordens, porque, certamente, depende, e muito, de Cachoeira, mesmo ele ter sido promotor, procurador do Estado de Goiás e secretário de Segurança. Nada que deixe perplexa a população, a cidadania, acostumada que é de ver o envolvimento de políticos com o crime organizado, bem como também de autoridades do Judiciário e das polícias, seja em âmbito federal ou nos estados da Federação.
        Todavia, a questão fundamental é que Demóstenes é um senador da República, oposicionista, festejado, tal qual o senador tucano do Paraná, Álvaro Dias, pela imprensa comercial e privada de oposição, que sempre levantou a bola para ele cortar e com isso criticar, no decorrer de quase uma década, duramente os governos trabalhistas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff.
        Demóstenes se esmerava em suas palavras contundentes, e criava factóides junto ao Judiciário (STF), nos corredores do Senado e, obviamente, nas imagens de televisão, nas páginas de jornais e revistas. Os colunistas, os blogueiros, os comentaristas e os “especialistas” de prateleiras da imprensa burguesa o adoravam e o elogiavam e sempre o procuravam para comentar algum acontecimento ou alguma notícia que a imprensa precisava repercutir para dar continuidade à luta contra os governos trabalhistas.
        O senador era uma estrela da imprensa golpista e admirado pelos burgueses e por parte da classe média de perfil conservador  e ressentida com a ascensão social de milhões de brasileiros que durante os oito anos do presidente neoliberal, Fernando Henrique Cardoso, não tinham acesso nem ao emprego quanto mais ao mercado e ao consumo. Demóstenes era o “cara” para os jornalistas de penas alugadas e que são mais duros com os que militam no campo trabalhista e socialista somente para agradar seus patrões e com isso angariar prestígio e assegurar seus empregos.
        Eis que de repente, como acontece com a aparição dos tufões, o bicheiro Carlinhos Cachoeira é preso e suas gravações com o Demóstenes Torres são veiculadas na imprensa. Fica claro, portanto, que o envolvimento de autoridades públicas dos três poderes em âmbito estadual e federal é mais comum do que se pensa.
        Por sua vez, o que impressiona é que o político goiano é promotor, o que, sem sombra de dúvida, conta muito no que é relativo à culpabilidade de sua pessoa, se for, obviamente, comprovado que tal paladino da justiça, da moral, dos bons costumes  e da imprensa golpista cometeu crimes.
        Carlinhos Cachoeira foi preso, relembro, com mais 34 pessoas, entre elas dois delegados da Polícia Federal, cinco oficiais da PM goiana e soldados, agentes e seis delegados da Polícia Civil e servidores públicos de outras áreas de atuação. Os braços do crime são longos e alcançam e abraçam servidores públicos de alto e de baixo escalão.
        Saliento que ser senador é ser servidor público e por isso quando um político dessa envergadura se corrompe tem de ser afastado do partido, investigado, levado à Comissão de Ética e denunciado ao Supremo Tribunal Federal e ao Senado pela Procuradoria Geral da República (PGR).
A ponta do iceberg é o Demóstenes e o Cachoeira. Embaixo, a fila é grande
        O problema é que o procurador-geral, Roberto Gurgel, segurou as investigações e os relatórios da PF sobre o caso, e, desde 2009, não é feito nada quanto ao envolvimento de Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira por parte da Procuradoria.
        Roberto Gurgel deveria ser chamado às falas pelo Senado, porque, mesmo depois da ampla divulgação do escândalo, o procurador se recusou, em um primeiro momento, a receber parlamentares e a falar com a imprensa, aquela mesma que também o adora e que levantava a bola para ele cortar contra os governos trabalhistas de Lula e Dilma.
        Gurgel, igualmente aos ministros do STF, Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello, deu mais entrevistas do que trabalhou em prol do Brasil e de seu povo. É que ele optou por fazer política ao lado dos conservadores, dos Demóstenes da vida e com isso atender os anseios da oposição partidária ao Governo Federal efetivada pelos tucanos e “demos”, aqueles mesmos que venderam as empresas públicas do Brasil que não construíram e muito menos deram acesso a milhões de brasileiros ao emprego, à educação e ao consumo.
        Certamente que o caso do Demóstenes é apenas a ponta do iceberg. Deve ter muita gente no corpo dessa geleira cuja parte maior fica submersa. Políticos, policiais, servidores públicos, empresários devem constar nos relatórios da PF e que estão nas mãos do procurador Roberto Gurgel, que tem uma queda muito grande pelo antigo procurador Geraldo Brindeiro, que tinha o apelido de engavetador-geral da República, não fosse seu tempo o tempo das privatizações conhecidas também como privataria.
        O senador Demóstenes Torres é um cadáver político. Roberto Gurgel tem de ser chamado às falas, como diria, com arrogância, o ministro do STF, Gilmar Mendes. O povo brasileiro tem de saber o porquê de todos os fatos. Ih, já ia me esquecer: e a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) tem de parar de fingir que nada é com ela, quando, na verdade, não faz jornalismo e sim oposição partidária aos governos trabalhistas. É isso aí.  

quinta-feira, 29 de março de 2012

Augusto Nunes e o clube dos cafajestes

Augusto: jornalismo de esgoto e abandono do aliado Demóstenes

Por Altamiro Borges

Augusto Nunes, o agressivo blogueiro da Veja, resolveu pedir a cabeça de Demóstenes Torres. Em artigo postado hoje, ele clama: “Renuncie ao mandato, senador”. Ele só não faz autocrítica por ter paparicado, durante tanto tempo, o líder do DEM. Nunes e o seu patrão sempre trataram Demóstenes Torres como um paladino da ética e um “oposicionista engajado”.

No texto, o jornalista ainda estrebucha. Fiel à famiglia Civita, ele tenta vender a ideia de que a Veja foi a principal responsável por desmascarar o demo. Pura balela! A revista protegeu o quanto pode o líder do DEM, que até agora não virou sequer chamadinha de capa. Maroto, ele também elogia seus leitores, tentando criar um colchão de proteção aos textos bajuladores do passado publicados na revista.

Os "canalhas" da velha mídia

Para o “decepcionado” colunista da Veja, Demóstenes capitulou, é um desertor. “Paciência”. Na sua ótica rancorosa, o senador “escancarou o abismo que separa o Brasil que presta do país reduzido pela Era Lula a um imenso clube dos cafajestes”. A culpa seria do Lula e das esquerdas, e não do “clube dos cafajestes”, do qual ele é sócio, que projetou o falso líder moralista da direita nativa.

Sabendo que já é alvo de chacota, Augusto Nunes parte logo para o contra-ataque, com seus adjetivos grosseiros e agressivos. Ele não admite que errou na escolha do seu “herói”, do seu “arauto da ética”. Trata os críticos como “canalhas”, como “a turma da esgotosfera”. Mas, no final do patético artigo, ele admite que o seu ídolo “já foi condenado à morte política” e pede a sua renúncia:

"A multidão dos decepcionados"

“Restam-lhe duas opções. A primeira é ignorar as provas e evidências, apostar no corporativismo da Casa do Espanto e vagar feito zumbi pelo Congresso até ser formalmente sepultado na próxima eleição. A outra é pedir desculpas aos eleitores ultrajados, devolver o cargo e voltar para casa".

Na sua avaliação, a segunda alternativa “é menos indigna e ofereceria à multidão de decepcionados” – na qual, com certeza, ele se inclui, mas sem confessar abertamente – “o consolo de saber que alguns políticos ainda conseguem envergonhar-se dos pecados cometidos”. Será que Augusto Nunes se envergonha dos seus, que tantos estragos causam à cabeça dos leitores da Veja?

Getúlio faz uma ponte na história com Lula para derrotar Lacerda e FHC


Adeus a Lacerda, a FHC e à "revolução" golpista de 1932.
Por Davis Sena Filho — Blog da Dilma



“Getúlio Vargas foi derrubado em 1945 e morto em 1954 porque era nacionalista e tinha um projeto de autodeterminação para o País. Fatos estes que não interessam e nunca interessaram aos EUA e à nossa burguesia herdeira do sistema de escravidão”.


      No dia 24 de agosto de 2011 acordei às 6h30 e logo pensei no notável brasileiro que foi o gaúcho de São Borja, Getúlio Dornelles Vargas, que fundou, solidamente, as bases do Brasil moderno. Lembrei que o Senado homenageou, em 2004, o grande estadista, em uma sessão especial, da qual participei por meio de convite, pelo transcurso dos 50 anos de sua morte.

      O Senado, instituição republicana por onde passaram vultos importantes de nossa história, entre eles o general gaúcho, Pinheiro Machado, e o doutor das letras, o baiano Rui Barbosa, sempre relembrou e homenageou as pessoas que ajudaram a pensar e a construir este País. É tradição, e, a meu ver, assim continuará, pois se trata de uma Casa augusta, enraizada na história do Brasil, além de ser um fórum político muito importante de deliberações e decisões.

      Pensei em Getúlio e em sua obra. Refleti sobre seu imenso legado, e, conseqüentemente, em seus opositores, ferozes e injustos, desrespeitosos e ousados, mas, principalmente, oportunistas quando não mentirosos. Sobretudo, maledicentes e contrários ao desenvolvimento social e econômico que a população brasileira estava a experimentar pela primeira vez em sua história.

      O Brasil, até então, era um País de herança escrava, atrasado. Cerca de 70% da população, em 1930, vivia no campo. Para ilustrar ou dimensionar o que foi Getúlio Vargas recorro ao saudoso professor, fundador da Universidade de Brasília (UnB) e criador do CIEP, senador Darcy Ribeiro, que disse a seguinte frase: “Quando você pensa que coisas elementares para qualquer País como os ministérios da Educação, da Saúde e do Trabalho não existiam no Brasil antes de 1930; quando você pensa que não havia jornada de oito horas de trabalho, não havia direito a férias, a sindicato, à greve, e constata que quem introduziu isso tudo foi Getúlio, mesmo reconhecendo seus defeitos não se pode esquecer sua importância histórica”.

      A constatação do mineiro Darcy Ribeiro personifica e sedimenta a vida política, o ideário do estadista gaúcho, herdeiro de Júlio de Castilhos e, filosoficamente, positivista. Não há como, de forma imparcial, divorciar Getúlio Vargas do desenvolvimento do Brasil, e, por conseguinte, da inserção de nosso País no rol dos países que são considerados civilizados.

      Getúlio civilizou a sociedade brasileira, porque garantiu os direitos civis e permitiu que o cidadão brasileiro se tornasse independente, por intermédio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), da instituição do salário mínimo, da organização dos sindicatos, do direito à greve, do acesso das massas à educação, da criação da Previdência Social e da Justiça do Trabalho.

      Além disso, Getúlio reorganizou o estado nacional ao instituir o concurso público, para depois centralizá-lo e com isso obrigar os estados a ser, de fato, federados. Naquela época os governadores eram chamados de presidentes e as oligarquias rurais e urbanas controlavam os governos estaduais, administravam o dinheiro público sem dar satisfação a um poder central, que hoje tem instrumentos como a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público e as Procuradorias, que combatem o desvio de recursos e apontam aqueles que são os responsáveis pela corrupção e por diversas modalidades de crimes financeiros e fiscais. A punição é com a Justiça, não se pode confundir.

      Por tudo isso, não é correto, historicamente, negar o valor e a importância de um homem, raro, como Getúlio Vargas. Ele, juntamente com homens do quilate de Oswaldo Aranha, Lindolfo Collor, Francisco Campos, Gustavo Capanema, Pedro Ernesto, Juarez Távora, Tancredo Neves, Assis Brasil, Juracy Magalhães, Alberto Pasqualini, João Goulart e, posteriormente, Leonel Brizola, entre muitos outros, revolucionaram o nosso País, que até então era rural, voltado à agricultura e à pecuária.

      Essa brilhante geração de políticos realmente pensou o Brasil e o construiu, solidificando-o para o futuro, mesmo quando este mesmo futuro não foi tão bom para os brasileiros — vide os homens que vieram a governar este País após a morte de Getúlio Vargas e depois da queda de João Goulart, no ano de 1964. Em vez de darem continuidade à sua monumental obra, tentaram desconstruí-la, aos poucos, de governo a governo.

     Ao contrário dos Estados Unidos, cujos presidentes, em sua maioria, deram continuidade à obra social e econômica de Franklin Delano Roosevelt, os ditadores do período militar e os presidentes José Sarney, Fernando Collor e o tucano Fernando Henrique Cardoso — conhecido também como FHC — anunciaram o fim da Era Vargas.

      FHC, o neoliberal, com sua vaidade de “aristocrata” ou de cafeicultor paulista quatrocentão, além da vocação para intelectual sociológico, colocou em prática sua característica principal como mandatário: nenhuma praticidade e vontade para fazer do povo brasileiro um povo orgulhoso e satisfeito com o seu País. Vendeu empresas públicas lucrativas e organizadas, que foram base do nosso desenvolvimento. Estatais, como a Vale do Rio Doce (obra de Getúlio, para variar) e a Telebras, hoje mutilada e dividida entre os estrangeiros em várias partes, foram alienadas do patrimônio público brasileiro e vendidas a preços tão baixos que hoje soam como piada. De mau gosto, é claro.

      Em vez de ter papel social, a Telebras dividida pela iniciativa privada estrangeira se transformou apenas em prestadora de serviços de telefonia dos mais caros do mundo, bem como é campeã de reclamações no Procon. Realmente, as telefônicas privadas dão nos nervos, porque quando algo ou alguém somente visa o lucro, não há como priorizar a sociedade e nem respeitar seus direitos fundamentais, garantidos pela Constituição e pelo Código do Consumidor. Portanto, considero que as agências reguladoras e o governo têm de ser duros com os maus empresários e cobrar, sem tergiversar, o que é definido pelos contratos.

      As empresas de telefonia se recusam a investir nos rincões do Brasil e até hoje não disseminaram o sistema de banda larga, porque não têm competência para realizar tal projeto, além de considerá-lo caro para seus cofres abarrotados de dinheiro, valores monetários que, evidentemente, vão para fora em forma de remessa de lucro e com isso ajudar a gringada a amenizar o colapso financeiro, econômico, social e moral pelo qual estão a passar, por causa do derretimento do fracassado e desumano neoliberalismo, a partir de 2008. Somente os “especialistas” da imprensa privada comprometidos com o grande capital não percebem essas realidades. Eles não são uns gênios, prezado leitor?

      O neoliberal tucano FHC, na verdade, não governou como presidente de uma Nação, e sim como corretor de imóveis e de empresas à venda. Lula trilhou um caminho contrário e fortaleceu o estado nacional, que, posteriormente, tornou-se o maior responsável por o Brasil praticamente não sofrer com a crise econômico-financeira internacional, que acometeu o mundo no ano de 2008. Lula vem do trabalhismo paulista, que é diferente do gaúcho, mas que no fim das contas tem os mesmos objetivos políticos e sindicais, porque se trata de defender os interesses dos trabalhadores. E é esta a questão primordial.

       Lula, mandatário que já tem um lugar de honra na história do Brasil tal qual Getúlio Vargas apenas compreendeu o trabalhismo do antigo PTB e do PDT e passou a trabalhar, de forma programática, essa realidade na Presidência da República. A direita percebeu e sua ponta-de-lança, a imprensa privada, passou a combatê-lo, como o fez com Getúlio, Jango e Brizola, ao ponto de, em 2005, quase derrubá-lo por intermédio dessa estratégia draconiana, que se valeu do caso do Mensalão para sangrá-lo politicamente, enfraquecê-lo, porque no ano seguinte haveria as eleições para presidente. Todo esse processo teve a cumplicidade da cúpula do PSDB e, obviamente, do DEM, que é o pior partido do mundo, pois tão conservadores quanto os republicanos do Texas. Eles, juntamente com os tucanos paulistas, são o Tea Party brasileiro.

      Lula percebeu, juntamente com Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil e Luiz Dulci, ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, que estava em jogo não apenas a luta pelo poder em termos civilizados, partidários e constitucionais, mas, sim, uma orquestração muito maior, que colocava em risco o seu mandato de presidente da República conquistado, inquestionavelmente, nas urnas.

      O presidente trabalhista avisou aos seus ministros: “Continuem trabalhando no Ministério, porque eu vou para as ruas”. Dito e feito. Lula subiu para o Nordeste, e de lá avisou à direita que não aceitaria golpe de estado. Posteriormente, o presidente disse que o problema da direita, dos conservadores, é que eles nunca se depararam e trataram com um presidente cuja origem é o sindicalismo, a Igreja e as organizações sociais. É um triunvirato poderoso, porque ele é enraizado na alma do povo, e, por conseguinte, ramificado em todos os setores da sociedade brasileira. A direita percebeu e recuou. Ela é cruel, mas não é e nunca foi idiota.

       O governo neoliberal do tucano FHC, que envergonha a verdadeira social-democracia, principalmente a européia, deveria, na verdade, ter se espelhado em Getúlio Vargas que ofereceu propostas e efetivou não um programa de governo, mas, sim, de estado para o País, com sua equipe e, obviamente, com a força dos trabalhadores brasileiros. Se Getúlio é considerado em um período ditador, como gostam de afirmar os “gênios” da imprensa privada golpista, o que pensar então das políticas econômicas e sociais de José Sarney, Fernando Collor e principalmente do neoliberal Fernando Henrique Cardoso?

      Há ditadura mais cruel? E há crueldade maior do que a da imprensa comercial e privada? Esta apóia sempre os políticos que fazem o jogo de interesses do grande capital nacional e internacional e compactua, como sempre, com conspiradores de outros segmentos que se dedicaram e se dedicam a derrubar ou ridicularizar quaisquer políticos que tenham propostas nacionalistas, projetos para o País e programas de governo, exemplificados em Getúlio Vargas, João Goulart e Luiz Inácio Lula da Silva, bem como em Juscelino Kubistchek, que por pensar em seu futuro político, apoiou, em primeiro momento, o golpe de estado de 1964. Depois Juscelino percebeu seu grave erro e passou também a combater a ditadura militar, que o perseguiu e o humilhou.

      Pois bem, a corrente política trabalhista dos gaúchos, também dos uruguaios e argentinos, enfim, foi derrotada em 1964, por intermédio de políticos e militares udenistas e golpistas umbilicalmente ligados à Guerra Fria, promovida e patrocinada no ocidente pelos Estados Unidos, e apoiada por parte da classe média despolitizada e conservadora e, logicamente, como não poderia deixar de ser, pela imprensa privada, os religiosos conservadores da Igreja Católica, banqueiros como o governador de Minas, Magalhães Pinto, além dos empresários da Fiesp, da Fierj e de outras federações empresariais menos importantes.

      Não procede e não reflete a verdade a interpretação de muitos historiadores, sociólogos, políticos e jornalistas que Getúlio Vargas, em 1945, teve de renunciar por causa da vitória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na II Guerra Mundial, como, por exemplo, declarou ao “Jornal do Senado”, em sua edição especial de 24 de agosto de 2004, o presidente do Senado e udenista bossa nova, senador José Sarney.

      A verdade é a seguinte: Em 1950, Getúlio Vargas, eleito legitimamente pelo voto popular, teve de renunciar, pois o Palácio do Catete estava sitiado pelos militares (sempre eles). Agiu dessa forma para manter o regime democrático e com isso garantir a vitória do marechal Eurico Gaspar Dutra, seu ministro da Guerra, nas eleições constitucionais de 1946. Tanto é verdade que Getúlio foi eleito em 1950, fato este que fez recrudescer o ódio feito de bílis da direita reacionária udenista-militar, que nunca teve voto e continuou a não tê-lo através da história, mesmo com suas novas roupagens de Arena, PDS, PFL e agora DEM, que está a se transformar em um partido médio para pequeno, ainda mais com o aparecimento do PSD, sigla partidária fundada por Getúlio, do prefeito paulistano Gilberto Kassab, que fez com que muitos demoníacos (desculpem, foi um lapso!), demistas pulassem do barco para não afundar com ele. Kassab percebeu que ser aliado de José Serra é dar abraço em afogado, e apoiar Geraldo Alckmin é não ter acesso livre para concorrer a governador de São Paulo. Esperto o Kassab, não achas, caro leitor?

      Com isso o DEM, que é o PFL e a UDN vai seguir o seu destino: o fracasso e a extinção, palavra esta muito íntima de ex-senador e ex-governador de Santa Catarina e ex-“ideólogo” do DEM, Jorge Bornhausen. Quem sobrou para o DEM? O Cesar Maia. Porém, quem vai votar nele, a não ser alguns mauricinhos e novos riquinhos da Barra da Tijuca e de parte da Zonal Sul e da Zona Norte do Rio de Janeiro. Ah, já ia esquecer. Tem também o vice do Serra, que não quis fazer o teste do bafômetro: o inesquecível deputado Índio da Costa, intrépido playboy, sem esquecer o senador tucano e mineiro Aécio Neves, principal adversário do PSDB paulista e de sua imprensa privada.

      Voltemos ao Sarney. Udenista que também foi da Arena e do PDS, conhece a história do Brasil. Ele sabe que Getúlio foi vítima de um golpe. Vargas caiu porque sofreu um golpe “branco” e foi traído pelos coronéis e generais, inclusive pelo seu ministro da Guerra, general Zenóbio da Costa. Os generais, a maioria, dizia-se, até então, legalista, portanto, constitucionalista. Esses mesmos coronéis e generais, dez anos mais tarde (1964), ascendem ao poder, por meio de um golpe militar, com amplo apoio de forças estrangeiras como a CIA e o Departamento de Estado, da IV Frota dos EUA, de civis brasileiros de oposição, aqueles com influência junto aos empresários que controlam os meios de produção e de comunicação, bem como o importantíssimo apoio logístico, geográfico e político de governadores poderosos como Magalhães Pinto de Minas Gerais, o intrépido, loquaz, agressivo, ambicioso sem limites pelo poder e multifacetado Carlos Lacerda do Rio de Janeiro, denominado pelos seus adversários de Corvo, e o governador de São Paulo, Ademar de Barros, “o rouba, mas faz”.

      Para o bem da verdade é necessário que fique claro que Vargas não foi derrubado porque era “ditador”, e sim porque era nacionalista, contrariava interesses internacionais e elaborou leis e assinou resoluções que beneficiaram o trabalhador. A questão política (ser ditador ou não) sempre ficou em segundo plano, mas foi usada e manipulada, sistematicamente, como questão principal. A imprensa atacava violentamente Getúlio (a Tribuna da Imprensa, do golpista Carlos Lacerda, publicou, de forma cruel e infame, a seguinte manchete: “Somos um povo descente governado por um ladrão”). Os proprietários de jornais, rádios, televisões e revistas pertencem à classe do patronato e, igualmente, aos patrões de outros segmentos da economia, eram e ainda o são até hoje contra os avanços sociais efetivados pelos governantes trabalhistas. Eles sempre, quando podem, pedem a revisão das leis trabalhistas. Sempre.

      Considerar Getúlio ditador realmente foi um subterfúgio para a burguesia brasileira combatê-lo e derrubá-lo. Tanto é verdade que depois a imprensa empresarial apoiou como cúmplice e de forma subserviente os militares a partir de 1964. Ou seja, a imprensa privada foi um dos principais alicerces da ditadura militar. A ser assim e assim fazer os barões da imprensa e das mídias enriqueceram a tal ponto que hoje enfrentam governos e tentam pautá-los conforme seus interesses políticos, ideológicos, econômicos e financeiros. Ainda mais se determinado governante for trabalhista, como Getúlio, Jango, Lula e agora a presidenta Dilma Rousseff.

      A verdade é que a ditadura Vargas perto da dos militares de 1964 era coisa de amador. A imprensa da época, os ricos e parte da classe média derrubaram Getúlio porque seu governo estava a distribuir renda, além de inserir muitos milhares de brasileiros no mercado de trabalho e nas escolas públicas. Getúlio Vargas foi derrubado em 1945 e morto em 1954 porque era nacionalista e tinha um projeto de autodeterminação para o País. Fatos estes que não interessam e nunca interessaram aos EUA e à nossa burguesia herdeira do sistema de escravidão.

      Os militares e civis que passaram a controlar o Brasil com mão de ferro em 1964 se alinharam aos interesses internacionais, tendo como base a Guerra Fria. Os Estados Unidos não permitiriam jamais que o Brasil, bem como a Argentina de Perón e o Uruguai se desenvolvessem sem sua aquiescência. Era uma questão de geopolítica e colonialismo, pois os estadunidenses passaram a ficar histéricos quando a União Soviética dividiu o mundo, simbolicamente, com o muro de Berlim.

      O Brasil, então, passou a abrir as portas, com mais ênfase, às multinacionais e os economistas, de pensamento monetarista, como Eugênio Gudin, Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen e equipes direcionaram a economia do País para o que hoje se chama de neoliberalismo, que pode também ser chamado de globalização, que é o colonialismo maquiado, com nova estampa, a fim de atender as demandas da nova ordem mundial, que é a mesma ordem secular de sempre: manda quem pode (países ricos); obedece quem tem juízo (países pobres). Como ocorre agora com a Líbia. Os países colonialistas, por meio da ONU, órgão defasado, superado e de espoliação internacional, cala-se e mais uma vez se torna cúmplice da rapinagem e da pirataria que se pratica por meio da força nos países árabes, como exemplificam muito bem o Iraque e o Afeganistão, somente para ficar nesses.

      Acontece que Getúlio Dornelles Vargas tinha juízo. Quem não tinha e continua a não tê-lo são os políticos de partidos (extintos ou não) como a União Democrática Nacional (UDN), o PL, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o Partido Democrático Social (PDS), o DEM (ex-PFL), o Partido Popular Brasileiro, atual Partido Popular (PP), além de outros partidos de centro e de direita como o PPS e o PSDB, aquela agremiação política que vendeu o País e por causa desse grave motivo perdeu as últimas três eleições para presidente da República.

      Getúlio Vargas estava tão à frente de seu tempo que, em 1929, na campanha à Presidência da República, pela Aliança Liberal, ele propunha uma legislação que efetivasse as férias remuneradas e a regulamentação do trabalho do menor e da mulher, o que venhamos e convenhamos, deixou a “elite” econômica nacional inconformada, com raiva, ou melhor, com ódio. Getúlio Vargas foi o maquinista da revolução industrial brasileira, a transformar, desse modo, um País rural em urbano.

      Criou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Vale do Rio Doce e a Petrobras. O mundo hoje, com as guerras no Oriente Médio, na África e na Ásia árabe, está a enfrentar mais uma crise de petróleo, na verdade de vários tipos de energia, e o Brasil é autossuficiente e, portanto, não sente em demasia a alta nos preços do combustível fóssil. É verdade que os preço da gasolina, por exemplo, não é barato, mas, contudo, o Brasil, com a descoberta do Pré-Sal e com seu mercado interno cada vez mais forte, torna-se um País mais poderoso do que já é, e preparado para enfrentar crises, bem como ter o controle de suas diferentes fontes de energia. Isto se chama independência.

      Retornemos a Getúlio. Além disso, a construção da CSN permitiu que o Brasil liderasse o segmento do aço e assim se tornasse proprietário de seu destino, sem precisar exportar ferro bruto e depois comprar o mesmo ferro de países industrializados a preços altíssimos, em dólares, o que, sobremaneira, não agradou aos industriais norte-americanos do segmento do aço. Só que produzir aço é uma questão de segurança nacional e de independência para qualquer País, e Getúlio percebeu isso. Alguns grandes empresários sempre remam contra a maré e contrariam os interesses de seu próprio País.

      Lula, quando presidente, pressionou o manda-chuva da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, a agregar valor à produção da Companhia, ou seja, construir siderúrgica, fábricas que pudessem propiciar empregos no Brasil para os trabalhadores brasileiros. Lula demonstrou, em público, sua contrariedade. Agnelli pagou para ver. E viu; pois demitido. No governo Dilma ele teve de sair da presidência da Vale do Rio Doce. Como se vê, existem empresários, executivos atuais que agem como os empresários e executivos do passado. O tempo passa, mas a cabeça é a mesma. São tacanhos e medíocres, porque não pensam no País. Eles não têm compromisso. Não dá para deixar na mão de um executivo predador uma empresa do gigantismo da Vale do Rio Doce, identificada com o povo brasileiro, além de ser obra do estadista nacionalista Getúlio Vargas. E a imprensa e seus “especialistas” de prateleira têm a insensatez e a total falta de noção ao defender o injustificável e o indefensável, tudo para manter privilégios e atender os interesses do mercado internacional, mesmo se o preço for o prejuízo do Brasil e do seu povo competente, criativo e trabalhador.

      Fernando Henrique Cardoso, quando se despediu do Senado em 1994, com o propósito de desmontar a Era Vargas, afirmou: “Um pedaço do nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado Intervencionista”. FHC queria o quê? O País não tinha nada. Era rural. Getúlio remodelou o estado nacional e o organizou. Somente o estado teria e tem (como demonstrou na crise mundial de 2008) condições de fomentar e desenvolver a economia e, por conseguinte, permitir a melhoria da qualidade de vida da população, ainda mais naquela época de Vargas.

      Nada mais natural as palavras de FHC, que depois de terminar o seu mandato, não deixou legado algum, a não ser o legado da miséria, da diminuição da renda do brasileiro, da venda das estatais que FHC não construiu e não lutou para construí-las, da subserviência ao FMI (faliu o Brasil três vezes e três vezes pediu dinheiro), da não efetivação séria da reforma agrária, da degradação do meio ambiente, da destruição das nossas estradas, do racionamento de energia durante nove meses, o apagão, e, como não poderia deixar de ser, do crescimento da violência.

      O executor do neoliberalismo no Brasil, o tucano FHC, criticou o legado de Getúlio no Senado, em 1994, como se fosse uma senha. Ele sinalizou aos estadunidenses, credores históricos, que desmontaria o estado brasileiro, com as vendas das estatais e do fechamento de instituições e órgãos públicos e com isso permitir a diminuição do estado nacional. Estado menor mais dinheiro para pagar a dívida. Estado menor significa mais poder para a plutocracia. Atitude que os estadunidenses, por não serem entreguistas, não fariam com o estado deles.

      FHC, o neoliberal, trabalhou bem para os ricos e manchou de vergonha todos os brasileiros que um dia acreditaram que a social-democracia fosse democratizar a vida nacional, a começar pela distribuição de renda e de riqueza. Afinal, foi isso que os sociais democratas europeus fizeram. Somente eleições não bastam. Tem de haver democracia na economia. Distribuição de renda, de terra, apoio à micro e média empresas, crescimento nos índices de emprego e, sobretudo, aplicação massiva de recursos em educação. Foi isso que Getúlio e Lula fizeram. Cada um com as realidades de sua época.

      FHC (ele é professor) e seu governo entreguista não construíram uma escola de ponta, uma escola técnica. As universidades públicas foram quase desmanteladas e as faculdades particulares surgiram como sarampo em criança, a maioria delas somente de olho nas mensalidades pagas pelo aluno trabalhador, despossuído de dinheiro e de ensino de qualidade. Quanto a Lula, o que dizer?

      Lula (e muitos sindicalistas da CUT, alguns deles, inclusive, foram eleitos deputados), antes de ser presidente e por desconhecimento, pensava de uma maneira bem parecida como o FHC, no que tange ao trabalhismo a ao sindicalismo. Lula considerava a CLT como o AI-5 dos trabalhadores. Para o presidente petista, Getúlio Vargas era o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Lula afirmava que o PT nasceu dos operários de macacão e deve escolher o seu destino em vez de ficar à mercê do cajado de políticos que deveriam andar com os trabalhadores e não dizer o que eles têm que fazer.

      Na Presidência da República, Lula, homem muito inteligente, dotado de uma clarividência política ímpar, percebeu que sua condição de político e a sua realidade de vida e o seu pensamento ideológico eram mais próximos dos trabalhistas gaúchos do que ele pensava. Ele não somente percebeu como começou a governar como tal, ou seja, com as características inconfundíveis de um mandatário trabalhista, tanto no Brasil como na Argentina ou no Uruguai.

      Lula sempre quis os sindicatos desvinculados do estado. Os sindicatos foram criados na era Vargas. Lula tem forte influência nos sindicatos, pois a CUT é um conjunto imenso dessas importantes entidades. A verdade é que se não existissem os sindicatos, Lula não existiria como grande líder político que é hoje. Lula, portanto, é fruto do sindicalismo criado por Getúlio. Por mais que os sindicatos paulistas e confederações e federações de trabalhadores não tenham oficialmente vínculo com o estado, não há como desvincular Lula de Getúlio, porque ambos são (ressaltadas suas diferentes épocas e origens) umbilicalmente e historicamente ligados aos trabalhadores brasileiros.

      Contudo, de uma coisa eu tenho certeza: não se consegue desmontar a história, e Getúlio Vargas vai ficar para sempre na memória do povo brasileiro. Antes de dar fim à Era Vargas (coisa que muitos tentaram, mas não conseguiram), todo dirigente político tem de procurar não imitar FHC — o neoliberal. Se tal mandatário pensa em realmente ficar na história que ele faça por onde. Não basta ser um presidente administrador dos interesses das classes privilegiadas. Tem de ser estadista. E Lula se fez estadista igual a Getúlio.
 
     FHC falou demais e fez de menos. Lula aproveitou a crise mundial e parou de administrar somente a macroeconomia (exportações, bancos, grandes indústrias e serviços) e passou, inclusive antes da crise, a valorizar a poupança interna para fazer o País crescer, além de se preocupar com a criação de universidades, extensões e escolas técnicas. Dilma Rousseff vai agora implementar a construção de creches e melhorar o ensino público fundamental.

      Todavia, quem quer pagar ensino que pague. O estado é o provedor maior, pois o estado é a própria população. Quando o estado não cuida de seu povo, ele não é democrático. Esse negócio de empresa privada, livre iniciativa é papo para boi dormir. Conversa mole para favorecer os ricos. A livre iniciativa mama nas tetas do estado há muito tempo, como ocorreu há pouco nos Estados Unidos e na Europa, por causa da crise de 2008, que derreteu o neoliberalismo, sistema de rapina e desregulamentado de propósito para privilegiar ainda mais quem já era privilegiado.

      A verdade é a seguinte: empresário empregador tem de ter apoio sempre e financiamento. Empresário especulador “tem que passar a ser competente para se estabelecer”, como define o principal bordão empresarial, além de ser a regra número um do mercado, tão admirada inclusive pelos maus empresários. Getúlio Vargas é mais moderno que todos os presidentes brasileiros, juntamente com Lula. Acontece que até hoje a nossa elite econômica tem rancor do grande estadista, por ele ter colocado ordem no País, quando assumiu o poder em 1930 e depois derrotou a “revolução” Cartola Constitucionalista de 1932, que queria manter os privilégios de uma oligarquia que ainda sonhava com o tempo da escravidão (política do café com leite).

      Inclusive, infelizmente, parte da elite acadêmica, universitária e de viés tucano, analisa Getúlio com uma ponta de desdém, que é a inveja dissimulada. Getúlio Vargas foi um fenômeno político. Quando ele assumiu o poder e passou a modernizar o estado e as relações trabalhistas a libertação dos escravos tinha acontecido há apenas 42 anos, depois de 350 anos de escravidão, a mais longa da história da humanidade. Acham isto pouco? Mas não é. É muito.

      A Era de Getúlio não foi devidamente dimensionada pela história e pelos historiadores. E vai levar tempo, enquanto viver neste País pessoas rancorosas, conservadoras e invejosas, que não reconhecem o Legado de Getúlio Vargas, que os udenistas, a imprensa privada e os seus “especialistas” de prateleira, os golpistas de plantão, os socialistas equivocados, o FHC, o Serra e seus tucanos não reconhecem e não compreendem ou simplesmente lutam contra os interesses do Brasil e seu povo.

      O estadista brasileiro, o “ditador” esclarecido Getúlio Dornelles Vargas reorganizou os partidos, fundou o PSD e o PTB, estabeleceu o voto feminino, o voto secreto, criou a Previdência Social, criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estatizou a geração de energia elétrica, criou a carteira de trabalho, criou a Fábrica Nacional de Motores (lembra-se do caminhão FNM?), criou a Rádio Nacional, criou o Museu Imperial de Petrópolis, a resguardar assim a memória do Século XIX, criou a Eletrobras, criou o Serviço Nacional da Indústria (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi), instituições essenciais para a formação de mão-de-obra especializada, pois Getúlio Vargas estava a iniciar a industrialização do País. Os empresários da Fiesp acham que foram eles que criaram o Sesi e o Senai. E os Marinho e os executivos das Organizações(?) Globo pensam que o “Criança Esperança” é programa de governo. Seria cômico se não fosse trágico. Realmente… Sem comentários.

      Criou ainda o presidente gaúcho e trabalhista o Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), responsável pelo treinamento e profissionalização da carreira dos funcionários públicos, criou a “Voz do Brasil”, para divulgar as ações do governo, além de limitar a remessa de lucros de empresas estrangeiras para o exterior. Somente este último item me leva a imaginar o que Vargas deve ter arrumado de inimigos, tanto estrangeiros quanto nacionais. O político trabalhista era, sobretudo, um homem corajoso. Getúlio Dornelles Vargas fez essa obra gigantesca em 19 anos. Os outros presidentes, juntos, com exceção do também estadista Lula, não fizeram nem a terça parte do que fez o Getúlio. É isso aí.
    

terça-feira, 27 de março de 2012

Demóstenes é um cadáver político e o Roberto Gurgel tem de ser chamado às falas (como diria o Gilmar Mendes)

Demóstenes: falso moralismo

Por Davis Sena Filho - Blog da Dilma

Notícias veiculadas e publicadas na imprensa comercial e privada dão conta que o senador Demóstenes Torres se tornou um “incômodo” para o DEM, segundo um dos seus caciques, o senador Agripino Maia. Todo mundo sabe que o DEM é o pior partido do mundo, pois herdeiro sanguíneo da extinta UDN, partido de DNA golpista e de direita.

Sabe-se também, em todo o Brasil, que o oposicionista conservador Demóstenes se mostrava como um dos guardiões dos bons costumes, da moral e da ética. Seu discurso, moralista contra o Governo, sempre causou frisson em alguns colunistas e comentaristas da imprensa burguesa, ao tempo que muita desconfiança em parte da sociedade politizada, porque ela sabe que o moralista muitas vezes não passa de um  mau ator, sacripanta, falso e demagogo.

Contudo, a imprensa burguesa brasileira que se considera, evidentemente, paladina da justiça e da moralidade sempre considerou o senador Demóstenes um homem sério e de boas intenções e por isto e nada mais do que isto o transformou, juntamente com o paranaense e também paladino da moral e dos bons costumes, senador Álvaro Dias, em porta-voz da mídia empresarial conservadora, e, logicamente, da oposição partidária “liderada” pelo PSDB paulista, porque outro PSDB no Brasil não existe, não viceja.

Agora, tal qual o ex-governador do DF que foi preso, José Roberto Arruda (DEM), o paladino Demóstenes foi investigado pela Polícia Federal, denunciado à Procuradoria Geral da República, cujo o procurador titular é o senhor Roberto Gurgel, que engavetou as investigações, não deu publicidade à sociedade brasileira, porque trata a coisa pública como privada e por isso, sem qualquer complexo de culpa, recusa-se a dar satisfações de o porquê de ele segurar em suas gavetas as denúncias contra Demóstenes desde o ano de 2009.

Gurgel deveria ser chamado às falas, ou seja, ser objeto de investigação por parte do Congresso Nacional, bem como investigado pelos seus colegas promotores públicos, por meio da corregedoria de sua classe profissional, além de ser questionado prontamente pela OAB. Em vez de atuar na Procuradoria Geral de forma republicana, Gurgel protege aliados, porque, de forma inconveniente e impertinente, este procurador resolveu, tal qual os ministros do STF, Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello, fazer oposição ao Governo Federal.

Por se omitir e prevaricar, o procurador geral da República está com uma bomba de efeito retardado nas mãos. Ele tem de dar satisfação à sociedade, afinal o Gurgel é funcionário público de grande importância e relevância para a estabilidade política e jurídica da Nação. Se tal autoridade tiver culpa, terá de ser punida exemplarmente e com isso aprender que o Brasil não é a casa da mãe Joana, conforme pensa a nossa elite financeira que aposta na confusão e na baixa estima da população para angariar vantagem. Quem pensa assim está muito enganado.

O sistema democrático brasileiro amadureceu, falta apenas as autoridades, as que cometem equívocos imperdoáveis, serem punidas, afastadas de seus cargos e até mesmo, se for provado que cometeram crimes e delitos, serem expulsas de suas corporações a bem do serviço público. Pelo que se percebe das denúncias publicadas na imprensa, Demóstenes se aliou a uma quadrilha e dessa forma obtia lucros e dividendos financeiros e políticos.
Gurgel: chamá-lo às falas

O senador goiano paladino das boas causas e intenções para imprensa de oposição, na verdade, conforme investigações da PF, cometeu crimes, e graves. Para a PF, Demóstenes tem ligações com Carlos Augusto Ramos, o contraventor Carlinhos Cachoeira, desde o ano de 2006. Relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, ex-chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF em Goiânia, revelam que o senador que se mostrava ao público como um homem repleto de virtudes e de moral ilibadíssima tinha direito a 30% da arrecadação total do esquema de jogo clandestino, que, de acordo com a polícia, atingiu quantia da ordem de R$ 170 milhões nos últimos seis anos.

Demóstenes Torres ainda peca por outra questão que, aí, sim, torna-se, irremediavelmente, ainda mais moral. O político, além de ser formado em Direito, é promotor do Ministério Público de Goiás, bem como procurador geral do mesmo órgão. Além disso, pasmem caros leitores, o senador do DEM goiano foi secretário de Segurança Pública entre os anos 1999 e 2002, no governo do tucano Marconi Perillo. Conclusão: Demóstenes jamais poderá alegar que não conhece as leis.

Pelo contrário, por ser um homem que estudou leis e ocupou cargos de confiança da sociedade (promotor, secretário de Segurança e senador), o político, se comprovado seu envolvimento com graves erros que maculam o que é público e republicano, sua punição deveria servir de exemplo para que homens e mulheres que tratam da coisa pública não se sintam atraídos pelo crime para “conquistar” ascensão social, prestígio político e dinheiro.

O corrupto é, antes de tudo, um mentiroso, e quando uma autoridade mente para obter vantagens para si ou para o seu grupo, ela tem de ser, após investigações e devidas comprovações, afastada do serviço público, pois não pode mais exercer função pertinente ao Estado e ao governo. E o procurador Roberto Gurgel? Como foi, explicitamente, sua conduta e sua ação nesse escândalo? Quando vão chamá-lo para depor e dar satisfação, seja no âmbito da Corregedoria, do Congresso e da Justiça? Gurgel se recusou a dar entrevista à imprensa.

O Congresso, o Senado, o Ministério Público e a OAB tem de ir fundo neste caso. Os partidos da base do governo tem de lutar pela criação de uma CPI que investigue esses lamentáveis fatos em que se envolveu o falso moralista Demóstenes Torres. Até agora não se fez nada em relação ao livro “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior, que se baseia em mais de uma centena de documentos e denuncia a influência e o envolvimento de gente do governo do ex-presidente neoliberal FHC, que vendeu o que não construiu e que não pertencia aos tucanos e, sim, ao povo brasileiro.

O que há com o governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff, que não determina que suas lideranças no Legislativo recolham assinaturas para efetivar a instalação da CPI da Privataria e da CPI do Demóstenes, o falso moralista? Por que o Governo trabalhista não reage e deixe de ser saco de pancadas da oposição de direita e da imprensa golpista, comercial e privada? O senador Demóstenes e  o procurador Gurgel, como diria, de forma arrogante, o juiz e ministro de oposição do STF aos governos trabalhistas, Gilmar Mendes, tem de ser chamados às falas. É isso aí.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O INJUSTO



Por Davis Sena Filho — Blog da Dilma
O injusto é ingrato e egocêntrico; e a injustiça é a mãe de todos os conflitos. Sem justiça não há paz. O injusto não pondera, não percebe e não observa as ações e a conduta daquele com o qual convive em seu lar ou fora dele, mesmo se este ente for generoso ou tolerante e até mesmo, se o for o caso, avesso ao confronto pessoal ou em sociedade.
O injusto, além de ser ingrato, não gosta de ninguém, e demonstra parte de sua face até então escondida em suas entranhas e dessa forma dá publicidade ao outro lado de sua personalidade, que, quando em conflito, em um momento demoníaco, suas palavras brotam como lava a sair da boca de um vulcão, sem, contudo, preocupar-se com o outro, que naquele momento se torna alvo de sua ira, do seu ódio e da sua falta de compreensão sobre aqueles que estão ao seu lado.
O injusto vai contra a ordem do que é sensato, porque não pondera, do que é social, porque não é solidário, do que é humano, porque não é humanista. Ele detesta discernir sobre realidades e fatos, porque se recusa, terminantemente, a pensar nele, nas suas falhas, nos seus erros e nas suas injustiças. Afinal, ele é injusto; e se for se autoanalisar é capaz de se considerar injustiçado. E o egocêntrico sempre acha que tem razão e que nunca erra ou errará, o que, indubitavelmente, favorece muito a geração de conflitos — desentendimentos.
Ele é egoísta, o que o torna egocêntrico, porque tem o ego centrado em sua personalidade, em seu caráter, e a ser assim não consegue compreender o que é justo do que é injusto, porque, por ser injusto, somente ele sente dor, somente ele é injustiçado e somente ele não é compreendido, em todas as questões relativas à sua vida, porque sempre, em qualquer hipótese, o injusto se considera vítima e nunca vitima seu semelhante. Jamais ele pensa que fez o papel de algoz, porque os outros que são ruins, incompreensíveis e cruéis. O pensador francês Jean-Paul Sartre afirmou: “o inferno são os outros”! Jamais o injusto, dentro de sua redoma de lógica doentia e bipolar, assumirá tal realidade tão bem esclarecida por Sartre.
Por incrível que pareça, um dos sentimentos do injusto é se sentir injustiçado, e, para isso, ele finge a dor que não sente, por se tratar de um ator. Seu espírito está contaminado pelo ódio e pelo desprezo às pessoas. Ele não gosta de ninguém, mas disfarça a falsidade intrínseca ao seu caráter com gentilezas e maneirismos tão superficiais quanto a uma casca de ferida.
O injusto nunca se sente à vontade em sociedade e no lar e por isso faz pouco dos outros, agride a consciência, a inteligência e a noção do que é correto ou errado, no que é relativo a uma convivência fraternal e respeitosa entre as pessoas. Ele não sabe o que é respeito e muito menos o que é fraternidade. Por ser assim e por se considerar socialmente superior se torna nocivo àqueles que convivem com ele, que dependem dele ou que são subordinados no âmbito do seu trabalho, da sua profissão.
O injusto comete injustiça também com as pessoas que estão ao seu lado, que o protegem, que o amparam e o ajudam. Ele é tão mesquinho de sentimentos e autoritário, e por isto injusto, que erra quando está por cima ou quando está por baixo. Nada importa ao injusto, porque, para ele, até mesmo sem ter plena consciência dessa razão, o universo é o centro do seu ego. Por isso, a dificuldade de se analisar, de ponderar, de discernir, de compreender e de reconhecer suas falhas, seus equívocos e suas injustiças.
Portanto, quem se sente injustiçado pelo injusto não tem como fazê-lo entender, porque ele não erra, e, se não erra, não tem como ele conhecer o sentimento da humildade para pedir perdão e, conseqüentemente, reconciliar-se com o ofendido, com o injustiçado. O injusto é a própria patologia. Quando se olha no espelho, enxerga a imagem da perversidade, que, às vezes, ele detesta, até a reconhece, mas seu instinto, sua essência e seu caráter não conseguem se livrar de tal aspecto no que tange à vilania.
Para o injusto detestar, desprezar, desrespeitar alguém não foi e não é necessário que este ente humano tenha feito mal a ele. O injusto se torna seu inimigo e o insulta porque, dentro de sua lógica, a insanidade se torna normalidade, e por isso ele não tem sentimento de culpa, de modéstia, de perdão ou humildade. O injusto não serve, somente quer ser servido, e, se servir ou fazer qualquer favorzinho, sente-se explorado porque está acostumado a receber e nunca dar. O injusto detesta a oração de São Francisco de Assis, que ensina que “é dando que se recebe” e que “é perdoando que se é perdoado”. Isto está fora de cogitação.
O injusto quando entra em conflito te acusa, inverte situações, fatos e verdades, tergiversa sobre as realidades e faz seu oponente sofrer, ainda mais quando o ofendido tem a plena consciência que está a ser subestimado e injustiçado. É terrível. O injusto, mais cedo ou mais tarde, torna-se, irremediavelmente, cruel. É que ele tem mania de perseguição. Acredita, piamente, que todo mundo quer ofendê-lo e prejudicá-lo. Desconfiado, pensa que todas as pessoas são mal intencionadas, e, dessa forma, não mede consequências e por isso causa dor, sentimento de insatisfação e de revolta.
Quando um pai ou uma mãe; um juiz ou um presidente; um policial ou um professor cometem injustiças termina a paz e começa a guerra. Sem justiça não há paz. Sem justiça não há diálogo e nem perdão. As injustiças foram criticadas por Jesus e os injustos questionados por tal homem cuja dignidade o levou à divindade e também à morte física e não espiritual. O injusto é o próprio olhar da iniquidade. É isso aí.

sábado, 24 de março de 2012

Extra! Extra! (não) Veja o Demóstenes no PIG

Via O Esquerdopata

Veja a cobertura completa do escândalo Demóstenes Torres n'O Globo


Veja a cobertura completa do escândalo Demóstenes Torres no Correio Braziliense


Veja a cobertura completa do escândalo Demóstenes Torres no Estadão


Veja a cobertura completa do escândalo Demóstenes Torres na Folha


E, para finalizar, tempos atrás o cara-de-pau do Demóstenes anunciou que o Demo pediria o impeachmente do ex-governador do DF,José Roberto Arruda.

Demóstenes anuncia que DEM pedirá impeachment do governador do DF




 VEJA O QUE O BOBALHÃO PENA ALUGADA DE "VEJA" DISSE:

Demóstenes pede cassação de Bezerra



Para Demóstenes Torres, Fernando Pimentel é como Cesare Battisti



sexta-feira, 23 de março de 2012

Procurador-Geral Gurgel se olha no espelho e vê o Cachoeira e o Demóstenes

Roberto Gurgel é procurador-geral da República. E daí?     
           
Por Davis Sena FilhoBlog da Dilma

Qual é o problema do titular da Procuradoria Geral da República, o senhor procurador Roberto Gurgel?  Teve o seu nome como o mais votado na lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), razão pela qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o indicou. Lula, que é republicano de verdade como demonstrou, indubitavelmente, durante seus oito anos de governo realmente democrático, atendeu a escolha da ANPR, e, tal qual como aconteceu com o nome do jurista Antonio Cezar Peluso eleito para assumir a Presidência do STF no biênio 2010/2011, teve de conviver com dois verdadeiros inimigos.

Considerados adversários pela esquerda partidária e por setores progressistas da sociedade — não por eles não atender os interesses do governo. Isto está fora de cogitação —, os dois se mostraram, no decorrer de seus mandatos, que eram homens politicamente e ideologicamente conservadores e por isso passaram a travar, e muito, a desenvoltura do Governo no que tange às votações de matérias no plenário do STF, bem como se imiscuiram em questões políticas e administrativas que não eram da alçada da Procuradoria e nem do Supremo. Os dois, inadvertidamente, começaram a fazer política, e de oposição.

Juntamente com a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), a PGR do procurador Roberto Gurgel, e o STF do ministro Antonio Cezar Peluso, tornaram-se, a meu ver, os bastiões da direita brasileira que faz oposição ao Governo no Congresso. Pior que o Peluzo, somente o ex-presidente do STF, Gilmar Mendes. Pior que o Gurgel, apenas o ex-procurador do ex-presidente neoliberal que vendeu o Brasil, Fernando Henrique Cardoso. Para se ter uma ideia, Brindeiro tinha o apelido de engavetador-geral da República. Não precisa explicar nada, não é? Afinal ele foi procurador-geral em tempo de privatizações, ou melhor, de privataria.

Agora, de forma estupefata e indignada, os brasileiros ficam a saber por intermédio de denúncias disseminadas também pela imprensa privada e corporativa que o procurador-geral Roberto Gurgel não tomou qualquer providência para esclarecer a ligação entre o senador goiano e líder do DEMo no Senado, Demóstenes Torres, e o poderoso bicheiro acusado de ser chefe de quadrilha, conforme provam as gravações que tem áudio realizadas pela Polícia Federal, o que não ocorreu com as “gravações” cujos áudios nunca apareceram e que derrubaram o chefe da Abin, delegado Paulo Lacerda, com a inegável interferência do ministro Gilmar Mendes e do senador Demótenes Torres. Gravação sem áudio é a mesma coisa que música sem som.

Roberto Gurgel, o procurador-mor, recebeu as gravações sobre as relações entre Demóstenes e Cachoeira em 2009 e não apurou e não denunciou e com essa atitude deve ter deixado o Brindeiro do neoliberal FHC com inveja. As gravações denotam que a relação entre o senador e o bicheiro eram íntimas, ao ponto de Demóstenes pedir para Cachoeira “pagar uma despesa dele com táxi-aéreo no valor de R$ 3 mil”, além de o senador fazer “confidências” a Cachoeira sobre reuniões reservadas que teve no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

Toda a comunicação entre ambos estão gravadas. É real. E Gurgel, o atual engavetador da República, não denunciou e escondeu, ou seja, não deu publicidade desses “supostos” crimes à sociedade brasileira. O senador que passou nove anos a atacar os governos trabalhistas de Lula e Dilma; o senador que gostava de se mostrar como o “paladino” da justiça, da ética e da moral mostra agora toda a sua face: a face do DEM, o pior partido do mundo e herdeiro da UDN, da Arena, do PDS e do PFL. A direita golpista, egoísta e de índole escravocrata.

O senhor procurador-geral Roberto Gurgel tem de dar satisfações ao povo brasileiro. Do contrário, ele poderá ser considerado cúmplice de um homem acusado de tantos crimes como o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que no passado se envolveu em casos de corrupção, financiamento de campanhas eleitorais e outras modalidades de crimes. Gurgel quando se olha no espelho deve enxergar o Brindeiro ou o Gilmar Mendes ou o Demóstenes ou os bichinhos do Cachoeira. Quem vai denunciar e investigar o procurador, que é o promotor do Estado? É isso aí.

Atribuições do procurador-geral da República
        
        O procurador-geral da República exerce a chefia do Ministério Público da União e do Ministério Público Federal, além de atuar como procurador-geral Eleitoral. É escolhido e nomeado pelo presidente da República, e seu  nome deve ser aprovado pela maioria absoluta do Senado Federal.
       
        Segundo prevê a Constituição Federal, o procurador-geral da República deve sempre ser ouvido nas ações de inconstitucionalidade e nos processos de competência do Supremo Tribunal Federal.
O procurador-geral da República pode promover ação direta de inconstitucionalidade e ações penais para denunciar autoridades como deputados federais, senadores, ministros de Estado e o presidente e o vice-presidente da República.

      Também pode, perante o Superior Tribunal de Justiça, propor ação penal, representar pela intervenção nos Estados e no Distrito Federal e representar pela federalização de casos de crimes contra os direitos humanos.