Google+ Badge

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A Líbia, o colonialismo imperialista e as trapaças da imprensa (privada)

Kadafi foi assassinado; a ONU se calou; e imperialistas sugam o petróleo líbio

  Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

 (Artigo originalmente publicado no "Jornal do Brasil")

“A questão líbia não é o seu presidente ser ditador. Os países europeus colonizadores e os EUA são aliados de muitos ditadores no mundo. Inclusive apoiaram e financiaram ditadores no Brasil, na América do Sul e Latina. O motivo da invasão também não é humanitário e muito menos em prol da democracia. A razão da invasão militar contra o povo líbio é econômica: gás, petróleo e pirataria”.

Estou a ver o Jornal Nacional da TV Globo. A matéria, de quase cinco minutos, é sobre a Líbia e seu presidente, Muammar Kadafi. Assistir ao JN é a mesma coisa que assistir ao principal jornal da CNN ou da Fox News, ou seja, ter o direito de ouvir e ver matérias totalmente parciais e dedicadas ao establishment internacional ocidental, no que é relativo à defesa dos interesses geopolíticos e de controle das riquezas de países que não são alinhados aos Estados Unidos e à União Européia.

William Bonner e Fátima Bernardes representam bem. Realmente se esforçam para cumprir os compromissos. As palavras que saem de suas bocas crispadas são assertivas e seus olhares são duros tanto quanto as ordens de seu chefe, Ali Kamel, “mentor” ideológico da grande imprensa televisiva nativa e cumpridor de suas obrigações quando se trata de defender os interesses econômicos, financeiros, publicitários e políticos da família Marinho, proprietária de um dos maiores grupos midiáticos do mundo e compromissada até a alma com os interesses do capitalismo mundial — a famosa plutocracia.

Bonner e Bernardes fazem sua parte: a de empregados bem-remunerados que estão ali para dar o recado a quem quer que seja, tanto para o governo brasileiro, bem como àqueles que, de maneira programática, discordam da construção de um Brasil que os magnatas proprietários de mídias cruzadas (rádio, televisão, imprensa impressa, internet e até mesmo o setor fonográfico) querem para eles e para os segmentos sociais e econômicos que eles representam — os ricos e os muito ricos.

Os dois editores-chefes do Jornal Nacional — o nome do diário televisivo não advém do sentimento nacionalista dos Marinho e de seus editores e, sim, porque o extinto Banco Nacional era o principal patrocinador do jornal — só chamam o Kadafi de ditador e dão a entender que a aliança ocidental contra a Líbia é para salvar os líbios de décadas de feroz ditadura, sem, no entanto, explicar o que tem por trás dos interesses de países tão democráticos e civilizados, que, mesmo a ser assim, despejam milhares de bombas nas cidades líbias, sem se preocupar, na verdade, se haverão mortos e feridos.

Nos cinco minutos de notícias que ouço e vejo sobre os bombardeios e as “boas” intenções da França (país que lidera a agressão à Líbia), Inglaterra, Itália e Espanha, com o apoio irrestrito dos EUA e de Israel, William Bonner e Fátima Bernardes se revezam na ladainha que distorce os fatos e tenta manipular a consciência de quem os assiste. Contudo, é necessário satanizar o presidente líbio, que está há 30 anos no poder e se veste, para os padrões ocidentais, de forma excêntrica.
A imprensa comercial e privada somente “esquece” que os EUA e seus asseclas, que são os países europeus que controlam a União Européia, são aliados e cúmplices de ditaduras monárquicas terríveis e inenarráveis tais quais as da Arábia Saudita, do Kwait, do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos, além da Jordânia, países que fazem parte da invasão multinacional à Líbia, com o apoio da ONU e da OTAN, órgãos de supremacia e de espoliação internacional controlados por apenas quinze países, sendo que cinco estão a não permitir que outros países façam parte do Conselho de Segurança da ONU.

A Arábia Saudita, por exemplo, invadiu o Bahrein, quando a população daquela ilha saiu às ruas para protestar contra o monarca que governa aquele arquipélago desde 1971. A monarquia saudita, de forma preventiva, resolveu reprimir os protestos antes que eles se alastrassem para o maior exportador de petróleo do mundo, que é a Arábia Saudita. Enquanto isso, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, o Irã e a Coréia do Norte são, hipocritamente, considerados regimes políticos do mal. E para isso a cooperação da imprensa comercial e privada é primordial.

Eu até entendo o papel dessa imprensa venal. Afinal eu a conheço e por isso sei do que se trata. Todavia, não consigo compreender como uma classe média, média alta (exemplifico a brasileira) entra nessa e repete as mesmas coisas que ouviu ou leu por meio de revistas como a Época, a Veja, além dos jornais televisivos de canais abertos e fechados, bem como de impressos conservadores e direitistas de alto escalão econômico de O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Zero Hora e Correio Braziliense, somente para ficar nos cinco maiores do País.

Acho realmente incrível como tanta gente, de origem universitária e profissional competente embarca nessa trapaça. Porque informação parcial, manipulada e distorcida e até mentirosa é a mais pura e real trapaça. É o antijornalismo, porque somente um lado tem voz enquanto o outro é totalmente censurado pela imprensa, que luta contra o marco regulatório do setor, mas que defende, com unhas e dentes a liberdade de imprensa e de expressão — só que somente para a voz da imprensa, é claro. Os caras da grande imprensa privada confundem — não sei se é de propósito — liberdade de expressão com liberdade de imprimir. Liberdade de imprimir é apenas um direito industrial e empresarial. É realmente ridículo e lamentável.

Voltemos à Líbia. Esses países monárquicos têm as sociedades mais rígidas do mundo, porque as populações regidas pelos monarcas não tem seus direitos civis garantidos, bem como as mulheres vivem em uma situação de total subordinação social no que é relativo aos direitos de ir e vir, de poder trabalhar, de mostrar o rosto, de votar e até mesmo de dirigir um simples automóvel. São ditaduras aliadas, historicamente, aos europeus ricos e aos EUA. Seus dirigentes políticos freqüentam o pico da pirâmide social mundial e também suas festas no high society. São supercapitalistas, que controlam as bolsas de valores (a jogatina) em âmbito mundial.

Fátima Bernardes e William Bonner não são os únicos a satanizar líderes de países invadidos por potências ocidentais que querem ter acesso às energias como os vampiros querem ter acesso ao sangue humano. Quem tem o controle das diferentes fontes de energia e dos meios de comunicação e informação têm muito poder e é dessa forma que se dão as cartas para controlar as riquezas do planeta. Acontece que o apoio das comunidades, das sociedades em âmbito planetário é essencial para que o processo de pirataria e rapinagem seja efetivado, concretizado, e, conseqüentemente, os governantes dos países ricos ocidentais possam conseguir manter o alto padrão de vida do mundo ocidental branco, à custa de humilhação e da miséria de povos que milenarmente lutam por autodeterminação e independência.

A verdade nua e crua — é importante ressaltar: a invasão à Líbia teve como desculpa a defesa dos direitos humanos. Depois do 11 de setembro, os EUA e seus cúmplices (Israel, Inglaterra, França do direitista Sarkozy, Espanha, Itália, Alemanha e Japão, os dois últimos países ocupados pelos EUA desde 1945) passaram a realizar, a seu bel-prazeres, invasões preventivas e assim passaram a bombardear países que não são alinhados aos ocidentais belicosos e potencialmente inimigos de mandatários que não são associados aos interesses ocidentais. Muammar Kadafi é um ditador, e parcela da população quer sua saída. Contudo, a questão discutida nesta tribuna é que os países invasores ocidentais nunca tiveram essa preocupação, apenas usam esse subterfúgio para, enfim, colocar suas mãos nas riquezas líbias, sem ter resistências governamentais como o fazia o presidente líbio.

Desde 2001, os EUA, juntamente com a Inglaterra e Israel, países que são praticamente entes da federação norte-americana, efetivaram um processo draconiano em todo o planeta no que tange à segurança. Para poder invadir, matar e pilhar, os EUA e seus federados utilizam a desculpa esfarrapada “da defesa dos direitos humanos”, atitude essa que eles não seguem e não obedecem. Os estadunidenses violaram direitos humanos básicos. Invalidaram o habeas corpus, sequestraram pessoas, as prenderam sem acusação formal, torturam e seu governo, na pessoa de George Walker Bush, defendeu essas ações e condutas em público.

Bush e seus falcões (aves de rapinas) afirmaram, sem ao menos ficar com os rostos vermelhos, que a tortura acontecida, por exemplo, nas masmorras de Guantânamo e Albugray era legítima, portanto necessária. Eles rasgaram todas as leis internacionais de direitos humanos e deram uma banana para a humanidade, que lutou séculos e séculos para conquistar esses avanços sociais e do direito à vida. Isto tudo, como não poderia deixar de ser, com a cumplicidade e a subserviência da grande imprensa comercial e privada, que, inclusive, autocensurou-se, como o fizeram a Fox News e a CNN, somente para exemplificar estas.

O País, um dos precursores da democracia e dos direitos humanos passou a defender a barbárie por meio dos fundamentalistas cristãos e do mercado, que são os pais da formulação e da efetivação do neoliberalismo no mundo, por intermédio do Consenso de Washington de 1989. O neoliberalismo fracassou pois derreteu, como sorvete em asfalto quente. Mas a geopolítica dos europeus e dos yankees continuou com o neoliberalismo bélico e por causa desse tenebroso processo a Líbia é no momento a bola da vez.

Ao contrário do que apregoa a imprensa privada, a Líbia, em termos africanos, tem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado. Em 2010, seu IDH era 0,755. Por sua vez, 84% da população é alfabetizada. A esperança de vida é alta, pois os líbios vivem em média 74 anos. O Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 era de US$ 62,4 bilhões. Além do mais, o PIB per capita era de US$ 9.750. O governo líbio promoveu ainda uma reforma agrária que deu dez hectares, trator e implementos agrícolas a cada família. Como se observa, a Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia, como o nome explicita, é país socialista. Esta é a questão. O Iraque, de Saddan Hussen, também tinha uma realidade política e ideológica parecida com a da Líbia. Saddan, inclusive, era aliado dos EUA e do ocidente, quando, equivocadamente, entrou em guerra com o seu vizinho Irã. Mas esta é outra história, também manipulada pela grande imprensa e pelos governos colonialistas ocidentais.

A Líbia é, por enquanto, um país socialista, com característica política e cultural árabe. Com quase sete milhões de habitantes, esse país do norte da África é a maior potência petrolífera do continente africano. O país de Kadafi supera a Argélia e a Nigéria e tem, em seu solo, 46,5 bilhões de barris. São reservas, indelevelmente, comprovadas. É muita riqueza. O Egito, que é considerado um país muçulmano moderado e visto como uma potência africana e obediente aos EUA tem reservas dez vezes menores do que as da Líbia. Com esses números e com essas realidades, caro leitor, torna-se possível compreender a invasão da Líbia pelos bárbaros da Europa, com a aquiescência e cumplicidade dos bárbaros do norte das Américas. Nada é à toa, apesar da imprensa e de seus editores-chefes e dos barões, que dão ordens a eles.

O motivo verdadeiro da invasão é este: o presidente Muammar Kadafi avisou às petroleiras internacionais (francesas, italianas, inglesas, alemãs e estadunidenses) que a moleza iria acabar, e que resolveu negociar novos contratos com os Brics (Brasil, Rússia, índia e China. A África do Sul vai ser país membro, mas ainda não assinou o protocolo de ingresso). Negociar com os Brics todo mundo quer, até os ricos, porque é a nova potência emergente em escala mundial, além de serem países que não estão a sofrer com a crise mundial. Pelo contrário, esses países têm mercados internos poderosíssimos, que, inclusive, foram responsáveis por inclusão social de seus povos, bem como importadores de produtos dos países ricos ocidentais, que puderam, por causa disso, amenizar suas perdas e prejuízos. Só os “especialistas” de prateleira da Globo News e do Instituto Millenium não perceberam essa insofismável realidade, de propósito e má-fé, evidentemente. Por isso que o presidente Lula foi à televisão e mandou o povo brasileiro comprar. E parte da imprensa, sempre irresponsável e ideológica, o criticou, ainda mais quando o presidente trabalhista disse que a crise no Brasil seria uma marolinha. E foi.

          A invasão do país de Kadafi não tem princípios humanitários como quer fazer crer a imprensa comercial e privada, com o objetivo de “validar” e “legalizar” o massacre do povo Líbio pelas forças estrangeiras imperialistas, que apóiam grupos líbios armados que são chamados pelos jornalistas ocidentais comprometidos com o establishment de rebeldes, quando na verdade são traidores do país onde nasceram. Nunca vi rebeldes a ter canhões, tanques e mísseis de longo alcance. Nunquinha. Só faltava ter aviões. Aí seria demais. Imagina. Como os nossos Bonner e Bernardes iriam explicar aos incautos tanta desfaçatez e manipulação das mídias para “legalizar” a invasão militar a um país que era o mais desenvolvido da África, juntamente com a África do Sul. Nem o avião tucano do Jornal Nacional conseguira convencer o público, aquele que ainda crê nesse tipo de jornalismo.

       O povo da Líbia tinha acesso ao ensino público, à saúde e à casa própria de forma gratuita. Os recém-casados recebiam ajuda pecuniária do governo, além de uma casa para morar. Quando o mundo ocidental o chama de ditador, na verdade esse mundo é cúmplice de dezenas e dezenas de ditadores, que são considerados, de acordo com os interesses de momento, do “bem” ou do “mal”. Os EUA fomentaram um golpe militar no Brasil, e muitos brasileiros apoiaram a derrubada de João Goulart, um presidente constitucional, pois eleito pelo povo. Se o Brasil, por intermédio do Itamaraty, apoiasse a resolução 1.973 da ONU que permite a invasão da Líbia, como depois os governos brasileiros iriam ter moral se, por exemplo, os países colonialistas piratas resolvessem abocanhar o pré-sal? Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem contigo. Não é isso?

domingo, 29 de abril de 2012

FEL

ESPAÇO BICO DE PENA
O operário levantou-se às quatro e meia
O dia estava escuro, em lua cheia
Tomou um copo de café muito ralo
Saiu, pegou o trem de sobressalto

Cochilou. Desceu na última parada
Filou um cigarro de algum camarada
Acendeu-o, deu um trago profundo
Dirigiu-se ao trabalho um tanto confuso

Pegou na marreta, destroçou a calçada
Pegou na picareta, feriu a sua alma
A terra era ardilosa, o buraco úmido
Um nó o sufocava, o chão era duro

Labutou, labutou, até sangrar as mãos
Até o seu corpo não sentir o coração
Até os seus músculos se tornarem flácidos
Até os seus olhos se esbugalharem de cansaço

Chegou meio-dia, a fome o convenceu
Abriu a marmita explorada pelos fariseus
A comida requentada tinha gosto de zinco
O gosto da marmita, o gosto do escravismo

A noite foi chegando, o dia calou
O operário deprimido chorou... chorou...
O desgosto da vida refletia em seu rosto
Até a sua alma fugiu do seu corpo

Depois, solitário, murmurou a sua desgraça
Foi ao boteco, encheu a cara de cachaça
Logo houve uma tremenda confusão
O operário endiabrado com um punhal na mão

Furou um, furou dois, quebrou o boteco...
Eram gritos de torturas, do inferno, do inferno
Chegou a polícia, espancou o operário
Era a sociedade formando mais um espantalho

O operário dominado, enjaulado no camburão
A sociedade gritando: canalha!... ladrão!...
O operário indagando: meu Deus, por quê?
A sociedade injusta: tu fizestes por merecer...

O operário pobre, explorado, sem defesa
Não tinha culpa, era mais uma presa...
Era o substrato da desumana humanidade
Vítima do fel cruel da sociedade.

Davis Sena Filho — 07/01/1982

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Barões da imprensa se unem contra a CPI, mandam recado ao Governo e pensam que o Brasil é o quintal da casa deles



Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Marinho... Civita... Frias...  e Miro: porta-voz de coronéis
                                  
Eles gostam de bater, manipular, acusar, denunciar, distorcer, julgar e condenar. São os patrões mais atrasados de todos os segmentos de atividade econômica, política e social. Quando se associam ao crime e são descobertos ameaçam até o Governo Federal e os poderes constituídos. Eles são golpistas e detestam governantes trabalhistas. Cadê o projeto do jornalista Franklin Martins que regulamenta o setor econômico midiático e que está previsto na Constituição? Com a palavra, a presidenta Dilma e o ministro Paulo Bernardo.

Os barões da imprensa, proprietários e chefes dos oligopólios midiáticos, enviaram aviso ao Palácio do Planalto, ao Congresso e não duvidem se o STF também não o recebeu: vão retaliar os poderes republicanos se algum coronel de mídia ou quaisquer um de seus sabujos forem convocados para depor na CPI do Cachoeira-Demóstenes-Veja, que deveria ser chamada de CPI das Mídias, porque, na realidade, é disso que se trata, afinal está explícito que esses empresários se constituíram na verdadeira oposição aos governos trabalhistas de Lula e Dilma, pois perceberam, e há muito tempo, que os partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) estão fragilizados, sem propostas, sem alternativas e sem programa de governo, o que levou a jornalista Judith Britto, presidenta da ANJ, reconhecer que os barões da imprensa oligopolizada são, realmente, a oposição no Brasil.

Acontece que esses senhores, cujos pais apoiaram golpes e tentativas de golpes de estado no decorrer do século XX, com o objetivo de manter os privilégios das classes que representam e as quais pertencem — as ricas e as muito ricas — são, na realidade, cúmplices do crime organizado no que diz respeito ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, porque não há condições de uma quadrilha como a do Cachoeira ser tão ousada e chegar tão longe ao ponto de atingir tantos setores do poder público sem a conveniência, a conivência, a cumplicidade e até mesmo o financiamento, por intermédio de uma sucessão, durante anos, de "matérias jornalísticas" que visavam “sangrar” partidos, governos, personalidades públicas e até mesmo empresariais, de forma que suas reputações fossem moídas e jogadas à lama onde chafurdam, seguramente, inúmeros jornalistas que envergonham a classe em que a maioria trabalha honestamente e se recusa a fazer um jornalismo de esgoto, cuja finalidade é a ascensão profissional e social. Tem gente que realmente vende a alma ao diabo.

Enquanto isso, noticia-se que o senhor Fábio Barbosa, executivo ligado à Febraban e que atualmente preside a Editora Abril (Veja), tem agido como interlocutor dos empresários da mídia corporativa e hegemônica. A missão dele é impedir que tais coronéis midiáticos e seus sabujos de confiança sentem nos bancos da CPI do Cachoeira, que deveria se chamar CPI da Mídia, para depor e explicar o porquê, por exemplo, de o jornalista Policarpo Jr. ter sido gravado mais de 200 vezes pela Polícia Federal a “armar” matérias com o chefe de quadrilha, segundo a PF, Carlinhos Cachoeira, banqueiro do bicho poderoso que está a deixar em péssimos lençóis o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, que reconheceu, de viva-voz, uma "certa influência" do bicheiro preso em setores do seu governo.

Há muito tempo eu afirmava que não era normal e compatível com o processo jornalístico a atuação da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) nesses últimos dez anos. Desde 2001, quando o candidato do PT, Lula, era considerado favorito para vencer as eleições presidenciais de 2002 que eu passei a observar com mais atenção a atuação da imprensa e de seus principais comentaristas, colunistas e analistas convidados no que e relativo ao combate a políticos considerados por eles socialistas, nacionalistas, esquerdistas ou trabalhistas.

De 2004 a 2009, eu trabalhei na Câmara dos Deputados. Em 2006, escrevi o artigo “O Partido da Imprensa” http://www.davissenafilho.blogspot.com.br/2012/03/o-partido-da-imprensa_13.html e o enviei para todos os parlamentares, além de repercuti-lo por incontáveis endereços da blogosfera. O texto é uma análise do que é a imprensa e como ela funciona, a ter sempre como objetivo manter o controle da informação ao tempo que influenciar e aliciar a população para sua causa e combater governos e governantes que não rezam por sua cartilha. Logo depois, o deputado Fernando Ferro (PT/PE) fez um discurso em que chamou a imprensa de “Partido da Imprensa”. Após trabalhar como redator de Política e de Economia no “Correio Braziliense” nos idos de 1988-1990, percebi, no decorrer do processo eleitoral de 1989 (Lula X Collor) que a imprensa não disfarçava suas opções políticas e partidárias. Até então, os burgueses da velha imprensa atuavam de forma dissimulada, não tão bem unificada como hoje, e seus “opinadores” de confiança analisavam a realidade política de uma maneira quase isenta, ou seja, mais técnica.

Como cidadão, leitor e jornalista percebia esse contexto, apesar de não ter espaço para opinar e escrever. Os chefes de redação, os editores e os seus patrões sabem a qual perfil de profissional dar espaço e a quem “confiar” a linha editorial do jornal, do seu negócio.  Por incrível que pareça, muitos jornalistas não compreendem a dimensão das coisas que estão em jogo. Podem acreditar. A maioria desses profissionais é oriunda da classe média, convicta em seus preconceitos, de valores ocidentais hegemônicos e voltada para o “deus consumo” e com o pensamento em Miami ou Paris, Londres ou Nova York, pois colonizada e com um gigantesco complexo de vira-lata, o que não lhe causa vergonha ou pequenez e, sim, um orgulho subserviente e pueril.

Não conhecem o Brasil e não tem a compreensão do seu povo e da sua luta para sobreviver, porque esses jornalistas que povoam as redações da velha imprensa golpista são urbanos despidos de urbanidade e de conhecimento do que é justo ou injusto. E é por isso que a imprensa empresarial se torna perigosa à democracia, ao direito, aos poderes constituídos e à rotina de vida da sociedade, pois seus interesses e os dos trustes empresariais os quais a mídia defende e representa estão acima dos interesses da coletividade, da Nação, do País. Não há, e isto é real, como pensar na “grande” imprensa sem pensar nos bancos. São setores ligados umbilicalmente. Um é a imagem do outro em um mesmo espelho. Depois, em um segundo plano, vem os outros ricos.

Não sei se foi por causa do artigo “O Partido da Imprensa” ou do deputado Fernando Ferro que as pessoas passaram a chamar a união das empresas midiáticas de “Partido da Imprensa Golpista”, o famigerado PIG, nome e sigla adequados e corretos para um segmento que não tem compromisso algum com o Brasil e os interesses da Nação. Contudo, sei que a blogosfera é democrática e não permite, por intermédio dos “Blogs Sujos”, que a imprensa hegemônica fale sozinha sem ser, entretanto, questionada e contestada em sua (má) conduta, apesar de o Brasil, absurdamente, não ter ainda estabelecido o marco regulatório das comunicações, como reza a nossa Constituição. Cadê o projeto do Franklin Martins, ministro Paulo Bernardo?

Volto ao assunto. Não tem cabimento a CPI do Cachoeira-Demóstenes-Veja, que deveria se chamar CPI das Mídias, não investigar todos os envolvidos. Evidentemente, no decorrer do processo de investigação, denúncias e acusações, muita coisa vai à tona, porque existem áudios com voz e som (e não áudios que derrubaram delegados da PF sem voz e sem som) e provas contundentes contra personagens que militam na imprensa comercial e privada. Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo, João Roberto Marinho, das Organizações(?) Globo, e Roberto Civita, do Grupo Abril (Veja) formalizaram aliança e tentaram, em vão, dar notoriedade à Construtora Delta como protagonista do escândalo. Acontece que o Governo Federal publicou online os contratos da Delta e matou a cobra no ninho. A Delta certamente esta envolvida, mas o protagonismo do escândalo, mais do que o Demóstenes e o Cachoeira, pertence à velha, tradicional, empresarial e golpista mídia — à imprensa burguesa brasileira.

Miro Teixeira, deputado do PDT do Rio e que neste momento deveria questionar sua postura e sair do partido trabalhista antes que o digno estadista gaúcho Leonel Brizola venha povoar seus sonhos ou pesadelos, já avisou à CPI: “o artigo 207 do Código de Processo Penal veda o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas”. Não é inspiradora, caro leitor, a intenção de Miro Teixeira, cria do ex-governador Rio, o udenista e “ademarista” Chagas Freitas, proprietário do jornal “O Dia”, que depois ele vendeu para o empresário Ary de Carvalho?

Como é que pode? Jornalista no Brasil se tornou intocável. Não há categoria profissional com mais poder neste País do que a de jornalista. Nada a atinge. No Brasil, não existe a regulamentação das mídias, a Lei de Imprensa foi revogada, extinta e o direito de resposta não é garantido, porque simplesmente as empresas midiáticas não dão espaço igual em suas publicações e veículos aos caluniados, injuriados e difamados. A verdade é esta, e é por isto que a sociedade brasileira e os poderes constituídos estão à mercê da ditadura da imprensa, do pensamento único imposto por meia dúzia de famílias, que pensam que um País de 200 milhões de habitantes, além de ser a sexta mais importante economia do mundo é o seu quintal.

O PT, seus aliados e a sociedade civil organizada, como, por exemplo, a ABI e a OAB, além dos sindicatos dos jornalistas, a Fenaj, a UNE e os sindicatos de trabalhadores, deveriam exigir a investigação completa desse caso, que, tal qual um câncer, espalhou-se pelo corpo de setores do Estado. O deputado Miro Teixeira não está a ser republicano, pois se transformou em um rábula dos interesses de empresários golpistas e que há cerca de dez anos, no mínimo, não deixam a Nação viver em paz.

Miro Teixeira diz ainda que jornalistas não podem ser forçados a quebrar sigilos de suas fontes. O parlamentar é jornalista e advogado, e sabe muito bem que se basear em garantia constitucional para camuflar crimes e proteger criminosos acaba quando a sociedade se torna vítima de malfeitos. Além disso, o sigilo foi quebrado pela Policia Federal e por isso que o jornalista Policarpo Jr, da revista “Veja”, a revista porcaria, o verdadeiro jornalismo de esgoto, foi gravado mais de 200 vezes. Tais gravações são de conhecimento público, e o que é público se torna notório. Então, cara-pálida, por que os jornalistas e os patrões envolvidos com “supostos” crimes não podem ser convocados para depor na CPI das Mídias? Com a palavra, a sociedade brasileira. É isso aí.

Em tempo: Rupert Murdoch, poderoso empresário midiático, proprietário da Fox e do extinto jornal “News of the World”, foi obrigado a depor no parlamento inglês esta semana. Se um patrão desse fosse chamado a depor na Venezuela de Hugo Chavez, a imprensa ficaria histérica e falaria grosso durante quinhentos dias. Como é na Inglaterra, a imprensa nativa e colonizada se cala e não critica o parlamento inglês. Imprensa colonizada é outra coisa, não é? É o tal do complexo de vira-lata, que eles não tem vergonha, e, sim, orgulho submisso. A imprensa não pode controlar a CPI e jamais pautar o Brasil.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Deputados tucanos se comportam como deliquentes juvenis e rasgam cartaz de a "A Privataria Tucana"

Via Carta Capital

        O que antes era só uma acusação, agora está documentalmente provado: no dia 7 de fevereiro passado, os deputados tucanos Rogério Marinho (RN) e Sérgio Guerra (PE), acompanhados de um assessor ainda não identificado, participaram de um ato de vandalismo no sétimo andar do anexo IV da Câmara dos Deputados, em Brasília. Estimulado por Guerra, que é presidente nacional do PSDB, Marinho simplesmente arrancou um cartaz de propaganda do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., então afixado na porta do gabinete do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). Carta Capital teve acesso às imagens captadas pelas câmeras de segurança pelas quais se constata, quadro a quadro, como dois parlamentares do maior partido de oposição do País se comportam como delinquentes juvenis nas dependências do Congresso Nacional.

        Os dois primeiros quadros das imagens captadas pelas câmeras de segurança mostram a dupla de deputados deixando o gabinete de Sérgio Guerra, localizado a 50 metros do gabinete de Protógenes Queiroz. Depois, no terceiro quadro, Marinho é flagrado à distância por uma das câmeras no momento em que arranca o cartaz, com Guerra bem às suas costas, enquanto o assessor observa a cena, um pouco mais atrás. O último quadro mostra o trio se afastando, Marinho com o cartaz na mão, ao mesmo tempo em que fala ao celular. O cartaz de “A Privataria Tucana”, livro que conta as peripécias de parentes, sócios e amigos do tucano José Serra em movimentações bilionárias por contas secretas no Caribe, acabou numa lata de lixo, ao lado de um elevador.








 

        A molecagem dos deputados tucanos poderá acabar mal. Isso porque o deputado Rogério Marinho confessou o crime. Segundo ele, arrancar o cartaz da porta de um outro parlamentar foi “um ato político”. O Código de Ética da Câmara dos Deputados enquadra a ação de Marinho, contudo, como infração “às regras de boa conduta nas dependências da Casa”, passível de ação de quebra de decoro parlamentar. O deputado Queiroz prestou queixa do ocorrido no Departamento de Polícia Legislativa da Câmara e, na quarta-feira 26, requereu ao presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), abertura de procedimento disciplinar contra Marinho e Guerra.

       Caso o assunto chegue a ser julgado pela Comissão de Ética, os parlamentares do PSDB poderão sofrer censura verbal em sessão do plenário da Câmara e uma suspensão de seis meses do mandato parlamentar. É uma briga que vai se estender à CPI do Cachoeira, onde Queiroz e Marinho são membros titulares. Guerra, ao saber da queixa do colega do PCdoB à polícia legislativa, apressou-se em também acusar Queiroz, delegado licenciado da Polícia Federal, de quebra de decoro por ter sido citado em gravações da Operação Monte Carlo, nas quais conversa com o araponga Idalberto Araújo, o Dadá, com quem trabalhou na Operação Satiagraha, em 2008.

terça-feira, 24 de abril de 2012

CRAVO

ESPAÇO BICO DE PENA
            

Meu coração partido

Bombeia a quietude

Do som da madrugada.

Depois do temporal


 Ele está calmo

Mas nas suas veias

Vive um filete

De dor e ansiedade

Causadas por fragmentos

De ilusão


Meu coração estranho

Não busca companhia

De mulheres e homens



Não busca as suas palavras

Dissimuladas no ar

E fugidias de coerência...

Presas pela paixão



Meu coração ermitão

É selvagem e gentil

Conforme o oxigênio

Que lhe faz viver


Davis Sena Filho — 11/09/1990

sábado, 21 de abril de 2012

Direita ressentida e alienada realiza marcha golpista e “esquece” de bradar contra o escândalo Cachoeira-Demóstenes-Veja

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

(O milionésimo, centésimo e alienado "Movimento Cansei" pecou por uma coisa: como os anteriores, não tinha povo, donas de casas e trabalhadores. Apenas o apoio da imprensa).
                           
                                Fotos de Antonio Cruz - ABr
A direita gosta de vassoura janista, mas não protestou contra o escândalo
Cachoeira-Demóstenes-Veja durante a marcha golpista associada à imprensa

A direita politicamente analfabeta, mas reacionária por essência e consumidora do noticiário das tevês Globo e Bandeirantes, da Veja, da Época, da Folha de S. Paulo, do Estadão, de O Globo entre outras mídias impressas ou eletrônicas historicamente golpistas saiu novamente às ruas para bradar contra a corrupção no Brasil, em um tempo em que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça nunca investigaram, denunciaram e prenderam tantos deliquentes que cometeram crimes contra o erário público.


Ressentidos com a ascensão social de mais de 40 milhões de brasileiros em um espaço de tempo relativamente curto, como foram os oitos anos do presidente estadista Luiz Inácio Lula da Silva, e herdeiros de um lacerdismo rancoroso, agressivo, com um discurso que remonta o passado e de direita, a verdade é que essa gente insensata e preconceituosa expõe mesmo, de forma assumida, seus preconceitos de classe e até mesmo raciais.


São incapazes de analisar a luta política e a manipulação criminosa das grandes mídias corporativas e privadas, bem como não percebem que políticos direitistas e de oposição, que defendem os interesses do grande capital nacional e internacional e que querem manter o status quo das classes abastadas são parte importante dessa engrenagem demoníaca que atrasou o Brasil durante séculos.


Enquanto isso, políticos oposicionistas são pautados pela imprensa burguesa, após lerem e analisarem no fim de semana as notícias publicadas e veiculadas pelo sistema midiático, que se transformou em uma fábrica de escândalos e de moer reputações. Somente depois da “leitura”, tais políticos passam a atacar o Governo de Dilma e anteriormente o de Lula. Cumprir a pauta no decorrer da semana é imperativo, porque a oposição não tem programa de governo e muito menos propostas e alternativas para desenvolver o Brasil e seu povo. A oposição partidária está de quatro. Derrotada. Esta realidade acarreta sentimento de ódio e inconformismo aos barões da imprensa antinacionais e colonizados.

                         Burgueses — telespectadores do Jornal Nacional — realmente não tem jeito

O processo midiático continua e os ataques da imprensa corporativa aos governos trabalhistas são repercutidos no plenário ou nos corredores do Congresso e a velha mídia, a mesma que publicou ou veiculou as notícias no fim de semana, dá continuidade ao círculo vicioso, sem fim, constante, sistemático, de ataques, acusações, confusões e dúvidas sobre a moral e a ética de pessoas e instituições que não rezam pela cartilha da direita partidária brasileira, atualmente representada pelos enfraquecidos PSDB, DEM e PPS, e pelo sistema midiático alienígena, corporativo, empresarial e historicamente golpista.


Essas pessoas saem às ruas e muitas delas nem sabem o porquê de estarem ali. São “mauricinhos” e “patricinhas” de todas as idades, porque existem pessoas mais velhas com esse perfil, que, apesar da idade, jamais vão amadurecer, porque seus valores são fúteis, levianos, egoístas, conservadores e edificam o ego dessa gente, que, se estivesse nas ruas do Brasil na década de 1960, certamente apoiaria o golpe militar e participaria das Marchas da Família com Deus pela Liberdade, organizadas por setores conservadores da sociedade brasileira, a ser a primeira realizada em São Paulo, no governo de Ademar de Barros, político conhecido como o “rouba mas faz”.


A marcha foi uma resposta dos reacionários ao discurso do presidente progressista e trabalhista, Joao Goulart, no comício da Central do Brasil, quando ele anunciou as reformas de base. Os “marchadores”, brancos, das classes médias e ricas logo depois, em 1º de abril, tiveram seus desejos realizados: as Forças Armadas, à frente o Exército Brasileiro, mancomunadas com forças nacionais, políticas, direitistas e com a CIA e a Embaixada dos EUA, derrubaram um presidente constitucional, eleito e admirado pelo povo desde os tempos em que o político gaúcho de ideologia trabalhista assumiu o Ministério do Trabalho no segundo Governo Getúlio Vargas.


Como não poderia deixar de ser, percebe-se que os conservadores, além de analfabetos políticos, são messiânicos, pois tal marcha golpista e por isto de fundo ilegal, usa em seu nome as palavras família, Deus e liberdade. Como se toda “família” fosse golpista e cometesse crimes, no mínimo, constitucionais, bem como se “Deus” estivesse, naquele tempo, a favor de um golpe militar violento, criminoso e desprovido de legalidade. Além disso, a palavra “liberdade” é totalmente inapropriada para este caso, porque a sociedade brasileira amargou 21 anos de ditadura militar, que perseguiu seus oposicionistas, os censurou, os demitiu, os exilou, os prendeu, os torturou e os matou.


Depois de todo esse passado trágico, alguns gatos pingados desinformados, alienados e inconformados com políticos trabalhistas a ocupar a cadeira da Presidência da República, insistem em reeditar tais marchas, hoje representadas em “Movimentos Cansei” em um Brasil que vive uma realidade econômica estável, de pleno emprego, com investimentos sociais e estruturais somente realizados no período de Getúlio Vargas, além de estarmos a viver em uma democracia madura, concretizada e edificada no estado democrático de direito.


Tais quais os militares, empresários (rurais e urbanos), religiosos e políticos golpistas de 1964, o centésimo, milionésimo Movimento Cansei dos “mauricinhos” e “patricinhas”  colonizados e com um imenso complexo de vira-lata organizaram suas marchinhas contra a “corrupção”, que, repito, está a ser combatida como nunca aconteceu. A Polícia Federal nos governos trabalhistas é republicana.  A direita jamais esquece seu ídolo Carlos Lacerda, conhecido também como O Corvo, e, quando fora do poder, aprendeu a tergiversar, a confundir, a acusar sem comprovar, a mentir e agredir sem medir as consequências. A direita gosta muito de uma vassoura demagógica de origem janista e fica a varrer suas próprias incongruências. Por isso, a admiração dos golpistas ao “professor” Lacerda.

                                  Típica "patricinha" manipulada e que não percebe que o Brasil é de todos.
                                  Cara e nariz de palhaça, e, ao olhar para os lados, não viu os trabalhadores


O politico udenista que manipulava as realidades que se apresentavam, embala até hoje os sonhos e os desejos dos conservadores, que querem o País somente para eles e os grupos sociais e econômicos os quais pertencem. Eles não querem um Brasil livre, autônomo, soberano e democrático. Querem, sim, um clube fechado para população e aberto apenas aos seus sócios privilegiados e com o pensamento em Nova York, Miami, Londres ou Paris. Essa gente detesta o Brasil, mas jamais vai abrir mão de ganhar dinheiro nessas terras tropicais e de preferência com o esforço e a dedicação e o talento do trabalhador brasileiro. Na hora de ganhar dinheiro, as ideologias, os preconceitos e a intolerância acabam.


O centésimo, milionésimo “Movimento Cansei dos Mauricinhos e Patricinhas” é um chamamento de grupos que se escondem em nomes ou siglas como o Movimento Brasil Contra a Corrupção (MBCC). O que significa este nome e esta sigla? Quem são as pessoas físicas ou grupos jurídicos que organizam essas marchas de conotação golpista e nada ingênuas? Por sua vez, alguém conhece um movimento a favor da corrupção? Eu não conheço. Parece que dessa vez, o presidente conservador e “mauricinho” da OAB, Ophir Cavalcante, não participou. Ophir apoiou movimentos dessa natureza. Será que ele se mancou?


O Movimento Cansei dos “Mauricinhos” e “Patricinhas” é golpista, alienado e não condiz com a verdade dos fatos, que são propositalmente e sistematicamente manipulados, truncados, confundidos até mesmo por meio da mentira pela imprensa corporativa, antinacional, comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?). Os analfabetos e alienados políticos, mas de essência e natureza elitista, conservadora e reacionária, tais quais alguns homens e mulheres da imprensa hegemônica e de direita, protestam e querem o fim do voto secreto, agilidade no julgamento do mensalão e o fim da impunidade em casos de mau uso do dinheiro público. Eu também desejo que essas questões sejam resolvidas. Eu e muita gente que conheço.


Acontece que no caso da “mensalão” — que não foi comprovado juridicamente e negado pelo pivô desse processo, o ex-deputado Roberto Jefferson quando deu depoimento no Supremo Tribunal (STF) —, a pressão vem da imprensa burguesa, que quer pautar o Judiciário, de forma desrespeitosa e autoritária, porque ela, como principal opositora ao Governo Federal, necessita, como todo ser vivo precisa de oxigênio, abafar o escândalo Cachoeira-Editora Abril(Veja)-Demóstenes antes das eleições de outubro e fazer da CPMI do Congresso um palanque para a direita no que diz respeito a acusar a Construtora Delta, desqualificar o PAC  e jogar os fatos no colo da presidente Dilma e do PT.


O “mensalão” começou com o PSDB de Minas, e, pelo que se observa, também com o DEM e os tucanos de Goiás. Esse processo até hoje mal explicado foi, para muita gente bem informada, um movimento para derrubar do poder o presidente Lula. É esta comprovação que setores conservadores da política e da imprensa temem. O “mensalão” vai ser julgado, de acordo com a pauta e os trabalhos do STF e dos advogados dos envolvidos e jamais pelos interesses políticos e econômicos de um sistema midiático corrompido e que, de forma surreal e sem transparência, assumiu a oposição política no Brasil.


Dessa forma, a imprensa de negócios desvia o foco dela mesma, que está a ser acusada de se associar ao crime organizado, como se comprovou com as mais de 200 gravações da voz do editor de Veja, Policarpo Jr., a conversar com o bicheiro Carlinhos Cachoeira em assuntos que deixam o diabo humilhado e com vergonha por se considerar incompetente para cometer desatinos e maldades. Depois disso tudo, percebe-se que essa gente que sai às ruas para atender grupos privados e partidários que tiveram seus interesses contrariados é realmente o fim da picada. A Editora Abril e a Veja, propriedades do empresário Roberto Civita, tem de ser investigadas pelo Congresso, porque tenho quase certeza que outros órgãos privados de imprensa se valem da associação ao crime para combater as instituições republicanas e desestabilizar os Poderes constituídos.


Por seu turno, caro leitor, informo-lhe: os “mauricinhos” e as “patricinhas” do Movimento Cansei de hoje não protestaram, em momento algum, contra o senador Demóstenes Torres (DEM), o governador Marconi Perillo (PSDB), o bicheiro Carlos Cachoeira, o jornalista Policarpo Jr., a revista “Veja” (conhecida também como revista porcaria) e muito menos protestaram na época, em Brasília, contra o governador do DF, José Roberto Arruda, político cassado e que ficou preso no presídio da Papuda. Não são “gente boa” e “bem intencionada” os marchadores da moral, dos bons costumes e da ética? Nada como lembrar o ano de 1964 quando realizaram marchas golpistas como as atuais. Ainda bem que o povo brasileiro tem mais o que fazer do que bancar o alienado em plena praça pública. É isso aí.






sexta-feira, 20 de abril de 2012

Os negros, a cidadania, a economia e a escravidão (Para não esquecer)

 Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Tem um pensamento que eu gosto muito. Mais do que gostar, eu acredito neste pensamento, porque, para mim, ele significa a verdade. “Raça não existe; o que existe é a espécie humana”. Quando o homem, ou melhor, a humanidade se organizou em sociedades. Quando ela passou a dominar a agricultura e, conseqüentemente, construir cidades para alojar milhares ou milhões de pessoas, a luta pelo controle político e pela hegemonia econômica recrudesceu. Desta luta deriva todo tipo de preconceito, inclusive o pior deles: o racismo.
.
.

O preconceito do racismo é a forma mais infame e cruel de intolerância moral que o ser humano pôde expressar, porque se trata da negação da vida, da negação de Deus. O racista nega a vida e reafirma a indiferença, a desigualdade social e a violência. A pobreza material de grande parte dos povos da África negra e do povo brasileiro é intrínseca ao racismo. Eu quero afirmar, sem dúvida alguma, que a miséria material do nosso povo tem como raiz o racismo. Este sentimento, além de ser comportamental e cultural, o é também de fundo econômico, o que o torna intolerável para as pessoas civilizadas e de filosofia humanista e democrática.

Quando os ancestrais do povo brasileiro foram escravizados em um tempo de cinco séculos pelas potências colonialistas, o trabalho humano escravo foi visto como solução para que os colonizadores europeus pudessem ocupar os territórios por eles conquistados, além de desenvolver suas economias e, por conseguinte, disputar o mercado, em seus diferentes setores, pois a corrida pela hegemonia econômica e militar se encontrava em um processo de disputa entre a Inglaterra, a França, a Espanha, a Holanda e Portugal, dentre outros países, que buscavam riquezas, com o objetivo de colonizar terras e dominar os oceanos.

Com a explosão demográfica no continente europeu e o fim da Idade Média, considerada a era mais sombria das sociedades ocidentais, iniciou-se o ciclo das grandes navegações. Historiadores afirmam que foi a opção e a realidade encontrada pelos governos das potências européias, para que a Europa não sucumbisse economicamente e seus povos não ficassem sem espaço para desenvolver suas atividades econômicas, principalmente a agricultura, razão pela qual foi efetivado o sistema de escravidão, com a cumplicidade entre os europeus e suas diversas nacionalidades, com apoio, inclusive, da Igreja da época, bem como de agentes africanos que participavam do tráfico negreiro.

A escravidão de africanos começou no Brasil ainda em meados do século XVI. Duarte Coelho, donatário da Capitania Hereditária de Pernambuco, solicitou, em 1539, ao rei de Portugal a isenção de impostos de “peças” africanas. As “peças”, na verdade, eram os escravos. Grandes extensões de terras e agricultura baseada na monocultura de cana-de-açúcar, que propiciou ao Brasil colonial o Ciclo do Açúcar, foram as primeiras razões dos colonizadores para que o comércio de homens, mulheres e crianças negros se perpetuasse até o ano de 1888, quando oficialmente foi abolida a escravidão no Brasil.

O tráfico de escravos foi um comércio tão lucrativo que somente acabou em âmbito mundial em 1865. A partir deste ano, o Brasil se tornou o único no mundo ocidental a possuir escravidão institucionalizada. Essa realidade impedia a chegada de imigrantes que preferiam outros países das Américas. Enquanto o mundo se transformava por meio da revolução industrial, as nossas elites, principalmente os cafeicultores paulistas, insistiam, teimavam com o sistema de escravidão, o que prejudicou, sobremaneira o Brasil nos fóruns internacionais, bem como a sua economia, que, baseada na mão-de-obra escrava, não conseguia competir, satisfatoriamente, com os países, inclusive muitos da América do Sul, que pagavam salários aos trabalhadores, principalmente aos imigrantes europeus que tinham conhecimento técnico para exercer suas funções nas fábricas e no campo.

O Brasil foi o último País a dar fim ao comércio de escravos, além de Cuba, que, apesar de ter escravidão em seu território, a ilha caribenha era usada mesmo como entreposto de escravos, que eram distribuídos pelo Caribe, América do Norte e América Central. Países escravagistas como a Inglaterra, a França, a Espanha e a Holanda tinham grandes interesses econômicos nessas regiões. A presença da Espanha na América do Sul também era muito forte, bem como Portugal, pequeno país ibérico, mas que se tornou potência marítima, que, através do tempo, transformou o Brasil colonizado por ele em um País continental.

A escravidão dos negros africanos era uma escravidão essencialmente mercantilista. Sempre houve escravidão no mundo. A humanidade sempre pecou no que concerne a explorar à própria humanidade. Os países muito antigos, as sociedades antigas, os do tempo de Jesus Cristo e os de tempos anteriores ao do Filho de Deus escravizavam, mas, geralmente, eram troféus, os quinhões dos vencedores de guerras. Eram militares e civis que perderam guerras e pagaram com o preço alto da escravidão.

Por seu turno, a escravidão dos negros não tinha razões outras que não apenas a comercialização de seres humanos, por cerca de 450 anos, no mundo ocidental, que já tinha passado pelo Renascimento e se preparava para entrar no mundo moderno, que se iniciou, primeiramente, com as grandes navegações. O sentimento, realmente, é de vergonha. Não minha vergonha, não sua vergonha, não a vergonha dos milhões de negros brasileiros, mas daqueles que enriqueceram e conquistaram terras com a morte e a escravidão de milhões e milhões de homens e mulheres, que morriam nos navios negreiros, em cerca de 40%, vítimas de maus tratos, de todo tipo de doença, além de serem jogados aos mares, como punição ou por causa da fiscalização do exército e da marinha ingleses, cujo governo, no ano de 1806 para 1807, decidiu dar fim ao tráfico de escravos. A Inglaterra era a potência mundial daquela época.

Portugal, que edificou uma nação importante em termos mundiais na América do Sul, foi o maior mercador de escravos de todos os tempos, no que tange aos interesses especificamente comerciais e econômicos. O Brasil, além de ser o último País a libertar os escravos, foi também o destino de três milhões e 600 mil escravos, dos dez milhões que chegaram vivos e foram trazidos para as Américas. Como se percebe, o Brasil, nos séculos da escravatura, foi responsável por 36% de todo comércio escravagista em âmbito mundial. São realmente números assombrosos.

A escravidão dos negros foi e ainda o é a maior diáspora da história da humanidade. Se a comunidade negra internacional fosse rica e controlasse as mídias, a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), os bancos e as terras evidentemente que essa dolorosa história nunca deixaria de ser comentada, nunca seria esquecida, bem como o genocídio dos índios de todas as Américas nunca ficaria relegado a um segundo plano. Como se observa, a divulgação política da escravidão e dos massacres e genocídios dos negros e dos índios são também questões econômicas e financeiras, além de morais e de justiça, que nunca foi feita, e considero que nunca o será.

Os escravocratas nunca ganharam tanto dinheiro. A comercialização de pessoas era mais lucrativa do que a estratificação, a agricultura, a pecuária e a pesca. A indústria praticamente não existia, porque começou a se desenvolver na segunda metade do século 19, quando a Inglaterra começou — por questões econômicas e não morais —, que isto fique registrado, a perseguir e a afundar navios, boicotar economias e agredir militarmente os países que insistiam em traficar seres humanos com finalidade comercial. Era o início da industrialização, quando surgiu, de forma incipiente, a classe operária, melhor qualificada, sem direitos trabalhistas, contudo, assalariada, valores baixíssimos, trabalhadores explorados, porém, reitero, assalariados.

Os negros africanos, cujos filhos e descendentes são brasileiros, desembarcavam nos portos da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro. Depois da chegada, eles eram espalhados, “distribuídos” por todo o País. Trabalhavam na mineração, na lavoura, na pecuária, nas instituições governamentais, nas ruas e nas casas residenciais. Eles estavam presentes no dia a dia da vida brasileira e ajudaram, indubitavelmente, a construir o Brasil de hoje, País que tem um PIB de R$ 3,675 trilhões, segundo o IBGE, e que atualmente tem influência planetária. Sem sombra de dúvida, a plural e multirracial sociedade brasileira deve muito aos homens e mulheres negros que trabalharam, arduamente, sendo que milhares pagaram com a própria morte, como vítimas que foram da terrível e inominável escravidão.

Os negros, os cidadãos negros foram heróis da Guerra de Canudos e da Guerra do Paraguai e não receberam retorno algum, a não ser o abandono do estado e da sociedade brasileiros. Foram morar nos morros da Favela e da Providência, as primeiras favelas deste País. As desigualdades sociais são gritantes. A miséria e a pobreza, históricas, são a razão da prostituição, do tráfico e da violência. São essências da degeneração familiar e, conseqüentemente, da sociedade.

Os negros, observemos, pertencem às camadas mais pobres da sociedade brasileira, as que estão em risco constante de ser vítimas de todo tipo de miséria humana e de ignorância. O ignaro é mais perigoso que o marginal, porque ele é parte de milhares, quiçá milhões, e por isso se anulam as condições para que as nossas cidades e o País se desenvolvam, de maneira equânime, justa e democrática. Não há paz se não existir justiça social. Os governos, em todas as esferas, têm de deixar de ser patrimonialistas. O estado tem de ser devolvido ao povo e não continuar a servir à pequena parcela da sociedade, que há séculos confunde e mistura os interesses do estado com os interesses privados — particulares. É uma luta árdua, perene e constante.

Os governos trabalhistas de Lula e agora o de Dilma Rousseff têm lutado e conseguido mudar o quadro social e econômico das classes sociais carentes e populares. É uma revolução da grandeza da que o presidente Getúlio Vargas realizou em 1930 e depois em 1950, quando o Brasil deixou de ser rural e passou a ser urbano, por meio da industrialização, da organização do serviço público de forma centralizada, em âmbito federal, e da criação de meios de fiscalização das receitas públicas, bem como dos serviços de arrecadação de tributos do estado nacional, além da criação de estatais como a CSN, a Vale do Rio Doce (os neoliberais só querem chamá-la de Vale) e a Petrobras.

Os programas de Lula incluíram 30 milhões de brasileiros na classe média (quase a população da Argentina) e tiraram 20 milhões da pobreza. E grande parte dessa gente brasileira, caro leitor, é formada por brasileiros de etnia negra. É uma revolução ou não é? Só para ficar nisso, porque esse governo trabalhista fez muito mais, como, por exemplo, fortalecer nosso mercado interno ao ponto de o Brasil praticamente não sentir a crise econômica e financeira que aconteceu no mundo em 2008, apesar de a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) não reconhecer e por isso mentir e manipular, porque a verdade é que ela se tornou porta-voz dos trustes internacionais e nacionais, ponta-de-lança dos interesses da classe social que habita o pico da pirâmide social, além de se transformar em um partido de direita — o Partido da Imprensa. Se há alguma dúvida, basta pesquisar para confirmar o que eu afirmo e o que eu escrevo nesta tribuna chamada Palavra Livre.

O estado democrático de direito, conforme reza a Constituição de 1988, é o agente que determina as políticas públicas, no que é relativo à saúde, à educação, à moradia, à segurança e à luta para favorecer a distribuição de renda e a geração de empregos. Todas essas coisas boas são desejos dos brasileiros, principalmente os negros e os índios que ainda não foram resgatados historicamente e socialmente. O Brasil tem de continuar a ser dos brancos, dos amarelos, dos vermelhos e dos negros. Contudo, sabemos que a grande parcela negra da população tem de ser ouvida por todos os segmentos da sociedade, bem como ser alvo de políticas públicas positivas que garantam a inclusão dos negros (e também dos índios) no mercado de trabalho e nas escolas.

Até hoje, em pleno século 20, parte significativa do povo brasileiro não tem acesso a benefícios sociais e ao direito de ter uma vida de melhor qualidade. Os negros continuam a ter os piores empregos, a morar nas periferias, nas favelas, nas comunidades pobres. Seus empregos são os mais insalubres, os mais perigosos e mal pagos. Continuam a ser vítimas do pior sentimento dentre os piores sentimentos que é o racismo, porque, como cidadão negro, ele é medido por sua cor, por seu cabelo, por suas características físicas e não pela sua conduta, pela sua competência, pelo seu caráter, digo melhor, bom caráter, pelo seu coração. Os indivíduos são pertencentes à espécie humana. Raça é terminologia superada, que somente os desinformados, os ignorantes, os preconceituosos e os racistas insistem em assim se comportar. Comportar-se mal.

É um direito inalienável do homem e da mulher, independentemente de sua origem e cor, ter suas cidadanias ratificadas e reiteradas pelo estado e pela sociedade a qual pertencem. Ser cidadão não se reduz a pagar impostos. Ser cidadão é também saber de seus direitos e, dentre um elenco de direitos, é não ser humilhado ou esquecido ou relegado por sua condição social e por sua cor de pele e etnia. Os negros estão para sempre, eternamente, na história do Brasil e do seu povo. Ele é parte dele. Ele é o povo, e o Brasil é de todos e para todos os brasileiros.