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sábado, 30 de junho de 2012

EXPLOSÃO

ESPAÇO BICO DE PENA — Blog Palavra Livre


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de
lua
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CHeia
CHEia
CHEIa
CHEIA
BUM!!!
explodiu


Davis Sena Filho — 21/06/1983


sexta-feira, 29 de junho de 2012

A integração da Venezuela ao Mercosul e a punição ao Paraguai. Golpe é crime!

Venezuela: rica, populosa, membro da Opep e com um mercado em expansão

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

    “A integração da Venezuela ao Mercosul é questão de segurança da América do Sul, comercial e não ideológica”. A Venezuela, potência petrolífera, deveria, urgentemente, agora, ter seu ingresso ao bloco econômico aprovado, porque respeita o jogo democrático, fato este que, inquestionavelmente, não aconteceu com o Paraguai, cujos líderes golpistas representam uma elite latifundiária, atrasada, reacionária, que atende aos interesses dos Estados Unidos, que querem o enfraquecimento do Mercosul, da Unasul, bem como implantar bases militares na tríplice fronteira entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina, em uma estratégia geopolítica perigosa à independência dos países do continente e à autodeterminação de seus povos.

    Dito isto, percebo, por meio da televisão, que Federico Franco, atual presidente do Paraguai, mal assumiu o poder por intermédio de um golpe (“parlamentar”) de estado e, de maneira arrogante e autoritária, falou grosso, sem, no entanto, avaliar seu tamanho no que tange à economia paraguaia, e seu apoio político no que é relativo à sua influência junto aos líderes sul-americanos reunidos na Unasul e especificamente aos que compõem o Mercosul. Federico Franco — o político conservador golpista e testa de ferro do grande empresariado, inclusive dos brasileiros fazendeiros donos de latifúndios chamados brasiguaios e que comemoraram o golpe contra Fernando Lugo — em vez de anunciar seu programa de governo e as ações para pelo menos amenizar as necessidades do povo paraguaio simplesmente atacou o presidente da Venezuela, o bolivariano Hugo Chávez.

    O golpista arrogante e ideologicamente preconceituoso e provinciano mandou às favas a legalidade constitucional de seu país e do continente sul-americano e não satisfeito com sua desfaçatez afirmou que o Paraguai é contra o ingresso da Venezuela no Mercosul. Ou seja, sua preocupação se resumiu a dar o recado, talvez da CIA ou do Departamento de Estado dos EUA. Sua prioridade, pelo o que se observa, é barrar o sexto maior exportador de petróleo de mundo, além de ser o país que tem as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta estimadas em 297 milhões de barris.

     Além disso, o país bolivariano é originalmente o principal responsável pela criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A Venezuela, que tem quase 30 milhões de habitantes, até hoje não conseguiu seu ingresso total no Mercosul, e o empecilho sempre foi o Paraguai, inclusive no governo de presidente deposto Fernando Lugo, que, para agradar a direita, sempre bloqueou a entrada de um país tão rico como a Venezuela no Mercosul. Não dá, realmente, para compreender a parcimônia do Governo e da diplomacia do Brasil quanto a esse processo. Um absurdo. O Paraguai não é, no momento, confiável tanto quanto o Chile, a Colômbia e os governantes que se aliam aos interesses geopolíticos dos EUA e da burguesia latino americana.

Cristina, Dilma e Mujica anunciaram punição ao Paraguai. Golpe é go
Os presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai anunciaram ontem, em Buenos Aires, que o Paraguai está suspenso das reuniões e decisões de cúpulas do Mercosul e da Unasul. Nunca, em 21 anos de existência do bloco econômico, um país tinha sido punido. Contudo, o Paraguai não vai sofrer sanções econômicas quando deveria. Não é de bom alvitre protelar punições a quem comete crimes constitucionais e se conduz inconstitucionalmente. A América Latina é useira e vezeira em cometer grandes equívocos de ordem constitucional, que, indubitavelmente, atrasaram seu desenvolvimento político, social e econômico.  

Recordo que em 2009 depuseram o presidente trabalhista de Honduras Manuel Zelaya, e agora a América do Sul está a enfrentar o golpe paraguaio. Uma lástima. Golpe é crime! Crime praticado pela direita que a todo custo quer perpetuar seus privilégios e cujos interesses são repercutidos, sistematicamente como um direito legal, pelo sistema midiático burguês, comercial e privado, que, incessantemente, busca apoio da população, notadamente a parte da classe média conservadora e despolitizada, que abraça os ideais e os princípios de uma burguesia poderosa e cruel, que se recusa a distribuir renda e riqueza e luta, historicamente, para impedir a independência do Brasil e a autonomia de seu povo. Pior que o colonizador é o colonizado subserviente, que boicota o País, além de ser possuidor de um gigantesco complexo de vira-lata, que o leva, inclusive, a ser traidor, como ocorreu no triste ano de 1964.

Tenho observado, portanto, que a integração plena da Venezuela ao Mercosul se transformou em um processo ideológico, quando na verdade a integração econômica daquele importante país do norte da América do Sul é uma questão que diz respeito, e muito, à sobrevivência do próprio bloco, que precisa de sangue novo e de oxigênio para se concretizar como força econômica e política da América do Sul perante as maiores economias do mundo, que se aproveitam de sua riqueza para impor seus interesses, que, geralmente, são antagônicos aos dos países do continente sul-americano.

         As Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Câmara dos Deputados e do Senado, causam preocupação, porque alguns de seus membros politizaram e continuam a politizar o ingresso da Venezuela no Mercosul. Além do mais, a imprensa brasileira, porta-voz dos interesses dos EUA, diuturnamente defende a desaprovação da Venezuela como sócia de tão importante bloco econômico para a América do Sul.  Sem sombra de dúvida que esse processo draconiano, insensato e autoritário causa prejuízos ao bom andamento dos trâmites burocráticos para a integração venezuelana, bem como leva confusão à sociedade brasileira, o que faz com que importantes setores dela se indisponham com o Mercosul, que precisa ser sempre fortalecido e não enfraquecido, ainda mais com a crise europeia e norte-americana que não tem data para terminar.


       Espera-se que os membros do Mercosul e da Unasul sejam sensatos e não façam da Venezuela um alvo para seus interesses políticos, sejam eles de âmbito mundial ou regional. É salutar que entendamos que o Brasil e o Mercosul são muito maiores que os interesses políticos mesquinhos, de paróquia, provincianos e egoístas de certa “elite” política e empresarial, principalmente os barões da imprensa, que por causa de seus desarranjos ideológicos preferem a exclusão de um país economicamente poderoso e geopoliticamente estratégico como a Venezuela. Temos que ser práticos e cosmopolitas voltados à defesa dos interesses do povo brasileiro e sul-americano, que espera dos governantes, que determinam e definem a composição dos membros do Mercosul, bom senso, senso crítico o suficiente para impedir que grupos econômicos, midiáticos e políticos excluem a Venezuela de um bloco econômico tão importante para os povos da América do Sul, e por que não, Latina.

         Percebo que muitos se alinharam aos interesses estadunidenses, que oferecia a moribunda Alca como opção para a associação dos países sul-americanos, no que tange à construção de um bloco econômico de livre comércio. Acontece que as regras da Alca não coadunavam com as nossas necessidades e interesses, além de sabermos que os Estados Unidos, como a maior economia do mundo, controlaria ainda mais os mercados e dominaria os diálogos realizados em fóruns apropriados, no que concerne à defesa de seus interesses, como acontece, por exemplo, na Organização Mundial do Comércio — a OMC, órgão que sempre defendeu os interesses dos países ricos, como sempre o fizeram o FMI e o Bird.

         O Governo e os parlamentares representam o povo brasileiro e por isso não devem, a meu ver, ficar à mercê do que a imprensa comercial e privada tem publicado sobre o governo venezuelano, até porque, ao contrário do que muitos pensam, a sequência de ações e atos políticos perpetrados pelo presidente Hugo Chávez têm proporcionado, na verdade, a percepção mundial de que o Mercosul é um bloco de grande envergadura, que chama a atenção da comunidade internacional, além de projetar os países sócios em uma escala nunca antes experimentadas por eles.

O Mercosul deu certo, se tornou, apesar dos editoriais da imprensa corporativa, fórum apropriado para onde devem ir as demandas de todos os países da América do Sul em um futuro próximo e não apenas de quatro sócios, sendo que um deles, o Paraguai, em vez de fortalecer o bloco, rema contra a maré por intermédio de um golpe “parlamentar” de estado, além de ser contra o ingresso da Venezuela como associada ao Mercosul.

Chávez negocia o ingresso da Venezuela no Mercosul, apesar do Paraguai.
 Além disso, os governos terminam, por mais que demorem no poder. Mas os países são eternos e a Venezuela é importante demais para ficar fora do Mercosul, porque alguns governantes, parlamentares e a imprensa de negócios assim desejam, porque tem interesses contrários ao fortalecimento do Mercosul, além de se deixarem levar por escaramuças ideológicas, ultrapassadas, que, absolutamente, não têm primazia em relação à completa integração dos quatro países membros do bloco junto à Venezuela.

         Há de se deixar claro, e ressalto este fato, que a Venezuela saiu do bloco Andino para aderir ao Mercosul, porque sabe que não há como a América do Sul negociar de igual para igual com os Estados Unidos ou com a Comunidade Europeia, China ou Japão sem antes concretizar a união dos sul-americanos, que tem por objetivo democratizar as relações comerciais e favorecer o respeito mútuo entre os países desenvolvidos, os poucos desenvolvidos e os emergentes, como o Brasil e a Argentina, bem como a Venezuela, que tem crescido quase nove por cento ao ano, além de, praticamente, eliminar o analfabetismo, principalmente entre as crianças e os jovens.

         O relatório do deputado Paulo Maluf (PP/SP) sobre o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 387/07, que ratifica a adesão da Venezuela ao Mercosul,  foi aprovado pela CCJC da Câmara dos Deputados, em 2007. O parecer do relator foi favorável à associação do país ao bloco. Contudo, cinco anos depois a Venezuela ainda não ingressou plenamente no Mercosul por causa de entraves burocráticos, campanhas  contrárias veiculadas pela imprensa  oligarca e pela conduta dúbia e nada confiável do Paraguai. Com o golpe de estado no país guarani, os países membros do Mercosul tem uma oportunidade política de ouro para aceitar o ingresso da Venezuela no Mercosul, que vai ficar ainda mais fortalecido, bem como vai favorecer a união mais rápida de outros países da América do Sul. Golpista tem de ser punido e não falar alto e grosso contra país que respeita o jogo democrático, que é o caso da Venezuela, apesar da imprensa burguesa mentir e replicar o contrário.

Os países não podem ficar a perder tempo com filigranas políticas inúteis, fúteis e muitas vezes levianas. O ingresso da Venezuela é irreversível. Somente uma questão de tempo. Os governos vão efetivar um acordo, que tem por finalidade apenas de ganhar tempo, no sentido de serem analisados os procedimentos para a integração venezuelana ao bloco. De qualquer forma, o Brasil tem de se posicionar a favor. Questões ideológicas, filosóficas e políticas não estão acima dos interesses maiores que a adesão de um país importante como a Venezuela ao bloco sul-americano pode proporcionar. É ridículo o que certos setores da vida brasileira estão a apregoar, sem nenhum fundamento racional para que a Venezuela não integre o Mercosul. Não há paz social se a economia vai mal. Nossos males, praticamente, tem origem de fundo econômico. Então, basta haver vontade política. A integração das economias sul-americanas e, por que não, latinoamericanas é o futuro sem volta, porque se se integrar fosse uma ação ruim, os europeus não se uniriam e nem os Estados Unidos não fariam pressão e boicotes para que o Mercosul e a Unasul não dessem certo.


        Lembro-lhes que até mesmo a Fiesp e a CNI são favoráveis à integração da Venezuela ao Mercosul. Os empresários dessa Federação, os mais poderosos do País, sabem que o mercado venezuelano é forte e tem muito ainda o que crescer. Afinal, a Venezuela tem uma taxa de crescimento de quase nove por cento ao ano, tem cerca de 30 milhões de habitantes, é membro fundador da Opep, por ser grande produtora de petróleo, tem vastos recursos naturais e está presente em setores como turismo, silvicultura, pesca, agricultura e pecuária, desenvolve, de forma acelerada, a indústria manufatureira, que fabrica e oferta produtos como petróleo e seus derivados, aço, alumínio, fertilizantes, cimento, pneus, veículos a motor, alimentos processados, bebidas, têxteis, roupas, calçados e artigos de plástico e de madeira.

         Além de tudo isso, a Venezuela tem uma enorme capacidade para promover o crescimento do setor de energia elétrica, pois é um país com muitos rios e por isso precisa compor parcerias para edificar novas hidrelétricas. Não podemos esquecer também a questão da infraestrutura, que tem como eixo central as rodovias, as ferrovias, os portos e os aeroportos. As possibilidades de negócios nesses setores são imensas e mesmo com essa realidade setores brasileiros e sul-americanos reacionários e ideologicamente de direita ficam a perder tempo com questiúnculas ultrapassadas, que remontam à Guerra Fria e que não tem mais lugar quando se trata do fortalecimento do continente da América do Sul perante os interesses de países ricos, nada confiáveis e com perfil colonizador, imperialista e bélico, como provaram no decorrer de suas histórias.

         A Venezuela tem de integrar o Mercosul. Não somente a Venezuela, bem como todos os países da América do Sul. Nossos povos merecem ter acesso a uma vida de melhor qualidade. Nossos povos são sofridos, mas queremos que, através do tempo, essas realidades cruéis sejam superadas, para que possamos, em futuro próximo, sermos um continente desenvolvido, onde todos possam ter oportunidades de crescer e viver bem, até porque não aguentamos mais ver tanta burrice e insensatez por parte de alguns setores que são contrários ao desenvolvimento social e econômico da América do Sul e por isso fazem pressão e boicotam o que, para nós, homens e mulheres sensatos, é o correto, o justo, o democrático e o mais sábio. O governante do Paraguai tem de ser punido e entender que a América do Sul mudou. É isso aí.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Teodoro Sampaio: um brasileiro para ser lembrado

Teodoro Sampaio: intelectual, mestre acadêmico e engenheiro que ajudou a desenvolver o Brasil


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

O Imperador e filósofo romano Marco Aurélio que, no ano de 161 depois de Cristo assumiu o trono de Roma, afirmou a seguinte frase: “Logo tu esquecerás; logo te esquecerão!”. Lembro a frase desse importante mandatário romano porque ela é profundamente verdadeira ao tempo que muito triste, porque traduz, inapelavelmente, a nossa condição humana de mortais, que, com o tempo, são esquecidos pelas gerações vindouras.

Do imperador passo a falar de um grande homem brasileiro, que não era de família nobre, mas de uma grandeza ímpar, que fez com que muitos brasileiros, de sua geração, o considerasse pessoa importante, por seu talento, sua dedicação ao trabalho e aos interesses do Brasil, de seu povo, além da luta pela dignidade do homem negro, que veio para este País à força, na condição de escravo e desprovido de liberdade, de seus direitos civis.

No dia de hoje, 15 de outubro, completam-se 74 anos da morte do Deputado Federal Teodoro Sampaio, o único parlamentar brasileiro que nasceu escravo e virou nome de duas cidades, uma localizada no Estado de São Paulo, a outra fica na Bahia, estado onde o ilustre brasileiro nasceu. A Teodoro Sampaio baiana se chamava Bom Jardim, município do Recôncavo Baiano.

Filho do padre Manoel Fernandes Sampaio e da escrava Domingas Paixão, Teodoro Sampaio, no decorrer do tempo, tornou-se um homem de muitas realizações. Levado para o Rio de Janeiro aos nove anos por seu pai, que o matriculou em uma escola para ele estudar as primeiras letras, o futuro engenheiro se notabilizou por sua capacidade de compreensão e por sua facilidade em colocar em prática tudo aquilo que tinha aprendido.

Engenheiro formado em 1877, aos 22 anos, pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, Teodoro Sampaio, enquanto não pôde exercer a profissão, foi professor de matemática e desenhista do Museu Nacional, o que lhe rendeu algum dinheiro para comprar as cartas de alforria de seus irmãos cativos na Bahia. Livrou os irmãos Martinho, Matias e Ezequiel da escravidão, bem como negociou a liberdade de sua mãe, junto ao Visconde de Aramaré, proprietário do Engenho Canabrava, local onde nasceu toda a família do engenheiro negro. Por ser filho de branco, Thedoro Sampaio nunca foi escravizado.

Seu talento, de grande expressão, o levou a ser nomeado pelo imperador Dom Pedro II como integrante da Comissão Hidráulica. Ele foi o único brasileiro entre os engenheiros norte-americanos a fazer parte de um grupo que estudou o escoamento de águas e as aplicações tecnológicas necessárias para a construção de canos e sistemas pluviais e sanitários.

Teodoro Sampaio foi realmente uma personalidade das mais importantes. Foi um dos maiores pensadores brasileiros de todos os tempos. Ele tem a importância e a estatura de Capistrano de Abreu, Joaquim Nabuco, Nina Rodrigues e Euclides da Cunha — personalidades contemporâneas do engenheiro.

Para se ter uma ideia de sua grandeza como intelectual, Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, o consultou para saber sobre a região de Canudos, na Bahia, onde estava a acontecer um dos maiores conflitos armados do Brasil, quando forças do Governo enfrentaram os seguidores de Antônio Conselheiro. Teodoro era apenas 11 anos mais velho que Euclides e foi seu mestre e mentor direto.

Teodoro Sampaio foi historiador, pesquisador e escritor. Dentre os livros mais importantes de sua autoria e que servem até hoje como referências bibliográficas estão “O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina”, “São Paulo no Século XIX e outros Ciclos Históricos”, “Atlas dos Estados Unidos do Brasil”, “Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil”, “História da Fundação da Cidade de Salvador” e o “O Tupi na Geografia Nacional”.

Se Teodoro foi um grande pesquisador, sua carreira de engenheiro não ficou atrás. Após se formar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, ele teve a oportunidade de exercer a profissão em São Paulo. Integrou a Comissão Geográfica do Estado e participou de expedições de reconhecimento e mapeamento das suas principais bacias hidrográficas. É de sua autoria o mapeamento completo do Vale do Itapetininga e do Paranapanema, publicado em forma de grande Atlas em 1889.

No ano de 1890, publicou “Considerações Geográficas e Econômicas sobre o Vale do Paranapanema”, o que levou a região do Pontal paulista a ter uma cidade com seu nome, na divisa com o Paraná. Entre os anos de 1890 a 1892 ocupou o cargo de engenheiro-chefe de Águas e Saneamento da Companhia Cantareira. Quem o nomeou foi o governador Prudente de Morais, que, futuramente, seria presidente do Brasil. Teodoro Sampaio foi ainda membro fundador da Escola Politécnica de São Paulo, além de ser membro do Instituto Histórico e Geográfico daquele Estado. O engenheiro foi também diretor de Saneamento do Estado de São Paulo, quando implantou obras de saneamento em inúmeras cidades do interior paulista.

Na Bahia, Teodoro Sampaio construiu pontes nas principais linhas ferroviárias do estado, bem como participou da desobstrução de pontos que dificultavam a navegação do São Francisco, dentre eles a cachoeira de Sobradinho. Em Salvador, após deixar São Paulo, realizou obras de saneamento e abastecimento de água. A engenharia resolveu sérios problemas de abastecimento, ao elevar de 7 milhões de litros de água diários para 32 milhões. Além do mais, Teodoro aumentou de três para sete as represas de captação de água, assim como ampliou todo sistema de bombeamento e esgotos da capital baiana.

O grande engenheiro era ecologista e ambientalista, bem antes de estas palavras se tornar lugar-comum no fim do século XX e início do XXI. Sua preocupação ambiental e sanitária é ímpar, pois ele implantou filtros de tratamento para os afluentes do rio Camurujipe. Devemos, de forma lúcida, observar que essas ações aconteceram no início do século XX, o que nos leva a considerar Teodoro Sampaio como um homem muito à frente de sua época.

Tão à frente, tão cerebral e talentoso que mesmo nascido escravo foi nomeado para cargos importantes, inclusive pelo Imperador Dom Pedro II, que, faça-se justiça, era também um homem de grande compreensão sobre desenvolvimento, voltado à ciência e às letras. Por isso, lamento que um brasileiro de tamanha envergadura tenha, praticamente, sido esquecido. Teodoro Sampaio é, sem sombra de dúvida, um dos Pais da Pátria, além de ser um dos principais vultos de nosso País, porque ele o ajudou a se desenvolver e, mais do que isso, ajudou-o a se civilizar.

O povo baiano ainda foi beneficiado pelo engenheiro com a restauração do antigo prédio da Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, com a construção do Liceu Salesiano de Salvador, com o Dispensário Ramiro de Azevedo e com o desenvolvimento e a modernização acadêmica do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, que o teve como presidente por 15 anos.

Para encerrar, quero afirmar a todos que me ouçam que inteligência, cultura, integridade moral, talento e determinação são valores inalienáveis e não pertencem à raça alguma. Os homens nascem iguais. As oportunidades de crescimento como ser social é que são diferentes. O insigne Teodoro Sampaio é uma referência de vida para todos brasileiros, e por isso deveria sempre ser lembrado, tal qual muitos outros cidadãos pátrios que também foram esquecidos.

Teodoro nasceu em 1855 e morreu em 1937, em pleno Governo Getúlio Vargas. Foi deputado federal entre 1926 e 1929, ao ocupar a vaga deixada por Otávio Mangabeira, que assumiu, na época, o Ministério do Exterior no Governo do presidente Washington Luís.

Seu desaparecimento, portanto, completa 75 anos, o que me leva a pensar no Brasil e em seu povo altaneiro e trabalhador, que merece o melhor de todos os segmentos da sociedade e dos governos. Homens como Teodoro Sampaio são imprescindíveis, porque eles não constroem apenas um país — constroem uma nação.

Vamos, então, não dar razão à frase histórica do imperador romano Marco Aurélio, que disse: “Logo tu esquecerás; logo te esquecerão!”. Para isso, precisamos resgatar o passado, que é e sempre será o alicerce do presente e do futuro. Ao saber disso, coopero, humildemente, a resgatar o nome de Teodoro Sampaio, esquecido por muitos e valorizado por poucos. Esquecer é ingratidão. Lembrar é fazer justiça.

domingo, 24 de junho de 2012

O golpe de estado no Paraguai

Lugo compôs com a direita, que usou a questão da terra como estopim do golpe.

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


“Lugo compôs com a direita e da direita foi vítima de um golpe “parlamentar”. A verdade é que se ele não aceitasse o processo de impeachment, seria derrubado à força, pelas armas, como aconteceu com o presidente trabalhista de Honduras, Manuel Zelaya”.

Os Estados Unidos são imperialistas, e tudo mundo sabe disso. Os chamados yankees sempre exercitaram seu poder internacional com a diplomacia do porrete. Preocupados com os avanços conquistados pelos países da América do Sul, no que tange à construção do Mercosul e da Unasul, o governo estadunidense ficou com a barba de molho quando o Brasil do presidente Lula e do chanceler Celso Amorim, juntamente com a Argentina de Cristina Kirschner e sua diplomacia, resolveram enterrar de vez o processo de ingresso na Alca, que, moribunda, acabou com a economia do México, país que há anos é governado por governantes conservadores e, portanto, cúmplices dos ditames dos Estados Unidos.

Eis que a América do Sul, depois de passar por uma década relativamente tranquila no que concerne à legalidade constitucional e ao respeito ao jogo democrático, começa a ter problemas graves e complexos em relação a essas questões, pois o governo de Barak Obama, apesar de ser Democrata, mostra-se açodadamente imperialista e com uma conduta de intervenção em questões internas de países sul-americanos de menor potencial no que se trata ao PIB e ao IDH, além da desconfiança natural e histórica em relação a países maiores como Brasil e Argentina, que lideram os blocos de defesa e econômico (Unasul e Mercosul) do Sul das Américas.

Chile e Colômbia sempre se comportaram, nas últimas décadas, como um entrave para a unificação política e econômica da América do Sul, como queriam os libertadores da América espanhola Simón Bolivar e José de San Martín na primeira metade do século XIX. Na maior parte do tempo administrados por governantes conservadores, esses dois países sempre nadaram contra a maré dos interesses da região e por isso criam barreiras e se aliam à política externa dos Estados Unidos, se eles tem uma, porque intervenção e invasão de países independentes e autônomos não é o que se pode considerar diplomacia civilizada.

Federico Franco: golpista pode ser sócio do Mercosul e barrar a Venezuela?
 Os EUA, na verdade, nunca tiveram uma instituição diplomática da tradição e competência da Casa de Rio Branco, que é o Itamaraty, e por isso executam “políticas” de boicote à autodeterminação dos povos e à independência dos países periféricos em todo o planeta, com o claro objetivo de combater países emergentes como o Brasil e todos aqueles que optaram por uma política de sustentação de blocos econômicos e militares que visam, sobretudo, defender e atender os interesses dos países que compõem a América do Sul.

Entretanto, os obstáculos são altos e largos, porque os governos do Chile, da Colômbia e agora o do Paraguai se aliaram há muito tempo aos interesses dos norte-americanos, que tem enorme influência sobre os políticos, os banqueiros e o empresariado da agroindústria, especialmente os latifundiários, que, historicamente, financiam golpes de estado e cometem todo tipo de provocação, com o apoio e a cumplicidade dos sistemas midiáticos burgueses, que dão voz ativa às classes sociais dominantes, bem como repercutem negativamente as ações e as palavras de seus adversários, ao dar uma conotação de provocação, como aconteceu com o presidente progressista do Paraguai, Fernando Lugo, que tem fraquezas e defeitos, mas que foi eleito pela vontade do povo, nas urnas.

Dilma sabe que houve golpe no Paraguai, que deveria sair do Mercosul. E a legalidade?
 Lugo compôs demais com a direita e da direita foi vítima de um golpe “parlamentar”. A verdade é que se ele não aceitasse o processo de impeachment, seria derrubado à força, pelas armas, como aconteceu com o presidente trabalhista de Honduras, Manuel Zelaya, que foi retirado de sua casa de madrugada, de pijama e expulso do País pelos militares para San José, capital da Costa Rica, único país da América Latina que consta na lista das 22 democracias mais antigas do mundo e que aboliu seu Exército em 1948. 

Como se percebe, os juízes, os militares e os latifundiários de Honduras, país de tradição direitista, sabiam até para onde enviar o presidente deposto, que queria fazer plebescito para decidir sobre a instalação de uma assembléia constituínte, na qual o propósito era elaborar um nova constituiçao e, por conseguinte, fazer as reformas necessárias para o desenvolvimento do país. 

A questão latifundiária contou para a queda do presidente Fernando Lugo, acusado, equivocadamente e premeditadamente, como o responsável por mortes no campo de policiais e de sem terra pelos juízes da maior Corte Judiciária do Paraguai, com a efetiva cooperação dos senadores, a maioria conservadora, latifundiária e aliada dos militares, que sempre interferiram no processo político do país guarani.

Bolivar ficaria estupefato com a subserviência de golpistas da América do Sul.
Fernando Lugo sofreu um golpe. Agora o Paraguai e sua elite econômica estão com o caminho mais aberto ainda (já estavam) para implantar a política neoliberal, de concentração de renda e riqueza e ausência de investimentos, tal qual o Chile, a Colômbia e em um passado recentíssimo o Peru, se não fosse o candidato nacionalista Ollanta Humala vencer a conservadora Keiko Fujimori e, por conseguinte, ser eleito o novo presidente do Peru, o que faz com que o país andino se afaste pelo menos da cartilha neoliberal de exploração e rapinagem imposta aos povos dos países que lutam para se tornarem independentes em um ambiente de justiça social e compromisso com a democracia burguesa. Burguesa, mas pelo menos democracia.

Ainda não está claro se o Peru vai participar, efetivamente, da associação dos países sul-americanos da costa do Pacífico, que querem fazer um contraponto ao Mercosul e à Unasul. Keiko Fujimori é nada mais e nada menos do que a filha de Alberto Fujimori, ex-presidente neoliberal do Peru, que governou o país durante dez anos (1990/2000), com mão de ferro, rasgou a Constituição e no momento se encontra preso, acusado de tortura, corrupção, tráfico de influência, abuso de poder e de genocídio. Fujimori derrotou o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, prendeu seu líder, o professor de filosofia Abimael Guzmán, e a partir daí os paramilitares que enfrentavam a guerrilha e setores do sistema de segurança passaram a realizar todo tipo de crime e abusos principalmente no interior do país, com a devida cumplicidade do senhor Fujimori, que de político eleito passou a ser ditador.

Chávez é demonizado pela imprensa, e luta pela união da América do Sul.
 A grande questão e intenção da Casa Branca e da CIA é fazer com que a América do Sul não se una, pois, como define o velho adágio, a união faz a força. Para isso, os yankees acenam com promessas de investimentos na área de segurança (o que ocorre há algum tempo com a Colômbia de governos conservadores que enfrentam a guerrilha das Farcs), a incluir no pacote a instalação de bases militares em terreno colombiano, bem como tentam também assegurar a intenção em solo paraguaio, que com a posse do vice-presidente e ora presidente, Federico Franco,  poderá ser concretizada.

Por sua vez, os EUA e seus falcões estão a conseguir, aos poucos, cercar os países que compõem o Mercosul cujos presidentes militam à esquerda do espectro ideológico. Dilma Rousseff, Cristina Kirschner, o deposto Fernando Lugo, José Mujica (Uruguai) e Hugo Chávez estavam a incomodar, e muito, os interesses geopolíticos e econômicos dos EUA na América do Sul. Para isso, necessário foi assegurar a constituição de uma politica agressiva de apoio aos políticos direitistas da região. Os EUA querem bases militares e nada mais. 

E países como o Chile, que sempre, nas últimas décadas, traiu seus vizinhos da região, unem-se aos EUA, como se conduziu no passado com a Inglaterra na Guerra das Malvinas, a ceder bases e gasolina aos aviões ingleses, além de outros “favores” de logística e alimentação, que cooperaram bastante para que a Argentina tivesse ainda mais dificuldades para enfrentar as forças militares dos imperialistas, que tiveram também o decisivo apoio dos norte-americanos, que cederam satélites e armamento aos ingleses e, consequentemente, não honraram os acordos de autodefesa dos países americanos firmados na OEA..

O trabalhista Zelaya levou um golpe em 2009, com a cumplicidade dos EUA.
Chile e Estados Unidos são como carne e unha. A Colômbia também, mas tem diferenças com os gringos quanto às bases militares e à intromissão em assuntos internos. Apesar de o atual presidente, Juan Manuel Santos, ser conservador, ele está luz de distância do ultradireitista Álvaro Uribe, que em seus oito anos de governo se aplicou a ter uma relação de embate com o Mercosul e a Unasul e principalmente com seu vizinho venezuelano Hugo Chávez. Juan Manuel Santos, apesar de ser correligionário de Uribe, é mais moderado e acenou, antes mesmo da sua posse, que estaria aberto ao diálogo, inclusive com Hugo Chávez, o que acalmou os ânimos no norte do continente.

Acontece que com a queda de Fernando Lugo neste mês e o golpe de estado contra Manuel Zelaya em 2009, cria-se uma enorme desconfiança quanto à estabilidade da democracia representativa (burguesa) e não popular na América do Sul. A imprensa comercial e privada já iniciou a defesa do golpe perpetrado pelo Judiciário e pelo Senado paraguaios contra o presidente Lugo. Guardiões do jornalismo de má-fé como Merval Pereira, Augusto Nunes e Reinaldo Azevêdo e especialista de prateleira da Globo News da estirpe do professor Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos, não medem consequência e desvirtuam a realidade, pois, de forma branda ou direta, defendem o golpe contra Lugo, como o fizeram com o presidente Zelaya. 

Até hoje o hondurenho não voltou ao poder, porque os autores desses crimes contra as leis, a constituição são os aliados seculares e poderosos de sempre: os juízes, os militares, os latifundiários, os banqueiros e os políticos de direita, que apostam na ilegalidade, na imoralidade e na violência para manter seus privilégios de classe, seus negócios, a reboque de migalhas que o capitalismo yankee cede a eles e, em contrapartida, mantém seus interesses colonialistas intactos na América Latina, a qual, equivocadamente e soberbamamente, chamam de quintal.

Ollanta, nacionalista, sabe que o Peru é andino mas se interessa pelo Mercosul.
 A aliança das burguesias latinas com os donos do capital mundial que vivem no norte das Américas é a pior realidade que os povos latinos americanos e os governantes trabalhistas e socialistas tem de enfrentar. Não é fácil governar em um sistema contaminado pelo pensamento de elites conservadoras e subservientes, fundamentalmente colonizadas, violentas com seus povos, refratárias à nacionalidade, dispostas a se aliar ao neocolonizador e possuidora de um imenso complexo de vira-lata. Derrubam os adversários e ultrajam o jogo democrático para manter os interesses do establishment em âmbito mundial.

É dessa forma que se comportam as elites e a imprensa brasileira, controlada pelos barões, que no passado se aliaram a estrangeiros e apoiaram golpes de estado, como o de 1964. Os barões reacionários que empregam jornalistas e comentaristas de prateleira para que eles defendam o indefensável, justifiquem o injustificável e qualifiquem o que é inqualificável, que é o caso do golpe de estado, que eles chamam de “parlamentar”, porque querem homens e mulheres de direita a ocupar cadeiras de presidentes da República na América do Sul e Latina mesmo se for de forma criminosa. E depois ficam a deitar falação sobre liberdade de imprensa e de expressão. Cinismo e má-fé na veia. É o fim da picada tanta trapaça e desfaçatez.

Hillary Clinton se conduz como um falcão, ave de rapina que apoia golpes.
Os Estados Unidos querem diminuir a influência do Brasil — potência regional cujo PIB é da ordem de US$ 3,4 trilhões — nas Américas do Sul e Central. Para isso, os “gringos”, como dizem os mexicanos, precisam de um contraponto contra a hegemonia brasileira. Os estadunidenses querem um bloco (neo)liberal, quase andino, voltado ao Pacífico, mas sem a presença e o apoio do Equador de Rafael Correa e da Bolívia de Evo Morales, que já avisaram que não reconhecem o governo do atual presidente do Paraguai, Federico Franco, filho da cruel oligarquia do país guarani. Franco, com sua cabeça oligarca e de direita, avisou que não gosta de Hugo Chávez e, portanto, vai manter a posição equivocada e presunçosa para um país pobre como o Paraguai de bloquear o ingresso da Venezuela, potência petrolífera, no Mercosul, realidade esta que acontecia com o esquerdista e deposto Fernando Lugo, que atendia à violenta oligarquia rural e militar do Paraguai.

Os líderes direitistas da América Latina querem formar um grupo econômico, que eles chamam de Bloco do Pacífico ou Área de Integração Profunda (AIP). Por trás desse bloco estão os Estados Unidos, que querem recuperar a influência perdida na região. A Colômbia tem se afastado um pouco dos yankees, porque até hoje eles não atenderam reivindicação dos colombianos que é firmar um acordo de livre comércio entre os dois países. Além disso, os norte-americanos preferem concretizar tratados bilaterais, que é uma forma de desunir os países da América do Sul. O presidente colombiano recentemente afirmou: “Precisamos fazer um contraponto ao Brasil, ao Mercosul e à Alba, esta última criação de Chávez que tem o apoio do Equador e da Bolívia. Mas o que importa é que os EUA querem a divisão para poder mandar e continuar com sua política externa de exploração e espoliação dos povos periféricos.

Não compreendo a política externa brasileira com o chanceler Antônio Patriota à frente. O respeito como diplomata, mas o considero pouco incisivo no que tange a defender os interesses do Brasil, do Mercosul e da Unasul. A Venezuela, há muito tempo, por sua importância política e econômica, deveria estar integrada ao Mercosul, independente da posição do Paraguai, cujos políticos confundem preconceito ideológico com o pragmatismo necessário para que possamos ter um bloco econômico cada vez mais forte e que cooperou, sem sombra de dúvida, para que a América do Sul não sentisse tanto a crise internacional que desde 2008 aflige a Europa e os EUA.

Apoiado pelos EUA, Fujimori está preso é acusado de genocídio. Neoliberal.
    A presidenta Dilma Rousseff deveria ser mais dura com os golpistas do Paraguai, como o foram Lula e Celso Amorim no caso do golpe contra Manuel Zelaya. Só não fizeram mais porque não poderiam invadir Honduras. Contudo, a posição do Governo Lula foi franca, nada camaleônica e direta contra os golpistas, que até hoje lembram da posição diplomática do Brasil, País que, ao que parece, aprendeu com a história e por isso não tolera golpes de estado contra presidentes eleitos, como ocorreu aqui em 1964. 

     Apenas a direita aposta em aventuras pérfidas como essas, com o apoio irrestrito da imprensa burguesa e seus especialistas de prateleira. A Venezuela tem de ser parte do Mercosul e o presidente do Paraguai, filho da oligarquia, tem de ser chamado a atenção, porque dirigentes golpistas não podem ser sócios de países que respeitam o jogo democrático. O Brasil tem de fazer alguma coisa. A história de 1964 é muito triste. O golpe de estado no Paraguai é contra a América do Sul e a civilização. É isso aí.

sábado, 23 de junho de 2012

FHC: a submissão colonizada ao tirar os sapatos no aeroporto de Miami

Celso Lafer tirou os sapatos e escancarou a subserviência da elite deste País.

 Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


“Quem tirou os sapatos, de forma subalterna, não foi apenas o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, mas, sobretudo, o governo entreguista e neoliberal de FHC”. (DSF)

A notícia vergonhosa correu pelo Brasil em 31 de janeiro de 2002: “Ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tira os sapatos no aeroporto de Miami”.

Sempre quando tenho oportunidade cito este fato, este humilhante acontecimento para o Brasil e para o seu povo. O episódio é simbólico e retratou o Brasil colonizado, subserviente, dominado e sem esperança, porque autoridades descompromissadas com a grande Nação brasileira se submeteram aos ditames e aos interesses dos países considerados desenvolvidos, notadamente os EUA. Foi vergonhosa a conduta do senhor chanceler Celso Lafer, bem como demonstrou que quem tem complexo de vira-lata é uma parcela de nossa elite colonizada e atrasada, pois acostumada que é em receber ordens e migalhas de quem ela considera ser a Corte.

Espero, até o fim da minha vida, nunca mais ter de ver o Brasil de joelhos, com o pires na mão e submetido às ordens e aos interesses dos imperialistas colonizadores. As correntes neoliberais e oligárquicas do Itamaraty sempre defenderam que a instituição de Rio Branco efetivasse uma política externa de punhos de renda e mancomunada com os salões de Washington, Londres e Paris. Lula acabou com isso e efetivou uma política externa não alinhada e baseada na igualdade entre os países no que é relativo ao tratamento e aos respeito na hora de tratar de negócios e de política internacional.

O Brasil se voltou para a África, abriu espaços na Ásia amarela e no Oriente Médio e fortaleceu o Mercosul e a Unasul e rejeitou a Alca estadunidense que quase levou o México à bancarrota e à insolvência, bem como passou a participar com mais força e ênfase de questões internacionais, além de estar a lutar por uma cadeira cativa no Conselho de Segurança da ONU. A política do Itamaraty no Governo Lula foi independente ao ponto de ter sido criado o G-20 e os Brics, organizações criadas com forte influência brasileira e que hoje tem força econômica tão poderosa quanto o G-8, no que diz respeito à comparação dos PIBs e dos mercados internos desses 20 países com os dos países desenvolvidos e que atualmente estão a penar com a crise iniciada em 2008, que gerou alto desemprego, dívidas gigantescas e protestos, alguns violentos, nas ruas das metrópoles europeias e dos EUA. Hoje, o mundo vive uma nova realidade de correlação de força e poder. É visível. Não enxerga quem não quer. Intelectuais das universidades mais importantes do mundo e políticos e burocratas de países em crise econômica reconhecem esses novos fatores.

Além disso, o Governo de FHC (Itamaraty) teve a desfaçatez de propor que o Brasil apoiasse os países ocidentais belicosos na invasão do Iraque. Agora fica a pergunta que não quer calar: no futuro, hipoteticamente, qual seria a moral do Brasil em relação a ter apoio da comunidade internacional, por exemplo, se os EUA da América e seus aliados de pirataria da OTAN resolvessem invadir o gigante sulamericano de língua portuguesa por causa do pré-sal ou da Amazônia ou até mesmo por causa da água? Porque se um país invade o outro e o seu governo apoia ou participa de tal ação de guerra não tem como reclamar depois se for invadido. Não é isso? Pois bem, era exatamente este argumento que o grande chanceler nacionalista, Celso Amorim, usava para refutar “convites” para o Brasil fazer parte de alianças bélicas, de pirataria e rapinagem.

Voltemos aos sapatos e aos pés descalços do chanceler tucano de FHC. A conduta equivocada e submissa de Celso Lafer humilhou o valoroso e trabalhador povo brasileiro. Sempre quando tenho oportunidade lembro do lamentável acontecimento. Cito-o em muitos dos meus textos e artigos, em casa para a minha família, no restaurante com os amigos, no trabalho e em qualquer conversa, informal ou não, em que o Brasil e a sua independência e autonomia se tornam referências ou objeto de questionamentos. O tirar os sapatos do chanceler Celso Lafer resume o que foi o governo entreguista do vendilhão e neoliberal Fernando Henrique Cardoso e o seu descompromisso com a Pátria. É submissão em toda sua plenitude e o complexo de vira-lata na veia.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

RETRATO DE ROSA

ESPAÇO BICO DE PENA — Blog Palavra Livre



Encontro-me na varanda apetecida
À minha frente um jardim de rosas
É o sangue escarlate da vida
O véu refletido na noiva aurora

Há uma mistura de fragrância sonora
No olor da rosa encanecida
E concluo que a vida ardilosa
É a mágoa que se torna enraivecida

Ouço sua prosa terna
A tepidez que meu peito encerra
O veludo da sua voz de brisa

A rosa é como um sorriso de promessa
Um anjo com asas de pétalas
A plenitude do espírito sem ferida

Davis Sena Filho — Amambai/MS — 19/01/1982

terça-feira, 19 de junho de 2012

Merval Pereira e seus clones ficam furiosos e criam crise no PT por causa da aliança com Maluf



Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

O colunista de o ”O Globo” e “imortal” Merval Pereira, aquele que ganhou eleição do escritor consagrado e premiado, Antônio Torres, e passou a ocupar uma cadeira da Academia Brasileira de Letras (ABL), está muito irritado, hoje e sempre, com o Lula e o PT. Na verdade, o Merval está furibundo com o “lulopetismo”, palavra criada para desmerecer o político carismático que revolucionou o Brasil sem dar um tiro pelos jornalistas da imprensa de direita, porque, recentemente, o ex-presidente concretizou uma aliança com o PP paulista do deputado Paulo Maluf, com a intenção de ganhar 1,5 minuto no horário eleitoral do TRE, que será veiculado nas rádios e televisões.

Para quem não sabe, o PP é partido integrante da base do Governo Federal e desde 2004 ocupa a Pasta do Ministério das Cidades. Como se vê, não há nada de anormal na aliança entre os dois partidos na esfera municipal paulista, a não ser a revolta de jornalistas da velha imprensa oligárquica, que no passado apoiaram Paulo Maluf, e que, certamente e sem sombra de dúvida, considerariam muito normal se o PP paulistano apoiasse, como já apoiou, o candidato tucano e neoliberal José Serra, que para eles é a “elite da elite”, como afirmavam na campanha presidencial de 2010, da qual saíram derrotados mais uma vez.

A ex-prefeita de São Paulo e deputada pelo PSB, Luiza Erundina, afirmou agora há pouco à Rádio Brasil Atual que não vai abandonar a chapa de Fernando Haddad, na qual ela é candidata a vice-prefeita.  “Não sou de recuar. Vou manter a decisão, porque é uma decisão partidária. Vou me empenhar e fazer o melhor que puder para dar minha contribuição, mas vou procurar demarcar campos. De um lado está o seu Maluf; de outro lado estaremos nós e os setores da sociedade que não concordam, a meu ver, com essa aliança” — afirmou, sem deixar dúvida.

A direita partidária vai ter de engolir. E a imprensa corporativa e conservadora dos senhores Merval Pereira, Arnaldo Jabor, Ricardo Noblat, Míriam Leitão, Lúcia Hipólito, dentre muitos outros paladinos da ética e da liberdade de expressão, também. Eles estão inconformados e por isso o fel da desonestidade intelectual escorre de suas bocas e de suas penas alugadas pelos seus patrões, que controlam o sistema midiático brasileiro e combatem os governos trabalhistas incansavelmente, a fim de “salvar” o que lhes restam ainda: o Estado de São Paulo e sua capital, que é a maior e a mais rica metrópole do País

Erundina confirmou seu nome na chapa de Haddad. A imprensa vai mentir?
 Os barões da imprensa, por meio dos governantes do PSDB ou do DEM, conseguem manter seus negócios altamente lucrativos ao tempo que dão como contrapartida apoio político e midiático aos senhores José Serra, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Fernando Henrique Cardoso ou a qualquer político que seja compromissado com esse grupo, que já sofreu três derrotadas presidenciais e poderá perder as eleições para prefeito de São Paulo este ano, afinal o candidato petista Fernando Haddad já tem 8% das intenções dos votos, sendo que há cerca de dez dias tinha apenas 2%, o que deixava os tucanos e os demos de São Paulo e de todo o Brasil eufóricos e com vontade de comemorar antes de o jogo terminar, o que é um grave erro, inclusive no futebol.

No o “O Globo” de hoje Merval Pereira tergiversa, dissimula e manipula a realidade, a verdade, o jogo político que se apresenta em São Paulo. Ele não tem compromisso com o leitor e sim com os interesses políticos de seus patrões e dos tucanos paulistas que estão no poder há cerca de 30 anos. Vou mais além: Merval Pereira é useiro e vezeiro em ser porta-voz de Fernando Henrique Cardoso e da família Marinho, no que concerne a dar avisos, por intermédio de sua coluna de jornal e da sua presença em programas da Globo News, quando ele atua como especialista de prateleira.

Agora seu inconformismo com a aliança entre o PT e o PP paulistano o leva às raias da insensatez e da comoção sem sentido com “palavras de ordem” ridículas de sua lavra, como “Lula se sente acima do bem ou do mal” , “requintes de crueldade dessa aliança”, “pragmatismo do PT” e “faz (Lula) qualquer coisa para vencer as eleições”. As frases e os parágrafos de Merval são de uma tragédia nada inusitada ou espontânea. O global jornalista “imortal”, que derrotou o escritor e romancista Antônio Torres, autor de 16 livros e premiado com os prêmios Jabuti, Machado de Assis e reconhecido, em 1999, na França, com o título Cavaleiro das Artes e das Letras, dentre outros importantes reconhecimentos literários, finge não saber que o presidente Lula não tem de dar satisfação à imprensa e muito menos a jornalistas de oposição como ele.

Lula, sem mandato popular, está a repetir o que Getúlio Vargas fez de 1945 a 1950, quando se recolheu à sua fazenda em São Borja, no Rio Grande do Sul, sem, no entanto, deixar de fazer política, efetivar alianças e participar de decisões partidárias do Executivo, do Congresso, do PSD e do PTB em âmbito nacional, já que o presidente Eurico Gaspar Dutra recebeu seu apoio nas eleições, além de ter sido seu ministro do Exército, na época chamado de ministro da Guerra, e os partidos citados foram fundados pelo estadista gaúcho. Percebe-se, então, que Getúlio Vargas saiu do poder sem, contudo, perdê-lo. Essa realidade aconteceu porque o presidente trabalhista, do PTB, era “dono” de milhões de votos, mesmo com sua queda em 1945 perpetrada pelos militares, que mais uma vez o traíram e, em um golpe branco, o afastaram por alguns anos do poder.

Lula e Maluf: aliança em SP repete o que acontece em âmbito federal
 A mesmíssima coisa acontece com o outro presidente estadista e trabalhista, que fundou o PT, a CUT, dialóga com o MST e mobiliza milhões de pessoas, a grande maioria da classe trabalhadora rural e urbana, além dos estudantes e profissionais liberais, que acreditam no programa de governo do PT e não querem ver, nem de longe, os tucanos de volta ao poder, com seu projeto perverso de Pais, vendilhão de empresas nacionais, concentrador de renda e riqueza, bem como aniquilador de empregos e da felicidade. E aí o que acontece? Merval Pereira, em sua coluna despeitada, manipuladora e sem credibilidade tenta criar uma realidade de crise no PT, que, na verdade, “vive em crise”, pois se trata de um partido plural, aberto às discussões e com dezenas de representatividades à esquerda do espectro ideológico, além das correntes sociais democratas que o PT também tem. Fatos esses que não acontecem nos partidos conservadores e de aluguel.

Merval é um pobre coitado, que tem de mentir para se manter onde está. Tem de manipular para demonizar o maior partido trabalhista das Américas e um dos maiores do mundo, que revolucionou o Pais em apenas dez anos, a provar com isso que a direita, os reacionários que ficaram décadas no poder não fizeram o que tinham de fazer para o povo brasileiro porque não quiseram. Isto é fato e verdade. É notícia. É a realidade. Agora, o que resta à imprensa de direita, já que os tucanos não tem propostas para apresentar ao povo brasileiro? Mentir... mentir... mentir... nas rádios, como a Globo, CBN, Jovem Pan, etc. Mentir... mentir... mentir... nas televisões, como a Globo, a Bandeirantes, a Globo News etc., sem esquecer os jornais e as revistas, como a Veja e a Época, cujos editores Policarpo Jr. e Eumano Silva se envolveram, supostamente, com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que está preso na Papuda, presídio de Brasília.

Lula tem poder fora do poder, como Getúlio, e não vai abrir mão disso. Não adianta gente como o Merval Pereira e jornalistas como ele criticar, tentar pautá-lo ou coisa que o valha. Pode chorar. O choro é livre. Luiz Inácio Lula da Silva é um intelectual orgânico, o maior animal político surgido no Brasil nos últimos 40 anos, e não adianta a direita midiática e a partidária tentar desconstruí-lo com agressões desrespeitosas, como o fez hoje o radialista da Rádio Globo despolitizado e sem noção, Robson Aldir, que disse hoje, por volta das 4h20 da madrugada que “Lula e Maluf estão se lambendo”, ao ver as fotos de ambos no jornal direitista “O Globo”. Será que tal energúmeno falaria assim se o Maluf resolvesse apoiar o José Serra? A resposta fica a cargo do leitor.

Luiza Erundina, política séria, socialista e dedicada às causas de nossa sociedade, tem razão quando se sente constrangida em ter Paulo Maluf como aliado. Acontece que a aliança com Maluf é necessária porque o PT tem um objetivo que é vencer as eleições para poder, enfim, colocar em prática seu programa de governo no Estado e na cidade de São Paulo. Os tucanos venderam praticamente as estatais daquele estado e boicotaram os programas econômicos, financeiros e sociais do Governo Federal, o que fez com que a cidade e o estado bandeirantes experimentassem baixa em seus índices sociais e alta em criminalidade, desemprego, PIB e influência em termos de Pais.

Onde está o Merval? Muitos Mervais na Globo. São clones.

Merval Pereira e seus clones da imprensa podem falar (mal) de Lula, mas o petista sabe o que faz. Não foi ele que derrotou o José Serra e a imprensa burguesa e elegeu Dilma Rousseff presidenta? Não foi ele que derrotou os caciques de direita em vários estados e com isso garantir maioria no Senado para o Governo Dilma? Não foi ele que revolucionou o Brasil em todos os campos de economia e da sociedade? Erundina não vai recuar, abandonar a aliança com o PT, como ela deixou claro a quem quisesse ouví-la. A imprensa privada (privada nos dois sentidos, tá?) vai ter de criar outra crise, como tantas outras manipulações que fez nos últimos dez anos.  Então, somente resta dizer uma coisa para o Merval “imortal”: “Meu filho, o choro é livre, e eleição se ganha com alianças, nas urnas e não na sua coluna”. É isso aí.