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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Aécio fala muito e não diz nada; e Maílson é um comediante


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Aécio Neves é desconhecido da maioria dos brasileiros e tem fama de playboy e elitista.

O senador Aécio Neves, do PSDB mineiro, por ser neto do político legalista e avesso à gorilagem, Tancredo Neves, comporta-se ideologicamente como um direitista light, como se estivesse envergonhado, porque no fundo é um liberal, na acepção da palavra. O economista Maílson da Nóbrega, homem ligado profundamente aos interesses dos banqueiros, foi ministro da Fazenda do ex-presidente José Sarney, que atualmente ocupa a presidência do Senado Federal, além de ser, inacreditavelmente por causa de sua história, alvo da imprensa de mercado e de direita, que o não tolera por ele compor a base política do Governo Federal no Congresso. Nada como um dia após o outro. Logo os barões da imprensa, que adulavam e foram muito beneficiados por Sarney, tentaram, há poucos anos, derrubá-lo da presidência do Senado, no período de quando Lula era presidente.
  
Maílson para quem não sabe ou não se lembra saiu do Ministério com a inflação a bater perto dos 80% ao mês, ou seja, quase 1000% ao ano. Sua administração foi uma lástima e um desassossego para o povo ao tempo que um processo financeiro formidável para os ricos e os muitos ricos, que deitaram e rolaram com o mel na sopa elaborado pelo chef de cozinha da máquina estatal Maílson da Nóbrega. Tal personagem ainda teve a ousadia de chamar de legado a hiperinflação que ele não conseguiu combater para diminuí-la.

Tal professor de economia, ao contrário de Aécio Neves, não se importa em ser considerado de direita, como ocorre até mesmo com cidadãos comuns que dissimulam suas razões ideológicas em um simples bate-papo.  Pelo contrário, ao perceber que o governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff efetivaria, de fato, a queda das taxas de juros, Maílson, um dos porta-vozes da direita brasileira e do establishment internacional quando se trata dos interesses dos banqueiros prontamente avisou através da mídia de negócios privados que os seus patrões não estavam nada satisfeitos e que não iriam aceitar a nova realidade implementada pelo governo.

Os artigos recentes de Aécio Neves, na Folha de S. Paulo, e de Maílson da Nóbrega, na Veja, retratam, fidedignamente, que esses dois personagens quase surrealistas não têm nada a acrescentar no que diz respeito à economia e a alguma proposta de governo e projeto de País para oferecer ao povo brasileiro. Aécio falou e falou, mas não disse nada, pois fez críticas simplórias, sem substância e fundamento, além de defender o indefensável, que foi sua atitude no que é relativo à diminuição do preço da tarifa de energia, juntamente com outros governadores tucanos, inclusive o atual de Minas, Antonio Anastasia, o que me leva a pensar que o político mineiro optou por defender os interesses dos acionistas e dos rentistas, em vez dos interesses da população e dos empresários, que, publicamente, apoiaram o Governo, bem como criticaram acidamente a imprensa alienígena e os governadores tucanos. Esta é a verdade. O resto é conversa para boi dormir.

Maílson foi o ministro da hiperinflação e mesmo assim  quer ditar regras.
Quanto a Maílson da Nóbrega, simplesmente é visível sua desenvoltura para defender aqueles que estão acima do bem e do mal, de acordo com o que eles pensam por terem muito dinheiro e influência. Considero tal figura como um papagaio de pirata, um menino de recado, subserviente, regiamente bem pago para fazer o que sabe: defender o que deu errado, como ocorre agora na Europa, e não é necessário explicar o porquê, além de jogar no ventilador dúvidas, distorções, dissimulações e até mentiras para receber o apoio do cidadão conservador e confundir a classe média e a alta sociedade de perfil reacionário, despolitizado, ressentido, alienado e colonizado, mas tão ou mais cruel que o pica-pau do desenho animado.

Aécio Neves e Maílson da Nóbrega são o que a direita têm, mas não são ouvidos pelo povo brasileiro. Maílson é ainda mais enfadonho e cansativo, porque sabemos que ele é apenas um capataz de banqueiro e porta-voz dos empresários de comunicação, que não estão nem aí para o País, mas que abrem, por exemplo, as portas da Globo News para que tal executivo fale suas abobrinhas para a classe média ressentida e os colunistas ou comentaristas de direita que têm a cara-de-pau de repercutir tanta incongruência, desfaçatez e insensatez, ou seja, asneiras. Maílson poderia contar piadas, igual a um comediante.

A razão disso é porque, indelevelmente, suas palavras não condizem com a realidade pela qual passa o Brasil. Somente isso. Já Aécio Neves vai ter de falar muito para convencer, viajar muito, apresentar suas propostas e os resultados de seus governos em Minas Gerais, e, sobremaneira, descolar-se da sua imagem de playboy, de mauricinho irresponsável, de boêmio e até mesmo de ébrio, como ocorre na blogosfera, que, inegavelmente, é um poder midiático considerável. Principalmente a de esquerda. A única coisa que eu não sei é se o político mineiro vai fazer uma campanha de tão baixo nível como foram as de José Serra, que está a se fingir de morto, como se comportam os gambás quando cercados por cães de caça ou de guarda. É isso aí.

Obama, Brasil, imprensa, neoliberalismo e nova ordem mundial

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Obs - Artigo escrito em 2008 após Obama vencer as eleições.



Barack Hussein Obama II, advogado de 47 anos, senador da República e recém-eleito presidente dos Estados Unidos da América — a Nação mais rica do mundo e a maior potência militar da história da humanidade. Esta apresentação poderia ser para qualquer homem eleito presidente nos Estados Unidos, se não fosse uma realidade, que até pouco tempo jamais pensaríamos que fosse acontecer: Barack Obama é um homem negro, em um país que há um pouco mais de 30 anos era, irremediavelmente, dividido entre raças, de forma institucional e rotineira, o que fazia da nação mais poderosa do mundo um lugar de desassossego, violência e vergonha moral e espiritual.



Lembro-me quando pequeno, na década de 1960, e adolescente e jovem, nas décadas de 1970 e 1980, que os Estados Unidos, extra-oficial e oficialmente, experimentava uma grande convulsão social, no que concerne ao direitos civis para a população negra daquela terra. Descendentes de escravos, os negros não tinham acesso, de forma plena, aos serviços públicos e ao direito de, por exemplo, estudar. Seus empregos eram os piores, os mais perigosos e mal pagos.



O absurdo era tanto que, em plena década de 1970 e início da de 1980, os estados sulistas e outros, não tanto ao sul daquele país, não permitiam que os negros entrassem em certos restaurantes, não usassem o elevador social, fossem proibidos de sentar em bancos dianteiros dos veículos coletivos ou simplesmente não pudessem usar o mesmo banheiro, destinado aos brancos. Era concretamente um país dividido, que, por razões econômicas, políticas e raciais foi testemunha do assassinato de duas das maiores lideranças negras até hoje existentes nos Estados Unidos, personificadas no líder dos direitos civis, Martin Luther King, e do revolucionário Malcolm X, que, radical, pregava a luta armada e, com o tempo, passou a propor o diálogo e a negociação para resolver os problemas e as condições que a comunidade negra norte-americana queria discutir e modificar.



A vitória de Barack Obama é emblemática, por ele ser multirracial. Seu pai, negro, do Quênia, sua mãe, branca, do estado do Kansas, deram-lhe a possibilidade de o presidente eleito conhecer as contradições, os conflitos e os diferentes pensamentos no que é relativo à realidade estadunidense e às diferentes etnias que compõem o tecido social dos Estados Unidos.



Obama, além de ser fruto de uma relação inter-racial, é filho de pais de forte formação universitária. Sua mãe, An Dunham, antropóloga, seu pai, Barak Obama Senior, economista, fez com que ele, desde cedo, convivesse com o mundo acadêmico. Seus pais se separaram após dois anos de convivência e sua mãe, posteriormente, casou-se com Lolo Soetoro, indonésio que ajudou a criar o 44º presidente dos Estados Unidos.



Nascido em Honolulu, no Havaí, Barack Obama morou também na Indonésia, em Jacarta. Como se vê, o presidente eleito é realmente multirracial e multicultural e por isso há uma enorme esperança de esse homem ter uma maior compreensão em relação às diferenças entre as raças e principalmente entre as culturas, entre as nações, porque, na realidade, raça não existe. O que existe, e apenas isso, é a espécie humana. Obama traz, por enquanto, a esperança de diálogo, democracia e compreensão para que os países resolvam suas contradições e até mesmo suas rivalidades. Não é um político comum, por causa de suas origens, bem como de sua plataforma política.



O mundo está cansado de ficar preso, amarrado a interesses que não convêm ao desenvolvimento socioeconômico dos povos. O mundo teve de enfrentar, nesses últimos oito anos, o unilateralismo do Governo Bush, que não atuou conjuntamente com a comunidade internacional, no sentido do propiciar o entendimento entre as nações e dialogar e negociar as diferenças entre os governos. Bush não atendeu as resoluções da ONU e iniciou guerras, invadiu o Iraque e o Afeganistão.



Além disso, o presidente republicano se recusou a assinar o Tratado de Kioto, que visa implementar e implantar ações e leis internacionais que permitam a defesa das riquezas naturais, tão caras à humanidade e à vida no planeta, como as florestas e as águas. Os diferentes biomas têm sofrido com a falta de proteção e são destruídos, em progressão geométrica, por causa do aquecimento global e do enorme índice de poluição, cujo maior poluidor da terra são os Estados Unidos, que, no decorrer da administração Bush, recusou-se a assinar tal tratado.



Também houve outra questão muito grave, no que é relativo aos direitos humanos. Depois do atentado do dia 11 de setembro, quando o World Trade Center foi demolido por ataques sem precedentes, os Estados Unidos rasgaram todos pactos que tratam da condição humana e seus direitos, mesmo em época de guerra. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, elaborada após o fim da II Guerra Mundial, em 1945, foi rasgada pelo presidente estadunidense e seus principais assessores, denominados de falcões, aves consideradas de rapina. Nada é mais real, e simbólico.



Milhares de pessoas foram presas sem provas e sem acusações formalizadas. Cadeias existentes e construídas em todo planeta passaram a ser as sucursais do inferno. A ONU e grupos de direitos humanos existentes em todo planeta passaram a denunciar a existência de prisões clandestinas, onde a tortura e o assassinato são a rotina do dia-a-dia. O Governo Bush rasgou os mandamentos da civilização e a humanidade experimentou um retrocesso jamais observado após a II Guerra Mundial. Nada que surpreendesse a comunidade internacional, quando os fundamentalistas do mercado estão no poder e tem como fundamento o lucro e não a ética e a conduta humanitária.



Barack Hussein Obama representa, por ora, até porque ele ainda não governou, a esperança de um mundo que privilegie o diálogo e aprenda a negociar os interesses e a respeitar as diferenças econômicas e culturais de cada nação, de cada país. O capitalismo é o sistema hegemônico, mas tem de ser regulamentado, domado e fiscalizado, porque poderá acontecer novamente a degeneração do sistema de mercados, como ocorreu e ocorre recentemente nos Estados Unidos e na Europa. A irresponsabilidade daquele que tem responsabilidade com o capital tem de ser punida exemplarmente, porque a vida das pessoas são únicas e por isso não podem ficar à mercê de governantes belicosos e irresponsáveis, que têm a cumplicidade da mídia e de todos aqueles que aceitam receber restos, por não serem politizados, humanistas e apoiam, mesmo quando omissos, esse jogo sujo e sórdido para se locupletar.



A vitória de Barack Obama é a vitória de todos os povos que formam o povo estadunidense. A vitória não é somente dos negros, até porque eles são apenas treze por cento da população. Portanto, chega-se a conclusão que Obama teve uma proporção muito maior dos votos da população branca do que da população negra. Como também teve maioria na população hispânica. O multirracial Obama representa a vitória do multilateralismo e não do unilateralismo entre os países e, conseqüentemente, entre as pessoas.



A eleição de Obama representa a derrota do neoliberalismo (econômico), sistema de expoliação lançado pelo Consenso de Washington em 1989 e que quase levou à falência os países da América Latina, da Ásia e da África. O neoliberalismo, de Margareth Tatcher e de Ronald Reagan, defendido pelos jornalistas de economia e pelos barões da grande imprensa tupiniquim, bem como pelas elites acadêmicas e econômicas, e posto em prática por governantes da estirpe de Fernando Henrique Cardoso, Carlos Salinas de Gortari, Alberto Fujimori e Carlos Menem, foi dissolvido, como não deixa dúvidas a atual crise mundial.



Todos esses mandatários foram punidos, de uma forma ou outra, com exceção do brasileiro Fernando Henrique Cardoso, que privatizou empresas estatais da grandeza da Vale do Rio Doce e do Sistema Telebrás e até hoje não responde por esse questionado processo de privatização, que, conforme técnicos do Governo e das empresas privatizadas, foram vendidas a preços bem abaixo do mercado e hoje não exercem papel social, porque os preços das tarifas são altíssimos, as empresas não investem no interior do Brasil, notadamente no Norte e no Nordeste e as remessas de lucros para o exterior chegam a ser indecentes, pois toda dinheirama, fruto do trabalho de brasileiros de diferentes gerações, vai direto para os bolsos dos novos proprietários da telefonia brasileira em vez de ser investida no desenvolvimeto social do povo do Brasil. Quando estatais de grande porte são alienadas, a capacidade de investimento de qualquer País é diminuída.



O que se provou, e este fato é irremediavelmente verdadeiro, é que quando a iniciativa privada é gerida com irresponsabilidade quem tem de intervir e salvar o sistema capitalista da bancarrota é o velho e bom Estado. Com isso, todas teses neoliberais, exaustivamente expostas e defendidas pela imprensa burguesa e seus doutores economistas de plantão por quase 30 anos, foram por água abaixo, o que fez com que muitos desses yuppies arrogantes ficassem com cara de palerma e de pateta na televisão, nas salas das universidades, nos partidos políticos de direita e em fóruns empresariais tradicionais. O neoliberalismo foi um gigante com pés de barro. Estado mínimo é conversa fiada de neoliberal, que tem o propósito de combater e desvalorizar os estados nacionais a fim de sempre obter mais e maiores lucros e manter o status quo das pessoas que habitam o pico da pirâmide social intacto.



O fim da era Bush e a ascensão de Barack Obama representam a busca de um novo modelo econômico para o capitalismo, bem como mudanças nas relações entre os países e até mesmo entre as pessoas. O neoliberalismo, como sistema de expoliação e de exploração mercantilista, tornou-se trágico para a humanidade, que entrou em um processo de violência e decadência moral, no que concerne à procura, incessante, da satisfação dos desejos de consumo, da obsessão pelo acúmulo de riquezas, pela desvalorização de valores pétreos, representados pelo estudo, pelo trabalho e pelo respeito à lei. As sociedades nesses anos se tornaram mais injustas, menos igualitárias e a democracia passou a ser algo como um sonho de consumo em vez de ser um modo real de viver.



A democracia representativa ocidental ainda não conseguiu resolver problemas como as guerras, assim como distribuir riqueza e renda, além de, por incrível que pareça, eliminar a fome em suas sociedades. Acredito que a democracia tem de ser popular, ou seja, que as decisões sobre determinado assunto sejam tomadas diretamente pelos povos junto a seus governos. A democracia representativa é indireta, enquanto a popular é direta. A maioria dos países ocidentais têm como sistema político-eleitoral a democracia representativa, que não resolveu e não resolve problemas básicos como a fome e a miséria, porque ela não é real e sim ornamental, conquanto controlada pelas oligarquias urbanas e rurais.



A América Latina tem experimentado mudanças de ares. Em vários países os governos têm, rotineiramente, consultado suas populações no que é relativo a um sem-número de assuntos, por intermédio de propostas que são votadas em referendos. Na democracia popular, as pessoas, os cidadãos são ouvidos e decidem sobre seus interesses. A democracia representativa é uma fraude, porque propicia exclusão econômica e social dos povos que vivem sob esse regime político. Esse tipo de democracia acontece em países importantes como o Brasil e os Estados Unidos. O primeiro é uma pontência regional e o segundo, potência mundial.



Nos Estados Unidos, a democracia é indireta. O povo vota, mas quem decide são os delegados eleitos, que formam um colégio eleitoral, para, por exemplo, escolher o presidente da república. Eleições democráticas mais indiretas que essas no mundo ocidental é impossível, mesmo assim a imprensa burguesa, especificamente a brasileira, de forma servil e aduladora, canta loas e boas à democracia estadunidense, que é eleitoralmente menos ampla do que a brasileira que, apesar de representativa e não popular, sem sombra de dúvida, é mais democrática e, por conseguinte, mais justa.



De qualquer forma se observa, na América Latina, a efetivação da democracia popular. Esse alvissareiro fato representa a recuperação da soberania dos povos latinos, que tiveram suas liberdades democráticas usurpadas por séculos, inclusive com a intromissão indevida de sucessivos governos estadunidenses, com a cumplicidade das oligarquias latinas, que nunca, em hipótese alguma, importaram-se com o desenvolvimento social dos povos de quem, querendo ou não, são integrantes. A democracia representativa, ao contrário da popular, usurpa a autonomia e a liberdade de decisão dos povos em que nela estão inseridos em um contexto de representatividade que, na verdade, defende os interesses econômicos de uma minoria privilegiada, que quer viver eternamente como paxás ou nababos.



Barack Obama, como democrata, herdeiro de uma multilaridade que tem como base sua origem multirracial, e ator principal da política internacional, vai ter, de uma forma ou de outra, que dialogar com o oriente e com o ocidente e negociar, politicamente, os interesses de cada país, principalmente aqueles que são considerados inimigos do Tio Sam, casos de Iran, Iraque, Coréia do Norte, Síria e Afeganistão, bem como os que continuam ainda a ser potências militares, a exemplo da Rússia, além das potências emergentes, como a Índia, a China e o Brasil, País da América do Sul, oitava economia do mundo, cujo Produto Interno Bruto (PIB) de 2007 foi de R$ 1,3 trilhão, valor altíssimo e que coloca o Brasil entre os países mais poderosos do mundo, apesar de a imprensa burguesa, colonizada, provinciana e mesquinha fingir que nada está a acontecer para melhor, nos aspectos econômico e social, no decorrer desses seis anos de Governo Lula.



Os países, seus governos e suas sociedades não querem voltar à Idade Média, como ocorreu quando os fundamentalistas cristãos e do mercado chegaram ao poder, por intermédio da ascensão política do presidente beligerante George Walker Bush, que se autodenominou o “presidente da guerra”. O que se observa, no momento, é que o mundo quer uma nova realidade, que, ao meu entender, tem de se basear na cooperação entre os povos e na luta por um planeta mais seguro e que combata epidemias como a aids, epidemias como a fome e que isole governantes oportunistas e irresponsáveis que têm como princípios governamentais ou administrativos atender os interesses da indústria bélica e fazer desse mundo um lugar para poucos privilegiados.



Quando foi implementado no mundo, em 1989, o sistema neoliberal, inclusive, se necessário, com o uso da força, a imprensa burguesa, que não tem pátria e nem cultura e muito menos lealdade com seus povos, festejou, irresponsavelmente, o que foi estabelecido como nova ordem mundial. O neoliberalismo era a solução e o pai dele no Brasil um político, que veio da esquerda, mas que negociou com a direita sua candidatura a presidente da República. Fernando Henrique Cardoso foi presidente da República por oito anos e, nesse intervalo de tempo, foi ao Fundo Monetário Nacional (FMI) por três vezes. Vendeu estatais e não investiu no povo brasileiro, porque homens como FHC administram números e não pessoas. Esse fato é essencial para haver compreensão do que é humano e social e do que não o é.



Políticos comandam técnicos. Não podem os técnicos comandarem os políticos. Por quê? Porque políticos tratam de gente, cuidam de gente e administram o comando do que vai ser feito com o dinheiro público, que é de todos e não de poucos. O neoliberalismo de Margareth Tatcher, levado a cabo, de forma fundamentalista, por técnicos idiotizados e colonizados por Wall Street, que há pouco tempo derreteu, não atendeu às demandas humanas. E o homem é a essência da existência. Ele é fundamental. Sem as pessoas, não há governos. Não há, inclusive, exploração financeira. Sem as pessoas, não há economia.



Um dos motivos para o fracasso do neoliberalismo é que esse sistema não enxerga a pessoa humana como referência a ser preservada, cuidada e respeitada. Afinal, a vida é passageira. O político neoliberal é um equivocado, direito este que ele não tem. Os técnicos, como se diz na gíria, podem até viajar na maionese, mas o político tem de ser cônscio de suas responsabilidades e arbitrar os projetos e programas que beneficiam as populações, mesmo se tal técnico pensar diferente, o que, na verdade, não importa, quando o político é leal aos cidadãos, até porque quem manda é ele, pois, do contrário, de um jeito ou outro, um dia ele também fracassará como político e terá de encerrar sua carreira, como sempre acontece, mesmo se demorar.



Com o derretimento de Wall Street, com forte repercussão na Europa, Barack Obama terá de dialogar e negociar uma nova ordem mundial com atores antigos e novos. Certamente, creio eu, que governos que se dizem democráticos não querem a continuação da Idade Média de Bush e seus falcões. Agora, resta-nos esperar e ver como o presidente Obama irá proceder politicamente em relação à comunidade internacional.



O unilateralismo de Bush não tem mais espaço. Os estadunidenses não estão sozinhos no mundo e o mundo não é somente deles. É de todos, como provam a Rússia, a China, a Índia, os europeus ricos e nada confiáveis, o Japão e o Brasil, que enfim luta por seus direitos na ONU e em outros fóruns importantes e exerce uma diplomacia independente, não-alinhada e que busca, sobretudo, ser protagonista e não mais coadjuvante, apesar do não reconhecimento da direita e da burrice, do “jequismo” e da mesquinhez, incrustados nos corações e nas mentes daqueles que defendem os interesses da imprensa burguesa, a imprensa empresarial, que se transformou há muito tempo, para a infelicidade do Brasil, em partido político conservador — o Partido da Imprensa. É isso ai. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A luz que queima os olhos da imprensa não deixa o povo cego

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Estou aqui a pensar o que leva os megaempresários da imprensa, dos meios de comunicação comerciais e privados a nadar contra a maré ou a dar tiros em seus pés quando se trata de favorecer não somente o povo brasileiro, mas também a classe empresarial, dona e responsável pelo setor produtivo e que tem importantíssimo papel no que tange ao desenvolvimento da sociedade brasileira em todos os sentidos.



A presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, anuncia a queda nos preços da luz, da energia, com o apoio quase unânime da população e dos empresários da Fiesp e da Fierj, além de outras federações do País. De forma incoerente e inconsequente, os donos de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão publicam editoriais contrários à diminuição dos preços de energia, fato este essencial para que o chamado custo Brasil tão criticado pelas famílias midiáticas e seus especialistas de prateleiras durante anos a fio, e que agora, de maneira oportunista e raivosa, questionam a decisão do Governo trabalhista e publicam palavras tão ridículas e sem sentido que até setores ideologicamente conservadores do mundo empresarial estão literalmente de saco cheio dos barões da imprensa de tradição golpista, pois os considero a categoria do empresariado mais reacionária e atrasada — a verdadeira lástima.

Como se percebe, tal empresariado midiático é e sempre vai ser contra os interesses do Brasil, porque eles são parte de uma plutocracia mundial que não tem pátria e muito menos sentimento de brasilidade. Eles são alienígenas e como tal não comportam em suas ações e atitudes a busca ou a luta para que o Brasil e seus cidadãos tenham acesso a uma vida de melhor qualidade, que propicie a conquista plena da cidadania e, consequentemente, sua emancipação.

Por isto e nada mais do que isto são publicados artigos e editoriais despidos de coerência e inteligência, porque essas palavras não fazem parte do dicionário da direita reacionária e herdeira da escravidão, que, de forma soberba e, por conseguinte, intolerante, negam o que pregavam e não se importam sequer com o que seus leitores pensam a respeito de tanta desfaçatez. Os barões da imprensa, realmente, querem ver o circo pegar fogo e assim darem continuidade a seus atos de oposição irada e feroz, porque eles sabem muito bem que o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e ter de ver seus candidatos de direita derrotados pela quarta vez pelos trabalhistas é pior do que cortar os punhos.

Essa gente rancorosa e ressentida, que não desiste nunca vai fazer o possível e o impossível para derrotar o PT e seus aliados. Não importa se seus candidatos do PSDB ou de outro partido que o valha incorram em erros politicamente graves, a exemplo do mais recente, como no caso da queda dos preços da luz e da energia. Os líderes do PSDB e os barões da imprensa optaram por defender, evidentemente, os interesses das multinacionais e de seus rentistas, acionistas de empresas retransmissoras de energia que foram privatizadas, como ocorreu com o alter ego de FHC — o Neoliberal —, o senador tucano Aécio Neves, pré-candidato a presidente.

Não importa também para os editorialistas da imprensa de negócios privados se os governadores do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais e de Goiás, todos eles tucanos, e o de Santa Catarina, do PSD, boicotaram e ainda boicotam o programa do Governo Federal para baixar os preços das tarifas de energia elétrica. O que importa, sobremaneira, é fazer oposição sistemática e por isso irracional e perversa, mesmo se a energia custar menos para as empresas midiáticas familiares, monopolizadas, que,  obviamente, vão ser beneficiadas.

Agora, a pergunta que teima em não calar: os empresários da mídia de mercado vão abrir mão das tarifas a preços mais baixos para o consumo de energia? Respondo: não! E por quê? Porque empresário de imprensa e seus áulicos não dão ponto sem nó, apesar de seus imensos complexos de vira-latas e de suas mentes colonizadas e alienígenas. Contudo, e apesar de tudo, o Governo trabalhista de Dilma Rousseff vai continuar a efetivar programas e projetos para que a economia brasileira se fortaleça e continue a ofertar o pleno emprego, o que não acontece na Europa e nos EUA, coisa que a imprensa burguesa há alguns anos tentou esconder — censurar. 

A economia vai crescer este ano, porque as bases para isso foram implementadas pelo Ministério da Fazenda cujo ministro, Guido Mantega, tornou-se alvo da imprensa conservadora que quer sua saída, como se o Mantega não fosse um dos principais responsáveis pelo Brasil estar a viver um ciclo formidável de desenvolvimento social e econômico. A caravana passa e a oposição grita. É seu direito de se expressar, inclusive direito constitucional. A luz que queima os olhos dos barões da imprensa não deixa o povo cego. É isso aí.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Aécio Neves fala, mas a realidade é outra

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

O pré-candidato a presidente da direita brasileira e também, por que, não, dos conservadores estrangeiros, senador Aécio Neves (PSDB/MG), está muito preocupado com o sistema de energia do País, bem como com a inflação, que, inversamente ao que ele fala, está controlada e dentro dos índices esperados pelo Ministério da Fazenda e o Banco Central. A verdade é que a realidade do Brasil não é a que o senador tucano vê. É outra.

FHC quando se olha no espelho vê o Aécio Neves, seu alter ego mais jovem.
Para o tucano mineiro, os trabalhistas, com quem seu avô, Tancredo Neves, conviveu e apoiou durante décadas e que ocupam a cadeira da Presidência da República há mais de dez anos, além de realizarem uma revolução silenciosa no Brasil reconhecida pela comunidade internacional, não administram com correção e responsabilidade o País e muito menos têm competência para tocar o barco para águas mais calmas e, por sua vez, livre de ondas traiçoeiras, que podem afundar o poderoso País da América do Sul, e que colunista da Veja, colonizado e com um incomensurável complexo de vira-lata, teima em tratá-lo pelo nome de “Banânia”.

É dessa forma que a banda toca nesses pagos tropicais quando a direita não está no poder, porque talvez quando esteve não se preocupou em governar para o povo, principalmente a parcela mais exposta às intempéries da vida, exatamente aquela que historicamente fica à margem do processo de desenvolvimento social e econômico, e que durante séculos foi tratada como pária pelos burgueses e pequenos burgueses, ideologicamente perversos, racistas, reacionários, egoístas, exclusivistas, portanto, sectários e totalmente avessos à inclusão dos que foram barrados nas portas de suas festas, ou seja, do baile.

Aliás, festa é um tipo de evento que o tucano Aécio Neves é grande frequentador, um “glamouroso” conviva e talvez um sócio honorário da high society, especialmente a carioca. Até aí tudo bem. Quase todo mundo gosta de festas, divertir-se com os amigos e conhecer pessoas. É normal. O que não é normal é o político tucano falar de inflação quando o seu “guru”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – o Neoliberal –, deixou o poder com uma inflação de 12,5% no último ano de seu mandato, enquanto o presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva saiu da presidência com uma inflação de 4,6%. Se formos para o acumulado dos oito anos de cada presidente, a espiral inflacionária do governo Lula é cerca de 40% menor do que a do governo neoliberal de FHC.

A meta para inflação em 2013 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. E é exatamente o que vai acontecer, apesar do histerismo das oposições partidárias e principalmente dos “especialistas” de prateleiras da Globo News, do JN e dos jornalões e revistas de oposição sistemática, presunçosa e irracional perpetrada pelos seus colunistas, editorialistas, comentaristas, editores e até repórteres, que se esforçam para fazer um panorama do Brasil o pior possível, como se estivéssemos a enfrentar um hecatombe da proporção do que o neoliberalismo sem regras e fiscalização fez com as economias dos Estados Unidos e da União Europeia, o que de fato não ocorreu no Brasil governado por mandatários trabalhistas.

Aécio Neves, o candidato da direita, também chamou a atenção com sua imensa preocupação com a capacidade de o Brasil gerar energia para a população e os setores produtivos. Aliás, os jornalistas da imprensa de direita e da direita estão também deveras incomodados e até mesmo temerosos de o Brasil ficar em plena escuridão, como ocorreu, em 2001, no governo do neoliberal FHC, que, preocupado em vender o patrimônio público, parou de investir no setor de energia elétrica, bem como na Petrobras ou tudo que fosse vinculado à infraestrutura do País, como os portos, os aeroportos e as ferrovias. Tudo, sem sombra de dúvida, abandonado propositalmente para facilitar a alienação do que é bem patrimonial de uma nação e não de um grupo privatista, irresponsável, e sem nenhum compromisso com o futuro do Brasil e das gerações vindouras.

A suposta preocupação de Aécio Neves me comoveria se não fosse ele o alter ego de FHC – o Neoliberal -, que se enxerga no tucano mineiro como se olhasse para o espelho quando mais jovem. A vocação do playboy. Não a do playboyzinho de butique barata, de óculos escuros e que anda em um carrinho ou uma motinha para atrair as menininhas do bairro ou do colégio. Mas o playboy verdadeiro, da alta sociedade, que tem dinheiro e influência, e, não satisfeito, almeja e deseja sempre o poder político para manter, a qualquer custo, o status quo das classes sociais que eles defendem e representam: a dos ricos e a dos muito ricos. E a parte da classe média de perfil lacerdista, agressiva e ressentida? Respondo: deixa a coitada continuar a ser otária e a acreditar na imprensa comercial e privada.

Quando FHC se olha no espelho vê o Aécio Neves e vice-versa. É por isso que os dois são farinha do mesmo saco. Não existe preocupação nenhuma dos tucanos com o desenvolvimento da população deste País. E por quê? Porque eles representam as classes sociais hegemônicas, abastadas e que nunca, nem hipoteticamente, quiseram negociar com o todo da sociedade brasileira um processo político que viabilizasse a distribuição de renda e riqueza ou a diminuição das desigualdades sociais e regionais. Quem é inquilino do pico da pirâmide social não negocia e não aceita a confrontação política, ou seja, o jogo democrático, e é exatamente por isso que vivemos em um País em que a calúnia, a injúria, a difamação e a mentira campeiam nos meios de comunicação de negócios privados, que são os verdadeiros e autênticos porta-vozes dos interesses do grande capital, tanto no âmbito interno quanto no externo.

Aécio Neves tal qual a FHC se importa com o povo brasileiro tanto o quanto o tucano mineiro se dedicou a combater, juntamente com o governador de Minas, Antônio Anastasia, a queda de 20% do preço da energia. Não somente o governador de Minas, porque os governadores de Goiás, de São Paulo, do Paraná e o de Santa Catarina, que é do PSD, mas tem alma tucana, boicotaram a diminuição da conta de luz em favor dos acionistas das companhias de energia controladas por estados governados por políticos do PSDB. Ponto.

O Brasil vai crescer este ano e com isso dar continuidade ao ciclo formidável de progresso pelo qual passa o povo brasileiro nos últimos dez anos. O dever de casa foi feito pelo atual governo trabalhista em 2012, e por isso a colheita vai ser de bons frutos este ano. Quem viver verá, apesar da manipulação e do histerismo da imprensa de mercado e do mercado. Contudo, encerro por aqui este artigo ao tempo que solicito ao leitor para ler com atenção abaixo.


1) Taxa de inflação (IPCA):

FHC (1995-2002) - 100,6;

Lula (2003-2010) - 50,3%;

2) Taxa de Desemprego (IBGE):

FHC (Dezembro de 2002) - 10,5%;

Dilma (Dezenbro de 2011) - 4,7%;

3) Taxa Selic (Banco Central):

FHC (Dezembro de 2002) - 25% a.a.;

Dilma (Agosto de 2012) - 7,5% a.a.;

4) Salário Mínimo (IBGE):

FHC (Dezembro de 2002) - R$ 200 (US$ 56);

Dilma (Agosto de 2012) - R$ 622 (US$ 306);

5) Investimentos Públicos (Banco Central):

FHC (2002) - 1,5% do PIB;

Lula (2010) - 2,9% do PIB;

6) Dívida Pública Líquida (Banco Central):

FHC (Dezembro de 2002) - 51,5% do PIB;

Dilma (Julho de 2012) - 34,9% do PIB.

7) Reservas Internacionais Líquidas (Banco Central):

FHC (Dezembro de 2002) - US$ 16 bilhões;

Dilma (Agosto de 2012) - US$ 372 bilhões;

8) PIB (Banco Central):

FHC (2002) - US$ 459 bilhões (2o. da América Latina e 15o. do Mundo);
Dilma (2012) - US$ 2,4 Trilhões (1o. da América Latina, 2o. das Américas e sexto do Mundo); 

9) Exportações (Banco Central):

FHC (2002) - US$ 60 bilhões;

Dilma (2012) - US$ 256 bilhões;

10) Empregos Formais (Caged-Ministério do Trabalho):

FHC (1995-2002) - 5 milhões;
Lula-Dilma (2003-2011) - 17 milhões;

11) Escolas Técnicas Federais (MEC):

FHC - 11;

Lula - 224;

  
12) Universidades Federais (MEC):

FHC - 1;

Lula - 14;

13) ProUni (MEC):

FHC - Não existia;

Lula-Dilma - 1 milhão de estudantes beneficiados;

14) Crescimento Econômico:

FHC (1995-2002) - 2,3% a.a.;
Lula (2003-2010) - 4,6% a.a..

15) Balança Comercial (Banco Central):

FHC (1995-2002) - Déficit de US$ 8,7 bilhões;
Lula-Dilma (2003-2011) - Superávit de US$ 290 bilhões. 

Não é necessário comentar nada. Os números se encarregam de desmascarar o que a imprensa burguesa e sectária propaga de forma proposital para desqualificar os governos trabalhistas e do PT de Lula e de Dilma. Aécio Neves apenas está a fazer o que lhe cabe: conseguir um gancho ou um mote para poder usar como contraponto ao Governo Dilma Rousseff.



Entretanto, tal político que se diz compromissado com a população representa, na realidade, a alta sociedade brasileira e seus interesses políticos e econômicos. Não é à toa que Aécio há muito tempo esqueceu de onde vem a origem política de seu avô, ministro dos presidentes Getúlio Vargas e de João Goulart, ambos trabalhistas e golpeados do poder pela direita brasileira herdeira da escravidão.  

Links:

Tabela comparativa entre governos Lula e FHC: 

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/04/12/tabelinha-para-matar-tucano-luladilma-10-x-0-cerrafhc/

Indicadores econômicos brasileiros:

http://www.bcb.gov.br/?INDECO

FHC critica herança do governo Lula para Dilma:

http://brasil247.com/pt/247/poder/75336/FHC-diz-que-Lula-legou-heran%C3%A7a-maldita-a-Dilma.htm


Comparação das taxas de inflação: Governo Lula x Governo FHC



Inflação: metas e resultados 
(Fonte: Balanço PAC - Fev/2010)
A comparação da Inflação nos governos FHC e Lula mostra, claramente, que não houve continuidade.
Se tivesse ocorrido, a inflação iria para um patamar muito mais elevado no Governo Lula.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lula deixa Folha e O Globo “surpresos” e a fazer palhaçadas

Por Davis Sena Filho – Blog Palavra Livre

Eu não sei o que se passa com a imprensa brasileira de direita e de negócios privados. Estranho mesmo. Os jornalões  O Globo e  Folha de S. Paulo ficaram literalmente “surpresos” com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião esta semana com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad e seu secretariado. Realmente, os tons das críticas foram dramáticos, e, irremediavelmente, irônicos. É a verdadeira palhaçada.

Lula recebeu a faixa e os barões da imprensa o odiaram ainda mais.
Os editores de tais jornais conservadores, que lideram há dez anos, no lugar do PSDB, a oposição política aos governos trabalhistas, ficaram primeiramente assoberbados, para logo se sentirem inconformados com a visita do maior líder político do Brasil, filiado ao PT e que visitou um prefeito eleito pelo mesmo partido, com o apoio do ex-mandatário brasileiro. Incrível, não? Nunca vi tanta desfaçatez e incongruência.

Lula foi decisivo na eleição que elegeu Haddad, bem como na que elegeu Dilma Rousseff presidenta do Brasil, política também filiada ao PT. Mesmo assim, de forma insensata e intolerante, os jornalões porta-vozes da direita brasileira e estrangeira se dão o direito e ao luxo de ficarem absolutamente boquiabertos, quiçá, estupefatos, com a presença de Lula em reuniões com autoridades que integram o mesmo partido e que foram, além de tudo, ministros do Governo do político trabalhista.

No dia 25, Lula vai se encontrar com a presidenta Dilma Rousseff, e vai falar de política, de programa de governo, de projetos e também de estratégias para enfrentar uma direita hidrofóbica, mas derrotada; intolerante, mas fracassada; escandalosa, mas mentirosa; preconceituosa, mas dissimulada; e golpista, pois violenta como demonstrou no passado e a agora se comporta como tal no presente.

Marinho e Figueiredo: parceria midiática com a ditadura que matou e torturou.
Ao prefeito paulistano, Fernando Haddad, Lula pediu por uma administração democrática, "a maior proximidade possível da gestão municipal com a população". Solicitou ainda atenção com os pobres, em especial com os moradores de rua. Além disso, o líder trabalhista pediu ao prefeito a elaboração de projetos que viabilizem maiores aportes orçamentários para que São Paulo tenha recursos como ocorreu com o Rio de Janeiro, que hoje vivencia um ciclo financeiro, econômico e social formidável.
O Rio de Janeiro, Estado da Federação abandonado por mais de três décadas pelos sucessivos presidentes da República, que foi ao fundo do poço e se tornou o alvo preferencial da imprensa de mercado. O Rio cuja capital é a cidade mais internacional do Brasil e que foi incessantemente e sistematicamente injuriado e caluniado pelo sistema midiático paulista e pela carioca Organizações(?) Globo, que sempre tiveram seus interesses políticos e econômicos no Estado de São Paulo e que há quase 20 anos apoiam, indubitavelmente, o PSDB dos tucanos e seus aliados. Lula mudou esse terrível panorama. O povo carioca sabe disso; e a Globo, para seu desgosto, também.
Para quem quiser saber, o ex-presidente Lula vai se encontrar com a presidenta Dilma para conversar sobre assuntos de estado e de governo. Lula, tal qual a Getúlio Vargas, mesmo fora do poder, ou seja, sem mandato, tem prestígio político e o respeito da maioria da população brasileira. A resumir: Lula não é o FHC e muito menos o FHC – o Neoliberal – é o Lula. Por quê? Porque Lula tem voto e influência, tanto em âmbito interno quanto externo. O  O Globo e a  Folha sabem disso, como sabiam os pais dos atuais proprietários desses jornalões no que diz respeito a Getúlio Vargas. Ponto.
Desde a revolução cartola de 1932,  os Frias (Folha) apostam em golpes.
O ex-mandatário petista tem tanto prestígio que vai levar a Dilma Rousseff as reivindicações e as reclamações de setores importantes e poderosos do empresariado e dos bancos, que procuraram o ex-presidente Lula para que ele fizesse uma ponte e com isso os empresários pudessem ser ouvidos com maior atenção pela presidenta Dilma. A esses fatos se dão os nomes de prestígio e influência, realidades que os candidatos a qualquer coisa dos barões da imprensa não têm.
Lula nunca se importou com tal baronato, que compõe o setor mais atrasado do empresariado e que ainda sonha com a Política do Café com Leite ou até mesmo com a volta da escravidão. A imprensa comercial e privada é golpista e se aproveita de qualquer subterfúgio para pôr os “seus” (tucanos) no poder ou qualquer aventureiro político que o valha, como, por exemplo, o Luciano Huck. Lula vai à Dilma e ao Haddad, porque é assim que se faz política. É isso aí.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Gurgel, calado, é procurador ou um grande poeta

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


O procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, calado poderia ser um grande procurador ou um poeta. Entretanto, ele é um ser midiático, e, quando vê uma caneta e um bloquinho ou um microfone e uma câmera, começa a deitar falação. É uma questão de ego. Jornalistas da imprensa de negócios privados são irresistíveis para o “zeloso” procurador quando se trata de falar do PT, do Governo trabalhista, do Lula, do Dirceu e do Genoíno.

Contudo, quando se trata de falar do mensalão tucano, da lista de Furnas, das operações da Polícia Federal, conhecidas como Vegas e Monte Carlo, do senador cassado do DEM, Demóstenes Torres, do bicheiro Carlinhos Cachoeira e dos ex-editores-chefes das revistas Veja e Época das sucursais de Brasília, e que se envolveram até o pescoço com o bicheiro formulador de pautas, o condestável Roberto Gurgel se cala, evita a mídia de mercado e se torna, de fato, um procurador-geral, que trata as coisas de estado com acuidade.

Age desse modo porque, talvez, ele esteja a investigar esses casos que envolvem a oposição partidária (PSDB, DEM e PPS) e midiática (Globo, Folha, Estadão e Veja) e por isso necessita de silêncio e discrição para, quem sabe um dia, fazer as denúncias cabíveis. Enquanto esse imbróglio todo não anda, Gurgel aproveita seu tempo (quando sobra tempo) para dar entrevistas, desastradas, diga-se de passagem, e se contradiz, sem, contudo, preocupar-se com suas incoerências, afinal ele é o chefe dos procuradores e por isso, aparentemente, considera-se um ser infalível porque, quem sabe, vocacionado à imortalidade.

Sua entrevista à Folha de S. Paulo — aquele jornal de direita que compactuou com a ditadura militar — é uma ode à incongruência, pois que, tal qual como afirmou logo no início do julgamento do “mensalão” do PT, que ainda está para ser comprovado judicialmente, “as provas contra José Dirceu são tênues”. O procurador reconheceu. E daí? O negócio é fazer oposição aos trabalhistas mesmo se o preço for alto e a Constituição e o Código Penal forem rasgados.

Não é que o poderoso procurador-geral da República afirmou sobre José Dirceu, de viva voz e a quem quiser ouvir, que “Não é prova direta. Em nenhum momento, nós apresentamos ele passando recibo sobre uma determinada quantia ou uma ordem escrita dele para que tal pagamento fosse feito ao partido ‘X’, com a finalidade de angariar apoio do governo. Nós apresentamos uma prova que evidenciava que ele estava, sim, no topo dessa organização criminosa”. Seria cômico se não fosse trágico e não interferisse na vida de pessoas que foram punidas com a cadeia, sem, no entanto, existir provas cabais e que, indelevelmente, comprovassem que os réus cometeram malfeitos.

Não foi à toa que tal procurador disse, volto a repetir, que as “provas eram tênues”. Gurgel sabe o que diz e sabe muito bem o que faz. E ele faz, com competência, política partidária, sem, no entanto, ter mandato parlamentar, ser filiado a um partido (acho) e muito menos passar pelo crivo das eleições, que são duras e desgastantes. O procurador foi nomeado em uma lista tríplice pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, republicano, atendeu o desejo da categoria. Grande erro e engano. Os cargos de juízes do STF e de procurador-geral de República são, sobretudo, políticos e não técnicos, como quer demonstrar, hipocritamente, a imprensa comercial e privada, de direita e de caráter historicamente golpista.

Tanto os são políticos que as frases de efeito, as acusações e o comportamento da maioria dos juízes do STF tinham, indubitavelmente, o propósito de colocar o PT e o Governo trabalhista nas cordas do ringue, ainda mais quando se trata de pessoas e militantes da grandeza política e histórica de José Dirceu e José Genoíno. Não esqueçamos que a eleição para a Presidência está próxima, em 2014, e a direita brasileira, herdeira da escravidão e uma das mais conservadoras e cruéis do mundo já sente urticárias em só pensar que poderá ficar mais quatro anos sem controlar o estado nacional, e, consequentemente, voltar a utilizá-lo de forma patrimonialista, como sempre fez e aconteceu através dos 513 anos da história do Brasil.

 Cargos políticos, afirmo sem qualquer dúvida, têm de ser preenchidos por aliados ou por pessoas que compreendam e sejam sensíveis ao programa e ao projeto do mandatário que ocupa a cadeira da Presidência da República e nomeia seu Ministério. Afinal sabemos o que a direita política, judiciária e empresarial combate e dissimula e confunde a população, por intermédio de seus meios de comunicação hegemônicos, que distorcem e manipulam os fatos e as realidades. A direita não quer, terminantemente, a emancipação do povo brasileiro. E nunca vai querer. Ponto.

Acontece que o programa de governo e o projeto de País dos trabalhistas foram aprovados e referendados pelo sufrágio universal — o voto popular, a procuração mais importante da República, do processo democrático e do estado democrático de direito. Lula e Dilma se equivocaram, solenemente, e hoje têm de enfrentar um sistema midiático de oposição sistemática e por isso irracional, que se recusa a pensar o Brasil, cujos homens e mulheres da imprensa corporativa são colonizados e que têm desprezo e até ódio pelo Brasil, porque são portadores de incomensuráveis complexos de vira-latas, que os levam às raias da incongruência, da desfaçatez, da intolerância e de toda ordem de criação de crises, a maioria sem provas, pois se baseiam em ilações irresponsáveis, denúncias vazias e muitas delas em off, que, comprovadamente, não dão em nada. É o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto, que se baseia em faits divers. É o fim da picada.

O condestável procurador disse ainda à Folha que o “esquema {do “mensalão”} foi bem maior do que se sabe e que o julgamento do STF incluiu apenas aquilo que foi possível comprovar”. Como assim, cara-pálida? O procurador Gurgel tem cinco anos para investigar e apurar os fatos, fazer as acusações e mesmo assim deixa no ar acusações sem provas? É a continuação do “domínio do fato”? Subterfúgio jurídico usado pela maioria dos juízes conservadores do Supremo para pôr na cadeia pessoas cujas provas não foram, de fato, comprovadas. Provas “tênues”, como já tinha afirmado o senhor procurador.

Além disso, a Ação Penal 470 é posterior ao mensalão tucano, que até hoje não foi julgado apesar de ter acontecido anteriormente ao do PT. Dois pesos e duas medidas. É assim que a banda toca no Supremo, que, ao que parece, é pautado pela imprensa alienígena que tomou para si, indevidamente e de maneira surreal, o papel de oposição {partidária} no Brasil. É para rir ou para chorar? A verdade é que as declarações de Roberto Gurgel deixam claro que nunca houve provas suficientes e contundentes contra os réus do “mensalão” — o do PT. Quem duvida que leia a entrevista concedida à Folha pelo procurador-geral, de vocação midiática e perfil político conservador, de direita.

A imprensa alienígena sozinha não derrota o PT e os trabalhistas nas eleições vindouras. A corrida às prefeituras deste ano comprovou essa realidade, afinal o PT vai governar a maioria dos brasileiros em termos populacionais, além de conquistar a cidade de São Paulo. Essa gente sabe disso, e por isso não dá ponto sem nó. É visível a aliança entre o Judiciário conservador e os barões da imprensa, categoria patronal mais atrasada e reacionária do segmento empresarial brasileiro. Por eles, a escravidão voltaria, e o povo brasileiro jamais conseguiria conquistar sua emancipação e autonomia.

O procurador-geral Roberto Gurgel está para finalizar seu mandato. A presidenta Dilma Rousseff tem de nomear para seu lugar um procurador que trabalhe de maneira independente; porém, sem se imiscuir em devaneios políticos e partidários. A verdade é que os cargos de procurador-geral e principalmente de juiz do STF deveriam ser preenchidos por meio de eleições. Juízes do STF deveriam ter mandatos de oito anos, como os são dos senadores. Enquanto isso não acontece, seria de bom alvitre a presidenta da República nomear autoridades do Judiciário de perfis progressistas. Esses cargos não são técnicos como quer fazer crer a imprensa de negócios privados. São cargos políticos. É isso aí.