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sábado, 30 de março de 2013

PALAVRA LIVRE COMPLETA UM ANO

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre
                                                                    foto: Tadeu Marques - outubro/2012
DAVIS SENA FILHO

     O Palavra Livre completou um ano em 28 de fevereiro, apesar de ele ter nascido bissexto, pois foi lançado na blogosfera em 29 de fevereiro de 2012.

     Sinto alegria e contentamento por esta ferramenta de informação existir e por poder ter acesso à escrita, ao pensamento e, consequentemente, expressá-los para as pessoas, todos os leitores que me honram com suas leituras, críticas e elogios.

     O Palavra Livre é um blog de política e poesia. Diferentemente de outros blogs, cerca de 90 por cento dos textos são de minha autoria, o que o torna um blog praticamente de um autor só, e por isso é difícil mantê-lo atualizado, o que, sobremaneira, esforço-me para fazer.

    Cotinuarei a publicar artigos neste ano de 2013, sempre a ter o Brasil e seu povo como protagonistas principais, porque sonho, antes de morrer, viver em um País melhor, livre e democrático, soberano e independente — indelevelmente justo, com um povo feliz e principalmente emancipado.

     O blog Palavra Livre é a expressão do meu pensamento, a extensão do meu olhar e o batimento do meu coração. Luto politicamente por uma sociedade melhor, pois acredito que ela possa ser igualitária e que os seres humanos têm direito a viver uma vida de plenas realizações e menos sofrimentos.

      A poesia também está presente neste espaço democrático livre de censura, como o bem sabem os leitores, até os que me dirigem palavras irônicas ou duras. 

    A literatura é parte intrínseca de minha vida. Escrevo poemas e crônicas, que, em menor constância que os artigos políticos, também são publicados no Palavra Livre, que, para o meu contentamento, completa um ano.

     Dito o que eu queria dizer, aproveito a oportunidade para enviar um forte abraço aos leitores, porque o Palavra Livre vai continuar a trilhar o seu caminho. Escrever.

     




      



quinta-feira, 28 de março de 2013

Simplicidade e paz de espírito

Espaço Bico de Pena Blog Palavra Livre

 Quanto mais os anos passam mais me aproximo da minha infância e a reflito no rosto do meu querido filho, que já tem cinco anos de idade. Olho para seus olhos de uma pureza profunda e de uma luminosidade e transparência que me comovem e me fazem ter a certeza que as crianças são anjos sem asas e alicerces de nossa sobrevivência. Sem a criança na face da terra, a vida fica sem sentido e a luta de nós, adultos, torna-se inócua, pífia, sem emoção.

Um abraço e um beijo do meu filho afastam de mim todos os problemas que tenho: dívidas, trabalho cansativo e rotineiro, carência afetiva e incompreensões. É como se o tempo parasse o meu coração de poeta. É como se Deus desse uma trégua ao meu espírito atormentado e triste. É como se eu fosse feito de paz e esperança, pois, quando estou com meu filho, só sinto amor.

Meu temperamento sensível e minha personalidade forte não permitem que eu tenha paz. Não é uma questão de postura, de sociabilidade, de arrogância ou humildade. É uma questão de se encontrar com a simplicidade perante a vida e os homens. É uma questão de me encontrar com a minha infância, humilde materialmente e simples espiritualmente. Quero me encontrar, portanto, comigo mesmo.

Enquanto isso não acontece, espelho-me em meu filho, por saber que ele é simples, humilde (sem ser subserviente) e, acima de tudo, amoroso. Pedro resgata a minha infância. E, por eu conhecer o Pedro, sei que vou reaprender a ser simples de espírito, apesar de ser até hoje humilde materialmente.

Davis Sena Filho — 15/05/1996

quarta-feira, 27 de março de 2013

Tucano FHC virou pavão e “imortal” da Academia

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal — é o que podemos chamar de “o bom burguês”. Respeitado e considerado nos salões de festas e reuniões, bem como nas casas da burguesia quatrocentona paulista, o ex-marxista que foi presidente da República durante oito anos quer ter também em sua biografia a “glória” de ser “imortal”.

Deus ouviu as preces de Merval, e FHC vai vestir o fardão.
 FHC é candidato a uma cadeira na conservadora e vetusta Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição privada ajudada pelo poder público, que é composta por representantes de nossa burguesia que se dedicam às letras. A burguesia que cria seus espaços para homenagear, premiar e elevar o nome de seus integrantes, pois sabem que jamais receberiam homenagens do segmento popular.

A Academia divorciada do povo e que, por intermédio de suas nomeações “imortais”, agracia os donos do dinheiro ou os seus empregados de confiança, como forma concreta e evidentemente simbólica de manter a hegemonia de classe social sobre o restante da sociedade, no que diz respeito ao mundo literário e suas inúmeras escolas e vertentes — oficiais ou não.

A ABL sempre causa má impressão às pessoas quando barra na porta de seu baile à black tie escritores e poetas da grandeza de Mário Quintana e Antônio Torres, somente para exemplificar esses, porque muitos outros talentos literários tiveram de ficar na porta da comezaina dos nobres da Academia.

Homens e mulheres que se comportam como “peruas” ou socialites, porque a modéstia, a humildade e a verdadeira sabedoria passam longe desses proeminentes das letras eleitos por eles mesmos, já que fazem parte de um clube restrito, fechado cujas sedes se localizam nos endereços dos salões e dos escritórios de nossa burguesia sedenta de glória e de reconhecimento, mas que, para seu desalento, vazia de ideias, além de ser estéril no poder, quando se trata de elaborar estratégias, programas e projetos para transformar o Brasil em um País independente habitado por um povo emancipado.

FHC quer completar sua biografia. Em sua modéstia comovente e humildade exemplar, o político tucano e neoliberal afirmou, por e-mail, à presidenta da ABL, Ana Maria Machado, que "Depois de tantos amigos insistindo comigo tantas vezes, acabei cedendo. Minha reticência sempre foi a de que não sou homem de letras e não queria criar constrangimentos por ter sido presidente da República. Mas agora, passados tantos anos da presidência e mantida, se não mesmo que ampliada, a convicção de vários membros da ABL de que eu deveria juntar-me a eles, acabei por concordar".

Roberto Marinho, vestido a caráter, espera por FHC com o bigode e o rosto do Merval.
 Comovente, não? Sempre tive a impressão de que FHC — o Neoliberal — é, sobretudo, a modéstia em pessoa e a despretensão em toda sua essência. Esta realidade me causa profundo mal-estar e uma preocupação que me deixa insone. Afinal, FHC, como bem informa em sua carta eletrônica, quase se viu obrigado a se tornar “imortal” da ABL, o que lhe causou e ainda lhe causa sérias conseqüências de ordem psicológica e social quanto a seu status de “príncipe” dos sociólogos, apelido este dado por um monte de jornalistas abestalhados e puxa-sacos da imprensa de mercado.

Jornalistas que aderiram aos interesses de seus patrões e que viam na pessoa de FHC um Brasil culto e que, até que enfim (ufa!), poderia se reportar, em termos institucionais, culturais e acadêmicos, com os dirigentes dos países considerados por essa gente de cabeça colonizada e vitimada por um imenso complexo de vira-lata como as sociedades perfeitas, pelo menos até o ano de 2008, quando a crise financeira e imobiliária derreteu suas economias como sorvete em dia de 40 graus.   

Seus apoiadores da ABL — igualmente de almas simples tal qual a do tucano FHC — são também a mais autêntica expressão da simplicidade, despojados de vaidade e orgulho, e nunca ou jamais farão política de interesse ou de agrado àqueles que habitam o pico da pirâmide social ou os meandros do poder, no caso do ex-presidente tucano, que tem influência em São Paulo, Estado da Federação controlado há 18 anos pelo PSDB e governado pelo governador direitista, Geraldo Alckmin, considerado por muitos como um membro da Opus Dei.

Os asseclas dos jornalões de negócios privados e porta-vozes da direita brasileira já se mobilizam em um frenesi de satisfação e confraternização incontrolável, afinal o seu ídolo, o neoliberal FHC, aquele que quebrou o Brasil três vezes porque foi exatamente três vezes ao FMI pedir esmolas de joelhos e com o pires na mão, vai se tornar “imortal”.

O reconhecimento artificial e a “imortalidade” burguesa para os burgueses compromissados com as classes dominantes, porém, sem talento literário, tanto no que concerne à literatura ou a outros estilos de obras, como, por exemplo, as escritas pelo político trabalhista e antropólogo Darcy Ribeiro, intelectual e pensador de peso, e não apenas um escritor medíocre — a realidade nua e crua de FHC.

OLHA O FARDÃO DA BURGUESIA AÍ, GENTE!!!
 O tucano tem, visivelmente, dificuldade para se expressar, além de escreve mal, pois seus textos são desconcatenados no que diz respeito ao pensamento e ao assunto que ele aborda, ao ponto de não se compreender o que o futuro “imortal” pensa ou deixa de pensar. Quem não acredita no que eu afirmo que leia um livro do grão-tucano. FHC tem fama de ser intelectual; e esta fama ele tem de agradecer, encarecidamente, ao sistema midiático  corporativo e privado, que sempre fez questão de colocar a cereja em seu bolo.

A Academia Brasileira de Letras mais uma vez se curva ao sistema, ou seja, a aqueles a quem a instituição serve, como serviu, sem titubear e despida de ética, à ditadura militar. O sistema de poderes das classes dominantes premia a quem lhe serviu e ainda lhe serve. É o caso de FHC. O tucano pretende ocupar a cadeira nº 36, que está vaga desde a morte do jornalista João de Scantimburgo, ex-diretor dos Diários Associados, umbilicalmente ligados às nossas elites econômicas, cujo jornal Correio Braziliense é a empresa mais forte desse grupo.

Como se observa, os membros, mortos ou vivos da ABL, no decorrer e após a ditadura militar são títeres e porta-vozes de nossa burguesia provinciana e lamentavelmente herdeira da escravidão. Segundo alguns “imortais”, o ex-presidente neoliberal que vendeu o patrimônio público brasileiro que ele não construiu já conta com 38 votos. Seu companheiro de Governo, o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, foi responsável por levar a carta de candidatura de seu chefe.

Não convém esquecer. O diplomata Lafer, responsável por uma política externa de punhos de renda e subalterna, tirou os sapatos no aeroporto de Nova York a mando de agentes de segurança ocupantes de cargos subalternos. O ex-ministro, autoridade máxima da diplomacia brasileira, curvou-se à sua insignificância e mostrou para quem quisesse ver o quão subalternas são as nossas burguesias, vergonhosamente colonizadas e com um incomensurável complexo de vira-latas. Chique é o povo trabalhador brasileiro, que sustenta a Nação.

FHC agradece penhoradamente a imortalidade concedida pela ABL, instituição elitista e preocupada com o chá das cinco. Ele vai ser imortal, e quem vai recebê-lo é o jornalista Merval Pereira, autor de três livros, sendo que dois não passam de uma compilação do que ele escreveu em sua coluna em O Globo, cujo tema é sistematicamente o ex-presidente trabalhista, o principal político da América Latina, conhecido mundialmente e que atende pelo nome de Lula.

Fernando Henrique gosta de ter o ego massageado. É sua índole e personalidade — o seu caráter. Vaidoso ao extremo, mendiga medalhas, diplomas, moções e aplausos.  Ávido por reconhecimento, abandona a plumagem de tucano e a troca por uma de pavão. Mais um pavão “imortal” da ABL. É isso aí.

BIG BROTHER BIAL

Blog Palavra Livre




quinta-feira, 21 de março de 2013

Crise do capitalismo e nova ordem social

Blog Palavra Livre

O renomado acadêmico David Harvey questiona se não é hora de olhar para além do capitalismo, para uma nova ordem social que nos permita viver dentro de um sistema que realmente poderia ser responsável, justo e humano.




Henrique Capriles — A direita da Venezuela

Blog Palavra Livre


Saiba quem é realmente o candidato que enfrentará Nicolas Maduro nas eleições de 14 de abril de 2013

Via Opera Mundi

CAPRILES: DIREITA VENEZUELNA LIGADA UMBILICALMENTE AOS EUA.
Veja a trajetória de Henrique Capriles, governador de Miranda e candidato às eleições presidenciais venezuelanas do próximo mês

1. Nascido em 1972, Henrique Capriles Radonsky vem de uma das mais poderosas famílias venezuelanas, que se encontra à frente de vários conglomerados industrial, imobiliário e midiático, além de possuírem o Cinex (Circuito Nacional de Exibições), a segunda maior cadeia de cinemas do país.

2. Sua família é proprietária do diário Últimas Notícias, de maior difusão nacional, além de cadeias de rádios e um canal de televisão.

3. Nos anos 80, militou na organização de extrema-direita Tradição, Família e Propriedade.

4. Capriles foi eleito deputado em 1999 pelo estado de Zulia, no partido de direita Copei. Contra todas as previsões e apesar de sua inexperiência política, foi imediatamente nomeado presidente da Câmara dos Deputados, convertendo-se no deputado mais jovem a dirigi-la.

5. Na realidade, conseguiu se impor aos outros aspirantes com maior trajetória política graças ao poder econômico e financeiro de sua família, que financiou as campanhas de muitos deputados.

6. Em 2000, fundou o partido político Primero Justicia, com o conservador Leopoldo López, e se aliou ao International Republican Institute, braço internacional do Partido Republicano norte-americano. O presidente norte-americano à época era George W. Bush, que ofereceu um amplo apoio à nova formação política que fazia oposição a Hugo Chavez, principalmente mediante o NED (National Endowment for Democracy).

7. Segundo o New York Times, “A NED foi criada há 15 anos para levar a cabo publicamente o que a Agência Central de Inteligência (CIA) fez ocultamente durante décadas. Gasta US$30 milhões por ano para apoiar partidos políticos, sindicatos, movimentos dissidentes e meios informativos em dezenas de países”.
8. Segundo Allen Weinstein, pai da legislação que estabelecia a NED, “muito do que estamos fazendo hoje era feito pela CIA de modo encoberto há 25 anos”.

9. Carl Gershman, primeiro presidente da NED, explicou a razão de ser da fundação: “Seria terrível para os grupos democráticos do mundo inteiro serem vistos como subvencionados pela CIA. Vimos isso nos anos 60 e, por isso, colocamos fim nisso. É porque não podemos continuar fazendo isso que ela foi criada [a NED].

10. Durante seu mandato de prefeito do município de Baruta, Capriles assinou vários acordos com o norte-americano FBI para formar sua polícia municipal e recebeu fundos da embaixada dos Estados Unidos para essa missão.

11. Henrique Capriles participou ativamente do golpe de Estado contra Hugo Chavez, organizado pelos Estados Unidos em abril de 2002. Prefeito de Baruta, fez a prisão de numerosos partidários da ordem institucional – entre eles Ramón Rodríguez Chacín, então Ministro do Interior e Justiça, o qual foi violentamente agredido pelos partidários do golpe em frente às câmeras de televisão.

12. A respeito disso, as palavras de Rodríguez Chacín são esclarecedoras: “Eu os fiz ver [a Henrique Capriles e Leopoldo López, que chegaram para prendê-lo] o risco, o perigo que havia para minha integridade física [de sair diante da multidão], que a situação ia fugir de seu controle, sugeri sair por outro lugar, o porão, e a resposta que recebi de Capriles, precisamente, foi que não, porque as câmeras estavam em frente ao prédio. Eles queriam me tirar de lá em frente às câmeras, para me exibir, não sei, suponho; para se vangloriarem, apesar do risco”.

13. Uns dias antes do golpe de Estado, Capriles apareceu diante das câmeras de televisão com os dirigentes de seu partido político Primero Justicia para reclamar a renúncia de Hugo Chavez, dos deputados da Assembleia Nacional, do procurador-geral da República, do Defensor do Povo e do Tribunal Supremo de Justiça. Após o golpe de 11 de abril, a primeira decisão da junta golpista foi precisamente dissolver todos esses órgãos da República.

14. Em abril de 2002, o Primero Justicia foi o único partido político a aceitar a dissolução forçada da Assembleia Nacional, ordenada pela junta golpista de Pedro Carmona Estanga.

15. Durante o golpe de Estado de abril de 2002, Capriles também participou do assalto à embaixada cubana de Caracas, organizado pela oposição venezuelana e pela direita cubano-americana. Estava presente Henry López Sisco, cúmplice do terrorista cubano Luís Posada Carriles, responsável por mais de uma centena de assassinatos, entre eles o atentado contra o avião da Cubana de Aviación, em 6 de outubro de 2006, que custou a vida de 73 passageiros.

16. Após cortar água e energia elétrica, Capriles, que pensava que o vice-presidente à época, Diosdado Cabello, havia se refugiado na embaixada cubana, entrou no local e exigiu do embaixador para revistá-lo, violando assim o Artigo 22 da Convenção de Viena, que determina que as representações diplomáticas são invioláveis.

17. Germán Sánchez Otero, então embaixador cubano na Venezuela, lhe respondeu o seguinte: “Se o senhor conhece o direito internacional, deve saber que tanto a Venezuela como Cuba garantem o direito de um cidadão ser avaliado para receber asilo político em qualquer sede diplomática. Um democrata, um humanista, não pode admitir que haja crianças sem água, sem eletricidade, sem comida”.

18. Ao sair da embaixada, Capriles, longe de acalmar a multidão alterada, declarou à imprensa que não pôde revistar a representação diplomática e que estava na impossibilidade de confirmar ou não a presença de Cabello, o que suscitou novas tensões.

19. Por sua participação no golpe de Estado, Capriles foi julgado e preso de forma preventiva por escapar à justiça.

20. O procurador-geral da República, Danilo Anderson, encarregado do caso Capriles, foi assassinado em novembro de 2004, em um atentado a bomba com um carro.

21. Em 2006, os tribunais absolveram Capriles.

22. Em 2008, foi aberto um novo julgamento, que ainda está em curso.
23. Após sua eleição em 2008 como governador do estado de Miranda, Capriles expulsou das instalações da região os funcionários encarregados dos programas sociais elaborados pelo governo de Chavez.

24. Em seu programa eleitoral, Capriles promete lutar contra o crime. No entanto, desde sua chegada ao poder em Miranda, a insegurança aumentou, fazendo desse estado um dos três mais perigosos da Venezuela. Entre 2011 e 2012, a taxa de homicídios aumentou mais de 15%.

25. Apesar desse balanço, Capriles, reeleito em 2012, ainda se nega a aceitar a implementação da Polícia Nacional Bolivariana no território que dirige.

26. Entre 2008 e 2012, Capriles demitiu mais de mil funcionários no estado de Miranda – que trabalham no setor cultural – por considerá-los suspeitos de serem partidários do ex-governador chavista Diosdado Cabello, e fechou dezenas de bibliotecas.

27. Em 2012, Capriles se reuniu secretamente na Colômbia com o general Martin Demsey, Chefe do Estado Maior dos Estados Unidos. Não se soube nada dessas conversas.

28. Capriles não deixa de se referir ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, este já declarou várias vezes seu apoio a Hugo Chavez, particularmente nas últimas eleições de outubro de 2012. “Sua vitória será nossa”, declarou em uma mensagem ao Presidente Chavez.

29. Candidato na eleição presidencial de 2012, Capriles, o nome da Mesa Unidad Democrática, que agrupou os partidos de oposição, perdeu por mais de 10 pontos de diferença.

30. Em caso de vitória nas eleições presidenciais de 14 de abril de 2013, Capriles prometeu anistia para Pedro Carmona Estanga, ex-presidente da Fedecámaras que encabeçou a junta militar durante o golpe de Estado. Atualmente, ele está foragido da justiça e refugiado na Colômbia.

31. O programa presidencial de Capriles é, em essência, neoliberal e preconiza uma aceleração das privatizações em uma economia controlada em mais de 70% pelo setor privado, uma autonomia e uma descentralização.

32. No caso da vitória de Capriles, a empresa petroleira nacional Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA) não estará sob controle político.

33. O programa de Capriles prevê a suspensão da ajuda financeira outorgada pela PDVSA ao Fundo de Desenvolvimento Nacional (Fonden), que financia as obras de infraestrutura e os programas sociais.

34. Capriles imporá um aumento do preço da gasolina consumida no mercado nacional.

35. Serão canceladas as reformas agrárias realizadas pelo governo de Chavez, restituindo as terras aos latifundiários.
36. A Lei de Pesca, da qual se beneficiaram dezenas de milhares de trabalhadores do mar, também será revogada.

37. Capriles autorizará o cultivo de organismos geneticamente modificados na Venezuela.

38. Capriles propõe “incorporar no sistema educacional básico e médio temas demonstrativos sobre a conexão entre propriedade, progresso econômico, liberdade política e desenvolvimento social”.

39. Capriles prevê outorgar independência total ao Banco Central da Venezuela, com o fim de evitar todo controle democrático sobre as políticas financeiras e monetárias, e o proibirá de “financiar o gasto público”.

40. Capriles anunciou que poria fim à relação especial com Cuba, o que afetará os programas sociais nas áreas da saúde, educação, esporte e cultura.

41. Capriles porá fim à Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), organismo de integração regional.

42. Capriles acabará com o programa PetroCaribe, que permite atualmente que 18 países da América Latina e do Caribe, ou seja, 90 milhões de pessoas, consigam petróleo subsidiado, assegurando seu abastecimento energético.

43. Capriles prevê assinar Tratados de Livre Comércio (TLC), particularmente com os Estados Unidos e a União Europeia.

44. Capriles prevê voltar a outorgar concessão ao canal RCTV, que agora é transmitido via cabo e satélite, apesar de sua participação aberta no golpe de Estado de abril de 2002.

45. Capriles proibirá todos os programas políticos no canal nacional Venezolana de Televisión, deixando assim o monopólio do debate cidadão para os canais privados.

46. Capriles prevê “supervisionar e controlar a proliferação de emissoras de rádio […] e regular o crescimento das emissoras de rádio comunitárias”.

47. O Programa da MUD prevê reduzir substancialmente o número de funcionários.

48. Capriles eliminará o Fonden, fundo especial destinado a financiar os programas sociais.

49. Capriles colocará fim ao controle de preços, que permite a toda a população adquirir os produtos de necessidade básica.

50. Capriles acusa o governo venezuelano e a família de Hugo Chavez de ter ocultado a morte do presidente. Para ele, seu falecimento ocorreu antes de 5 de março.


terça-feira, 19 de março de 2013

CORPO A CORPO

Espaço Bico de Pena Blog Palavra Livre


 Aqui está o homem
Veio à vida nu
Já nasceu com fome
Em seu existir cru

Aqui está a mulher
Carregando sua cruz
Dá o seio a este homem
A este homem dá a luz

Aqui está o homem
Com sua voz sem tom
Aqui está o homem
Com sua fala sem som

A sua voz flui
Porque ele toma a palavra
Mas a palavra se cala
Desconexando a fala

Seu corpo se movimenta
Como bambus ao vento
Confundindo a fala
Com a palavra do tempo

Confundindo a fala
Com o falo do poder
Mulher – corpo – alma
Posse do seu prazer

Aqui está o homem
Sêmen sem semente
Carne da mulher
Sangue efervescente

Aqui está o homem
Fruto de outro corpo
Sangue da placenta
Que alimentou seu corpo

Mas o que é do homem
O bicho não come
E a mulher
Deu-lhe à luz

A mulher deu-lhe guarida
Doou-lhe o corpo e sentimento
Doou-lhe a rosa-dos-ventos
Para o homem se encontrar

Doou-lhe a rosa-dos-ventos
Para o homem se orientar
Doou-lhe a rosa-dos-ventos
Para o homem se completar

Aqui está o homem
A mulher é sua direção
E por ele nascer dela
A ela dá a mão

Por ele dar a mão a ela
Bate forte seu coração

Batendo forte seu coração
Inicia-se o ciclo da vida
E neste ciclo
É a mulher que dá guarida

A mulher é meta
O homem é seta
A seta é pólen
A meta é semente

Meta
Pólen
Seta
Semente

Química que queima
Como aguardente

Corpo a corpo
Corpos que se misturam
Desta homogeneidade
Nasce a vida pro mundo

Corpo a corpo
Suor que se solidifica
E deste sal
Nasce a vida infinita

Aqui está o homem
Aqui está a mulher
Suor – sangue – lágrima
Olhos nos olhos
Guardiões de sua fé

Davis Sena Filho — 23/02/1986

domingo, 17 de março de 2013

S Ú P L I C A

Espaço Bico de Pena Blog Palavra Livre

à Lilian
 Eu sigo sempre
teus passos.
Quando os perco,
Vejo-me em pesadelos,
Pois você é minha vida;
Você é todo um relevo.

Agora em meu pranto,
O ostracismo por não tê-la
Ao meu lado,
Eu procuro um gesto brando
Para me sentir amado.

No meu silêncio constante
Flutuo por pensamentos
De como é agonizante
Não tê-la neste momento.

Tenho saudade de tudo.
Do nosso mundo, agora distante.
Das horas que nos amamos.
Das horas tão aconchegantes.

E neste exato instante
Materializo sua imagem,
Que trago sempre comigo,
Por onde estou e vou,
Numa forma de viagem.

Meus sentimentos voltados para ti
Em corpo e espírito,
Fazem-me clamar por ti
Neste poema tão terno, tão lírico.

Ante a tua maneira de ser
e de me amar
Numa forma tão tocante,
Eu te invoco e me
torno um ser suplicante.

 Davis Sena Filho — 04/03/1981

sexta-feira, 15 de março de 2013

Candidatura Eduardo Campos é balão sem ar


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

A direita brasileira não sabe mais o que fazer para rachar o Governo, o PT e seus aliados. Chegam a ser engraçadas as tentativas de promover a discórdia na base parlamentar e partidária do Governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff. Uma pessoa desavisada ou que não acompanhe rotineiramente a política brasileira certamente, ao ouvir, ler ou ver os comentários de nossos “especialistas” distribuídos por todos os meios de comunicação de negócios privados, vai acreditar que o Governo Dilma está em apuros e que sua base de sustentação está a derreter como sorvete em um dia de 40 graus.

Eduardo Campos tem aliados como Lula, e certamente não vai deixar de ouvi-los.
 É formidável a nossa imprensa de mercado e completamente alienígena e por isso irremediavelmente distante quando se trata dos interesses do Brasil e de seu povo. Primeiramente, os arautos da grande imprensa mercantilista apostaram na desunião entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Repercutiram esse lenga-lenga enfadonho e cínico durante meses, talvez mais de um ano. Os “pitaqueiros” de direita tentaram, inclusive, mostrar a presidenta trabalhista como uma pessoa politicamente antagônica a Lula, bem como uma administradora mais competente, que rejeita acordos políticos e se recusa a negociar com seus parceiros, que lhe dão sustentação política e partidária no Congresso, nos estados da Federação e nos municípios. Surreal, não? Transformam o processo político em simples conchavos de malfeitores, que somente pensam em benefício próprio.

Absurdo dos absurdos, mas é o que faz essa imprensa conservadora de propósitos golpistas e que visa, sobretudo, a dissolução da política e a desmoralização dos políticos e de seus respectivos partidos perante a Nação. Por intermédio de uma máquina poderosa de comunicação, a ordem é negativar o que é público em prol do privado, além de tentar fazer de políticos eleitos apenas fantoches dos desejos das classes sociais dominantes, ainda mais se tais políticos são ligados às bases populares, que as elites, equivocadamente, chamam de populistas e populismo.

Agora a bola da vez é o governador Eduardo Campos (PSB/PE). Desde 1989, com rara exceção, o PSB é aliado do PT. Todo mundo sabe disso, até os mortos mais antigos e os recém-nascidos. Menos o paulista(?) Roberto Freire (PPS/SP), os tucanos aliados e inconformados de José Serra (PSDB/SP) e a imprensa privada e seus “especialistas” ferozes, como lobos com fome. O PSB é parte intrínseca do projeto de governo dos socialistas e trabalhistas do PT. Em sua nomenclatura, PSB significa Partido Socialista Brasileiro. Ponto. Eduardo Campos busca espaço em âmbito nacional, o que é legítimo para qualquer político. Contudo, não se pode confundir sua ambição pessoal com o projeto nacional do qual ele faz parte desde o início, principalmente a partir de 2003 quando Lula assumiu a Presidência. Ponto.

Os porta-vozes da imprensa de direita tentam confundir a classe média, ao dar a impressão de que Eduardo Campos vai pular do barco trabalhista. Não é bem assim que a banda toca, para o desespero dos tucanos e de todos aqueles que pensam ou desejam que aconteça um racha na base do Governo. O PSB é um partido de imensa importância para seus aliados do PT, do PMDB, do PCdoB, do PDT, do PRB, do PTB, do PP e do PR. Para quem não sabe, a base do Governo é composta por 14 partidos dos 19 que compõem o Congresso. Até o PSD, partido conservador do ex-prefeito paulistano, Gilberto Kassab, põe as barbas de molho, e, tal qual ao PSDB, não sai de cima do muro.

Os comentaristas, colunistas e blogueiros do sistema midiático hegemônico compromissado com o grande capital nacional e internacional são pagos para criar celeumas, divisões, antagonismos entre os aliados que governam o País. Criticam as alianças do Governo, de forma sistemática. Mas, quando se trata de ajudar seus aliados, não medem esforços e conseqüências. O maior exemplo é a novela em que se transformou o pernambucano, neto de Miguel Arraes, o socialista Eduardo Campos. Todavia e antes de tudo, Campos tem o dever de olhar para o passado e reviver a história de seu avô, um dos baluartes da esquerda brasileira e que nunca se bandeou para a direita. Arraes dialogou com a direita para receber apoio parlamentar e, consequentemente, montar suas bases aliadas em Pernambuco para poder governar. Compor politicamente não é se vender e muito menos trair sua ideologia e seus companheiros de luta e de projeto para o país ou para o estado que governa.

Eduardo Campos sabe disso, pois, antes de tudo, tem compromisso com a Nação, bem como entende que ainda é novo em idade e que pode muito bem, e com o apoio do PT, ser um futuro candidato à presidência da República. Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes, e conhece muito bem os propósitos inconfessáveis da direita brasileira e seu principal e mais poderoso porta-voz: o sistema midiático privado.

José Serra (SP) — tucano derrotado duas vezes e eleições presidenciais — não vai dobrar os joelhos tão facilmente. Não é de sua índole e caráter. Serra quer ser o presidente nacional do PSDB. O cargo é poderoso, pois lhe permite ter influência e agilidade para visitar os estados e diretórios tucanos em todo o País, além de ter acesso a um polpudo orçamento, que viabilizará não somente suas ambições mais prementes, assim como vai lhe servir como trunfo na disputa pela indicação de sua candidatura à Presidência, ao Governo de São Paulo ou simplesmente lhe dar visibilidade e poder para participar com desenvoltura da candidatura do senador tucano Aécio Neves (MG), e, por conseguinte, ter acesso a cargos, indicar nomes e influir em um possível governo tucano, se o mineiro conseguir vencer o candidato do PT, evidentemente.

Não creio que Eduardo Campos, por exemplo, vai dar uma de aventureiro, sem, antes, ponderar que, por exemplo, o Estado de Pernambuco foi o segundo da Federação que mais recebeu investimentos, a ficar atrás apenas do Rio de Janeiro. Pernambuco é um campo de obras e de projetos da estatura da Refinaria Abreu e Lima, além do Porto e do Pólo de Suape e a indústria automobilística, somente para ficar nesses, pois são centenas de projetos e programas pequenos e médios, que reverteram, inclusive, a migração. Pernambuco passou a receber trabalhadores do Brasil e do exterior, sendo que muitos filhos do tradicional e histórico estado nordestino retornaram do Sudeste para suas origens. Orgulhosamente...

A imprensa burguesa, para variar, aposta na falácia, pois a candidatura presidencial de Eduardo Campos, a meu ver, trata-se de um fake. Não duvido se tal candidatura não é uma estratégia para dividir a candidatura direitista, na pessoa do senhor Aécio, com a cumplicidade e a vontade de José Serra, e, desse modo, dividir as fileiras do PSDB e enfraquecer o tucano das Minas Gerais, que é detestado pela cúpula tucano, pelos banqueiros e industriais da Fiesp e principalmente pela mídia conservadoríssima paulistana, de caráter golpista, preconceituosa e que, se pudesse, realizaria outro movimento golpista, a exemplo dos que aconteceram em 1932, 1938, 1945, 1961, 1964 e 2005, quando tentaram derrubar o presidente Lula do poder.

        A candidatura de Eduardo Campo, no momento, não interessa e não é conveniente aos setores progressistas e democráticos da sociedade e da política brasileira. A esquerda não vai se dividir porque a imprensa alienígena deseja e aposta nessas cartas, que são, por sinal, de mão ruim. O político pernambucano — mesmo se não for candidato e até mesmo se ficar aborrecido com seus aliados — não vai abandoná-los, porque seria considerada absurda sua incoerência, ao tempo que preocupante seu individualismo, ambição e falta de comprometimento com o projeto trabalhista do Governo, que, indubitavelmente, melhorou, e muito, as condições de vida do povo brasileiro, bem como elevou o Brasil a um patamar de respeito no mundo, como nunca tinha acontecido em sua história. A direita vai ter de procurar outra estratégia para dividir a base do governo. A candidatura de Eduardo Campos é balão sem ar.

É isso aí.



terça-feira, 12 de março de 2013

O mundo neoliberal e paralelo de Sardenberg

 Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

Estava a ouvir a CBN, conhecida também comoa rádio que troca a notícia — e não se importa. Estava a deitar falação o “especialista” em economia, Carlos Alberto Sardenberg, notável porta-voz da direita brasileira e intrépido defensor do neoliberalismo, apesar de o jornalista saber que tal doutrina político-econômica é ou foi um fracasso retumbante, porque derreteu, como gelo em asfalto quente, as economias da Europa e dos Estados Unidos, além de ser mais do que comprovado que esse sistema de pirataria e rapinagem levou centenas de povos à miséria moral e material, bem como alienou o patrimônio público de inúmeras nações, que ficaram sem as estatais planejadas e construídas através de gerações, sendo que o dinheiro auferido com as vendas não foi revertido em novos investimentos, para as sociedades prejudicadas com tal farra efetivada e concretizada pelos neoliberais.


Para Sardenberg, o Brasil vai de mal a pior, apesar de as estatísticas mostrarem o contrário.
Sardenberg é certamente um dos jornalistas mais radicais de direita que tem voz ativa nos meios de comunicação privados e hegemônicos, de propósitos imperialistas e responsáveis pela defesa e difusão do pensamento liberal, que prega a diminuição do estado e a não interferência por parte dele na economia. Ou seja, Carlos Alberto Sardenberg é a favor da minarquia, cujo significado é quanto menor a participação do estado na economia, os indivíduos serão livres e terão mais poder para exercer, por exemplo, o livre arbítrio para comprar e vender. Enfim, dar rumos e fomentar os negócios e as atividades humanas lucrativas, que levam, principalmente, as classes ricas, donas dos meios de produção, a ficarem cada vez mais ricas, enquanto as pobres... que se virem.
Contudo, Sardenberg sabe o que acontece, até mesmo por ser um profissional com conhecimento junto ao establishment dominado por banqueiros, oligarcas do petróleo, grandes proprietários de terras urbanos e rurais, megaempresários midiáticos e fabricantes de armas, por exemplo. Acontece que Sardenberg é um neoliberal, jornalista-especialista das Organizações(?) Globo, como o é também a grande jornalista Miriam Leitão, que tem mais espaço para falar de economia do que qualquer economista de real grandeza, conhecimento e notório saber do passado e do presente. Somente no Brasil uma rede de televisão e seus “especialistas” influem e combatem tanto as diretrizes e os projetos de governos, ainda mais quando a cadeira da Presidência da República é ocupada por mandatários trabalhistas.
A verdade é que a banda não toca como o senhor Sardenberg deseja e quer. A banda desafina, e como desafinou no decorrer de 30 anos de neoliberalismo, ampliado e colocado em prática em termos mundiais, por intermédio da primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e do presidente estadunidense, Ronald Reagan, que controlaram a ferro e fogo o Banco Mundial (Bird), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). O mundo passou, realmente, por uma onda de transformação, que beneficiou as grandes potências mundiais, os trustes e conglomerados internacionais, além das classes ricas e empresariais do campo e da cidade dos países pobres e em desenvolvimento, a exemplo do Brasilda Argentina e da Venezuela.
Sardenberg — o Neoliberal II, pois o I é o FHC — fala muito e defende o indefensável, justifica o injustificável e trata os ouvintes da rádio que troca a notícia como se todos eles fossem ingênuos ou meramente integrantes de parte da classe média de perfil lacerdista, udenista, e, portanto, conservadora e reacionária a mudanças. Sardenberg é o contrassenso em toda sua essência e a dissimulação da realidade em toda sua plenitude. Ele prega a continuação do que não deu certo, do que fracassou e foi derrotado, porque simplesmente o neoliberalismo, como doutrina política e econômica, não pensa no bem-estar social da humanidade, das pessoas, apesar de pregar que o indivíduo deve ser livre das amarras do estadoa não ser quando o estado é obrigado a salvar empresas insolventes, falidas de empresários gananciosos, irresponsáveis, que cometem crimes contra a economia dos países e seus povos, como ocorreu a exemplo da crise de 2008, bem como no Brasil, nos Estados Unidos e na América Latina. Neste momento, o estado é ótimo, e gente como o tenaz e obstinado Sardenberg se cala.
A verdade é que tudo não passa de teoria, porque na prática o neoliberalismo teve também seu muro derrubado, como ocorreu, simbolicamente, com o muro de Berlim em relação ao socialismo real. Sardenberg sabe disso, mas não se importa, porque o jornalista da CBN e da TV Globo cumpre seu papel, com dedicação e até mesmo crença no que fala, apesar de eu notar que, muitas vezes, tal escriba e âncora global não é sincero, porque não é possível que ele não perceba que a teoria do estado pequeno e nunca intervencionista não condiz com a realidade e a condição humanas. E por quê? Porque a economia neoliberal — volto a repetir — somente beneficiou os países ricos, enquanto os pobres e em desenvolvimento sustentaram o alto padrão de vida dos europeus, japoneses e estadunidenses, que passaram quase 40 anos a viver como se não tivesse o amanhã. Quem nunca comeu melado quando come se lambuza. E os europeus, ao contrário do que muitos dos nossos cidadãos colonizados e com um imenso complexo de vira-lata pensam, já comeram durante séculos ou milênios o pão que o diabo amassou. Só que "esqueceram" o passado de guerras e crises econômicas, e, a partir da década de 1970, lambuzaram-se.
Concomitantemente à farra neoliberal dos ricos, os nossos milionários tupiniquins também se lambuzavam com as sobras do melado, com o apoio e a cumplicidade irrestritos dos barões proprietários da imprensa de direita e dedicada a fazer propaganda de uma doutrina liberal que levou os países latino-americanos, africanos, árabes e asiáticos à bancarrota, à falência e à dissolução do tecido social, porque não eram criados empregos para os trabalhadores sem salários, não havia crédito para as classes médias e pobres, bem como os pequenos e médios empresários não tinham condições financeiras e logísticas para ampliarem seus negócios, e, por conseguinte, fomentarem a economia interna. O neoliberalismo aumentou os índices de violência e de pobreza e retirou das diversas sociedades deste planeta, exploradas e oprimidas, o direito de sonhar com dias melhores. A época dos princípios neoliberais impostos ao mundo, a partir do Consenso de Washington de 1989
O Brasil do ex-presidente tucano FHC — o Neoliberal — foi ao FMI três vezes, de joelhos e com pires na mão, porque quebrou três vezes. O Brasil, que hoje é a sexta economia mais poderosa do mundo, era humilhado e com a complacência de uma direita emplumada que tem por símbolo uma ave bela e tropical, que não merecia tal destino, que é o de ser vinculada ao PSDB, um partido que em sua nomenclatura tem as palavras social e democracia, mas que envergonha a verdadeira social-democracia, que, ao ver o que os tucanos fizeram com o Brasil, sentiram vergonha, porque, na verdade, o PSDB é um partido de direita e tão provinciano, que, basicamente, está restrito a São Paulo, estado que, historicamente, combateu e combate os governantes trabalhistas, que, em contraponto, sempre beneficiaram o estado bandeirantemesmo após a vitória do trabalhista Getúlio Vargas contra as forças paulistas, em 1932.
O neoliberalismo é o darwinismo em sua máxima cuja frase “sobrevivência do mais apto“, como sinônimo de “seleção natural”, não coaduna com o direito de viver e muito menos representa a realidade dos entes humanos, que optaram por viver em coletividade para melhor enfrentar as agruras e os perigos no decorrer da vida, da existência. Quando Sardenberg defende o estado mínimo, na verdade ele está a colocar as ovelhas nas bocas dos lobos, que são os grandes capitalistas, que controlam os negócios privados ao tempo que têm influência nas esferas públicas e governamentais, e, dessa forma, impõem à maioria das populações fórmulas econômicas, financeiras e comerciais de exploração, draconianas, para terem seus interesses de classe, recorrentemente, atendidos.
O Torquemada da CBN — a rádio que troca a notícia — deveria, sim, envergonhar-se por defender, ininterruptamente e sem qualquer peso na consciência, uma doutrina criada pelos grandes capitalistas, seus economistas e governantes neoliberais para, juntamente com a globalização, explorar sem limites as riquezas dos solos, das florestas, dos rios e dos mares dos países emergentes e pobres, além de efetivarem, de forma insana e perversa, o neocolonialismo levado às últimas conseqüências, a tal ponto que a partir da primeira década do século XXI os povos explorados pela pirataria e roubalheira dos países ricos passaram a votar em candidatos trabalhistas, como ocorre até hoje em países como o Brasil, a Argentina, a Nicarágua, o Peru, a Venezuela, o Uruguai, o Equador, Honduras e o Paraguai, que, recentemente, foi vítima de um golpe de direita. Porém, o Paraguai foi enquadrado pelos países membros do Mercosul, o que revoltou muitos dos nossos “mervais” e "sardenbergs". Mesmo depois do fim da punição ao atual governo paraguaio de índole e propósitos golpistas, tal governante e seu gabinete vão continuar como párias, até que seja realizada uma nova eleição presidencial.
Não foi à toa que governantes trabalhistas e socialistas criaram os Brics, a Unasul, o G-20, fortaleceram o Mercosul e enterraram a Alca, projeto de espoliação dos EUA, que visava, na verdade, a abertura de mercados gigantescos e poderosos como o do Brasil para os produtos do país yankee, sem, no entanto, receber contrapartida. A Alca, como não deveria deixar de ser, foi sumariamente enterrada. Os governos progressistas da América Latina e do mundo deveriam também serem rígidos no que diz respeito às remessas de lucros das estatais que foram privatizadas, praticamente doadas, nas décadas de 1980 e 1990 por mandatários neoliberais, além de cobrarem duramente serviços de boa qualidade no que é relativo aos serviços de energia elétrica, telefonia e principalmente no que tange à banda larga, que tem de ser pública, barata e oferecida a todos os brasileiros independente de classe social.
Carlos Alberto Sardenberg é um tolo ou se faz de tolo. A verdade é que seus candidatos tucanos vão ter de comer um dobrado para se elegerem.Enquanto isso, o âncora da CBN — a rádio que troca a notícia — e comentarista da Globo News e do Jornal da Globo continua a tergiversar, a dissimular, a manipular e até mesmo mentir sobre as realidades brasileiras e da América do Sul, como o faz sempre no que concerne à Venezuela e aos governos trabalhistas de Lula e Dilma. Sardenberg criou um mundo paralelo para ele viver. O jornalista é tão assertivo e propositivo no que diz, que um dia ele vai se olhar no espelho e se levar a sério. É isso aí.