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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Francischini é o brucutu da porrada. Richa é o mandante truculento. Ambos iguais

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Richa e Francischini: a educação por intermédio da porrada.
Beto Richa é playboy, tal qual a Aécio Neves e Cássio Cunha Lima. Eles se divertem e curtem as suas “douradas” vidas, adoidados, sempre em cargos eletivos e de relevância, como os de governadores e de senadores. Nunca moveram uma palha para se elegerem e pegaram a carona político-partidária de seus pais e avô, Tancredo Neves, Ronaldo Cunha Lima e José Richa. Politicamente são mais conservadores que seus progenitores, apesar de serem de uma geração mais jovem.

Viveram a vida inteira no high society, em baladas e festas, não conhecem as dificuldades pelas quais passam a maioria dos brasileiros, bem como não compreendem a dor alheia, porque viveram, de forma ampla, em um mundo hedonista, privado, sectário e dedicado a poucos, com a cooperação do Estado, transformado em patrimonialista, ou seja, direcionado para atender às demandas da alta burguesia, da qual fazem parte esses três políticos criados a pão de ló, farinha láctea e todo tipo de achocolatado, para que esses meninos, coxinhas, crescessem e se divertissem como chefes de governos de estados.

Contudo, o assunto é o senhor playboy Beto Richa, autêntico político autoritário e despido de quaisquer sensibilidades sociais. Há anos este filho das elites escravocratas e inquilino da Casa Grande tripudia contra o povo paranaense, de forma fascista e virulenta. Richa, o playboy das Araucárias, considera que negociar é ser derrotado, porque em sua cabeça reacionária e conservadora, os trabalhadores não passam de mão de obra barata para alimentar a opulência e a fartura das classes sociais abastadas, que, divorciadas dos interesses do Brasil, pisoteiam os mais fracos e violam todos os códigos da civilidade, de honra e respeito.

E por quê? Porque não é normal e nem civilizado que tal brucutu, a ter como seu assecla, o violentíssimo, pois truculento, o secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, um valentão acusado de horrores praticados, como os acontecidos quando ele andou pelo Estado do Espírito Santo. Além disso, tal ser bestial conspirou efetivamente em Brasília para que o governador do DF, o petista Agnelo Queiroz, fosse derrubado do poder, ao ponto de Francischini pensar em concorrer ao cargo de governador da capital do País, mesmo a ser um político do Paraná.

Lamentáveis são as cenas de barbáries praticadas por essa dupla dinâmica às avessas, que, perversamente, mandou “sentar” a porrada em trabalhadores da Educação, em estudantes e em quem quer que seja, se ousasse a questionar o governo direitista, violento e autoritário de Beto Richa e Fernando Francischini, este último que, na maior cara de pau, ainda almeja concorrer às eleições para prefeito de Curitiba, depois de a polícia comandada por esse político de perfil fascista ferir mais de 200 pessoas e sangrar dezenas e dezenas de professores, como não deixam margem a dúvidas as fotos e as filmagens dos massacres perpetrados pela polícia do Paraná, a mando de Richa e Francischini.

O bate-pau Francischini, o que “enfiou” um monte de parlamentares mequetrefes em um camburão para eles votar contra os interesses dos trabalhadores, mas que, por sua vez, foi impedido por um único servidor de se aproximar do carro por intermédio de um simples empurrão. O valentão do Paraná correu feito uma lebre velocista, em um medo que não condiz com sua condição de policial e muito menos com seus discursos — verdadeiras odes à violência, à macheza, ao “prendo e arrebento”, à desfaçatez e à falta de consideração e respeito.

A estupidez, a intolerância e a intransigência tucana é o DNA do PSDB e de seus congêneres, a exemplo do DEM, do SD, do PPS, que foi anexado pelo PSB, partido que abraçou com força a direita e traiu a aliança de 30 anos com o PT, a jogar sua história no lixo e deixar, sobretudo, sua militância perplexa ao tempo que admirada com tanta leviandade, ausência de discernimento político e percepção histórica, bem como a incontrolável vontade de servir, como um cão de caça, à sua nova patroa: a plutocracia e seus meios de comunicação privados e alienígenas.

Richa é um estúpido, no sentido literal da palavra. Somente um mandatário estúpido, em plena democracia, com as instituições a funcionar a toda prova, apesar das crises reais, artificiais e superdimensionadas por uma imprensa meramente de negócios privados, nomearia para ocupar o importante cargo de secretário de Segurança um homem da estirpe de Francischini, de passado sombrio, no que diz respeito à violência e à falta de discernimento sobre as questões e os antagonismos sociais, além de não ter a compreensão de que um político real e consciente serve aos interesses do povo, dos trabalhadores e não do status quo — do establishment.

Por seu turno, percebe-se nitidamente que o Paraná está à frente da reação contra a vitória do PT nas eleições presidenciais. Hoje, politicamente, o Estado sulista é mais agressivo que São Paulo, berço dos tucanos de alta plumagem e que também estão inconformados com quarta derrota consecutiva para o PT. O Paraná sempre foi conservador. É histórico. Todavia, o histerismo da direita paranaense ultrapassou todos os limites do que é civilizado e sensato, até porque a democracia tem regras, que são subordinadas à Constituição e ao Estado Democrático de Direito.

O Paraná se transformou em um Estado golpista e inconformado tanto quanto o playboy Aécio Neves, que desde sua derrota em outubro não pára de falar em impeachment contra uma mandatária legalmente eleita com mais de 54 milhões de votos e que não cometeu crimes de responsabilidade. O senador Aécio se transformou em um golpista, enquanto seu avô, Tancredo, sempre combateu golpes, desde os tempos do estadista e trabalhista gaúcho, Getúlio Vargas. É o fim da picada e um deboche contra a memória do antigo político mineiro, que, se vivo fosse, ficaria de “cara” com as diatribes e a alma de mau perdedor de seu neto, boêmio do Leblon e de Ipanema.  

E o Paraná continua a trilhar por veredas tortuosas em prol dos interesses do establishment nacional e internacional, a combater no campo do Judiciário e do MP o Governo Trabalhista, a fazer indevidamente política e a se intrometer em questões administrativas referentes às decisões de um governo ou de um presidente eleito, no caso a presidenta Dilma Rousseff.    

Autoridades como o juiz Sérgio Moro, os delegados aecistas da PF, que fizeram campanha contra a presidenta Dilma e ofenderam o ex-presidente Lula, mesmo a investigar um caso oficial grave, como a operação Lava Jato, estão indelevelmente a fazer política, e de oposição ao Governo. É nítido. Visível. Só não vê quem não quer ou não tem um mínimo de discernimento ou de conhecimento sobre a política brasileira e o nosso Judiciário.

Além do mais, autoridades estaduais e influentes, exemplificadas no governador e no secretário de segurança estão mancomunadas com essa gente, porque os interesses são os mesmos: derrubar a presidenta Dilma ou macular sua imagem, desqualificando-a, desvalorizando-a, a desconstruí-la, com o propósito de engessar seu governo e colocá-la até o fim de seu mandato em uma redoma infernal, de forma que quando acontecerem as eleições de 2018 o PT e suas lideranças não tenham chances de vitórias. Se é contra o Governo Trabalhista e o PT, aí vale tudo.

Por seu turno, se é contra o PSDB e seus congêneres, o mundo se torna irreal, pois surreal, ao ponto de greves de categorias grandes e influentes praticamente não existirem para a imprensa empresarial no Pará, no Paraná e principalmente em São Paulo. E por quê? Porque são estados controlados por tucanos e tucanos são “puros”, “legais” e “probos”. Os magnatas bilionários de imprensa mandam seus empregados esconder os fatos e as realidades, afinal o PSDB não tem caixa dois e nunca existiu Mensalão tucano, além de outros inúmeros escândalos protagonizados pela tucanagem.  

E tudo isto com a complacência, a blindagem e a cooperação da imprensa dos magnatas bilionários, da Justiça e do MP. O governador Beto Richa e o secretário Fernando Francischini podem ser estúpidos, mas sabem que contam com a imprensa familiar amiga para cometer suas tiranias e sangrar os trabalhadores. Trata-se do Paraná do PSDB.  É isso aí.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Rollemberg trai e o PSB abraça a direita

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

PSB: DE SOCIALISTA À SOCIAL-DEMOCRACIA DE DIREITA.
O Partido dos Trabalhadores tem de se posicionar, de forma clara e objetiva, quanto a discernir, ponderar, avaliar e, consequentemente, perceber com lucidez e decisão de propósitos quem são seus inimigos e aliados para poder separá-los, além de reconhecer quais são os traidores de sua base, que se juntaram aos interesses políticos e econômicos dos partidos de oposição, ideologicamente conservadores e reacionários, bem como aos ditames de uma burguesia apátrida, antinacional, portanto, entreguista e golpista. 

A burguesia que tem como principal ponta de lança de seus interesses escusos e nada confessáveis a poderosa máquina midiática privada, controlada pelos magnatas bilionários de imprensa, que ora se esforçam para criminalizar o PT e, por seu turno, desconstruir a imagem da presidenta Dilma Rousseff, porque a intenção é fomentar um clima de crise política e institucional, artificial e sem fim, que favoreça a efetivação de um impeachment, a ter como fundo de pano a corrupção na Petrobras e as “pedaladas” fiscais, principalmente no tange ao uso de recursos da Caixa Econômica para pagar os benefícios sociais, fato este rotineiro desde a época do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Os dois pesos para um medida da oposição no que se trata a combater o governo trabalhista de Dilma se tornou uma música de uma nota só. A verdade é que se exauriu a tentativa e a má-fé por parte da imprensa familiar e da oposição demotucana no que diz respeito ao impeachment, que vai fracassar, a corrigir, já fracassou, porque até mesmo homens com poder e de oposição consideraram inviável o impedimento da mandatária, a exemplo do presidente conservador da Câmara, deputado Eduardo Cunha, do ex-presidente FHC, líder nacional do PSDB, do eterno candidato tucano, José Serra, além de juristas de renome e opositores do PT, nas pessoas de Miguel Reale Jr., Ives Gandra Martins e José Eduardo Alckmin.

Eles não acreditam no impedimento de uma presidenta que não incorreu em quaisquer crimes de responsabilidade, bem como jamais tergiversou quanto ao combate à corrupção, realidade esta que recrudesceu nos governos trabalhistas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, mandatários que juntos realizaram mais de três mil operações de combate aos crimes de corrupção, como não deixam margem à dúvida as prisões de empresários e executivos poderosos da iniciativa privada, além de servidores públicos de alto escalão, que há décadas roubavam a Petrobras, muito anos antes de o PT ter conquistado o poder presidencial.

Eis que após duas décadas de alianças e lutas políticas e eleitorais pelo poder, principalmente no âmbito federal, a partir de 2013 e 2014, políticos e partidos historicamente ligados às lutas populares e que se consideravam de esquerda resolvem se afastar do Governo Trabalhista e romper as alianças históricas em prol dos trabalhadores e dos interesses do Brasil. Muitos tiveram esta conduta no decorrer do tempo, a exemplo de Luiza Erundina, Luciana Genro, Heloisa Helena, Cristovam Buarque, Marina Silva, Eduardo Campos, dentre outros, que não tiveram a compreensão, apesar dos muitos erros do PT, que o Brasil avançou em direção ao seu desenvolvimento e independência.

Não entenderam realmente os avanços que, de uma forma ou de outra, ou às duras penas, estão a ser efetivados por intermédio de inúmeros programas, que se transformaram em uma gigantesca rede de proteção e inclusão social, concomitantemente à implementação de um projeto de País, fiscalizado pela CGU e demais órgãos de fiscalização e investigação do Governo Federal, cujos atos e ações são inquestionavelmente republicanos e públicos, porque os governos do PT deram publicidade à sua maneira de governar, por intermédio da criação do Portal da Transparência.

Trata-se da ferramenta de onde a imprensa meramente de mercado e de caráter alienígena retira suas informações, ao tempo que aproveita para elaborar suas reportagens oposicionistas e mequetrefes, cujo propósito é atacar o Governo Dilma, através de um portal que foi concebido no governo trabalhista de Lula. Durma-se com um barulho desses. A verdade é que a doutrina dos governos trabalhistas é a busca incessante pelo desenvolvimento, a luta pela igualdade de oportunidades, a fundamentar a efetivação de justiça social, bem como acabar com a pobreza extrema e fazer com que o Brasil deixe de ser uma Nação onde milhões de indivíduos são vítimas da fome, e, com efeito, não tem a mínima condição de ascender socialmente, porque quem sente fome não pensa, quanto mais vai ter força para estudar, trabalhar, e, por sua vez, melhorar de vida.

É dantesca ao tempo que quixotesca a falta de discernimento, a vaidade temperada pela burrice de certos indivíduos como Marta Suplicy, Paulinho da Força, Rodrigo Rollemberg e Carlos Lupi. Sempre foram políticos medíocres, alavancados pelas circunstâncias e conhecimento político junto às lideranças de seus partidos, no que é relativo ao apadrinhamento no começo de suas carreiras, bem como à “sorte”, no caso de Rollemberg, que viu, no decorrer dos anos, praticamente todas as lideranças político-partidárias do Distrito Federal se envolver em crimes de responsabilidade e denúncias sobre corrupção.

Imputações que terminaram em prisões, a exemplo de pessoas como Luiz Estevão e José Roberto Arruda, além de acusações gravíssimas a Gim Argelo, sendo que Joaquim Roriz e Paulo Octávio foram cassados ou destituídos de seus cargos eletivos, dentre muitos outros políticos que colocaram Brasília como um lugar de governantes criminosos e corruptos, posseiros violentos e ilegais de terras pertencentes ao Estado, além de patrimonialistas, sempre no olho do furacão, a pôr em risco a democracia, porque o Distrito Federal quase perdeu sua autonomia política e seus cidadãos o direito de eleger o governador e os deputados distritais.

O governador Rodrigo Rollemberg, apesar de sua mediocridade política, pois foi um péssimo deputado e senador, além de ficar em cima do muro, sempre soube ocupar os espaços, não conquistados por competência do atual mandatário do DF, mas, sobretudo, ocupados graças à incompetência e à vocação para o crime de certas lideranças de Brasília, que ficaram a cair, uma após a outra, em uma sucessão de miserabilidade política, que restou apenas a Rollemberg concorrer às eleições para governador com a faca e o queijo na mão.

Os fatos conspiraram a favor de Rollemberg, porque o petista, Agnelo Queiroz, apesar de seus reconhecidos equívocos políticos e a dificuldade para se defender de muitas acusações infundadas e perpetradas pela direita brasiliense, uma das mais reacionárias e violentas do País, foi alvo constante de uma das campanhas mais infames e sórdidas que se tem notícia no Distrito Federal durante todo seu mandato como governador. Desde o início aconteceu uma movimentação da direita, em termos nacionais, para que o Governo do PT no DF não conseguisse a reeleição, com a cumplicidade do PSB, ou seja, de Rodrigo Rollemberg, que se beneficiou de aliança com o PT e depois o traiu em âmbito nacional e regional. A resumir: Rollemberg tem compromisso com a burguesia e com seus projetos pessoais, como, por exemplo, ser candidato a presidente da República. Ponto.               

Agnelo Queiroz errou muito. Não reagiu à altura contra os diários conservadores Correio Braziliense e Jornal de Brasília, que sempre foram beneficiados pela publicidade e empréstimos estatais, bem como cresceram sob a proteção da ditadura militar. O petista se calou perante a TV Globo local, que tem como principal voz oposicionista o jornalista direitista, Alexandre Garcia, ex-porta-voz do governo do general João Figueiredo. Hoje, Garcia se comporta como o “baluarte” da moral e dos bons costumes, o que me leva a rir, quase gargalhar, quando ele demonstra “preocupação” com a educação, a saúde e a corrupção.

A verdade, pura e simples, é que tal jornalista de confiança dos Marinho apoiou todos os governos de direita desde a ditadura militar, exatamente os governos mais corruptos e violentos, que entregaram as nossas riquezas para os estrangeiros e ao empresariado nacional golpista e apátrida. Soa ridículo, mas tal desfaçatez e hipocrisia acontecem todos os dias de sua aparição na telinha global. Somente um ser alienado ou que compartilha com as “ideias” de Alexandre Garcia poderia acreditar na suposta “preocupação” de um executivo de confiança da Globo com os rumos do Brasil. Um homem que, indubitavelmente, nunca primou pela defesa dos interesses desta Nação. Duvida? Basta, então, pesquisar sua história e verificar o lado que o jornalista sempre esteve. Ponto.

Rollemberg, astuto e sorrateiro, calou-se. Não defendeu, em hipótese alguma, no plenário do Senado, o governador Agnelo Queiroz e o PT dos ataques virulentos da direita. Jamais o oportunista parlamentar do PSB moveu uma palha para proteger o governador e o partido que o ajudou, e muito, a se eleger senador. Praticamente sumiu da CPI do Carlinhos Cachoeira, Época (Globo) e Veja, quando Agnelo foi se defender e se saiu muito bem das armadilhas montadas pela direita golpista, pois queria derrubá-lo do poder. Anteriormente, Rodrigo Rollemberg traiu o PT nacional, o Governo Lula, a quem ele serviu como secretário da poderosa Secretaria de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O político “socialista” sempre se beneficiou da força política e eleitoral do PT, pois também ocupou o cargo de Secretário de Turismo do Governo Cristovão, ex-político do PT e que hoje está no PDT, a fazer uma oposição rancorosa ao Governo Dilma, porque demitido por Lula quando era ministro da Educação, a ter um desempenho medíocre, retórico, pois sem objetividade, realidade esta que não ocorreu no período do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, à frente da Pasta, que abriu as portas das universidades públicas e das escolas técnicas a milhões de brasileiros oriundos das classes populares, que jamais sonhariam um dia terem acesso a tantas oportunidades para se instruir e, por sua vez, melhorar de vida.

Rodrigo Rollemberg não é um socialista de fato. Nunca expôs suas ideias e muito menos combateu a direita enquanto titular dos mandatos de deputado federal e senador. Ingrato com seus aliados de esquerda, o governador do DF pagou com traição política ao PT e ao governador Agnelo Queiroz, no Congresso Nacional, e compôs com a direita na corrida presidencial de 2014. O socialista histórico e ex-presidente do PSB nacional, Roberto Amaral, lamentou a adesão do partido e de suas principais lideranças aos interesses da oposição de direita, e afirmou:

O PSB renasceu em 1985 como uma opção socialista e democrática no campo da esquerda. Este era o projeto original comandado por Jamil Haddad e consolidado a partir dos anos 1990 por Miguel Arraes. Da esquerda transitou para a centro-esquerda, e, com a última decisão de apoiar o candidato da direita (Aécio Neves/PSDB), optou claramente pelo campo do centro-direita. Esse novo partido não pode mais dizer-se herdeiro de João Mangabeira, nosso fundador em 1947, ou de Miguel Arraes, de cujo pensamento comum transformou-se numa contrafação. O PSB de hoje repudia tudo o que seus fundadores representam”.  

Roberto Amaral foi defenestrado e desconsiderado por Eduardo Campos, Beto Albuquerque e, evidentemente, Rodrigo Rollemberg, que levaram o partido de Jamil Haddad, Miguel Arraes e João Mangabeira para o campo da direita. Atualmente, o PSB é um partido conservador, cooptado pelo sistema de capitais e deslumbrado com o crescimento no Congresso e com a conquista de alguns estados e municípios. A sua bancada se alinha aos interesses do conservadorismo na Câmara e no Senado.

A coerência ideológica de Rollemberg tem a consistência de um sorvete que caiu no chão, a derreter em asfalto quente. Trata-se, sem sombra de dúvida, de um político de centro-direita e a serviço das oligarquias, mas com um discurso dúbio, afeito aos coxinhas de classe média, mas não àquele público que votou no PT e concedeu à Dilma Rousseff mais de 54 milhões de votos, por compreender que acima das disputas políticas e dos escândalos que servem como armas em forma de manchetes para a oposição de direita, aconteceram realisticamente os avanços sociais, na forma de inclusão de segmentos da sociedade brasileira que não tinham nem o direito de consumir quanto mais ascender socialmente.

Rodrigo Rollemberg é filho da oligarquia e, como tal, procede. Deveria assumir sua condição de político e governante que abandonou o socialismo e hoje compõe e defende os interesses dos mais ricos ou dos que sempre puderam mais. A inclinação do PSB para o conservadorismo é visível, porque a renovação de seus dirigentes partidários e que ocupam ou ocuparam cargos em prefeituras, governos estaduais, casas legislativas e ministérios se deu por intermédio de tecnocratas, principalmente em Pernambuco, estado que controla o PSB, mesmo após o acidente trágico que levou à morte o candidato Eduardo Campos.

Esses tecnocratas saíram direto de seus cargos e funções para a política. Esse processo se deu praticamente em todo o País, quando se trata do PSB. Os novos políticos do ex-partido socialista não foram forjados na luta partidária do dia a dia, bem como praticamente não conhecem a fundo a história do PSB, seus princípios ideológicos e políticos, porque não se dedicam a conhecer também as realidades sociais do povo brasileiro, que se apresentam e têm de ser solucionadas, com o objetivo de melhorar sua vida. O PSB é um partido que envelheceu em suas ideias e concepções e hoje é um inquilino da Casa Grande, em forma de engenho do ciclo da cana de açúcar.

A aliança com o conservador PSDB de Aécio Neves, depois de ser aliado de governos trabalhistas durante quase 12 anos, é um dos maiores absurdos e erros cometidos pela classe dirigente do PSB, uma legenda que traiu a si, aos outros e deixou sua militância perplexa. É imperdoável a postura irresponsável de um partido que se dizia socialista e que abandonou o projeto de País de governos que, apesar dos percalços, entraves e dificuldades, não foram cooptados pelo sistema de capitais, cujos porta-vozes são as mídias monopolizadas por meia dúzia de famílias que tem a ousadia e o atrevimento de considerar que o Brasil de 210 milhões de habitantes e a sexta economia do mundo é o quintal das casas delas. Seria cômico se não fosse surreal e trágico.


Os dirigentes atuais do PSB, à frente Rodrigo Rollemberg por ser governador e jamais por ser um pensador político e ideológico, porque ele, como o faz e sempre o fez a direita, recusa-se a pensar o Brasil, entregaram-se ao hedonismo coxinha, que é ideológico e tem como combustível o ódio, que fomenta os protestos da classe média brasileira nas redes sociais e nas ruas. Engana-se redondamente aquele que pensa que o sentimento da direita é de indignação, de injustiça e de dor quando protesta. Não, caras pálidas... É de ódio por ter percebido que o Brasil está a ser construído para todos e não apenas para as classes que sempre foram privilegiadas e favorecidas. O PSB escolheu seu caminho, e é exatamente o caminho por onde já trilhava há 500 anos a burguesia brasileira. Rollemberg trai e o PSB abraça a direita. É isso aí.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Moro é político e quer criminalizar o PT para derrubar Dilma

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre
 
Moro recebe o prêmio "Faz a Diferença" dos Marinho. Ele é o mais novo funcionário padrão da Globo.
O juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, é um brasileiro que “faz a diferença”, como pretendem fazer crer as Organizações(?) Globo, useira e vezeira em premiar aqueles sujeitos que, de preferência, fazem oposição ao Partido dos Trabalhadores e investigam, prendem e punem somente autoridades ou pessoas ligadas ao PT, porque tal partido venceu quatro eleições presidenciais consecutivas, realiza administrações republicanas e faz um governo de inclusão social, com o enfoque para a igualdade de oportunidades, realidades essas que deixam por demais furibundas as oligarquias brasileiras, que se mostram presentes nos setores públicos e privados.

A verdade é que com a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari, Moro fere gravemente o Governo Trabalhista, que desde a vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em outubro de 2014, não teve um dia sequer de sossego para poder trabalhar a favor do desenvolvimento do País e da emancipação do povo brasileiro. Essa gente conservadora e reacionária, encastelada no Judiciário, no Ministério Público, nos partidos políticos de direita, na Polícia Federal dos delegados aecistas, na comunidade coxinha e, principalmente, nos meios de comunicação privados pertencentes aos magnatas bilionários de imprensa, tem apenas dois itens em sua agenda política: o golpe de estado e o impeachment de Dilma Rousseff.

Fascistas de carteirinha como o senador do DEM, Ronaldo Caiado, e playboys oportunistas, inconformados e furiosos com a derrota, a exemplo do senador Aécio Neves (PSDB), apostam todas suas fichas nesses dois processos draconianos, antidemocráticos e ilegais. Ilegais, sim, porque a presidenta Dilma não incorreu em malfeitos, não cometeu quaisquer corrupções e sua campanha eleitoral foi comprovadamente considerada legal, como apontam as resoluções quanto a isto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente do PT, Rui Falcão, pronunciou-se sobre a prisão de Vaccari e garantiu que os advogados da legenda vão recorrer contra a prisão. O fato é que se percebe nitidamente que a prisão do tesoureiro tem por finalidade criminalizar as doações ao PT, já que o PSDB, o PSB e o PMDB também receberam dinheiro para financiar suas campanhas de empresas que estão a ser investigadas pelo Operação Lava Jato.

Por sua vez, torna-se inacreditável e até mesmo surreal a seletividade do juiz Moro, de promotores e de setores da PF, que até agora não prenderam ninguém do lado tucano e de outros partidos, porque no Brasil certos grupos são inimputáveis, o que reafirma que o status quo é blindado, ainda mais quando ele é o representante legítimo dos interesses da burguesia nacional e dos conglomerados econômicos internacionais.

É o fim da picada a seletividade de juízes, como o Sérgio Moro, e de procuradores, como Rodrigo de Grandis e Deltan Dellagnol, o primeiro “esqueceu” o pedido de investigação do MP da Suíça sobre a roubalheira acontecida no metrô e nos trens de São Paulo, e o segundo posa de herói, juntamente com seus colegas de Operação Lava Jato, e sai em foto de capa do diário conservador, Folha de S. Paulo, ferrenho opositor ao PT e à Dilma. O jornal da família Frias jamais aceitou o resultado das urnas, ou seja, a derrota de Aécio Neves.

Ao fazer a vez da oposição partidária, a imprensa de mercado recrudesceu a espetacularização nada republicana de servidores públicos da Procuradoria da República, propositalmente promovida por uma mídia golpista, que sabe o que faz com seu canto de sereia, que embriaga procuradores atraídos pelas luzes da ribalta. A prisão de João Vaccari significa a criminalização do PT, que apresentou ao TSE as doações recebidas, tanto quanto se beneficiaram os partidos da oposição, que, entretanto, não são denunciados, investigados, punidos e muito menos saem nas manchetes e chamadas dos jornais, rádios e televisões dos oligarcas das comunicações.

Vaccari foi à CPI da Petrobras e apresentou documentos e dados que comprovam que as doações recebidas pelo PT são legais. Para não deixar dúvidas, ainda informou, volto a comentar, que o PMDB, o PSB e o PSDB também receberam dinheiro e nem por isso são investigados pelos seletivos, juiz Moro, procurador Dellagnol e delegados aecistas. E por quê? Porque fazem política, aliaram-se à imprensa corporativa, aos partidos de direita e de oposição e querem, de uma forma ou de outra, que o PT saia do poder, afinal existem movimentos golpistas, que desejam a extinção do PT e a destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República. Seria cômico ou surreal se não fosse trágico.

O que quer esse Juiz nada confiável, pois político, e esses promotores que pensam ser os “Intocáveis” de Hollywood? O que se pode esperar de juízes, imprensa dos magnatas e de promotores partidários, ideologicamente conservadores e que lutam desesperadamente e incansavelmente para manter o status quo, a defender esse sistema de capitais injusto e perverso e a tentar preservar os privilégios das classes sociais abastadas.

Tratamos, sem dúvida, de um embate político duríssimo e tão violento e insensato quanto os ocorridos nos idos de 1954 e 1955, 1961 e 1964. As questões desses fatos e acontecimento não se resumem em prisões e punições, porque sou plenamente favorável às prisões de ladrões do dinheiro público, sejam eles membros do PT, do PSDB, do funcionalismo público, do empresariado, seja de onde for e vier. O que está em jogo, porém, não é simplesmente prender ou não prender, porque a reação quer apagar o fogo com gasolina e apostar no quanto pior, melhor.

O que está em jogo é a estabilidade democrática, a Constituição, o equilíbrio entre os poderes e a submissão aos resultados das urnas, quando Dilma Rousseff, do PT, recebeu do povo brasileiro mais de 54 milhões de votos e derrotou pela quarta vez o candidato da direita, das oligarquias e dos interesses internacionais, desta vez na pessoa de Aécio Neves. O resultado disse tudo é que ficam no ar muitas dúvidas quanto à lisura e o republicanismo da Justiça. Muita gente fica com a impressão que o PSDB e seus aliados não recebem doações, não tem caixa dois e muito menos tesoureiros responsáveis pelas contas dos partidos.

Os tucanos falam muito de corrupção. O DEM também. A imprensa familiar e empresarial está histérica com o assunto sobre corrupção. São todos contra a corrupção. No entanto, os magnatas bilionários de imprensa e seus empregados de confiança se dizem a favor do financiamento privado para as campanhas eleitorais. Os partidos de direita também, sendo que muitas dessas pessoas ou grupos não querem nem saber de efetivar uma reforma política. São cínicos e hipócritas, porque não são sinceros. Como pode você se dizer contra a corrupção, mas quer o financiamento privado de campanhas eleitorais, o maior responsável, inegavelmente, pela corrupção entre empresas privadas e o poder público.

A crise política está a vicejar, a recrudescer e longe de seu fim porque não interessa à direita que ela acabe, pois a intenção é engessar o governo e não deixar a presidenta Dilma governar. O negócio é infernizar, mesmo ao preço de prejudicar a economia do País e a paz social. Combate-se, sem trégua, um governo de caráter popular e que está a prender, pela primeira vez neste País, ricos empresários e executivos. Sem dúvida, é exatamente o Governo Trabalhista do PT que começou a limpar a sujeira dentro do Estado nacional. Só não vê quem não quer. Ou é de oposição, aquela que está desesperada, inconformada, irada e furiosa por estar sem controlar o Governo Federal há mais de 12 anos. O juiz Sérgio Moro é político e quer criminalizar o PT para derrubar do poder a presidenta Dilma Rousseff. É isso aí.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Coxinhas alienados de classe média fracassam na Globo News em verde e amarelo

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre



Acompanhei a cobertura dos protestos pela Globo News e suas congêneres acontecidos ontem em várias cidades do Brasil. A Globo News, televisão “limpinha e cheirosa” dos magnatas bilionários, os irmãos Marinho, porta-voz do coxismo desenfreado e elitista de uma classe média alienada, preconceituosa e reacionária, que organizou passeatas fracassadas contra a corrupção e “tudo o que está aí”, sem, todavia, possuir uma agenda de reivindicações sociais, que lute em prol dos interesses dos trabalhadores, como protestar contra a aprovação do projeto de terceirização aprovado por uma Câmara conservadora e que tenta governar o País no lugar do Executivo.   

Deparei-me com um número de pessoas a vociferar contra um governo eleito legitimamente e que se equivale a apenas 000,1% da população brasileira, a mesma que, em termos macros, melhorou efetivamente de vida nos últimos 12 anos e quatro meses, bem como compreendeu o momento histórico pelo qual passa o Brasil e, com efeito, decidiu manter no poder, por intermédio das urnas, a presidenta trabalhista Dilma Rousseff, cujos governos, juntamente com os dois mandatos do ex-presidente Lula, não estão a “deixar pedra sobre pedra”, quando se trata de combate à corrupção, conforme a mandatária deixou claro nos debates políticos e na propaganda eleitoral. E assim está a ser feito.

Entretanto, lideranças intelectualmente tacanhas do coxismo golpista e que empunhavam cartazes e faixas com dizeres em inglês (olha aí o complexo de vira-lata), por oportunismo, hipocrisia e conveniência política e ideológica, fingem não compreender os novos rumos do Brasil, que está a mudar paulatinamente sua postura e conduta diante da corrupção, que está, sem sombra de dúvida, a ser combatida ferrenhamente pelos governos petistas, que por serem republicanos, permitiram que instituições como a Polícia Federal trabalhasse com liberdade, sem interferir, também, nos trabalhos do Ministério Público.

Somente para termos uma pequena noção do que estou a afirmar, faço saber que nos oito anos de desgovernos e de privatarias dos tucanos do PSDB (existem também tucanos do DEM, do PPS, do PMDB, do PSB, do PP, do PV etc.) foram realizadas apenas 48 operações da Polícia Federal, completamente desprestigiada, desprovida de equipamentos, com um orçamento muito aquém de suas necessidades e com um efetivo tão pequeno que não dava para resolver quase nada, porque o Brasil é um País continental, com fronteiras longuíssimas e uma criminalidade que atuava à solta e à vontade.

Exatamente isto: o Governo de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — realizou ínfimas 48 operações, enquanto os governos trabalhistas de Lula e Dilma efetivaram quase três mil operações policiais, com 24.881 detenções e prisões, de acordo com cada caso, sendo que 2.351 dessas pessoas pertenciam ao serviço público, inclusive políticos, sendo que 119 policiais federais, um fato raro, que demonstra, inapelavelmente, que o Brasil mudou e sua democracia está consolidada, para o desespero da direita brasileira, uma das piores e mais cruéis do mundo.

A resumir: os governos trabalhistas de Lula e Dilma realmente colocaram a mão na massa e cortaram na própria carne, porque pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores foram punidas, inclusive as que não tiveram suas culpas comprovadas, como no caso do “mensalão” do PT, que teve como ferramenta para acusar e punir o infame “domínio do fato”, uma farsa política e de caráter partidário e ideológico, conhecida apropriadamente como “mentirão”, que vai ser ainda desmoralizado pela história, que se escreve de maneira fria e isenta. Ponto.

Além disso, grandes empresários, executivos importantes, corruptos e corruptores estão presos, realidades que nunca aconteceram antes neste País, e que incomodam demais o status quo, os poderosos, ou seja, a grande burguesia, que tem como porta-vozes as televisões, as rádios e as publicações dos magnatas bilionários de imprensa, a ter ainda como replicadores ou disseminadores de seus interesses políticos e econômicos, a lamentável classe média coxinha, golpista, reacionária, rancorosa e despolitizada, que se sente ridiculamente ameaçada, porque os pobres ascenderam um pouco socialmente e às vezes frequentam os lugares que a classe média considerava como “seus”, a exemplo dos shoppings, bairros onde moram, aeroportos, cinemas, lanchonetes e restaurantes, clínicas de saúde privadas, universidades públicas e particulares.

A verdade é que no Brasil sempre vicejou uma pequena burguesia de alma lacerdista e udenista, que, de geração em geração, acostumou-se a ter empregados domésticos, uma das heranças da escravidão, ou a ver os trabalhadores nos papéis de servidores do comércio e do lazer onde frequenta, mas jamais como consumidores e cidadãos que tem os mesmos direitos desses pequenos burgueses, conforme reza a Constituição.

O que se percebe e se fundamenta é que os governos conservadores e neoliberais de FHC, aquele que, além de trair o povo brasileiro e vender o País para a gringada, ainda pediu dinheiro ao FMI três vezes, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes, não prenderam ninguém, porque propositalmente fecharam os olhos para a corrupção, pois se recusaram a investigar para descobrir a farra de roubalheira explícita que acontecia há décadas no serviço público, com a participação e a cumplicidade de empresários ladrões do Brasil, que corromperam funcionários concursados, sendo que a maioria ingressou no serviço público no fim das décadas de 1980 e início da de 1990.

Agora vamos à pergunta teimosa e que se recusa a calar: como os líderes e mandatários dos governos tucanos poderiam investigar e demitir, prender e punir os corruptos e corruptores se essas mesmas autoridades estavam a vender o País, a entregá-lo de mão beijada à gringada, que, por sua vez, somente evidenciou uma única exclamação de regozijo e alegria: OBA!

Um “oba” altissonante, porque tal estrangeirada sabe que seus países, ditos como desenvolvidos, não vendem o patrimônio público, ainda mais quando ele é estratégico, a exemplo da Vale do Rio Doce e da Telebras, dentre as mais de cem estatais, que o governo apátrida, traidor e irremediavelmente colonizado, que teve o senhor tucano neoliberal FHC como predador do patrimônio público que ele e seus pares não construíram e jamais teriam competência e determinação para edificá-lo, porque tucano não trabalha, não serve ao povo brasileiro quando no poder, pois se recusa, terminantemente, a pensar o Brasil.

E desse modo, tal qual à burguesia no poder, que procedem os coxinhas de classe média despolitizados, de valores colonizados e dominados por um gigantesco complexo de vira-lata. Racistas e elitistas. Arrogantes e prepotentes. Sectários. Apostam, pois ignoram a história do Brasil, em um golpe militar, que eles, para disfarçar o autoritarismo latente em seus corações e mentes, chamam-no de “intervenção” militar. Falam de “petrolão”, de “mensalão”, mas o do PT foi julgado e os acusados foram punidos, mesmo sem suas culpas juridicamente comprovadas. Em relação ao “petrolão”, não está a ficar pedra sobre pedra, tanto o é verdade que todos os principais envolvidos estão presos.

Desprovidos de uma agenda séria de reivindicações sociais e trabalhistas, porque na verdade são apenas um amontoado de aloprados radicais, leitores e telespectadores de uma imprensa mentirosa e manipuladora, os coxinhas não reclamaram, como já frisei anteriormente, da aprovação da terceirização total dos serviços, não protestaram contra a roubalheira dos ricos que sonegaram impostos, enganaram a Receita e depositaram verdadeiras fortunas no HSBC da Suíça. De forma alguma, como não criticaram a falta de água vergonhosa em São Paulo e seu governador, Geraldo Alckmin.

Jamais! Os escândalos do”metrosão” e “trensalão” também não apareceram nas faixas, nos cartazes e nos megafones dos trios elétricos dos coxinhas politicamente seletivos. Nem a operação Zelotes ou as roubalheiras do Banestado, da Lista de Furnas, da sonegação criminosa da Rede Globo, no que é relativo à Copa de 2002. Coxinhas não fariam denúncias e protestos contra a falta de julgamento do Mensalão do PSDB, que o Judiciário e o MP deixaram correr à solta, ao ponto de este caso estar praticamente anulado por causa do tempo que passou. Essa gente também não esbravejou contra o fim das operações Satiagraha e Castelo de Areias.

E por que será? Respondo: porque todos esses casos de corrupção e muitos outros aqui não citados estão envolvidos políticos de oposição aos governos Lula e Dilma. Além do mais, a imprensa meramente de negócios privados jamais dará publicidade aos escândalos de seus parceiros, aliados e cúmplices, até porque muita gente que trabalha nas mídias privadas e cruzadas está também envolvida com muitos desses casos, que ainda não foram, lamentavelmente, combatidos duramente pelos delegados da PF, pelos juízes do STF e do STJ e, principalmente, pelos promotores do MP. Estes, então, passam uma ideia de seletividade e de atuação político-partidária que põe por terra a credibilidade do MP por enorme parcela da população brasileira. Este é o sentimento, o de desconfiança.

Os coxinhas alienados e “revoltados” de classe média odeiam e desprezam o Brasil. Só que antigamente essa gente, mesmo os formados em cursos superiores, viajavam para os EUA para trabalhar na condição de empregadinhos de quinta categoria. Hoje eles vão como turistas ao país imperialista, que eles amam, identificam-se e por lá deixam um monte de dinheiro.

Em 2014, gastaram 2,5 bilhões. É tanto dinheiro que o governo yankee está a facilitar a entrada de brasileiros. E os coxinhas aqui, a bramir insanidades ou sandices, talvez porque estão empregados, como muitos deles não estavam antes dos governos petistas. O coxismo fracassou na Globo News, no Mau Dia Brasil e no Jornal (anti)Nacional em verde e amarelo. O respeito à democracia e à vontade das urnas não é uma concessão de uma suposta classe social, que, ridiculamente, considera-se de elite. O respeito às urnas é lei, e, como tal, tem de ser observado. O desrespeito ao processo político e à democracia tem nome: GOLPE! É isso aí.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

PSDB sai da social democracia para o golpismo e PT precisa resgatar seu berço

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


O PSDB dos tucanos sempre foi um partido em cima do muro. Entretanto, seus principais membros do passado e do presente jamais reconheceram esta característica do caráter partidário e até mesmo ideológico de uma agremiação política fundada em 1989, que tinha a intenção de representar a social democracia no Brasil, apesar de o PDT, do trabalhista Leonel Brizola, fundado em 1979, ser o partido brasileiro que integra a Internacional Socialista (IS), uma organização composta por agremiações de esquerda e de centro esquerda e que prega, em âmbito internacional, a união de partidos políticos trabalhistas, social-democratas e socialistas.

Contudo, o grande partido de esquerda do Brasil é o Partido dos Trabalhadores, com suas ramificações, grupos e subgrupos ideológicos, que atuam e agem dentro de um partido profundamente democrático, nascido do operariado, da classe estudantil, da intelectualidade acadêmica, do apoio efetivo da Igreja Católica do campo progressista, bem como de setores autônomos da classe média, que não se sentiam representados pelos partidos burgueses e, por causa disso, apostaram em uma nova forma de se fazer política, no que diz respeito a eleger candidatos e partidos que, efetivamente, incluíssem a sociedade no processo decisório de poder e governo.

Um exemplo dessa inclusão e engrenagem político-administrativa é o orçamento participativo (OP), efetivado na gestão de Olívio Dutra, em 1989, quando o petista foi prefeito de Porto Alegre, cidade que se tornou referência nacional e internacional, porque o OP foi implantado em inúmeros municípios brasileiros e europeus, a exemplo de São Paulo, Bruxelas, Belo Horizonte, Montevidéu, Barcelona e Recife. Evidentemente quando o PT perdeu as eleições em algumas cidades brasileiras, o orçamento participativo foi extinto. A participação popular gera a democracia direta, pois as decisões sobre as políticas públicas e governamentais contam com a presença de representantes da sociedade por intermédio dos Conselhos Setoriais de Políticas Públicas, que também funcionam como espaços de controle social, ou seja, o poder da autoridade eleita compartilhado com o povo.

Depois o PT chegou ao poder federal ao conquistar por quatro vezes consecutivas a Presidência da República, o que forçou o partido a abandonar algumas teses defendidas no decorrer de décadas, até porque ser oposição é uma coisa e ser governo é outra, ainda mais quando para se governar um País tão complexo como o Brasil é necessário formatar um governo de coalizão e, por sua vez, conseguir ter maioria na Câmara e no Senado. Todavia, é imperativo, ao meu modo de ver, que o Partido dos Trabalhadores resgate seu berço, revisite suas origens e retome, com força e determinação, ferramentas que fortaleçam a participação popular nas definições e efetivações das políticas governamentais, que tem por objetivo fundamental melhorar as condições de vida do povo brasileiro.

O PT é o maior partido de esquerda do Brasil e, quiçá, das Américas, e, como tal tem de proceder, porque se trata do único partido orgânico do País, que, apesar de seu afastamento de algumas causas históricas e de interesses populares, é ainda a agremiação partidária com poder o suficiente para realizar a inclusão social com igualdade de oportunidades e fazer as reformas política, dos meios de comunicação, tributária, além de mobilizar o Congresso para que ele regulamente o que tem de ser regulamentado, no que concerne à Constituição.

O Orçamento Participativo é uma das ferramentas sonhadas e colocadas em prática pelos militantes e políticos que creem no socialismo democrático, a partir do momento em que o PT conquistou eleitoralmente as primeiras prefeituras e, anos depois, elegeu governadores em diversos estados. Naqueles tempos ditatoriais o Brasil realizou “eleições” em 1974, 1976 (municipais) e 1978, completamente controladas pelo poder militar, inclusive com nomeações de prefeitos, governadores e senadores biônicos, “eleitos” por um colégio eleitoral para dar maioria ao partido do Governo — a Arena e depois o PDS.

A verdade é que eram pleitos supervisionados duramente pelo Ministério da Justiça, pela Justiça Eleitoral da ditadura militar, pelos coronéis políticos, que detinham imensos poderes sobre as municipalidades interioranas, bem como de muitas capitais, principalmente dos estados menores e de regiões mais pobres e longínquas, no que é relativo ao poder central e às metrópoles do Sul e Sudeste, consideradas mais desenvolvidas, industrializadas e politizadas, no que tange naquela época as populações dessas regiões terem relativamente autonomia, e, com efeito, votos mais independentes.  

Todavia, em 1982, realizaram-se as primeiras eleições realmente diretas para governadores desde o golpe de 1964, inclusive com a participação de políticos exilados, a exemplo de Leonel Brizola. Apesar de tudo, aquele ano teve um pleito eleitoral submetido ao cabresto e ao chicote da Lei Falcão, que obrigava o candidato aparecer na televisão apenas com sua foto, também chamada de “boneco”, onde uma voz em off informava seu partido, nome e número, como propaganda eleitoral. As eleições de 1982 foram um sufrágio sob a tutela da mão forte do sistema ditatorial, que obrigou ainda o eleitor se submeter ao voto vinculado, pois seus candidatos teriam de ser do mesmo partido para todos os cargos em disputa, sob a pena de o voto ser anulado. Casuísmo e acinte contra o cidadão brasileiro, que já amargava 18 anos de ditadura.

Nesse rastro cívico, e a partir da redemocratização do País com a volta dos exilados em 1979 e o fim do bipartidarismo (Arena versus MDB), as esquerdas e a direita retomaram seus caminhos e retornaram às suas origens, porque o MDB, na verdade, era uma grande frente partidária e um caldeirão ideológico, onde atuavam e agiam políticos conservadores, a exemplo do paulista Roberto Cardoso Alves, um dos líderes do Centrão, no decorrer da Constituinte, e  o baiano Chico Pinto, comunista histórico, que, em 1974, fez um discurso contra o ditador chileno, general Augusto Pinochet, sendo depois preso pelos militares e ainda teve seu mandato de parlamentar cassado.

O PSDB saiu do ventre do PMDB de São Paulo, apesar de Franco Montoro, um dos fundadores do partido dos tucanos, ter sido eleito governador pelo PMDB, em 1982. Com a eleição do Orestes Quércia a governador de São Paulo, em 1986, aconteceu uma dissidência no partido, e, em 1989, Mário Covas, acompanhado de Franco Montoro, José Serra e Fernando Henrique Cardoso, dentre outros, criaram o PSDB, partido que traiu os princípios da social democracia, que, por sinal, na década de 1990, deu uma guinada à direita também na Europa e nos Estados Unidos, em nome da criação da “Terceira Via”, como demonstraram, sem deixar dúvidas, o presidente estadunidense, Bill Clinton, o primeiro ministro inglês, Tony Blair, o primeiro ministro espanhol, Felipe González, o primeiro ministro francês, Lionel Jospin, o chanceler alemão, Gerhard Schröder, o primeiro ministro italiano, Massimo D’Alema, o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o presidente da Argentina, Carlos Menem, e o presidente do Chile, Ricardo Lagos.

Em nome de uma suposta atualização e modernização da social-democracia, essas lideranças se reuniram em 1994, e, a partir desse encontro, que na verdade é uma consequência do Consenso de Washington, de 1989, começaram a colocar em prática a depredação e a alienação dos estados nacionais, principalmente dos países emergentes, bem como também recrudesceram, em seus próprios países considerados desenvolvidos, a privatização de estatais e a criação de agências reguladoras, que não regulavam nada, mas serviam apenas como aliadas dos interesses privatistas, como se deu no Brasil do tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, exatamente aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

O tucano colonizado e subserviente que ficou a segurar o “mico” e a ninar o “Bebê de Rosemary”, cuja alma é a tal da “Terceira Via”, responsável maior, porque fiadora, de quase duas décadas de neoliberalismo nas veias das nações, que levou os estados nacionais à bancarrota e os povos dos países vítimas de roubos e piratarias a sofrer com o desemprego, a fome, a miséria e com todo o tipo de cruéis dificuldades, pois sem perspectivas de um futuro melhor e impedidos de ter acesso à educação, à saúde, à moradia, ao emprego e ao consumo.

Depois de venderem o Brasil como medíocres caixeiros viajantes, essa gente despida de brasilidade, que despreza um País que é a terceira economia do mundo e que hoje exerce um papel importante na comunidade internacional, porque um dos criadores dos Brics, da Unasul, do Mercosul e do G-20, os tucanos do PSDB (existem tucanos do Psol, do DEM, do PPS, do PSB etc.), após serem derrotados em quatro eleições presidenciais, resolvem abraçar o golpismo e a flertar com o que de pior este País pode produzir, que é o ódio e a intolerância de setores da sociedade brasileira, extremistas do campo da direita, que em passeatas pedem, inclusive, por um golpe de estado, ou seja, essa gente sem memória, ignorante e sem instrução e conhecimento sobre a história do Brasil, chama cinicamente e hipocritamente de “intervenção” militar, fato que até os mortos, os recém-nascidos e os que estão em coma profundo há 30 anos sabem que os coxinhas querem mesmo é dar um golpe.

O PT, antes de tudo, tem de recuperar sua identidade, e há tempo para isso. Reabrir os canais de diálogo com a sociedade civil, com os trabalhadores e seus sindicatos e federações rurais e urbanas, renovar o corpo de militantes, cumprir com seu programa de governo e projeto de País propostos e aprovados nas urnas e passar a ouvir mais aqueles que votam ou votaram no PT, porque quem colocou o Lula e a Dilma na Presidência da República foram os eleitores desses dois mandatários trabalhistas e socialistas. O PT é das ruas e dos segmentos populares. É um partido, como disse anteriormente, orgânico, porque está presente em todos os segmentos de nossa sociedade, mesmo sendo alvo de uma sórdida e covarde campanha de uma imprensa de negócios privados, de setores do MP e do Judiciário, que desejam e tentam pautar governantes para impor suas agendas políticas, diplomáticas e econômicas.

O PT ratifica sua força porque pode resgatar seu berço. Já o PSDB não tem rumo, porque é um partido de classe social elitista e, portanto, é servidor dos ricos, como não deixou margem à dúvida quanto a esta realidade quando ocupou por oito anos o governo central. O PSDB se tornou um partido ímpio e inócuo, porque se recusa a pensar o Brasil para, consequentemente, desenvolvê-lo. Os tucanos tupiniquins, tais quais aos tucanos europeus e estadunidenses, desmoralizaram a social-democracia e a jogaram no colo da direita.


O Partido dos Trabalhadores tem um compromisso inadiável com a democracia, com a igualdade de oportunidades e com a justiça social. Apesar de ter raiz socialista, o PT, no poder, afastou definitivamente o PSDB do que foi um dia sua presumível vocação social democrata e o empurrou para a direita. Este, sim, o campo ideológico que, ao que me parece, os tucanos se sentem muito bemconfortáveis como pés em sapatos velhosO PSDB sai da social-democracia para o golpismo barato dos coxinhas que pedem por um golpe de estado, como se estivessem nos idos de 1964. O PT precisa resgatar seu berço e ideário. É isso aí.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ou o Brasil regula as mídias ou as mídias regulam o povo e o governo

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Há anos, incansavelmente, defendo, dentro dos limites que me cercam, que o PT, o Governo Trabalhista, a sociedade brasileira e suas instituições e entidades realizem, com a importante cooperação do Congresso Nacional, a regulação do sistema midiático brasileiro e a proibição, na forma da lei, que megaempresários, sem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, transformem seus canhões midiáticos em verdadeiros partidos de oposição, ideológicos e alinhados à direita brasileira, a judicializar a política e a criminalizar os partidos políticos, como forma de desqualificar suas lideranças e não reconhecer os avanços e conquistas sociais que ocorreram no Brasil nos últimos 12 anos.

Todas as nações ditas civilizadas, além de muitos países que estão em busca de desenvolvimento, efetivaram a regulação das mídias, bem como não permitem que magnatas bilionários de imprensa, meramente de mercado, monopolizem esse setor tão importante da economia e se transformem em oligarcas do atraso e do retrocesso, ao ponto de “peitar” governantes eleitos, sabotar e boicotar seus governos e ainda convocar parte da população de perfil reacionário, com chamadas e manchetes de conotações golpistas e criminosas, para ir às ruas e vociferar pelo impeachment de uma mandatária legalmente eleita e que chefia um governo, apesar de suas contradições e leniências, que está a investigar e a prender os ladrões do dinheiro público, que vestem as peles de corruptos e corruptores.

Contudo, o Governo Dilma Rousseff, assim como o do ex-presidente Lula, são os que, efetivamente, abriram a caixa de Pandora, cortaram a carne da corrupção e estão a limpar o corpo que se encontra com sérias mazelas e por causa disso está ainda internado na CTI, mas com chances reais de sobreviver. Os dois mandatários realizaram, por intermédio da Polícia Federal, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, mais de duas mil operações policiais, sendo que milhares de servidores foram afastados para o bem do serviço público, bem como os bilhões roubados dos cofres da União estão sendo, conforme os acordos firmados com instituições financeiras e governos estrangeiros, devolvidos, de acordo com a Presidência da República, o Ministério Público e notícias veiculadas até mesmo pela imprensa corporativa e de oposição.

Entretanto, não se compreende qual é o problema do Governo petista quando se trata de investigar as empresas dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e monopolizadas, cobrar-lhes duramente os impostos devidos ao Estado, denunciá-los ao povo brasileiro, pois se trata de bilionária sonegação de impostos, de contrabando de máquinas e equipamentos, de compras e concessões de canais de televisões e rádios de forma ilegal, que até hoje não foram devidamente questionados por quem de direito, o Estado nacional.

Isto mesmo, o Governo Federal, por intermédio do Ministério das Comunicações e de órgãos pretensamente reguladores, que na verdade agem e atuam em favor dos interesses dos magnatas bilionários, que deitam e rolam, bem como ficam a tripudiar da cara do povo brasileiro, porque quando se trata desse quase proibitivo assunto os governos e os governantes se tornam tíbios, fracos, acovardados, pusilânimes, permissivos e, irrefragavelmente, mequetrefes e rastaqueras. Não resta dúvida quando tal assunto vem à tona, os ministros das Comunicações dos governos Lula e Dilma tratam logo de mergulhar o mais fundo possível para não ter que discutir sobre a regulação do setor de mídias do Brasil.

Dessa forma vão a levar a vida os magnatas bilionários, como se vivessem em um País à parte, ou em uma sociedade construída somente para eles se darem bem, repercutir o que pensam ou deixam de pensar e, sobretudo, conspirar contra aqueles que não batem os tambores de suas bandas ou não seguem suas agendas políticas e econômicas, que esses bilionários midiáticos consideram, de forma autoritária, o “ideal” para o Brasil. Durma-se com um barulho desses.

É inacreditável, e por isso surreal, que em pleno século XXI, do terceiro milênio, a sétima economia do mundo, extremamente diversificada, com uma população de 210 milhões de habitantes, fique à mercê de meia dúzia de famílias politicamente reacionárias e doutrinadoras de gente mediana, que há mais de 60 anos recebem em seus lares a programação seletiva, partidária e ideológica de rádios e televisões controladas por um baronato midiático, que trata o Brasil como se fosse a extensão dos quintais das casas delas. São os “novos” coronéis, que fazem a vez dos antigos proprietários de escravos.

Os coronéis de todas as mídias, que tem a classe média como a principal consumidora de seus produtos de baixa qualidade, além de aliada política e parceira ideológica. São os coxinhas colonizados, completamente despolitizados e sem quaisquer noções e conhecimentos sobre a história e a cultura do País onde moram e vivem. Alienados, seguramente passaram por um processo de lobotomia coletiva, onde o principal tomo da lavagem cerebral é odiar o Brasil e seu povo, desprezá-los ao máximo, bem como dar a entender que aqui nada presta, vale a pena e tem valor. A imprensa alienígena é talvez a razão principal do complexo de vira-lata e do atraso brasileiro quando se trata de efetivar, de fato, a igualdade de oportunidades, o desenvolvimento socioeconômico e o tratamento isonômico, no que tange a todos os cidadãos serem iguais perante a Justiça — a Lei.

Não há como um governo de esquerda conseguir democratizar a riqueza e a renda no Brasil, se antes não se realizar duas coisas: 1º) a reforma política; e 2º) a regulação do setor midiático. Ponto. O primeiro item é o maior responsável pela corrupção nos setores públicos e privados, mas a imprensa familiar, a exemplo da revista Época (Globo), insiste na defesa do financiamento privado de campanhas eleitorais, responsável maior pelo alastramento da corrupção e pelas crises institucionais, que paralisam os governos e fomentam o jornalismo de fofocas, que tem por finalidade, se possível, derrubar do poder presidentes eleitos, que não convergem com os ideários da imprensa de negócios privados.

O segundo item, tão importante quanto o primeiro, dispõe sobre a regulação das mídias, setor que está à solta, como vivesse em um mundo paralelo, livre e isento das leis do País, a fazer o que quer e o que lhe aprouver, inclusive a elaborar ou editar um jornalismo meramente declaratório, sem observar os contrapontos e o que é do contraditório, porque se recusa a ouvir os dois lados, pois só quer se ater à versão que o beneficia, a não relevar os acontecimentos, porque divorciado dos fatos, e, por seu turno, propiciar a manipulação e a distorção da verdade, conforme o interesse político e econômico que rege a pauta dos patrões da imprensa e de seus empregados.

Sabujos, estes, que se esforçam para serem piores do que os magnatas bilionários, responsáveis maiores pela baixa autoestima que os brasileiros ricos e de classe média sentem por si e pelo País onde ganham dinheiro e vivem bem. Somente, em 2014, os brasileiros deixaram nos Estados Unidos 10,5 bilhões de dólares. Valores de escala estratosférica. E depois dizem que o Brasil está em crise, quando a crise, na verdade, tem apenas um nome: imprensa! É ela que faz com que grande parte da sociedade fique presa a um contexto psicológico de desolação, pessimismo, autoestima baixa e negatividade, combustíveis diabólicos, porque faz com que uma pessoa despolitizada e mentalmente colonizada se transforme em um coxinha de classe média feroz, intolerante, a verbalizar todo seu ódio, preconceito e ignorância contra aqueles que não compartilham com seu pensamento fascista, elitista e pernicioso.

Enquanto isso, o PT e o Governo Trabalhista continuam a caminhar em círculos, e, obviamente, não chegam a lugar algum, ainda mais quando se trata de fazer a reforma dos meios de comunicação, ou seja, a Lei dos Meios — a regulação das mídias.  Trata-se de uma questão estrutural de enorme importância, tanto quanto a reforma política. Volto a afirmar novamente: não sei qual é o problema de o Governo Federal não fortalecer e investir pesadamente na comunicação estatal, inclusive a comprar também os direitos de transmitir jogos de futebol, eventos artísticos e culturais, telejornalismo aos moldes da BBC de Londres, além de realizar debates sobre assuntos políticos, econômicos, financeiros, esportivos, culturais, bem como propiciar ao povo brasileiro o acesso a filmes, tudo isto em canais abertos, de forma que a concorrência se desenvolva e o povo brasileiro passe a ter realmente uma televisão de boa qualidade, além de se democratizar a comunicação e a informação.

Creio que a classe média, falo da banda conservadora, não vai se posicionar contra uma tevê estatal de qualidade. Afinal muitos de meus conhecidos e amigos que votaram no PSDB nas últimas cinco eleições admiram as televisões estatais inglesa, francesa, espanhola, italiana, alemã e portuguesa. É fato. Essas televisões fazem parte dos pacotes de tevê a cabo que eles são assinantes. E elogiam... Bastante. Ou eu estou equivocado? Quero melhor dizer que talvez essas pessoas somente consideram e aceitam televisões estatais de boa qualidade apenas para os outros — os estrangeiros —, por causa de seus inenarráveis e incomensuráveis complexos de vira-latas. É isto? É, sim. No Brasil é assim que a banda toca.

Temos um Governo Trabalhista, que está há mais de 12 anos no poder e não faz nada quanto a efetivar o marco regulatório para as mídias, bem como um código de ética para a imprensa dos magnatas bilionários, que enfrentam, ousadamente e autoritariamente, um governo que teima em tergiversar quanto às suas responsabilidades por tibieza e covardia. Não é possível o povo brasileiro ter de se submeter aos ditames de um empresariado atrasado, que aposta, diuturnamente, no retrocesso político, social e econômico. Antes diziam, “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Então poderíamos afirmar também: “Ou o Brasil regula as mídias ou as mídias é que vão regular para sempre os governantes e o povo brasileiro”. É isso aí.