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segunda-feira, 27 de julho de 2015

FHC — o Neoliberal I — perdeu o juízo, se algum dia o tucano o teve

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, também conhecido como FHC é um ex-presidente politicamente conservador, inquilino da casa grande, que, vítima de uma fortíssima e tenebrosa amnésia, “esqueceu” tudo o que disse e escreveu, bem como pediu às pessoas para esquecerem também tudo o que ele fez, no decorrer de sua vida, a exemplo do que o grão-tucano disse e escreveu.

Parecem confusas essas afirmativas, não é? Porém, elas retratam, fidedignamente, tudo o que o Fernando Henrique Cardoso o é: negligente e incompetente; entreguista e antinacionalista; dissimulado e manipulador; e agora, na altura do campeonato de sua vida já octagenária, o grão-tucano, portador das características de um camaleão, torna-se oportunista e golpista.

Nada disso o que eu assevero é pessoal. Apenas retrato o que o ex-presidente tucano se mostrou em seus mandatos, pois governou o Brasil como se fosse um caixeiro viajante ao invés de ser um estadista, porque vendeu suas estatais estratégicas sem dimensionar o mal que cometeu, pois quando um povo tem seu patrimônio vendido lhe é subtraído ou prejudicado seu direito de se desenvolver, pois as empresas públicas têm como meta primordial zelar pela distribuição de benefícios, de renda e de riqueza.

Quando as estatais são entregues a grupos meramente capitalistas, a exemplo das empresas de telefonia, que visam somente acumular dinheiro, pagar mal seus empregados e fazer remessas de lucros exorbitantes, além de oferecerem um péssimo serviço, o povo sente, porque o dinheiro em mãos privadas somente serve para atender às demandas pessoais e empresariais de corporações econômicas que não tem o mínimo de compromisso com o desenvolvimento do Brasil.

FHC é o Neoliberal I, também conhecido como o Príncipe da Privataria. Trata-se daquele senhor tucano, que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes. Repito: três vezes! Ele ainda repartiu e sucateou a Petrobras, afundou a maior plataforma do mundo — a P-36, e, não satisfeito, foi o autor, inconteste, de um apagão de energia que durou um ano e meio. Repito: um ano e meio! Um recorde negativo de todos os tempos.

Além disso, não satisfeito com sua sequência de incompetências e inaptidões para governar, FHC aniquilou com a indústria naval deste País, bem como vendeu a Vale do Rio Doce, a segunda maior empresa pública brasileira, cujas riquezas estão debaixo da terra. Repito: debaixo da terra! Não é surreal o governo predador desse tucano do PSDB? Existem também tucanos no PMDB, no DEM, no PPS, no PSB, no PP e até mesmo no PT, vide o senador Delcídio Amaral e Cia.

Então, vamos à pergunta que se recusa a calar: “Como mensurar o valor de uma empresa da grandeza da Vale se os produtos com os quais ela trabalha para depois vendê-los estão debaixo da terra? E como saber das terras que têm riquezas em seus subterrâneos se o Brasil é um País continente e, por sua vez, existem terras pertencentes à Vale do Rio Doce, que até hoje não foram exploradas? A resposta eu deixo para o ex-presidente FHC ou para o senador José Serra, entreguista contumaz, um dos líderes emblemáticos da privataria dos anos 1990, e que recentemente apresentou projeto no Senado que praticamente entrega o Pré-Sal às petroleiras estrangeiras. O DNA tucano é realmente lastimável.  

Hoje o grão-vizir da tucanagem posa como o líder da oposição, quando, não, dispõe-se a fazer o papel de decano do bom senso ou de guardião da democracia. Seria cômico se não fosse ridículo e trágico ter que ouvir ou saber das bobagens de Fernando Henrique Cardoso, que vestiu beca, samarra e capelo para apostar no golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, eleita legalmente pela maioria do povo brasileiro.

Isto mesmo, o doutor e “príncipe” sociólogo, Fernando Henrique Cardoso, mandou novamente todo mundo esquecer que ele um dia fingiu ser um democrata, mas que agora, por motivos “alheios” à sua vontade de pôr um tucano na Presidência da República, optou por ser um golpista com doutorado e, consequentemente, um desestabilizador da democracia brasileira com pedigree, o que o faz ser perdoado pelas classes dominantes, admirado pelos abutres da imprensa empresarial e também pelos coxinhas de classe média, batuqueiros de panelas de barrigas cheias, ao tempo que preconceituosos e analfabetos políticos.

A verdade é que Fernando Henrique disse a seguinte pérola, na recente convenção do seu partido em Brasília: “O PSDB está pronto para governar o País”. É isto mesmo. O tucano de alta plumagem e bico longo (por causa disto ele fala sem parar) considera que o governo perdeu a credibilidade. O governo federal administrado pelo PT, lógico. Não se confunda. Para FHC, quem tem credibilidade é o governo de São Paulo de Geraldo Alckmin, aquele que, junto com Serra e Cia., privatizou quase que totalmente o Estado bandeirante.

O privatizou, sim, bem como o deixou sem água, além de serem os responsáveis pelos problemas graves sobre acusações e denúncias relativas ao metrô, aos trens e à Sabesp, bem como serem alvos de queixas e protestos contra os altos preços dos pedágios das rodovias e estradas, todas privatizadas. Se existe alguma coisa na vida que político tucano sabe fazer é vender o patrimônio público que ele não construiu. E por que tucano não constrói? Fácil o é a resposta: porque ele não pensa o Brasil. Oh, alma vazia, fútil e leviana de predador de seu País, porque conspira contra o próprio povo. Oh, vira-lata colonizado e subserviente às causas alienígenas ao Brasil. Remova-se! Manchas se removem, e como tal o é o pensamento entreguista e neoliberal dos tucanos.

Voltemos ao grão-vizir de bico longo e voo curto. Como assim cara pálida? O PSDB está pronto pra governar? Governar o País? Só se for em 2019, se vencer as eleições de 2018. Tudo o que está fora desta agenda política é golpe, baixaria e ausência de discernimento histórico sobre o Brasil e seus golpes de estado, renúncias, deposições, suicídios, exílios e mortes. Um verdadeiro filme (real) de tragédias dirigido por “diretores” inquilinos da casa grande de DNA escravocrata. Pessoas sem limites, que não dimensionam as consequências de um golpe contra uma presidenta legalmente constituída e eleita pelo povo.

Fernando Henrique Cardoso está a brincar de incendiar fogueiras. Incendiá-las não é o problema. O problema é quando se usa gasolina para apagá-las. Agora, o tucano, após afirmar que o PSDB está pronto para governar, ele diz, em seu facebook, que "O momento não é para a busca de aproximações com o Governo, mas sim com o povo. Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo". Salvar do quê e quem de quê? O PT e o Lula nunca quiseram falar com o FHC. Pantomima e malandragem pura, com os auspícios da Folha.

Anteriormente, o político veterano, que representa principalmente os interesses das oligarquias paulistas, usou a Folha de S. Paulo para propor a abertura de diálogo com o ex-presidente Lula, virtual candidato do PT às eleições de 2018. O tucano se dispôs, inclusive, a debater temas como a reforma política. Balela! FHC nunca foi magnânimo. Ele apenas cometeu uma pantomima política, porque o Neoliberal I nunca pensou o Brasil. Ao contrário, o ex-presidente sempre desprezou o poderoso País de língua portuguesa, a sexta economia do mundo, que tinha tanto patrimônio, que possibilitou a FHC e sua trupe a formalizar e depois colocar em prática a segunda maior privatização da história do mundo, sendo que a primeira foi a privatização da União Soviética — a Rússia.

Depois pessoas nacionalistas e com discernimento histórico do que acontece atualmente têm de suportar o insuportável, ou seja, os coxinhas paneleiros de classe média e média alta, além dos ricos, chamarem o Brasil de merda e a vociferar que neste País nada presta, sem, no entanto, olharem-se no espelho. Vão às ruas como se fossem fantoches da velha mídia, mas despidos de conteúdo político e trabalhista, pois desprovidos de uma pauta séria de reivindicações e exigências.

Só gritam palavras de ordem baseadas em notícias e manchetes elaboradas pelos empregados dos magnatas bilionários de imprensa, que até hoje não sei como essa gente ainda não foi presa. Será que os magnatas bilionários são inimputáveis neste País? Vamos ver... Afinal os donos de empreiteiras e construtoras estão presos. Quem sabe um dia o Brasil seja realmente passado a limpo e, por conseguinte, lermos e ouvirmos manchetes sobre as prisões de magnatas bilionários em seus próprios jornais impressos, radiofônicos e televisivos?

Considero que pau que bate em Chico também bate em Francisco. Mas não considero que em casa de ferreiro o espeto sempre é de pau. Às vezes é de ferro, o que me faz acreditar que vento que bate cá bate lá também. Pena que os parlamentares do PT não saibam mais disso, porque não sobem à tribuna do Senado e da Câmara para informar ao povo brasileiro o que está atrás do impeachment de Dilma Rousseff. Dizer ao público quais são as razões da direita partidária e dos grupos midiáticos a serviço da plutocracia tentar paralisar as atividades e as ações do Governo Dilma. Para quem não sabe, conspirar para derrubar governos eleitos legitimamente é crime e passível de punição. Conspire contra o presidente Barack Obama para ver no que vai dar...

Ao retomar o assunto FHC, quero destacar que seus governos o foram celeiros de escândalos, muitos deles de enormes proporções, além de conquistar maioria no Congresso por meios ilícitos, com pagamentos de “mesadas” a deputados e senadores, bem como comprou a sua reeleição por meio de uma emenda à Constituição, que o recolocasse pela segunda vez consecutiva no poder, conforme declarações publicadas na imprensa familiar por parlamentares da época. São públicas e notórias tais declarações quanto a este assunto.

Mentiu e mente até hoje o Neoliberal I sobre a autoria do Plano Real, que, inclusive, foi lançado sob a guarda do ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. O tucano-mor traiu o presidente Itamar Franco, porque qualquer plano econômico que seja efetivado tem de ser realizado com o conhecimento e a autorização do presidente da República, sendo que o mandatário naquela ocasião histórica era o político das Minas Gerais, Itamar Franco, que disse certa vez: “Fernando Henrique entende menos de Matemática do que eu; entende tanto de Economia quanto eu. Talvez, eu até entenda mais de Economia do que ele”. E complementou: “O Fernando Henrique não reconhece que foi eleito por mim e que o Plano Real aconteceu no meu Governo”. FHC trai. Ponto.
  
A polarização política e ideológica que transtorna o Brasil desde as manifestações de rua de junho de 2013 e que seguem cada vez mais radicalizadas no âmbito dos poderes do Estado, a reverberar a crise política em termos publicitários em favor de um golpe contra uma mandatária constitucionalmente eleita, a imprensa de mercado e familiar transforma o Brasil em um País institucionalmente instável, a partir da hora que autoridades do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal passam a ser agentes que influenciam diretamente na economia, na política, porque seguem a pauta política de empresários dos meios de comunicação privados, que nunca tiveram, não têm e jamais terão quaisquer compromissos com o desenvolvimento do Brasil e de seu povo.

Pelo contrário, se tais magnatas bilionários proprietários de um sistema midiático oligopolizado puderem estancar e até mesmo retirar as conquistas dos trabalhadores brasileiros o farão. Todavia para concretizar seus projetos econômicos e financeiros, eles precisam derrotar os governantes que tanto atazanam a vida deles, no que diz respeito às tentativas de colocarem no poder seus candidatos de perfis conservadores e compromissados com os interesses da plutocracia a qual pertencem os empresários de mídias, os mais atrasados dentre todos os setores da escala empresarial, ao ponto de causarem a destruição de qualquer empreendedor que não seguir sua cartilha política.

O problema de FHC e de seu alter ego, senador Aécio Neves, foi a quarta derrota consecutiva para um candidato do PT. A frustração e o inconformismo dos tucanos suplantaram os limites da realidade e da sensatez. A derrota atingiu em cheio a autoestima da direita e de um candidato acostumado a vencer eleições, como o neto de Tancredo Neto, que sempre teve tudo nas mãos.

O PSDB e suas lideranças dessa vez perceberam que poderiam vencer, tiveram muitos votos, mas não o suficiente para resgatar o poder presidencial. É como se eles tivessem chegado ao máximo da temperatura para chegar ao pódio e de repente são alvos de uma ducha fria que os recolocou frente a frente à realidade. Realmente, a dor moral e psicológica foi grande e inusitada. Primeiro, os tucanos se sentiram irremediavelmente surpresos, depois veio um certo abatimento, para logo após se entregarem de corpo e alma ao inconformismo e à fúria dos que consideram a derrota um castigo ao invés de aprendizado.

Contudo, FHC — o Neoliberal I — ao que parece não aprendeu muita coisa. Se tivesse aprendido, não apagaria fogo com gasolina. Afinal, o tucano tem 84 anos e foi testemunha ocular de muitas crises políticas e institucionais deste País, que, insisto, tem vocação para o desenvolvimento e o progresso, mas que tem a morar em suas terras uma das piores e mais perversas “elites” do mundo. Não é à toa que tivemos quase 400 anos de escravidão. Dilma não cai. Lula vai ser candidato se ele quiser. E FHC perdeu o juízo, se algum dia o tucano o teve. É isso aí.



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Vai pra casa, Cunha!

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

“Vai pra casa, Padilha!” (Personagem de Jô Soares do programa “Viva o Gordo”).


A imprensa de mercado estrila: “Cunha rompe com o Governo e vai para a oposição”. E o Jornal Nacional se comporta como se fosse uma assessoria de imprensa do deputado fluminense investigado pela Procuradoria Geral da República e Polícia Federal, a fomentar tais demandas judiciais e policiais as ações do juiz federal do Paraná, Sérgio Moro. Agora vamos falar de forma verdadeira, a respeitar a realidade: Quando o deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), foi um aliado da base do Governo Dilma e até mesmo da administração Lula?

A resposta é fácil, pois simples e curta: Nunca! Jamais, e em tempo algum, o parlamentar integrou, de fato, a base dos governos petistas, a contrariar, inclusive, as decisões do PMDB, no decorrer de mais de 12 anos de alianças com o PT, com a finalidade de garantir a governabilidade e aprovar as proposições de interesse do Governo Federal em votações na Câmara. O político fundamentalista à direita sempre criticou acidamente e atacou virulentamente os governantes trabalhistas, que administram o Brasil do Palácio do Planalto por força do voto popular.

O deputado Eduardo Cunha sempre criou obstáculos para os governos do PT, mesmo quando ele disse que presidiria a Câmara dos Deputados com isenção partidária e ideológica, ao dar a entender que seria republicano e democrático. O parlamentar politicamente muito conservador asseverou ainda que um possível impeachment da presidenta Dilma Rousseff não seria viável e que, portanto, tal processo estaria fora de cogitação e deitou falação... O político direitista e de alma lacerdista (não se deve esquecer que ele é da escola udenista do Rio de Janeiro) também afirmou, logo após romper com o Governo, que atuaria no cargo de maneira institucional. Balela. Palavras jogadas ao ar. Cunha mentiu novamente, como sempre o fez em sua vida política. Quem acredita nele, que o compre.

Horas após anunciar aos brados suas “boas intenções” republicanas e institucionais, Eduardo Cunha se aproveita do cargo de presidente da Câmara para retaliar o Governo Dilma com as CPIs do fundo de pensões e do BNDES. Lamento informar aos leitores e eleitores conservadores, que apreciam a direita e sua falta de projeto de País e de programas de governo, pois há 500 anos se recusa a pensar o Brasil, mas o senhor Cunha está a fazer o que ele sempre fez em sua vida: chantagear, ameaçar e retaliar! E tem mais: se colar colou...

O político fluminense é jogador profissional e não vai deixar barato a ninguém se por acaso ele vier a cair e, com efeito, perder o poder que conquistou, usufruiu e o usou maquiavelicamente para derrotar duramente seus adversários do Congresso e do Palácio do Planalto, nos primeiros seis meses de seu mandato ditatorial, porque pleno de aversão ao diálogo, como aconteceu com as votações que ele e seu grupo político perderam em um primeiro momento e depois as reverteram nos bastidores, a exemplo da maioridade penal e da proibição do financiamento de campanha por parte de empresas privadas. Cunha não respeita as regras do jogo democrático. Ponto. Por causa disto, ele se torna um parlamentar perigoso.

Cristão fundamentalista e messiânico (esta realidade é importante ser analisada com acuidade e seriedade), além de ser um dos mais poderosos lobistas do Congresso — conforme acusações de seus adversários —, tal perfil transforma o presidente da Câmara em um agente político psicologicamente incapaz de negociar acordos e aceitar derrotas em plenário, fatores que inviabilizam o equilíbrio entre os poderes e, consequentemente, enfraquece a democracia, que depende de estabilidade institucional para que o País siga em um rumo seguro e livre de rompimentos violentos e radicais, que sempre terminam em golpe de estado ou morte, renúncia, impeachment e deposição de presidentes, geralmente eleitos pelo povo.

Entretanto, juízes do STF não são tão ingênuos e, ao que me parece, o juiz Sérgio Moro, se continuar a ouvir os delatores, muitos deles criminosos reincidentes, e confiar piamente em suas palavras como tem feito até agora, creio eu que os partidos de direita, a imprensa de negócios privados, os setores mais conservadores da sociedade brasileira, além dos coxinhas de classe média, haverão de considerar que magistrados, até então considerados “heróis”, passarão a ser questionados, porque o que interessa a esses setores ou segmentos conservadores deste País não é a busca por Justiça e, sim, derrotar o PT e suas lideranças, que vencem as eleições presidenciais desde 2002.

Ressalto também que o nobre parlamentar Eduardo Cunha nunca se importou se os políticos de outros partidos, notadamente os da base do Governo, principalmente os petistas, tem direito a foro especial, ou seja, ter as denúncias e os processos contra eles avaliados e julgados pelo Supremo. De forma alguma, Cunha e sua trupe, composta por personalidades pitorescas e ideologicamente extremadas à direita, como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e Ronaldo Caiado, agora vocifera, porque acusado pelo delator Júlio Camargo de ter recebido propina de US$ 5 milhões, mais de R$ 16 milhões.

O motivo de Cunha receber a fortuna ilegal, de acordo com o delator, foi para atender ao empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, que tinha interesse na assinatura de um contrato de navios-sonda da Petrobras. Mas, como todo mundo sabe, Cunha tem prerrogativa de foro especial e por causa deste privilégio tem atacado o procurador-geral, Rodrigo Janot, o juiz herói da mídia empresarial, Sérgio Moro — ganhador do prêmio “Faz a Diferença” dos irmãos Marinhos, a presidenta Dilma, o PT e os ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação Social.

Cunha tem dado socos e pontapés em quem ousar desafiá-lo, afinal ele se considera o big boss da política brasileira ou o capataz-mor das grandes corporações. Todavia, o presidente da Câmara dos Deputados foi citado por Moro e, consequentemente e por ter prerrogativa de foro, entrou com um pedido de suspensão da ação penal conduzida pelo juiz federal do Paraná, que atualmente, para a perplexidade de muitos, está a pautar a política deste País, que, de maneira surreal, permite que um juiz de primeira instância cause, inclusive, graves prejuízos à economia e a empresas gigantescas, que, juntas, empregam centenas de milhares de trabalhadores, além de serem portadoras de vasto conhecimento tecnológico e científico, ao ponto de muitas delas terem se tornado multinacionais, o que, sobremaneira, desagrada aos interesses dos segmentos de construção civil dos Estados Unidos e dos grandes países europeus.

Por seu turno se as construtoras brasileiras quebrarem, certamente que os medíocres e predadores empresários dos meios de comunicação privados, cujas empresas incrivelmente e só no Brasil não se submetem a um marco regulatório, soltarão fogos e comemorarão a falência de construtoras tão importantes para o desenvolvimento do País. A Odebrecht, por exemplo, é cinco vezes maior do que as “Organizações(?) Globo. Confunde-se, propositalmente e com má-fé, corrupção com a preservação das empresas construtoras. Prende-se o corrupto, mas não se permite que as construtoras quebrem. Esta seria a solução pragmática, inteligente e nacionalista, em prol do Brasil: combater a corrupção e não quebrar suas empresas!

Os tubarões, os predadores das Organizações(?) Globo já defenderam em editoriais e por intermédio de seus colunistas e comentaristas capatazes teleguiados que o Brasil abra seu mercado às construtoras estrangeiras. Não são o fim da picada os magnatas bilionários de imprensa? Enquanto os barões de todas as mídias cruzadas, párias dos interesses estrangeiros, resguardam e protegem seus negócios no Brasil, em contrapartida apostam na destruição de empresas brasileiras que ganharam o mercado externo. Eu fico a me perguntar até quando essa gente predadora, entreguista e antinacionalista vai continuar a prejudicar o Brasil e o povo brasileiro. Até quando? E nada é feito para conter as hienas, os chacais e os abutres que infestam a terra brasilis.

A verdade é que Eduardo Cunha vai ter de comer um dobrado. Vai ter de suar um litro inteirinho para se explicar. O Brasil está acostumado a ver somente os quatro “pês” a serem denunciados, julgados e presos. Os pês de pobre, puta, preto, e, mais recentemente, petista. Acontece que os tucanos ficaram oito anos a controlar o poder central e literalmente venderam o País. Eles estão há muitos anos à frente de governos de estados poderosos como São Paulo, Paraná, Goiás e até pouco tempo, Minas Gerais, dentre outros entes da Federação.

O PSDB, partido da burguesia e da plutocracia, é acusado e denunciado de cometer inúmeros escândalos de corrupção e tráfico de influência e até hoje ninguém dessa sigla foi devidamente preso por seus crimes. Cansei de citá-los aos montes em vários artigos, bem como um sem número de jornalistas, políticos, policiais, promotores e juízes, mas ninguém do PSDB responde, efetivamente, por seus crimes. Se por acaso responde, a imprensa de histórico golpista e meramente de negócios privados não explicita em suas manchetes e notícias, porque aliada e cúmplice do PSDB, principalmente o paulista.

O PGR Rodrigo Janot poderá pedir o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Eis a questão que tanto o preocupa. As acusações ao deputado do Rio de Janeiro são graves. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, pediu informações ao juiz Sérgio Moro sobre os depoimentos da Operação Lava Jato para depois decidir se vai suspender a ação penal em que Cunha é denunciado por Júlio Camargo como uma das autoridades que se beneficiaram com um esquema de corrupção na Petrobras.

A verdade é que o presidente da Câmara não fala a verdade, que se resume em duas coisas: 1) conspirar para derrubar Dilma Rousseff; e 2) fazer da Câmara uma frente de oposição feroz, cujo principal objetivo é paralisar o Governo, impedi-lo de governar e derrotar no plenário e nas comissões as matérias de interesses do Governo Dilma. Os analistas de política que não percebem esses fatos também têm dois motivos para procederem assim: 1) estão irremediavelmente a agir de má-fé em prol dos interesses de seus patrões magnatas bilionários; e 2) são cegos, mudos e surdos, além de alienados, porque não é possível acreditar somente em tanta desfaçatez e história da carochinha juntas...

A verdade é que Eduardo Cunha se sentia inatingível, pois acostumado a tomar decisões sem negociar, a enfrentar seus adversários políticos, munido de lança e espada. Autoritário politicamente e fundamentalista religiosamente, Cunha é um mau, desnecessário, para este País historicamente sofrido e repleto de tragédias políticas e sociais. Ele não mede consequências para que seu grupo conquiste o poder, e, mesmo sendo do PMDB, sempre atuou e agiu como um autêntico e implacável oposicionista, a integrar, como peça-chave, a máquina da oposição partidária, empresarial e estatal.

Sem sombra de dúvida, o presidente da Câmara está a usar o seu cargo para ser um possível nome a concorrer à Presidência da República, a disputar com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a indicação do PMDB, que na verdade é um saco de gatos com garras afiadas, um partido muito grande e com políticos poderosos, que colocam à frente seus interesses regionais, bem como controlam parte do Ministério de Dilma, afinal se trata de um Governo de coalizão. Não se governa no Brasil sem o PMDB, partido que, apesar de seus muitos defeitos, quando se compromete a firmar parcerias políticas, o País fica institucionalmente e politicamente mais estável. Vide os governos de Fernando Henrique, os de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff, que tiveram maioria no Congresso.

Engana-se aquele observador e analista que está a pensar que Eduardo Cunha vai levar a maior parte do PMDB para a oposição. A sigla é dona da vice-presidência da República, administra ministérios e dentro dela tem políticos à esquerda, como o senador Roberto Requião (PR), bem como parlamentares, a exemplo do presidente do Senado, Renan Calheiros, que critica o Governo, mas na hora da onça beber água não vai efetivar rompimentos e impulsividades à moda Cunha, e, por sua vez, arriscar os interesses maiores da agremiação, de seu grupo, além de ver o Brasil entrar em uma crise política e institucional sem precedentes.

Renan é um político questionado e às vezes polêmico, mas nunca foi imprudente, como o é o impulsivo e agressivo Eduardo Cunha, legítimo representante de corporações empresariais na esfera pública, dentre elas as que pertencem aos magnatas bilionários de imprensa, à frente delas a família Marinho. O PMDB divulgou nota à imprensa que a decisão de Cunha de romper com o Governo é pessoal, até porque, ressalto, o comunicado afirma ainda que as decisões do partido tem de ser avaliadas pela Comissão Executiva Nacional, Conselho Político e Diretório Nacional. Além do mais, o vice-presidente da República, Michel Temer, é o articulador político do Governo junto ao Congresso.


Eduardo Cunha está a jogar cartas e precisa de uma trinca de ases. O jogo é duro, mas o presidente da Câmara poderá ter seu mandato de apenas seis meses terminado, se o STF aceitar as denúncias da Procuradoria Geral da República contra o parlamentar que cantou de galo, derrotou o Governo em várias votações importantes, não aceitou derrotas em votações no plenário e conspirou em favor do impeachment de Dilma Rousseff, que nunca incorreu em malfeitos e crimes de responsabilidade. Cunha tem de mudar seu discurso agressivo para se afastar, e se der tempo ainda, da guilhotina. A única coisa que se tem para afirmar ao presidente da Câmara de perfil ditatorial é o bordão do personagem cômico de Jô Soares, sendo que ao invés de dizer “Vai pra casa, Padilha!”, exclama-se: “Vai pra casa, Cunha!” É isso aí.

domingo, 19 de julho de 2015

Procuradores perseguem Lula e se baseiam em notícias dos magnatas bilionários de imprensa

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

A direita quer impedir  Lula de falar, viajar, trabalhar e fazer política.
Trata-se de uma dupla de procuradores do DF, Anselmo Lopes e Valtan Timbó. Eles, sem sombra de dúvida, são de oposição ao Governo Federal, ao PT e ao ex-presidente Lula, que poderá ser candidato a presidente da República em 2018. Anselmo Lopes já é velho conhecido do Governo, de Lula, do PT e de milhares de eleitores que votaram no líder trabalhista e na presidenta Dilma Rousseff.

Tanto Lopes quanto Timbó representam os tipos de procuradores, além de promotores, juízes, agentes e delegados da Polícia Federal, que resolveram fazer política, bem como cooperar para que seus candidatos e partidos prediletos, geralmente conservadores, pois de direita, vençam as eleições. São procuradores politicamente alienados, tais quais os coxinhas de classe média, que se submetem, dia a dia, em uma verdadeira lavagem cerebral, às manchetes e às notícia da imprensa de negócios privados dos magnatas bilionários, que nunca são observados pela máquina de investigação e repressão do Estado. Jamais...

Suas ações e campanhas são pautadas por recortes de jornais e revistas de uma imprensa de mercado, que assumiu oficialmente sua posição oposicionista aos governantes trabalhistas quando das eleições, bem como engravidam pelos ouvidos ao verem os jornais televisivos e ao ouvirem as rádios, o que conta muito para a falta de discernimento sobre a verdade dos fatos, porque, nitidamente, o que se observa no Brasil é que este País está a passar por um processo ditatorial a cargo de promotores, juízes e policiais, que se tornaram a base de sustentação da oposição partidária liderada pelo PSDB, bem como pela imprensa familiar, capitaneada pelas Organizações(?) Globo, que há décadas interfere ilegalmente e até mesmo criminosamente no processo eleitoral brasileiro. E que eu saiba nenhum integrante da família Marinho foi investigado, denunciado, processado e preso por fazerem política no subterrâneo.

No Brasil, procuradores, juízes e delegados da PF não prendem tucano e muito menos barão de imprensa. Eles são simplesmente inimputáveis. Um absurdo nada republicano. E você sabe por que este processo injusto acontece no País? Porque, apesar dos 30 anos de redemocratização do Brasil, setores da Justiça, do MP e da PF ainda são intrinsecamente ligados ao status quo. Ponto. Não há como tergiversar sobre esta terrível realidade.

Trata-se de afronta à soberania da sociedade, por parte de agentes e servidores do Estado, a combater o Governo eleito pelo povo, por não aceitar seus programas sociais, a inclusão das camadas pobres da população brasileira, a política externa independente e não alinhada aos Estados Unidos. São os senhores que controlam o Estado e dentro dele trabalham em prol de atender aos interesses da burguesia — da Casa Grande, que sempre se beneficiou do poder do Estado para enriquecer, ter influência política nas altas esferas, e, com efeito, manter, indefinidamente, o status quo.

São homens e mulheres com origem na classe média e média alta. A pequena burguesia historicamente aliada das classes dominantes, que estudou Direito em universidades públicas ou nas particulares de ponta, plena de preconceitos de classe, ideológicos e políticos. O Ministério Público deste País, bem como as altas cortes da Justiça, representam, irrefragavelmente, o pensamento dos setores mais reacionários às mudanças sociais e econômicas que são efetivadas no Brasil desde a ascensão de Lula à Presidência da República em 2003.

Conservadores, tais procuradores se voltam contra o PT, sendo que Lula e Dilma ainda são duramente questionados e aviltados em suas cidadanias, porque ex-operário, vítima de um acidente de trabalho, sendo que a mandatária, que participou da guerrilha urbana na década de 1970, tornou-se alvo de escárnio de pessoas fascistas que chegaram ao cúmulo da patifaria e da sordidez quando colocaram à venda na internet um adesivo para ser colado nos buracos dos tanques de gasolina dos carros, com a imagem da presidenta de pernas abertas...

Não é necessário fazer mais comentários de como a direita brasileira de alma escravocrata é agressiva, plena de despudor e desprovida de limites éticos, porque se sente incomodada e irada por não controlar a Presidência da República. Para não passar em branco, o obsceno e abjeto adesivo de caráter misógino foi feito em Recife, e, pasmem(!), por uma mulher. Realmente, o bárbaro episódio denota que preconceito, desrespeito e violência não têm gênero ou sexo. Sobre o violento ataque à Dilma, a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, disse, em nota: “É ultrajante e extremamente agressiva a apologia de violência sexual contra a presidenta da República, Dilma Rousseff, retratada em adesivos para automóveis, como expressão de misoginia e interpelação dos direitos humanos de mulheres e meninas. Tal episódio se configura como violência política sem precedentes (...)”.

A esquerda no poder realmente incomoda o establishment estatal e privado, que ora se une para combater e derrotar o Governo Trabalhista. Contudo, também é considerado sem precedentes o “sumiço” da procuradora titular do 1º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF-DF, Mirella de Carvalho Aguiar, responsável pela apuração preliminar de um suposto tráfico de influência de Lula para privilegiar a construtora Odebrecht. Os advogados do líder político entraram com um pedido de anulação do inquérito criminal na Corregedoria do Ministério Público.

Os advogados de Lula ainda solicitaram a apuração da conduta do procurador Valtan Timbó Martins Mendes Furtado, autor do pedido de abertura do processo de investigação criminal contra o fundador do PT. A reclamação disciplinar foi protocolada no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no dia 17 de julho. E não é para menos, porque é perceptível a qualquer leigo que acompanhe a política brasileira que as ações dos procuradores Anselmo Lopes e Valtan Timbó tem propósitos visivelmente políticos e partidários.

Lopes e Timbó são acusados de se moverem politicamente no que é relativo a criminalizar as viagens de Lula e por causa disso vão ter suas condutas avaliadas pelo CNMP. O primeiro, de forma rocambolesca e por seu livre arbítrio resolveu se pautar por recortes de notícias do jornal O Globo (sempre este pasquim panfletário, de direita e de oposição histórica aos trabalhistas) e o segundo, Timbó, sai diretamente do 7º Ofício Criminal, que não tem atribuição para tratar do assunto e resolve por conta própria rasgar a Resolução 27 de 2014, que determina que na ausência do procurador titular, no caso a procuradora, Mirella Aguiar, o seu substituto tem de ser membro do mesmo núcleo do MPF, ou seja, do 1º Núcleo de Combate à Corrupção.

É inacreditável que procuradores se movam por questões políticas, de foro íntimo e passam a intervir inadequadamente na política brasileira em âmbito nacional, ao ponto de esticarem a corda para que a oposição conservadora deste País tenha como alicerces principais de seus ataques as figuras eleitas e que não cometeram crimes de responsabilidade e de corrupção, a exemplo de Lula e Dilma. São verdadeiras estrepolias e jactâncias de servidores públicos pagos com o dinheiro do contribuinte.

Lula vai pagar um preço muito alto por ser quem ele é. A resumir: um político, assim como Leonel Brizola, que não foi cooptado pela casa grande, portador de dezenas de milhões de votos de cidadãos brasileiros e ideologicamente socialista e trabalhista, além de ser um dos favoritos a vencer as eleições presidenciais de 2018, e, consequentemente, sentar pela terceira vez na cadeira destinada aos presidentes no Palácio do Planalto, que a burguesia pensa que é dela, pois, desatinada, pensa que o Brasil foi construído por intermédio de gerações para servi-la. Ledo engano. O povo brasileiro mostrou algumas vezes que é o contrário, no decorrer da história. Ponto.

O problema desses procuradores e promotores é que, sem generalizar, a maioria não estudou história ou a leu de forma constante e desprovida de preconceitos. Esses homens e mulheres são burocratas, técnicos em Direito e muitos deles viveram desde cedo em ambientes distantes das necessidades e realidades do povo brasileiro. Afirmo, sem medo de errar, que falta sensibilidade social e conhecimento dos meandros e dos bastidores da política, dos partidos e principalmente de como funcionam, atuam e agem as grandes redações controladas pelos magnatas bilionários de imprensa.

Lula tem toda a razão de se defender e buscar reparação ao que é injusto e de caráter político e eleitoral. Os ex-presidentes, inclusive Fernando Henrique Cardoso — ídolo inimputável e inconteste da direita brasileira — viajam e fazem propaganda de seus países e de suas empresas, bem como criaram seus institutos. A verdade é que as forças populares do Brasil enfrentam uma situação de muito difícil, porque os conservadores se mobilizaram e vão fazer de tudo para não perderem, em 2018, a quinta eleição presidencial consecutiva. Lula tem força política, mas tem de se defender, com a participação sistemática do PT e dos movimentos sociais. A verdade é que os procuradores de oposição perseguem Lula e se baseiam em notícias dos magnatas bilionários de imprensa. É isso aí.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Prisão de Lula, procurador de oposição e Lava Jato como ferramenta do golpe de direita

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Hoje, no 'Mau Dia Brasil', jornal matutino da Globo, o jornalista Alexandre Garcia comentou, após o término de matéria sobre a Operação Lava Jato, que no Brasil os presidentes da Câmara e do Senado estão a ser investigados, bem como afirmou que dois ex-presidentes (Lula e Collor) também são alvos de tal operação. Propositalmente, o veterano jornalista ideologicamente conservador colocou os dois políticos no mesmo caldeirão, sendo que ele sabe e compreende que o caso do senador Fernando Collor é completamente diferente do petista, independente de o senador ter culpa no cartório ou não, até porque ele tem todo o direito de se defender e passar a responsabilidade do ônus da prova a quem o acusa.

Só que tem um problema, que Alexandre Garcia propositalmente não mencionou: Lula não é investigado pela Lava Jato. O líder petista está a ser denunciado pela Procuradoria Geral do Distrito Federal por ter dado palestras no exterior, com o apoio e o aporte da construtora Odebrecht. Nada que o inclua no rol das pessoas acusadas e denunciadas por corrupção, até porque se percebe, nitidamente e claramente, que o promotor que decidiu denunciar o presidente mais popular e de fama internacional da história do Brasil está a cometer um grande equívoco, que tem propósito político-partidário e rompe todas as barreiras da lógica, da sensatez, da responsabilidade e da prudência, porque Lula não incorreu em malfeitos e em crimes de responsabilidade.

Porém, Alexandre Garcia, aquele que em 1976 saiu corrido da Argentina por medo de ser atacado pela guerrilha urbana e de esquerda dos Montoneros, que foi porta-voz do governo do general João Figueiredo, além de ser condecorado com a Ordem do Império Britânico pela rainha Elizabeth II, que, ao reconhecer sua cobertura pró Inglaterra na Guerra das Malvinas, deve ter pensado sobre como é útil ter sempre à mão um cidadão subserviente intelectualmente colonizado para fazer o jogo sujo da Coroa Inglesa, como sempre ocorreu no decorrer dos séculos.

Contudo, excetuando-se as aleivosias e leviandades do senhor Alexandre Garcia, ao fazer de suas palavras maliciosas e mordazes contra Lula uma ferramenta para confundir o público e, com efeito, atender aos interesses políticos dos irmãos Marinhos, o certo é que o ex-presidente e político trabalhista não vai ser encarcerado e muito menos acossado de forma indiscriminada pelo Ministério Público do Distrito Federal, que há anos, tal qual a seus colegas do MP, está a efetivar suas ações pautadas pelas notícias irradiadas e publicadas pela imprensa de negócios privados, que tem um claro objetivo de poder político, que é o de derrotar os candidatos e as lideranças políticas do PT, que há quatro eleições presidenciais derrotam os candidatos de direita apoiados pelas Organizações(?) Globo, exemplificados nos tucanos José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

De forma circense e pitoresca, o procurador Valtan Timbó Martins Mendes Furtado não se fez de rogado e prontamente, no lugar de Mirella de Carvalho Aguiar, procuradora do 1º Ofício do MP-DF que, ao que parece, está de férias, de atestado, de licença, foi às compras ou sei lá o quê, abriu inquérito para investigar suposto tráfico de influência internacional contra Lula por favorecer a Odebrecht e em troca fazer palestras no exterior.

O procurador foi além, pois pediu urgência para o inquérito e agora faz pose para os flashs da imprensa familiar como o mais novo arauto a constar no panteão da ética, da moral e dos bons costumes da imprensa burguesa e do Ministério Público, órgão visivelmente aparelhado, ideologizado e, indubitavelmente, antirrepublicano, pois político e partidarizado. Tal procurador resolve jogar mais lenha na fogueira das vaidades, da insensatez e da imprudência, bem como é useiro e vezeiro em apagar o fogo com gasolina, como se fosse um incendiário. E por quê? Respondo: Este senhor responde a processos administrativos por ser acusado de negligência no andamento de 245 ações. Repito: duzentas e quarenta e cinco ações! Quem comete tais irresponsabilidades, evidentemente, aposta na instabilidade política e institucional do País.

Para quem não sabe, no Brasil age e atua o Conselho Nacional do Ministério Público. A resumir: o órgão existe. E para quê ele serve? Respondo: para examinar a conduta dos procuradores federais. Então o que aconteceu para a procuradora Mirella de Carvalho Aguiar "sumir" e ficar no seu lugar o Batman às avessas, o procurador Valtan Timbó Furtado, que é investigado pelo conselho de sua classe por ser negligente e deixar de dar continuidade aos processos e inquéritos que estavam sob sua responsabilidade. Bonito, não? O que temos, então? Mais um procurador que engaveta suas obrigações ou senta na sua própria arrogância e seletividade? A esta última pergunta deixo a resposta para o leitor.

É isto mesmo, senhoras e senhores! O tão obsequioso e "rápido no gatilho" procurador Valtan Timbó segue, intrépido, lépido e fagueiro os caminhos desditosos de muitos de seus colegas, a exemplo de Roberto Gurgel, Sandra Cureau, Geraldo Brindeiro, Rodrigo De Grandis, dentre muitos outros, que escolheram a fama circunstancial e efêmera, a seletividade política e partidária e se submeteram às suas convicções ideológicas, às suas vontades e escolhas próprias, ao invés de serem isentos e republicanos, como obrigatoriamente deveriam atuar e agir os servidores do público, que recebem altos salários, prestígio, poder e status da sociedade civil. O MP tem de se submeter à Constituição, ou seja, à soberania do povo brasileiro.

Acontece que a seletividade é realmente a prática de certos servidores de poder e mando. Sem sombra de dúvidas é o caso do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado. Enquanto os tucanos do PSDB (tem também tucanos no DEM, no PMDB, no PSB, no PPS etc.) controlam estados poderosos da Federação há décadas, venderam e entregaram o Brasil à gringada esperta, na década de 1990, são praticamente inimputáveis, o PT, o Governo Trabalhista e lideranças populares, como Lula e Dilma, são questionados e acusados ininterruptamente desde que assumiram o poder, no ano de 2003.

O procurador literalmente está a tentar prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ele viajar ao exterior e fazer propaganda do Brasil e de suas empresas, como também age de forma similar a maioria dos ex-mandatários de inúmeros países. Este homem do MP troca as mãos pelos pés e inaugura no Brasil uma perseguição mesquinha, medíocre e despropositada, que se baseia em notícias e factoides de revistas como a Época e jornais, a exemplo do Globo, pasquins conservadores e de oposição ao PT e ao Governo Trabalhista.

Parece piada, mas não é, pois realidade grave e que causa apreensão. No Brasil, procuradores, por exemplo, e sem generalizar, pautam-se por meio de notícias de uma imprensa empresarial completamente alienígena e reconhecidamente de oposição e com um passado golpista. Não é possível e, por seu turno, aceitável que promotores, procuradores, juízes e delegados sejam tão alienados, ou que, a contrariar seus próprios regulamentos e a Constituição, resolvam fazer política e, efetivamente, imiscuírem-se em assuntos de tal modo que, inclusive, impedem que a máquina governamental funcione e que o governante governe, porque eleito pela maioria do povo para governar. Os procedimentos dessa gente são ilegais, porque primeiro se prende para, posteriormente, soltar o preso depois de ele delatar. É acinte e violência contra o Estado de Direito e a democracia.

Criminalizaram uma viagem de Lula à República Dominicana, das tantas que ele já fez a vários países dos cinco continentes. Lula viajar, ministrar palestras, receber pelo seu trabalho, convidar empresários para investir no Brasil e criar o Instituto Lula para pensar o País é considerado ilegal e até mesmo crime, ao ponto de o líder político ser mandado para a prisão por um procurador considerado negligente e omisso em seu próprio ofício, no exercício de sua função, conforme a Corregedoria de sua classe, que o investiga.

O procurador Valtan Timbó Mendes Furtado alegou urgência para pedir abertura de inquérito contra Lula. Por sua vez, ele levou três anos para apresentar denúncia contra os indiciados pela Polícia Federal na Operação Sentinela, que investigou corrupção em contratos do TCU, no ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2004. Outrossim, o novo Batman da República demorou, em 2013, nove meses para denunciar os vândalos que foram presos por depredar e tocar fogo no Palácio do Itamaraty, o que causou muita estranheza ao Governo Dilma e a setores da sociedade civil.

A Corregedoria do Ministério Público instaurou um processo administrativo disciplinar contra o procurador Valtan Timbó — o Negligente —, que simplesmente não fez o que tinha a obrigação de fazer, ou seja, trabalhar. Reverbera-se: trabalhar em prol dos interesses do povo e esquecer suas simpatias e predileções políticas, partidárias e ideológicas. Afinal, trata-se de um procurador que não atuou em 245 feitos e ações, no decorrer de 11 anos. É mole ou quer mais?

O problema é que o Brasil não está a viver uma normalidade política. Depois que líderes petistas foram presos por causa de uma jurisprudência imposta ao País, que se baseia no "domínio do fato", sendo que tal "fato" nunca atingiu quaisquer políticos do PSDB, juízes e procuradores, que cometeram crimes, é melhor botar a barba de molho e desde agora combater, com determinação e coragem, os casuísmos e a vocação golpista e antidemocrática de certos personagens da República, que estão aboletados nos três poderes, bem como na imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?).

Tanto o é verdade que o Mensalão do PSDB está prestes a prescrever, além de inúmeros escândalos tucanos se encontrarem engavetados, pois, volto a afirmar, essa gente é inimputável. Ponto. Creio que se o Governo Trabalhista, o PT, as entidades, associações, instituições, sindicatos, agremiações e partidos que apoiam o ex-presidente Lula podem ter uma amarga surpresa, e, de repente, sofrerem as agruras por um líder popular, carismático e que mudou as condições de vida do povo brasileiro para melhor seja humilhado e desconstruído por agentes públicos defensores dos interesses da burguesia brasileira, que não aceita e não se conforma, de forma alguma, com a esquerda no poder — a controlar há mais de 12 anos a Presidência da República.

E explico: Lula viajou à República Dominicana em 2013. Voou em um jatinho da Odebrecht, como o fazem ex-presidentes, que são ouvidos em palestras ou encontros de negócios e propagandísticos, a exemplo de Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — dono de um instituto, o IFHC, que foi criado com o dinheiro de inúmeras empresas, e, mesmo assim, nenhum batman-procurador até hoje o denunciou. A revista Época, da famiglia Marinho, escandalizou a viagem, pois criminalizou-a, apesar de tal pasquim de direita jamais ter escandalizado sua associação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira ou ter publicado a sonegação de impostos por parte da Rede Globo quanto às transmissões da Copa do Mundo de 2002.

Entretanto, a questão de Lula se torna perigosa e politicamente pode desestabilizar a República porque o pedido de abertura de inquérito criminal poderá fazer com que o líder trabalhista, se condenado, poderá perder a liberdade. A perseguição a Lula é recorrente e remonta desde sua aparição como líder metalúrgico nos idos da década de 1970 e início dos anos 1980. O político socialista deixou a Presidência há cinco anos e jamais foi esquecido pela Casa Grande — o establishment.

A direita brasileira o odeia profundamente, como odiou Leonel Brizola, João Goulart e Getúlio Vargas. A reação sente ódio mortal de Dilma Rousseff. A virtual prisão de Lula é um sonho da burguesia e da pequena burguesia, (classe média) que, equivocadamente, pensam que um líder de alta projeção e magnitude popular como o é o petista vai abrir caminho para que políticos direitistas conquistem a Presidência da República.

Ledo engano de tais irresponsáveis, que desejam o poder inclusive por métodos ilegais, como dar golpe de estado com a força das armas. A verdade é que todo mundo sabe como começa o banditismo do golpe institucional, mas também ninguém sabe como tal aventura draconiana e dantesca acaba. Prender Lula é um acinte, violência despropositada, enorme e injustificável provocação às fileiras populares em todas suas vertentes. Lula e Dilma não estão no ano de 1964. Quem viver verá. É isso aí.

Leia abaixo o Processo Administrativo Disciplinar do Procurador da República no Distrito Federal, Valtan Timbó Martins Mendes Furtado:

CORREGEDORIA NACIONAL DO MINISTÉRIO
PÚBLICO

PORTARIA Nº 62, DE 3 DE JULHO DE 2015

O CORREGEDOR NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, com fundamento no artigo 130-A, parágrafo 2º, inciso III, e parágrafo 3º, inciso I, da Constituição da República e nos artigos 18, inciso VI, 77, inciso IV, e parágrafo 2º e 89, parágrafo 2º, todos da Resolução nº 92, de 13 de março de 2013 (Regimento Interno do Conselho Nacional do Ministério Público) e com base na Reclamação Disciplinar nº CNMP 0.00.000.001022/2014-09,resolve:
1. Instaurar Processo Administrativo Disciplinar em face do Procurador da República no Distrito Federal, VALTAN TIMBÓ MARTINS MENDES FURTADO, em razão dos seguintes fatos:
"No período compreendido entre 05 de maio de 2004 a julho de 2015, portanto, por mais 11 (onze) anos, o Procurador da República no Distrito Federal, VALTAN TIMBÓ MARTINS MENDES FURTADO, foi negligente no exercício das suas funções ministeriais, tendo em vista o atraso ao dar andamento em 245 (duzentos e quarenta e cinco) feitos que estavam sob a sua responsabilidade, conforme conclusão da Comissão de Inquérito Administrativo, composta por Membros do ministério Público Federal, e de acordo com a tabela em anexo."
2. Indicar, atendendo à exposição das circunstâncias dos fatos acima realizada, que o Procurador da República no Distrito Federal, VALTAN TIMBÓ MARTINS MENDES FURTADO, em virtude de prática, em tese, da falta funcional prevista no art. 241, inciso I, da Lei Complementar n. 75/93, punível com advertência, uma vez que foi negligente no exercício da função, tendo em vista o atraso ao dar andamento em 245 (duzentos e quarenta e cinco) feitos que estavam sob a sua responsabilidade.

ALESSANDRO TRAMUJAS ASSAD
Ministério Público da União.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Imprensa burguesa quer jogar Dirceu na lama onde ela sempre chafurdou



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre
 
José Dirceu sabe o que é a luta política, bem como compreende que a direita é o status quo.

José Dirceu é a moeda “forte” e a opção política mais viável para que a imprensa de negócios privados dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, principalmente os das Organizações(?) Globo, quando eles querem ressuscitar os ataques às lideranças e aos governantes do PT, principalmente quando percebem, por exemplo, que algum desejo ou conspiração engendrados por eles, como o impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, perde o fôlego ou não vai dar em nada, como demonstraram as últimas publicações das revistas direitistas e de oposição, Época e Veja.

Publicações panfletárias e velhas aliadas do submundo, exemplificadas nas parcerias rocambolescas dos dois pasquins com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, além de utilizarem os “serviços” de ex-funcionários de órgãos de informação dos tempos da ditadura militar, como depois foi descoberto e denunciado. Dirceu, sabendo disso, recorreu por meio de seus advogados, ao habeas corpus preventivo, porque já foi julgado e condenado por intermédio de processos que se basearam em “domínio do fato”, criando-se no País, absurdamente, uma nova jurisprudência, sem, no entanto, ter sua culpabilidade, de fato, comprovada, o que denota que o Brasil, após 21 anos de ditadura militar e empresarial, agora está a vivenciar a ditadura das grandes corporações midiáticas, a ter, inequivocadamente, a Justiça e o MP como seus alicerces.

Um verdadeiro absurdo, que chega a ser surreal, até porque, no Brasil, em pleno estado de direito, as pessoas estão a ser presas como forma de pressão para que façam “acordos” de delações premiadas. E esse processo acontece debaixo dos narizes de juízes de tribunais superiores, como o STF, o STJ e o TSE, de entidades de prestígio, a exemplo da OAB, bem como sob o olhar da Procuradoria Geral da República, cujo procurador-geral se omite, não questiona e muito menos denuncia esse desditoso processo digno de um filme de Drácula.

Como já disse antes, tudo isto está a acontecer porque essas autoridades e empresários midiáticos consideram o povo brasileiro um completo idiota, além de burro. Só que tem muito cidadão que vê, percebe e discorda dessas autoridades que estão a usar seus cargos públicos como ferramentas políticas e que vão aos poucos se lambuzando de tanto comer doce. Exagerar com o doce acaba sempre em dor de barriga. E mais cedo ou mais tarde vai ficar nítido e transparente que esses processos são equivocadamente e até mesmo criminosamente direcionados para a luta política.

A verdade é que a direita atua e age em várias frentes e vertentes, mas no fundo, e concretamente, é que o sistema de castas sociais imposto pelos grandes capitalistas inquilinos da Casa Grande luta para controlar o Estado Nacional, tornar o Estado mínimo e, por sua vez, submetê-lo aos ditames econômicos e políticos dos Estados Unidos e de alguns países da Europa Ocidental, que, nitidamente, demonstram certa decadência econômica, além de diminuição de suas influências em âmbito mundial. Nada mais importa ou é maior para a direita do que concretizar esse processo. As “elites” nacionais traem e são mais perigosas aos interesses de seus países do que os estrangeiros. Ainda mais quando se trata de uma “elite” subalterna e colonizada como o é a brasileira. É fato e história. O resto é perfumaria. Ponto.

José Dirceu é parte dessa engrenagem, que visa à espoliação e o “congelamento” do desenvolvimento social e econômico do povo brasileiro, como ocorreu em 1954 e 1964 e acontece neste momento. Exatamente agora, com a campanha quixotesca liderada por Aécio Neves em prol do Impeachment de Dilma. Deixá-lo no olho do furacão, de preferência sazonalmente e ciclicamente, conforme as circunstâncias de momento é uma estratégia que está a dar certo, porque evidenciar José Dirceu nas páginas com manchetes ideologicamente e politicamente perversas e cretinas da imprensa meramente de mercado se tornou uma solução de curto prazo, porque, psicologicamente e instantaneamente, gera indignação e ódio a uma classe média mentalmente reacionária, conservadora, que tem demonstrado rancor, intolerância e violência por estar inconformada com a ascensão social dos pobres e até mesmo com a autonomia do Brasil.

E é exatamente isto o que ocorre e nada mais: hipocrisia ideológica e política. A classe média coxinha e paneleira se tivesse tanta preocupação com a corrupção, ela iria às ruas e diria sempre nas redes sociais que também quer a punição de políticos do PSDB, DEM e PPS, além de indagar duramente o papel da imprensa familiar e corporativa na política brasileira, bem como protestaria contra os malfeitos dos magnatas bilionários de imprensa, que são acusados pela Receita Federal de sonegar impostos, além de importar materiais e equipamentos, a evitar as alfândegas, acusações que remontam ao ex-ministro da Justiça do governo do general Figueiredo, Ibrahim Abi-Ackel. (Pesquise e veja)

O PSDB e aliados, governantes e autoridades são objetos de acusações e denúncias relativos a escândalos às centenas. Até hoje, em um tempo de mais de dez anos, o Mensalão do PSDB não foi julgado quanto mais algum tucano a ser condenado e preso. A Rede Globo é acusada de sonegar os impostos da Copa de 2002. A soma é bilionária, com juros e correção monetária. Seus processos na Receita sumiram, e quem os pegou foi uma servidora do órgão, que já foi expulsa da Receita e responde a processo. E nada sobre este escabroso episódio aconteceu. Está tudo como antes no quartel d’Abrantes dos muito ricos e dos “amigos” da Justiça cega demais e de um MP que só acusa e denuncia os petistas e seus aliados.

Nunca vi a classe média coxinha fazer alardes, bater panelas, vociferar nas sacadas dos apartamentos de barriga cheia ou ficar indignada com a corrupção dos políticos e dos empresários que ela apoia e até admira. Nunca. Como se vê, não é a corrupção que move a atuação política da classe média paneleira e de oposição partidária. O que a move é colocar a direita de volta ao poder. Então não me venha com conversa fiada, manipulação, dissimulação e hipocrisia. É melhor contar outra história. Ponto.

A verdade é que os governos de Lula e Dilma são essencialmente de caráter republicano e foram os que mais prenderam gente rica na história do Brasil, bem como combateram e combatem a corrupção. Agora, se a imprensa alienígena usa as prisões e as delações contra os governos trabalhistas, que estão a prender os ladrões do dinheiro público, o problema é dela e de quem acredita em suas picardias, tramoias, espertezas e pilantragens de fundo político, eleitoral e ideológico. Na minha opinião, acreditar de olhos fechados na imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) é como assinar uma certidão ou um diploma de idiota. É melhor, então, assinar um cheque em branco, porque acreditar nessa imprensa sem ao menos questioná-la é a mesma coisa que entregar as chaves de sua casa para um delinquente ou malfeitor celerado.

Hoje, dia 13 de julho, por exemplo, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, gente da melhor qualidade e que nunca cometeu quaisquer crimes contra o Erário Público, à fiscalização e a economia popular, no decorrer de sua existência, desde os tempos de Irineu Marinho, pai de Roberto, decretou a prisão de José Dirceu. Isto mesmo, a imprensa familiar e empresarial dos Marinho agora manda prender. Aliás, a mídia burguesa transformou o ex-ministro da Casa Civil em um Judas e utiliza seu nome a seu bel-prazer, jogando-o na lama, na qual a grande imprensa dos magnatas bilionários sempre chafurdou, e, consequentemente, tenta sufocá-lo, sem lhe dar o direito de defesa, pois o que interessa é mantê-lo sob uma pressão ininterrupta para que a direita partidária e os segmentos empresariais, que se beneficiam dela, possam voltar a conquistar a Presidência da República.

José Dirceu é usado apenas como ferramenta para que o PT, o Lula e a Dilma sejam desqualificados como entes políticos e partidários, bem como terem suas imagens desconstruídas e suas ações políticas criminalizadas, além de sistematicamente judicializadas. Quando José Dirceu apresenta à Justiça um pedido de habeas corpus preventivo e depois recorre é porque ele tem a compreensão de que será preso, sem direito à defesa, porque já está determinado que mesmo se o ex-ministro provar que seus negócios são legais e que ele não incorreu em malfeitos, no que tange à sua empresa receber pagamentos por suas consultorias, nada impedirá a Polícia Federal, que não sabe distinguir o que é propina do que é pagamento lícito, bem como confunde doações legais de campanha com desvios de recursos provenientes dos setores público e privado.

A verdade é a seguinte: não basta espezinhar o José Dirceu, desconstruir sua imagem e linchá-lo publicamente desde 2005, quando os conservadores, entreguistas e neoliberais fizeram do mensalão uma arma para derrotar o PT eleitoralmente. Dirceu é o ícone e o alvo a ser morto e ressuscitado conforme as conveniências do status quo, da direita brasileira, uma das mais perversas, colonizadas e atrasadas do mundo. Afinal são quase 400 anos de escravidão e a casa grande deste País tem o DNA desse horror e como tal se comporta e se move.

Dirceu, na verdade, é um dos mais importantes intelectuais de esquerda e um dos principais estrategistas da chegada de Lula como presidente da República. O político petista pegou em armas, foi trocado pela guerrilha por embaixador estrangeiro, e, tal qual a Lula e a Brizola, nunca se deixou cooptar pelo establishment, como o foram os esquerdistas e socialistas que integram as hostes do PPS e do PSDB. Ou as pessoas se esqueceram de Aloysio Nunes Ferreira, José Aníbal, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Alberto Goldman e Roberto Freire, dentre muitos outros que se bandearam? Estes, sim, foram cooptados e, por seu turno, pularam o muro, ao ponto de entregarem o Brasil à gringada neocolonialista quando estiveram no poder na década de 1990. Os tucanos e seus aliados traíram suas convicções e suas próprias histórias políticas. José Dirceu não traiu sua consciência e muito menos se tornou um pária ideológico, como alguns tucanos e companhia limitada se tornaram.

Mais uma vez Dirceu é jogado aos leões por um juiz e policiais que resolveram fazer política de oposição ao Governo Trabalhista, em visível usurpação de seus cargos públicos. O PT é fruto de seus membros, que são seres humanos que erram e, se erraram, devem ser investigados, bem como se for o caso, punidos. Agora, as campanhas eleitorais do PT, os processos administrativos e governamentais do partido que governa o Brasil serem sempre objetos de acusações e denúncias, sendo que muitas delas depois são comprovadamente vazias, são casos que assombram os cidadãos que acreditam na democracia e no estado de direito. A operação Lava a Jato virou Vaza a Jato. Uma desfaçatez inenarrável, porque os vazamentos são seletivos e sempre contra o PT e seus aliados. A PF, a Justiça e o MP tem de ser obrigatoriamente republicanos.

A direita brasileira, principalmente se for tucana ou vinculada aos órgãos de comunicação privados é inimputável. Esta realidade é tão clara como um dia de muito sol e sem nuvens. Não dá para não perceber ou tergiversar. José Dirceu é de longe o político mais perseguido do Brasil redemocratizado. O que fazem com ele é uma covardia. Há mais de dez anos sua integridade moral e pessoal é achincalhada e perversamente desmoralizada em público pela oposição de essência e propósitos fascistas, bem como pela mídia burguesa historicamente golpista, que tem uma folha corrida quilométrica, além de um teto de vidro.

Porém, a Justiça e o Ministério Público fingem ser imparciais, quando a verdade é que não o são. Além disso, quem vaza informações a aos jornalistas empregados da imprensa de mercado são os delegados da Polícia Federal, pois conservadores politicamente e que por tradição sempre defenderam os interesses do status quo, desde os tempos da ditadura militar, quando a Polícia Federal foi criada. É também uma questão de seu DNA.

A verdade é que essas instituições deixaram de ser republicanas há muito tempo, pois se aliaram, indubitavelmente, aos interesses da oposição. E ninguém faz nada! Nem o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no que concerne a combater os excessos anticonstitucionais, os vazamentos ilegais dos autos, das gravações e das investigações, além da seletividade política de algumas ações da Polícia Federal. Cardozo se comporta igual à personagem da canção de Chico Buarque, porque fica a ver “o tempo passar na janela e só Carolina não viu”. A Imprensa burguesa quer jogar Dirceu na lama onde ela sempre chafurdou. É isso aí.